Governo contra Governo
Correio Braziliense
Nunca houve uma disputa tão engravatada no PT. Nunca o partido e o establishment se confundiram tanto. As relações se tornaram cada vez mais complicadas
Uma espiada nas listas de candidatos das principais chapas que disputam o Diretório Nacional do PT impressiona pelo poder de fogo dos militantes envolvidos. Fica claro que o comando do partido não é a única coisa em jogo. O que está na balança é a orientação do governo e a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A chapa Construindo um Novo Brasil, que tenta reeleger Ricardo Berzoini para a presidência do partido, é a mais estrelada. Sua nominata inclui três ministros. Luiz Dulci (Secretário Geral da Presidência), Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e Paulo Bernardo (Planejamento). A lista prossegue com um governador, três senadores, 20 deputados federais e 15 deputados estaduais. Inclui também petistas sem status de ministro mas com gabinetes bem colocados no Palácio do Planalto, como o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, e o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho.
Os adversários da chapa Mensagem ao Partido também alinham três ministros: Tarso Genro(Justiça), Fernando Haddad (Educação) e Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário). A eles se juntam um governador, dois senadores, quinze deputados federais e dez estaduais.
Até a chapa A Esperança é Vermelha, que reúne as correntes mais à esquerda do partido, tem o seu ministro. É Altemir Gregolin, da Pesca. Além, é claro, da cota de parlamentares. A corrente Partido é para Lutar, do deputado Jilmar Tatto (SP), tem menos presença de governo mas mostra força no Congresso. São 17 deputados federais. Entre eles, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (SP).
Nunca houve uma disputa tão engravatada no PT. Nunca o partido e o establishment se confundiram tanto. As relações se tornaram cada vez mais complicadas.
Um exemplo dessas contradições é a relação entre as correntes Construindo um Novo Brasil e Mensagem ao Partido. As duas são intrinsecamente governistas. Não apenas estão recheadas de ministros e altos funcionários do governo. A questão é qualitativa. Os ministros que as integram estão entre os mais ligados a Lula. Luiz Dulci, Marco Aurélio Garcia e Gilberto Carvalho estão entre os interlocutores mais privilegiados do presidente. Gente que Lula ouve. Do outro lado está Tarso Genro, que até o início do ano era o articulador político do Planalto e foi responsável pela montagem da coalizão que apoia o governo no Congresso.
Apesar desse governismo, a relação entre as duas chapas é muito ruim. A Mensagem ao Partido foi construída com base em uma dura crítica à antiga direção do partido, controlada pela tendência que se chamava Campo Majoritário. Essa corrente, liderada pelo ex-ministro José Dirceu, mudou de nome para Construindo um Novo Brasil. Continua sendo a mais poderosa dentro da legenda e hoje trabalha pela reeleição de Berzoini. A mensagem original, lançada por Tarso e outros dirigentes petistas previa a “refundação do PT” e atribuía à direção partidária a crise ética vivida pelo PT desde o escândalo do mensalão. Seu candidato à presidência é o deputado José Eduardo Dutra (SP), um parlamentar que segue as orientações do Planalto, mas é identificado com o lado ético do PT.
Por determinação de Lula, o confronto fica contido dentro das regras da boa convivência. Os ministros envolvidos, por exemplo, evitam participar de debates públicos para evitar que as divergências sejam exploradas pela imprensa. Mas dentro do partido e do governo ninguém desconhece que as diferenças políticas são profundas e as relações desgastadas.
E isso entre as duas chapas mais próximas a Lula. As divergência são grandes também em relação às outras duas correntes com candidatos viáveis à presidência do partido. A chapa A Esperança é Vermelha, que lançou o nome do dirigente Valter Pomar, tem o perfil ideológico mais à esquerda. Defende o governo Lula, por entender que a oposição representa uma reação da direita. Mas critica os rumos do governo, que considera tímido e insuficiente. Quer pressionar Lula a dar uma guinada à esquerda.
O outro candidato é o deputado federal Jilmar Tatto (SP). Sua chapa é mais pragmática e a principal preocupação é a ocupação de espaços no PT e no governo. Suas bases estão no Congresso e no PT de São Paulo.
Correio Braziliense
Nunca houve uma disputa tão engravatada no PT. Nunca o partido e o establishment se confundiram tanto. As relações se tornaram cada vez mais complicadas
Uma espiada nas listas de candidatos das principais chapas que disputam o Diretório Nacional do PT impressiona pelo poder de fogo dos militantes envolvidos. Fica claro que o comando do partido não é a única coisa em jogo. O que está na balança é a orientação do governo e a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A chapa Construindo um Novo Brasil, que tenta reeleger Ricardo Berzoini para a presidência do partido, é a mais estrelada. Sua nominata inclui três ministros. Luiz Dulci (Secretário Geral da Presidência), Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e Paulo Bernardo (Planejamento). A lista prossegue com um governador, três senadores, 20 deputados federais e 15 deputados estaduais. Inclui também petistas sem status de ministro mas com gabinetes bem colocados no Palácio do Planalto, como o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, e o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho.
Os adversários da chapa Mensagem ao Partido também alinham três ministros: Tarso Genro(Justiça), Fernando Haddad (Educação) e Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário). A eles se juntam um governador, dois senadores, quinze deputados federais e dez estaduais.
Até a chapa A Esperança é Vermelha, que reúne as correntes mais à esquerda do partido, tem o seu ministro. É Altemir Gregolin, da Pesca. Além, é claro, da cota de parlamentares. A corrente Partido é para Lutar, do deputado Jilmar Tatto (SP), tem menos presença de governo mas mostra força no Congresso. São 17 deputados federais. Entre eles, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (SP).
Nunca houve uma disputa tão engravatada no PT. Nunca o partido e o establishment se confundiram tanto. As relações se tornaram cada vez mais complicadas.
Um exemplo dessas contradições é a relação entre as correntes Construindo um Novo Brasil e Mensagem ao Partido. As duas são intrinsecamente governistas. Não apenas estão recheadas de ministros e altos funcionários do governo. A questão é qualitativa. Os ministros que as integram estão entre os mais ligados a Lula. Luiz Dulci, Marco Aurélio Garcia e Gilberto Carvalho estão entre os interlocutores mais privilegiados do presidente. Gente que Lula ouve. Do outro lado está Tarso Genro, que até o início do ano era o articulador político do Planalto e foi responsável pela montagem da coalizão que apoia o governo no Congresso.
Apesar desse governismo, a relação entre as duas chapas é muito ruim. A Mensagem ao Partido foi construída com base em uma dura crítica à antiga direção do partido, controlada pela tendência que se chamava Campo Majoritário. Essa corrente, liderada pelo ex-ministro José Dirceu, mudou de nome para Construindo um Novo Brasil. Continua sendo a mais poderosa dentro da legenda e hoje trabalha pela reeleição de Berzoini. A mensagem original, lançada por Tarso e outros dirigentes petistas previa a “refundação do PT” e atribuía à direção partidária a crise ética vivida pelo PT desde o escândalo do mensalão. Seu candidato à presidência é o deputado José Eduardo Dutra (SP), um parlamentar que segue as orientações do Planalto, mas é identificado com o lado ético do PT.
Por determinação de Lula, o confronto fica contido dentro das regras da boa convivência. Os ministros envolvidos, por exemplo, evitam participar de debates públicos para evitar que as divergências sejam exploradas pela imprensa. Mas dentro do partido e do governo ninguém desconhece que as diferenças políticas são profundas e as relações desgastadas.
E isso entre as duas chapas mais próximas a Lula. As divergência são grandes também em relação às outras duas correntes com candidatos viáveis à presidência do partido. A chapa A Esperança é Vermelha, que lançou o nome do dirigente Valter Pomar, tem o perfil ideológico mais à esquerda. Defende o governo Lula, por entender que a oposição representa uma reação da direita. Mas critica os rumos do governo, que considera tímido e insuficiente. Quer pressionar Lula a dar uma guinada à esquerda.
O outro candidato é o deputado federal Jilmar Tatto (SP). Sua chapa é mais pragmática e a principal preocupação é a ocupação de espaços no PT e no governo. Suas bases estão no Congresso e no PT de São Paulo.