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Publicado: 8/11/2007 | 09:24
Sobram 116 mil vagas no país. Falta qualificação
Ricardo Allan
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Apesar do desemprego que atinge mais de 9 milhões de pessoas, a indústria e o comércio sofrem com a carência de mão-de-obra especializada. Apenas 18,3% dos que buscam um posto estão aptos
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra uma realidade contraditória no mercado de trabalho brasileiro. Ao mesmo tempo em que o desemprego atinge 9,134 milhões de pessoas, alguns setores da economia têm carência de mão-de-obra qualificada. Na indústria, existem 116,6 mil vagas esperando por pessoas com formação técnica e experiência profissional, número que chega a 6,7 mil no comércio e reparação de produtos. A pesquisa mostrou também o baixo grau de qualificação do trabalhador brasileiro. Apenas 18,3% dos que procuram emprego são qualificados.
“Estamos vivendo um quadro paradoxal. Num país em que sobram trabalhadores dispostos a obter um posto, falta mão-de-obra qualificada. Mas esse é um bom problema, pois os empregos estão sendo gerados. Um mau problema seria se o país não estivesse criando vagas”, disse o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, coordenador do estudo Demanda e perfil dos trabalhadores formais no Brasil em 2007. Segundo os dados divulgados ontem, no resultado total do país, há uma sobra de 84 mil trabalhadores qualificados, que não serão absorvidos pelo mercado de trabalho neste ano.
Nas estimativas do Ipea, a indústria terá 445,6 mil vagas para profissionais qualificados em 2007, mas existem apenas 329 mil pessoas com o currículo adequado. Dos 15 segmentos econômicos onde há mais oferta de vagas do que pessoal, 10 são industriais. A lista é liderada pelo ramo químico e petroquímico(escassez de 25,3 mil trabalhadores), seguido de fabricação de produtos de transportes, mecânicos, extrativista mineral, minerais metálicos e eletroeletrônicos. O comércio varejista e os serviços de comunicação também sentem falta de pessoal qualificado.
No outro lado da realidade, 10 segmentos econômicos têm mais gente capaz do que necessitam. Na liderança do ranking, está a construção civil, com um saldo de 76,1 mil pessoas. “O nível de atividade da construção está se recuperando no país, mas ainda tem que crescer muito para absorver todo esse pessoal”, afirmou Pochmann. A lista tem ainda o setor agropecuário (75,8 mil), serviços de alojamento e alimentação, indústria de produtos de madeira e mobiliário, além da administração pública, defesa e seguridade social (25,6 mil), entre outros.
Para Pochmann, o estudo desautoriza as propostas de importação de mão de obra-qualificada, já que está sobrando esse tipo de trabalhador no geral. Além disso, ele aponta para a necessidade de planejamento de políticas públicas, com a criação de um grande sistema nacional de realocação de trabalhadores no território nacional e um abrangente programa de treinamento. “Os profissionais qualificados que estão procurando emprego e não acham poderiam migrar para áreas e setores em que sua força de trabalho seria bem-vinda. Eles só precisam de informação e treinamento”, disse.
O estudo mostrou também o que Pochmann chamou de “nova geoeconomia” do trabalho, com o dinamismo saindo da Região Sudeste e se dirigindo para outras de menor relevo nos últimos 20 anos. O Norte, o Sul e o Centro-Oeste apresentam déficit de pessoal qualificado, enquanto o Sudeste e o Nordeste têm excesso. “Hoje, o Sudeste expulsa mão-de-obra. Existe uma sobra grande de pessoal no Nordeste porque o crescimento econômico da região ainda é menor do que o necessário”, justificou.
No Centro-Oeste, há uma falta de 13,4 mil trabalhadores com formação, principalmente na indústria têxtil, de vestuário e calçados, serviços de telecomunicação e de apoio às empresas. De acordo com o Ipea, o perfil do trabalhador procurado pelos setores com escassez de mão-de-obra qualificada ainda é preconceituoso: homem, não-negro, na faixa dos 31 aos 37 anos e com 8,2 a 13,1 anos de estudo. A remuneração média fica entre R$ 640, no setor de indústria têxtil e de calçados, e R$ 1.916, no setor financeiro.
Perfil do contratado
Das vagas ocupadas neste ano…
63,3% são de homens
36,7% são de mulheres
57,9% são de pessoas não negras
42,1% são de negras
O trabalhador tem, em média…
33,8 anos de idade
9,3 anos de escolaridade
R$ 942,80 de salário
Ricardo Allan
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Apesar do desemprego que atinge mais de 9 milhões de pessoas, a indústria e o comércio sofrem com a carência de mão-de-obra especializada. Apenas 18,3% dos que buscam um posto estão aptos
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra uma realidade contraditória no mercado de trabalho brasileiro. Ao mesmo tempo em que o desemprego atinge 9,134 milhões de pessoas, alguns setores da economia têm carência de mão-de-obra qualificada. Na indústria, existem 116,6 mil vagas esperando por pessoas com formação técnica e experiência profissional, número que chega a 6,7 mil no comércio e reparação de produtos. A pesquisa mostrou também o baixo grau de qualificação do trabalhador brasileiro. Apenas 18,3% dos que procuram emprego são qualificados.
“Estamos vivendo um quadro paradoxal. Num país em que sobram trabalhadores dispostos a obter um posto, falta mão-de-obra qualificada. Mas esse é um bom problema, pois os empregos estão sendo gerados. Um mau problema seria se o país não estivesse criando vagas”, disse o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, coordenador do estudo Demanda e perfil dos trabalhadores formais no Brasil em 2007. Segundo os dados divulgados ontem, no resultado total do país, há uma sobra de 84 mil trabalhadores qualificados, que não serão absorvidos pelo mercado de trabalho neste ano.
Nas estimativas do Ipea, a indústria terá 445,6 mil vagas para profissionais qualificados em 2007, mas existem apenas 329 mil pessoas com o currículo adequado. Dos 15 segmentos econômicos onde há mais oferta de vagas do que pessoal, 10 são industriais. A lista é liderada pelo ramo químico e petroquímico(escassez de 25,3 mil trabalhadores), seguido de fabricação de produtos de transportes, mecânicos, extrativista mineral, minerais metálicos e eletroeletrônicos. O comércio varejista e os serviços de comunicação também sentem falta de pessoal qualificado.
No outro lado da realidade, 10 segmentos econômicos têm mais gente capaz do que necessitam. Na liderança do ranking, está a construção civil, com um saldo de 76,1 mil pessoas. “O nível de atividade da construção está se recuperando no país, mas ainda tem que crescer muito para absorver todo esse pessoal”, afirmou Pochmann. A lista tem ainda o setor agropecuário (75,8 mil), serviços de alojamento e alimentação, indústria de produtos de madeira e mobiliário, além da administração pública, defesa e seguridade social (25,6 mil), entre outros.
Para Pochmann, o estudo desautoriza as propostas de importação de mão de obra-qualificada, já que está sobrando esse tipo de trabalhador no geral. Além disso, ele aponta para a necessidade de planejamento de políticas públicas, com a criação de um grande sistema nacional de realocação de trabalhadores no território nacional e um abrangente programa de treinamento. “Os profissionais qualificados que estão procurando emprego e não acham poderiam migrar para áreas e setores em que sua força de trabalho seria bem-vinda. Eles só precisam de informação e treinamento”, disse.
O estudo mostrou também o que Pochmann chamou de “nova geoeconomia” do trabalho, com o dinamismo saindo da Região Sudeste e se dirigindo para outras de menor relevo nos últimos 20 anos. O Norte, o Sul e o Centro-Oeste apresentam déficit de pessoal qualificado, enquanto o Sudeste e o Nordeste têm excesso. “Hoje, o Sudeste expulsa mão-de-obra. Existe uma sobra grande de pessoal no Nordeste porque o crescimento econômico da região ainda é menor do que o necessário”, justificou.
No Centro-Oeste, há uma falta de 13,4 mil trabalhadores com formação, principalmente na indústria têxtil, de vestuário e calçados, serviços de telecomunicação e de apoio às empresas. De acordo com o Ipea, o perfil do trabalhador procurado pelos setores com escassez de mão-de-obra qualificada ainda é preconceituoso: homem, não-negro, na faixa dos 31 aos 37 anos e com 8,2 a 13,1 anos de estudo. A remuneração média fica entre R$ 640, no setor de indústria têxtil e de calçados, e R$ 1.916, no setor financeiro.
Perfil do contratado
Das vagas ocupadas neste ano…
63,3% são de homens
36,7% são de mulheres
57,9% são de pessoas não negras
42,1% são de negras
O trabalhador tem, em média…
33,8 anos de idade
9,3 anos de escolaridade
R$ 942,80 de salário