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Publicado: 29/11/2007 | 08:31
Rio prende fiscais por corrupção
Pedro Dantas
O Estado de S. Paulo
O Estado de S. Paulo
Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público Estadual, esquema de corrupção sonegou cerca de R$ 1 bilhão
O Ministério Público Estadual e a Polícia Civil do Rio prenderam ontem 24 pessoas, sendo 11 fiscais da Secretaria de Fazenda do Estado, acusadas de integrar esquema de corrupção. Segundo a investigação, que durou sete meses, o esquema sonegou cerca de R$ 1 bilhão dos cofres públicos do Rio. O procurador-geral de Justiça, Marfan Vieira, disse que também estão envolvidos 6 empresários, 7 contadores e outras 7 pessoas que lesaram os cofres públicos “em três propinodutos”.
“Apenas na casa de um dos fiscais foram apreendidos R$ 289 mil. Tivemos que requisitar uma máquina de contar dinheiro para concluir o trabalho”, contou o procurador. Os fiscais são acusados de cobrar propinas para não multar empresas e dar “consultorias” em que ensinavam a driblar a Receita estadual. Outros dez fiscais foram afastados das funções. Todos foram indiciados por formação de quadrilha, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva. Sete acusados estão foragidos.
A operação para cumprir 31 mandados de prisão e 106 de busca e apreensão começou na manhã de ontem em vários bairros do Rio e de Niterói, envolvendo 360 policiais e promotores. Os presos foram levados para o Centro de Investigação e Apuração Criminal do Ministério Público, onde seriam ouvidos. Dinheiro, documentos e computadores apreendidos foram para o mesmo local.
“Há um ano começamos a investigação de campo. Foram 2.053 horas de escutas telefônicas em 107 mil ligações gravadas durante 10 meses, que produziram farto material comprobatório. Os bens seqüestrados e bloqueados são absolutamente incompatíveis com os ganhos dos fiscais. Um deles tinha uma lancha de 37 pés”, afirmou Vieira. O procurador-geral contou que entre os bens apreendidos estão imóveis avaliados em R$ 4 milhões e automóveis de luxo. Os valores bloqueados em algumas contas bancárias passam de R$ 1 milhão. Os fiscais acusados ganhavam R$ 9 mil, eram lotados em inspetorias regionais da região metropolitana e estavam em fim de carreira.
Apontado como um dos mentores do esquema, Francisco Ribeiro da Cunha Gomes, o Chico Olho de Boi, foi preso no estacionamento do Aeroporto Internacional Tom Jobim quando se preparava para fugir para Manaus. Gomes começou a ser investigado pelo Ministério Público há um ano, mas seu nome ficou conhecido em agosto após denúncias na CPI da Assembléia Legislativa que apurou a queda de arrecadação do ICMS. Seu advogado, Fernando Fragoso, não quis dar declarações, alegando que ainda não teve acesso ao inquérito para saber detalhes das acusações.
‘CRIME SILENCIOSO’
“O valor de R$ 1 bilhão que o Estado deixou de arrecadar pagaria a folha salarial dos profissionais estaduais da educação por seis meses”, calculou o secretário da Fazenda, Joaquim Levy. O secretário da Segurança Pública, José Mariano Beltrame, comemorou as prisões e disse que fiscais e empresários corruptores praticam “crime silencioso”. “Isso sim é crime organizado, pois conta com pessoas especializadas”, declarou.
Cerca de 80 empresas de médio e grande porte foram investigadas. Segundo o Ministério Público, seis empresários acusados são dos ramos de medicamentos, informática e autopeças. Fiscais da Fazenda disseram que a atuação da quadrilha era conhecida. “Acho louvável o fato de a operação ter prendido os corruptores e não só os corrompidos”, disse o presidente do Sindicato dos Fiscais de Rendas, João Bosco Azevedo.
Pedro Dantas
O Estado de S. Paulo
O Estado de S. Paulo
Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público Estadual, esquema de corrupção sonegou cerca de R$ 1 bilhão
O Ministério Público Estadual e a Polícia Civil do Rio prenderam ontem 24 pessoas, sendo 11 fiscais da Secretaria de Fazenda do Estado, acusadas de integrar esquema de corrupção. Segundo a investigação, que durou sete meses, o esquema sonegou cerca de R$ 1 bilhão dos cofres públicos do Rio. O procurador-geral de Justiça, Marfan Vieira, disse que também estão envolvidos 6 empresários, 7 contadores e outras 7 pessoas que lesaram os cofres públicos “em três propinodutos”.
“Apenas na casa de um dos fiscais foram apreendidos R$ 289 mil. Tivemos que requisitar uma máquina de contar dinheiro para concluir o trabalho”, contou o procurador. Os fiscais são acusados de cobrar propinas para não multar empresas e dar “consultorias” em que ensinavam a driblar a Receita estadual. Outros dez fiscais foram afastados das funções. Todos foram indiciados por formação de quadrilha, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva. Sete acusados estão foragidos.
A operação para cumprir 31 mandados de prisão e 106 de busca e apreensão começou na manhã de ontem em vários bairros do Rio e de Niterói, envolvendo 360 policiais e promotores. Os presos foram levados para o Centro de Investigação e Apuração Criminal do Ministério Público, onde seriam ouvidos. Dinheiro, documentos e computadores apreendidos foram para o mesmo local.
“Há um ano começamos a investigação de campo. Foram 2.053 horas de escutas telefônicas em 107 mil ligações gravadas durante 10 meses, que produziram farto material comprobatório. Os bens seqüestrados e bloqueados são absolutamente incompatíveis com os ganhos dos fiscais. Um deles tinha uma lancha de 37 pés”, afirmou Vieira. O procurador-geral contou que entre os bens apreendidos estão imóveis avaliados em R$ 4 milhões e automóveis de luxo. Os valores bloqueados em algumas contas bancárias passam de R$ 1 milhão. Os fiscais acusados ganhavam R$ 9 mil, eram lotados em inspetorias regionais da região metropolitana e estavam em fim de carreira.
Apontado como um dos mentores do esquema, Francisco Ribeiro da Cunha Gomes, o Chico Olho de Boi, foi preso no estacionamento do Aeroporto Internacional Tom Jobim quando se preparava para fugir para Manaus. Gomes começou a ser investigado pelo Ministério Público há um ano, mas seu nome ficou conhecido em agosto após denúncias na CPI da Assembléia Legislativa que apurou a queda de arrecadação do ICMS. Seu advogado, Fernando Fragoso, não quis dar declarações, alegando que ainda não teve acesso ao inquérito para saber detalhes das acusações.
‘CRIME SILENCIOSO’
“O valor de R$ 1 bilhão que o Estado deixou de arrecadar pagaria a folha salarial dos profissionais estaduais da educação por seis meses”, calculou o secretário da Fazenda, Joaquim Levy. O secretário da Segurança Pública, José Mariano Beltrame, comemorou as prisões e disse que fiscais e empresários corruptores praticam “crime silencioso”. “Isso sim é crime organizado, pois conta com pessoas especializadas”, declarou.
Cerca de 80 empresas de médio e grande porte foram investigadas. Segundo o Ministério Público, seis empresários acusados são dos ramos de medicamentos, informática e autopeças. Fiscais da Fazenda disseram que a atuação da quadrilha era conhecida. “Acho louvável o fato de a operação ter prendido os corruptores e não só os corrompidos”, disse o presidente do Sindicato dos Fiscais de Rendas, João Bosco Azevedo.