antigas Publicado: 10/12/2007 | 08:36

A maior aposta do ministro Mantega

Artigo - Marcello D'Angelo
Gazeta Mercantil

A renovação da CPMF virou uma bandeira para o governo Lula. Assim como a privatização ou a distribuição de benefícios sociais, a armada política do governo petista amolou espadas e está em luta. Por mais R$ 40 bilhões ao ano a base aliada, ministros e até o presidente da República já tentaram de tudo para garantir os votos da oposição: acordos para reforma futura do sistema tributário nacional; modificações na própria taxação que nasceu provisória, mas teima-se querer eternizar; aceleração da liberação de verbas para emendas de parlamentares e, com a constatação de que pouco ou nada se avançou na guerra, retaliação pura e simples. O líder da cruzada governista é o ministro da fazenda, Guido Mantega. Desde a campanha eleitoral em 2002, quando desempenhava o papel de principal assessor econômico da equipe do então candidato, o economista formado pela USP e italiano naturalizado brasileiro não tinha tanto protagonismo. Qualquer que seja o resultado, o maior responsável será o ministro da Fazenda. Por que coube a ele essa tarefa? Primeiro porque Mantega, sem possibilidade de candidatar-se à Presidência, já que não é brasileiro nato, pode investir seu capital político e institucional nesta causa. Diferente de Dilma Rousseff que, muitos apostam, poderia ser candidata a suceder o atual presidente e, para isso, precisa ser poupada. Nesta jornada de busca da renovação do imposto, a ministra simplesmente não apareceu em momento algum. Segundo, pelo próprio perfil que o caracteriza Mantega. Voluntarioso, tenaz e, sobretudo, leal, especialmente em relação ao chefe. Quando Lula assumiu no primeiro mandato em 2003, esperava-se que Mantega fosse designado para a pasta mais importante da área econômica. Preterido pelo médico e então deputado federal Antonio Palocci, o amigo de longa data do presidente (é seu assessor econômico desde 1993), sempre um grande voluntário antes de tudo, ocupou-se primeiro do Ministério do Planejamento. Em quase dois anos liderou uma das tarefas mais desgastantes para qualquer gestor: um amplo programa de cortes e adequações na máquina pública e seus orçamentos imensos, mas sempre insuficientes. Após esse período, assumiu a presidência do BNDES por um ano e meio. Daí em diante começou a experimentar a função de direcionar orçamentos em busca de resultados e desenvolvimento. À frente do Ministério da Fazenda tem se notabilizado por uma gestão que fincou de vez o pé no aceleração do crescimento. Ele assume que no primeiro mandato do presidente Lula só foi possível avançar na transferência de renda para os miseráveis e o empreendimento de recuperar e criar infra-estrutura para o País se desenvolver só deve decolar agora, a partir de 2008. Os programas de bolsas à população carente que se iniciaram com cerca de R$ 2 bilhões hoje já recebem R$ 10 bilhões. Guido Mantega fala com entusiasmo do que ele chama de admirável mercado de consumo de massa no Brasil, uma nova classe média com dezenas de milhões de consumidores.
Infelizmente para a economia brasileira, essa conquista expressiva que é a distribuição um pouco mais igualitária da renda não muda o futuro. Nada adiantará se ao lado desta farra de consumo não se avançar com mais vigor em questões fundamentais como infra-estrutura, financiamentos com juros menores e alívio da sobrecarga tributária. Não é possível o País desperdiçar a onda de liquidez internacional e crescimento mundial e não construir mais estradas, portos, aeroportos, ferrovias, além de gerar energia com custos acessíveis. É importante oferecer crédito para a expansão da atividade produtiva, aproveitando a demanda aquecida nos mercados exteriores. Sem esse esforço paralelo, o trabalho do ministro Guido Mantega pela renovação da CPMF pode apenas garantir mais alguns anos de divisão de um bolo que não cresceu o suficiente para alimentar a todos os brasileiros.
kicker: Renovação da CPMF é pouco para o Brasil garantir o crescimento econômico.

Artigo - Marcello D'Angelo
Gazeta Mercantil

A renovação da CPMF virou uma bandeira para o governo Lula. Assim como a privatização ou a distribuição de benefícios sociais, a armada política do governo petista amolou espadas e está em luta. Por mais R$ 40 bilhões ao ano a base aliada, ministros e até o presidente da República já tentaram de tudo para garantir os votos da oposição: acordos para reforma futura do sistema tributário nacional; modificações na própria taxação que nasceu provisória, mas teima-se querer eternizar; aceleração da liberação de verbas para emendas de parlamentares e, com a constatação de que pouco ou nada se avançou na guerra, retaliação pura e simples. O líder da cruzada governista é o ministro da fazenda, Guido Mantega. Desde a campanha eleitoral em 2002, quando desempenhava o papel de principal assessor econômico da equipe do então candidato, o economista formado pela USP e italiano naturalizado brasileiro não tinha tanto protagonismo. Qualquer que seja o resultado, o maior responsável será o ministro da Fazenda. Por que coube a ele essa tarefa? Primeiro porque Mantega, sem possibilidade de candidatar-se à Presidência, já que não é brasileiro nato, pode investir seu capital político e institucional nesta causa. Diferente de Dilma Rousseff que, muitos apostam, poderia ser candidata a suceder o atual presidente e, para isso, precisa ser poupada. Nesta jornada de busca da renovação do imposto, a ministra simplesmente não apareceu em momento algum. Segundo, pelo próprio perfil que o caracteriza Mantega. Voluntarioso, tenaz e, sobretudo, leal, especialmente em relação ao chefe. Quando Lula assumiu no primeiro mandato em 2003, esperava-se que Mantega fosse designado para a pasta mais importante da área econômica. Preterido pelo médico e então deputado federal Antonio Palocci, o amigo de longa data do presidente (é seu assessor econômico desde 1993), sempre um grande voluntário antes de tudo, ocupou-se primeiro do Ministério do Planejamento. Em quase dois anos liderou uma das tarefas mais desgastantes para qualquer gestor: um amplo programa de cortes e adequações na máquina pública e seus orçamentos imensos, mas sempre insuficientes. Após esse período, assumiu a presidência do BNDES por um ano e meio. Daí em diante começou a experimentar a função de direcionar orçamentos em busca de resultados e desenvolvimento. À frente do Ministério da Fazenda tem se notabilizado por uma gestão que fincou de vez o pé no aceleração do crescimento. Ele assume que no primeiro mandato do presidente Lula só foi possível avançar na transferência de renda para os miseráveis e o empreendimento de recuperar e criar infra-estrutura para o País se desenvolver só deve decolar agora, a partir de 2008. Os programas de bolsas à população carente que se iniciaram com cerca de R$ 2 bilhões hoje já recebem R$ 10 bilhões. Guido Mantega fala com entusiasmo do que ele chama de admirável mercado de consumo de massa no Brasil, uma nova classe média com dezenas de milhões de consumidores.
Infelizmente para a economia brasileira, essa conquista expressiva que é a distribuição um pouco mais igualitária da renda não muda o futuro. Nada adiantará se ao lado desta farra de consumo não se avançar com mais vigor em questões fundamentais como infra-estrutura, financiamentos com juros menores e alívio da sobrecarga tributária. Não é possível o País desperdiçar a onda de liquidez internacional e crescimento mundial e não construir mais estradas, portos, aeroportos, ferrovias, além de gerar energia com custos acessíveis. É importante oferecer crédito para a expansão da atividade produtiva, aproveitando a demanda aquecida nos mercados exteriores. Sem esse esforço paralelo, o trabalho do ministro Guido Mantega pela renovação da CPMF pode apenas garantir mais alguns anos de divisão de um bolo que não cresceu o suficiente para alimentar a todos os brasileiros.
kicker: Renovação da CPMF é pouco para o Brasil garantir o crescimento econômico.