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Publicado: 10/12/2007 | 09:10
CNI está confiante no futuro
Carlo Iberê e Fernando Exman
Gazeta Mercantil
Presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o deputado Armando Monteiro Neto (PTB-PE) está otimista com o futuro do País. Uma das principais vozes da iniciativa privada no Parlamento, Monteiro Neto demonstra preocupação com a redução da oferta de energia e o aumento dos gastos públicos. Reconhece que a opção do Banco Central de manter a taxa básica de juros foi correta, pois "há algum problema de oferta".
Em seu gabinete na sede da CNI, em Brasília, Monteiro Neto comenta o caos aéreo e a tramitação da proposta de emenda constitucional que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). O deputado demonstrou confiança de que o Executivo enviará ao Congresso, ainda neste ano, um projeto de reforma tributária.
Gazeta Mercantil - O senhor está otimista em relação à economia do País nos próximos anos?
Sim. Apesar de alguns problemas ainda graves, o Brasil é um país que tem uma imensa força empreendedora, uma grande vitalidade, um grande mercado interno, uma boa disponibilidade de recursos, uma matriz energética diversificada e um bom capital humano. No mês passado, por exemplo, 24 alunos do Senai obtiveram o segundo lugar, entre 48 países, no campeonato mundial de conhecimento aplicado ao trabalho, realizado no Japão. O Brasil é um país condenado a ter um papel importante no mundo.
Gazeta Mercantil - A oferta de energia está no limite. Isso preocupa?
A energia nos coloca preocupações a curto e médio prazos. Pode haver um certo descompasso no investimento, pois tivemos uma mudança de modelo. Atrasamos os marcos regulatórios, e temos problemas na área ambiental. Além disso, há um problema no fornecimento de gás no curto prazo e pode haver algum desequilíbrio em função de condições climáticas. Mas o Brasil tem recursos energéticos para poder ser um país auto-suficiente e dispõe de múltiplas fontes. Os problemas são superáveis.
Gazeta Mercantil - Já é um gargalo?
Ainda não é um constrangimento físico. Há a perspectiva de se alavancar investimentos, já que os marcos regulatórios se completaram e a área de licenciamento ambiental começa a fluir melhor. Não tenho dúvida que os investimentos virão, mas também sei que a energia vai se transformar em algo mais caro no mundo.
Gazeta Mercantil - Uma antiga demanda da iniciativa privada é a reforma tributária. Receoso de não contar com a arrecadação da CPMF, o governo adiou o envio de sua proposta ao Congresso e também o anúncio de uma política de desenvolvimento industrial. Isso é um fator limitador?
Será resolvido no curto prazo. A questão da CPMF vai ter que ser resolvida. Ou seja, (os senadores) vão votar. Conto que ainda este ano o governo encaminhe o projeto da reforma tributária e anuncie as linhas da chamada nova política industrial.
Gazeta Mercantil - Essa barganha não é boa para o País...
Não me pareceu uma barganha. Acho que foi para não gerar posições que pudessem criar dificuldades para o processo de votação, caso a proposta de reforma frustrasse as expectativas de alguns setores.
Gazeta Mercantil - Se a CPMF for derrubada, o governo terá que reformular as propostas. Como o Executivo poderá reduzir a carga tributária sem a arrecadação de R$ 40 bilhões por ano?
Sem dúvida nenhuma afetará, mas a política industrial não é só a desoneração tributária. O desenho da reforma tributária não depende muito da questão da CPMF porque, se o governo tiver que compensar receitas, ele fará com alíquotas de impostos e tributos existentes ou de tributos que venham a ser instituídos. Para, por exemplo, simplificar e integrar tributos, você não precisa necessariamente da CPMF.
Gazeta Mercantil - Alguns setores do governo já ameaçaram até aumentar a carga tributária se a CPMF não for aprovada. Representantes da indústria exigem a extinção do imposto. Existe um meio-termo nessa discussão?
Apresentei, como parlamentar, uma emenda ao relatório propondo uma extinção gradual. Defendi isso, inclusive com algum ônus no ambiente empresarial porque outros setores defenderam uma posição pela imediata extinção do tributo. Para mim, o Brasil tem, neste momento, condições de iniciar um processo de desoneração. A arrecadação cresce de forma muito expressiva. O próprio crescimento econômico está dando esse espaço.
Gazeta Mercantil - E por que não a simples extinção?
Não deve ser tão abrupto porque o Brasil ainda tem um ajuste fiscal precário. Essa perda da arrecadação poderá ter algum reflexo do ponto de vista da percepção dos mercados. De repente, pode até afetar o risco-país e ir alguma coisa para a taxa de juros.
Gazeta Mercantil - Comenta-se que o governo pode até reduzir o superávit primário ou cortar investimentos...
Seguramente reduz o superávit. Se essa arrecadação representa 1,5% do PIB e você perde, é evidente que o superávit cai imediatamente. Há alguns programas que o governo não vai poder descontinuar. Então, cai o superávit, aumenta o déficit nominal e a tal relação dívida-PIB, que é muito sensível aos mercados, poderá ser afetada.
Gazeta Mercantil - O senhor acha que o governo gasta mal?
O Brasil vem há mais de 12 anos com um problema que está absolutamente comprovado: gastos correntes crescem acima do crescimento do Produto. A sociedade não aceitará que o aumento de gastos possa ser coberto eternamente por aumento de carga tributária. Está chegando a hora da verdade. Nos primeiros anos, o governo Lula teve uma postura mais austera, mas agora os gastos estão crescendo fortemente. Isso é preocupante. Essa trajetória de crescimento do gasto pode conduzir o País a uma situação delicada.
Gazeta Mercantil - Qual a sua opinião sobre a decisão do Banco Central, que manteve a taxa básica de juros em 11,25% ao ano?
Era previsível. Na medida em que há um sentimento de que a indústria está operando num nível de utilização da capacidade muito alto, isso coloca o risco de certas pressões inflacionárias e algum problema de oferta.
Gazeta Mercantil - Esta a indústria apóia?
Nós ainda achamos que o Brasil tem uma taxa de juro muito alta. Mas, temos de reconhecer que neste momento o Copom tinha que assumir uma posição de maior prudência, tendo em vista inclusive essa questão do cenário externo.
Gazeta Mercantil - O País sofre a crise no mercado de aviação. O apagão aéreo prejudica os negócios?
Há um prejuízo grande para a economia. Essa situação cria custos, afeta a economia e produz transtornos no ambiente econômico. É uma questão que precisa ser resolvida. Há um problema de gestão e outro decorrente de investimentos.
Gazeta Mercantil
Presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o deputado Armando Monteiro Neto (PTB-PE) está otimista com o futuro do País. Uma das principais vozes da iniciativa privada no Parlamento, Monteiro Neto demonstra preocupação com a redução da oferta de energia e o aumento dos gastos públicos. Reconhece que a opção do Banco Central de manter a taxa básica de juros foi correta, pois "há algum problema de oferta".
Em seu gabinete na sede da CNI, em Brasília, Monteiro Neto comenta o caos aéreo e a tramitação da proposta de emenda constitucional que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). O deputado demonstrou confiança de que o Executivo enviará ao Congresso, ainda neste ano, um projeto de reforma tributária.
Gazeta Mercantil - O senhor está otimista em relação à economia do País nos próximos anos?
Sim. Apesar de alguns problemas ainda graves, o Brasil é um país que tem uma imensa força empreendedora, uma grande vitalidade, um grande mercado interno, uma boa disponibilidade de recursos, uma matriz energética diversificada e um bom capital humano. No mês passado, por exemplo, 24 alunos do Senai obtiveram o segundo lugar, entre 48 países, no campeonato mundial de conhecimento aplicado ao trabalho, realizado no Japão. O Brasil é um país condenado a ter um papel importante no mundo.
Gazeta Mercantil - A oferta de energia está no limite. Isso preocupa?
A energia nos coloca preocupações a curto e médio prazos. Pode haver um certo descompasso no investimento, pois tivemos uma mudança de modelo. Atrasamos os marcos regulatórios, e temos problemas na área ambiental. Além disso, há um problema no fornecimento de gás no curto prazo e pode haver algum desequilíbrio em função de condições climáticas. Mas o Brasil tem recursos energéticos para poder ser um país auto-suficiente e dispõe de múltiplas fontes. Os problemas são superáveis.
Gazeta Mercantil - Já é um gargalo?
Ainda não é um constrangimento físico. Há a perspectiva de se alavancar investimentos, já que os marcos regulatórios se completaram e a área de licenciamento ambiental começa a fluir melhor. Não tenho dúvida que os investimentos virão, mas também sei que a energia vai se transformar em algo mais caro no mundo.
Gazeta Mercantil - Uma antiga demanda da iniciativa privada é a reforma tributária. Receoso de não contar com a arrecadação da CPMF, o governo adiou o envio de sua proposta ao Congresso e também o anúncio de uma política de desenvolvimento industrial. Isso é um fator limitador?
Será resolvido no curto prazo. A questão da CPMF vai ter que ser resolvida. Ou seja, (os senadores) vão votar. Conto que ainda este ano o governo encaminhe o projeto da reforma tributária e anuncie as linhas da chamada nova política industrial.
Gazeta Mercantil - Essa barganha não é boa para o País...
Não me pareceu uma barganha. Acho que foi para não gerar posições que pudessem criar dificuldades para o processo de votação, caso a proposta de reforma frustrasse as expectativas de alguns setores.
Gazeta Mercantil - Se a CPMF for derrubada, o governo terá que reformular as propostas. Como o Executivo poderá reduzir a carga tributária sem a arrecadação de R$ 40 bilhões por ano?
Sem dúvida nenhuma afetará, mas a política industrial não é só a desoneração tributária. O desenho da reforma tributária não depende muito da questão da CPMF porque, se o governo tiver que compensar receitas, ele fará com alíquotas de impostos e tributos existentes ou de tributos que venham a ser instituídos. Para, por exemplo, simplificar e integrar tributos, você não precisa necessariamente da CPMF.
Gazeta Mercantil - Alguns setores do governo já ameaçaram até aumentar a carga tributária se a CPMF não for aprovada. Representantes da indústria exigem a extinção do imposto. Existe um meio-termo nessa discussão?
Apresentei, como parlamentar, uma emenda ao relatório propondo uma extinção gradual. Defendi isso, inclusive com algum ônus no ambiente empresarial porque outros setores defenderam uma posição pela imediata extinção do tributo. Para mim, o Brasil tem, neste momento, condições de iniciar um processo de desoneração. A arrecadação cresce de forma muito expressiva. O próprio crescimento econômico está dando esse espaço.
Gazeta Mercantil - E por que não a simples extinção?
Não deve ser tão abrupto porque o Brasil ainda tem um ajuste fiscal precário. Essa perda da arrecadação poderá ter algum reflexo do ponto de vista da percepção dos mercados. De repente, pode até afetar o risco-país e ir alguma coisa para a taxa de juros.
Gazeta Mercantil - Comenta-se que o governo pode até reduzir o superávit primário ou cortar investimentos...
Seguramente reduz o superávit. Se essa arrecadação representa 1,5% do PIB e você perde, é evidente que o superávit cai imediatamente. Há alguns programas que o governo não vai poder descontinuar. Então, cai o superávit, aumenta o déficit nominal e a tal relação dívida-PIB, que é muito sensível aos mercados, poderá ser afetada.
Gazeta Mercantil - O senhor acha que o governo gasta mal?
O Brasil vem há mais de 12 anos com um problema que está absolutamente comprovado: gastos correntes crescem acima do crescimento do Produto. A sociedade não aceitará que o aumento de gastos possa ser coberto eternamente por aumento de carga tributária. Está chegando a hora da verdade. Nos primeiros anos, o governo Lula teve uma postura mais austera, mas agora os gastos estão crescendo fortemente. Isso é preocupante. Essa trajetória de crescimento do gasto pode conduzir o País a uma situação delicada.
Gazeta Mercantil - Qual a sua opinião sobre a decisão do Banco Central, que manteve a taxa básica de juros em 11,25% ao ano?
Era previsível. Na medida em que há um sentimento de que a indústria está operando num nível de utilização da capacidade muito alto, isso coloca o risco de certas pressões inflacionárias e algum problema de oferta.
Gazeta Mercantil - Esta a indústria apóia?
Nós ainda achamos que o Brasil tem uma taxa de juro muito alta. Mas, temos de reconhecer que neste momento o Copom tinha que assumir uma posição de maior prudência, tendo em vista inclusive essa questão do cenário externo.
Gazeta Mercantil - O País sofre a crise no mercado de aviação. O apagão aéreo prejudica os negócios?
Há um prejuízo grande para a economia. Essa situação cria custos, afeta a economia e produz transtornos no ambiente econômico. É uma questão que precisa ser resolvida. Há um problema de gestão e outro decorrente de investimentos.
Carlo Iberê e Fernando Exman
Gazeta Mercantil
Presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o deputado Armando Monteiro Neto (PTB-PE) está otimista com o futuro do País. Uma das principais vozes da iniciativa privada no Parlamento, Monteiro Neto demonstra preocupação com a redução da oferta de energia e o aumento dos gastos públicos. Reconhece que a opção do Banco Central de manter a taxa básica de juros foi correta, pois "há algum problema de oferta".
Em seu gabinete na sede da CNI, em Brasília, Monteiro Neto comenta o caos aéreo e a tramitação da proposta de emenda constitucional que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). O deputado demonstrou confiança de que o Executivo enviará ao Congresso, ainda neste ano, um projeto de reforma tributária.
Gazeta Mercantil - O senhor está otimista em relação à economia do País nos próximos anos?
Sim. Apesar de alguns problemas ainda graves, o Brasil é um país que tem uma imensa força empreendedora, uma grande vitalidade, um grande mercado interno, uma boa disponibilidade de recursos, uma matriz energética diversificada e um bom capital humano. No mês passado, por exemplo, 24 alunos do Senai obtiveram o segundo lugar, entre 48 países, no campeonato mundial de conhecimento aplicado ao trabalho, realizado no Japão. O Brasil é um país condenado a ter um papel importante no mundo.
Gazeta Mercantil - A oferta de energia está no limite. Isso preocupa?
A energia nos coloca preocupações a curto e médio prazos. Pode haver um certo descompasso no investimento, pois tivemos uma mudança de modelo. Atrasamos os marcos regulatórios, e temos problemas na área ambiental. Além disso, há um problema no fornecimento de gás no curto prazo e pode haver algum desequilíbrio em função de condições climáticas. Mas o Brasil tem recursos energéticos para poder ser um país auto-suficiente e dispõe de múltiplas fontes. Os problemas são superáveis.
Gazeta Mercantil - Já é um gargalo?
Ainda não é um constrangimento físico. Há a perspectiva de se alavancar investimentos, já que os marcos regulatórios se completaram e a área de licenciamento ambiental começa a fluir melhor. Não tenho dúvida que os investimentos virão, mas também sei que a energia vai se transformar em algo mais caro no mundo.
Gazeta Mercantil - Uma antiga demanda da iniciativa privada é a reforma tributária. Receoso de não contar com a arrecadação da CPMF, o governo adiou o envio de sua proposta ao Congresso e também o anúncio de uma política de desenvolvimento industrial. Isso é um fator limitador?
Será resolvido no curto prazo. A questão da CPMF vai ter que ser resolvida. Ou seja, (os senadores) vão votar. Conto que ainda este ano o governo encaminhe o projeto da reforma tributária e anuncie as linhas da chamada nova política industrial.
Gazeta Mercantil - Essa barganha não é boa para o País...
Não me pareceu uma barganha. Acho que foi para não gerar posições que pudessem criar dificuldades para o processo de votação, caso a proposta de reforma frustrasse as expectativas de alguns setores.
Gazeta Mercantil - Se a CPMF for derrubada, o governo terá que reformular as propostas. Como o Executivo poderá reduzir a carga tributária sem a arrecadação de R$ 40 bilhões por ano?
Sem dúvida nenhuma afetará, mas a política industrial não é só a desoneração tributária. O desenho da reforma tributária não depende muito da questão da CPMF porque, se o governo tiver que compensar receitas, ele fará com alíquotas de impostos e tributos existentes ou de tributos que venham a ser instituídos. Para, por exemplo, simplificar e integrar tributos, você não precisa necessariamente da CPMF.
Gazeta Mercantil - Alguns setores do governo já ameaçaram até aumentar a carga tributária se a CPMF não for aprovada. Representantes da indústria exigem a extinção do imposto. Existe um meio-termo nessa discussão?
Apresentei, como parlamentar, uma emenda ao relatório propondo uma extinção gradual. Defendi isso, inclusive com algum ônus no ambiente empresarial porque outros setores defenderam uma posição pela imediata extinção do tributo. Para mim, o Brasil tem, neste momento, condições de iniciar um processo de desoneração. A arrecadação cresce de forma muito expressiva. O próprio crescimento econômico está dando esse espaço.
Gazeta Mercantil - E por que não a simples extinção?
Não deve ser tão abrupto porque o Brasil ainda tem um ajuste fiscal precário. Essa perda da arrecadação poderá ter algum reflexo do ponto de vista da percepção dos mercados. De repente, pode até afetar o risco-país e ir alguma coisa para a taxa de juros.
Gazeta Mercantil - Comenta-se que o governo pode até reduzir o superávit primário ou cortar investimentos...
Seguramente reduz o superávit. Se essa arrecadação representa 1,5% do PIB e você perde, é evidente que o superávit cai imediatamente. Há alguns programas que o governo não vai poder descontinuar. Então, cai o superávit, aumenta o déficit nominal e a tal relação dívida-PIB, que é muito sensível aos mercados, poderá ser afetada.
Gazeta Mercantil - O senhor acha que o governo gasta mal?
O Brasil vem há mais de 12 anos com um problema que está absolutamente comprovado: gastos correntes crescem acima do crescimento do Produto. A sociedade não aceitará que o aumento de gastos possa ser coberto eternamente por aumento de carga tributária. Está chegando a hora da verdade. Nos primeiros anos, o governo Lula teve uma postura mais austera, mas agora os gastos estão crescendo fortemente. Isso é preocupante. Essa trajetória de crescimento do gasto pode conduzir o País a uma situação delicada.
Gazeta Mercantil - Qual a sua opinião sobre a decisão do Banco Central, que manteve a taxa básica de juros em 11,25% ao ano?
Era previsível. Na medida em que há um sentimento de que a indústria está operando num nível de utilização da capacidade muito alto, isso coloca o risco de certas pressões inflacionárias e algum problema de oferta.
Gazeta Mercantil - Esta a indústria apóia?
Nós ainda achamos que o Brasil tem uma taxa de juro muito alta. Mas, temos de reconhecer que neste momento o Copom tinha que assumir uma posição de maior prudência, tendo em vista inclusive essa questão do cenário externo.
Gazeta Mercantil - O País sofre a crise no mercado de aviação. O apagão aéreo prejudica os negócios?
Há um prejuízo grande para a economia. Essa situação cria custos, afeta a economia e produz transtornos no ambiente econômico. É uma questão que precisa ser resolvida. Há um problema de gestão e outro decorrente de investimentos.
Gazeta Mercantil
Presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o deputado Armando Monteiro Neto (PTB-PE) está otimista com o futuro do País. Uma das principais vozes da iniciativa privada no Parlamento, Monteiro Neto demonstra preocupação com a redução da oferta de energia e o aumento dos gastos públicos. Reconhece que a opção do Banco Central de manter a taxa básica de juros foi correta, pois "há algum problema de oferta".
Em seu gabinete na sede da CNI, em Brasília, Monteiro Neto comenta o caos aéreo e a tramitação da proposta de emenda constitucional que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). O deputado demonstrou confiança de que o Executivo enviará ao Congresso, ainda neste ano, um projeto de reforma tributária.
Gazeta Mercantil - O senhor está otimista em relação à economia do País nos próximos anos?
Sim. Apesar de alguns problemas ainda graves, o Brasil é um país que tem uma imensa força empreendedora, uma grande vitalidade, um grande mercado interno, uma boa disponibilidade de recursos, uma matriz energética diversificada e um bom capital humano. No mês passado, por exemplo, 24 alunos do Senai obtiveram o segundo lugar, entre 48 países, no campeonato mundial de conhecimento aplicado ao trabalho, realizado no Japão. O Brasil é um país condenado a ter um papel importante no mundo.
Gazeta Mercantil - A oferta de energia está no limite. Isso preocupa?
A energia nos coloca preocupações a curto e médio prazos. Pode haver um certo descompasso no investimento, pois tivemos uma mudança de modelo. Atrasamos os marcos regulatórios, e temos problemas na área ambiental. Além disso, há um problema no fornecimento de gás no curto prazo e pode haver algum desequilíbrio em função de condições climáticas. Mas o Brasil tem recursos energéticos para poder ser um país auto-suficiente e dispõe de múltiplas fontes. Os problemas são superáveis.
Gazeta Mercantil - Já é um gargalo?
Ainda não é um constrangimento físico. Há a perspectiva de se alavancar investimentos, já que os marcos regulatórios se completaram e a área de licenciamento ambiental começa a fluir melhor. Não tenho dúvida que os investimentos virão, mas também sei que a energia vai se transformar em algo mais caro no mundo.
Gazeta Mercantil - Uma antiga demanda da iniciativa privada é a reforma tributária. Receoso de não contar com a arrecadação da CPMF, o governo adiou o envio de sua proposta ao Congresso e também o anúncio de uma política de desenvolvimento industrial. Isso é um fator limitador?
Será resolvido no curto prazo. A questão da CPMF vai ter que ser resolvida. Ou seja, (os senadores) vão votar. Conto que ainda este ano o governo encaminhe o projeto da reforma tributária e anuncie as linhas da chamada nova política industrial.
Gazeta Mercantil - Essa barganha não é boa para o País...
Não me pareceu uma barganha. Acho que foi para não gerar posições que pudessem criar dificuldades para o processo de votação, caso a proposta de reforma frustrasse as expectativas de alguns setores.
Gazeta Mercantil - Se a CPMF for derrubada, o governo terá que reformular as propostas. Como o Executivo poderá reduzir a carga tributária sem a arrecadação de R$ 40 bilhões por ano?
Sem dúvida nenhuma afetará, mas a política industrial não é só a desoneração tributária. O desenho da reforma tributária não depende muito da questão da CPMF porque, se o governo tiver que compensar receitas, ele fará com alíquotas de impostos e tributos existentes ou de tributos que venham a ser instituídos. Para, por exemplo, simplificar e integrar tributos, você não precisa necessariamente da CPMF.
Gazeta Mercantil - Alguns setores do governo já ameaçaram até aumentar a carga tributária se a CPMF não for aprovada. Representantes da indústria exigem a extinção do imposto. Existe um meio-termo nessa discussão?
Apresentei, como parlamentar, uma emenda ao relatório propondo uma extinção gradual. Defendi isso, inclusive com algum ônus no ambiente empresarial porque outros setores defenderam uma posição pela imediata extinção do tributo. Para mim, o Brasil tem, neste momento, condições de iniciar um processo de desoneração. A arrecadação cresce de forma muito expressiva. O próprio crescimento econômico está dando esse espaço.
Gazeta Mercantil - E por que não a simples extinção?
Não deve ser tão abrupto porque o Brasil ainda tem um ajuste fiscal precário. Essa perda da arrecadação poderá ter algum reflexo do ponto de vista da percepção dos mercados. De repente, pode até afetar o risco-país e ir alguma coisa para a taxa de juros.
Gazeta Mercantil - Comenta-se que o governo pode até reduzir o superávit primário ou cortar investimentos...
Seguramente reduz o superávit. Se essa arrecadação representa 1,5% do PIB e você perde, é evidente que o superávit cai imediatamente. Há alguns programas que o governo não vai poder descontinuar. Então, cai o superávit, aumenta o déficit nominal e a tal relação dívida-PIB, que é muito sensível aos mercados, poderá ser afetada.
Gazeta Mercantil - O senhor acha que o governo gasta mal?
O Brasil vem há mais de 12 anos com um problema que está absolutamente comprovado: gastos correntes crescem acima do crescimento do Produto. A sociedade não aceitará que o aumento de gastos possa ser coberto eternamente por aumento de carga tributária. Está chegando a hora da verdade. Nos primeiros anos, o governo Lula teve uma postura mais austera, mas agora os gastos estão crescendo fortemente. Isso é preocupante. Essa trajetória de crescimento do gasto pode conduzir o País a uma situação delicada.
Gazeta Mercantil - Qual a sua opinião sobre a decisão do Banco Central, que manteve a taxa básica de juros em 11,25% ao ano?
Era previsível. Na medida em que há um sentimento de que a indústria está operando num nível de utilização da capacidade muito alto, isso coloca o risco de certas pressões inflacionárias e algum problema de oferta.
Gazeta Mercantil - Esta a indústria apóia?
Nós ainda achamos que o Brasil tem uma taxa de juro muito alta. Mas, temos de reconhecer que neste momento o Copom tinha que assumir uma posição de maior prudência, tendo em vista inclusive essa questão do cenário externo.
Gazeta Mercantil - O País sofre a crise no mercado de aviação. O apagão aéreo prejudica os negócios?
Há um prejuízo grande para a economia. Essa situação cria custos, afeta a economia e produz transtornos no ambiente econômico. É uma questão que precisa ser resolvida. Há um problema de gestão e outro decorrente de investimentos.