antigas Publicado: 11/12/2007 | 09:46

Negociações até o último minuto

Izabelle Torres
Correio Braziliense

“Se alguém tiver uma proposta nova que a faça”, assim o presidente Lula sinalizou para mais conversas com senadores sobre a CPMF”


 


As dificuldades para aprovar a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) levaram o governo a intensificar as negociações com os senadores. Ontem, o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva disse que o governo está disposto a conversar e estudar cada exigência feita pelos senadores em troca de votos favoráveis ao imposto do cheque. “Se alguém tiver uma proposta nova que a faça. O governo vai estudar cada uma. O que é importante é que esse imposto tem que ser votado tal como ele foi aprovado na Câmara”, disse Lula durante participação no programa de rádio Café com o Presidente.

O Palácio do Planalto tem evitado apresentar uma nova proposta. Sabe que os senadores têm uma lista de reivindicações e estuda como atendê-la sem desagradar os deputados, que não tiveram a mesma atençãodo Planalto. “Se a proposta partir do governo, vai parecer que o governo está queimando gordura que tinha e negou durante a negociação com a Câmara”, admitiu o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro.

Segundo ele, o palácio alega não possuir qualquer pedido formal posto na mesa de negociação. Fato que tem dificultado o avanço positivo do placar governista para a aprovação da matéria. “Se houver uma exigência formal nós poderemos analisar. Não podemos é avaliar um pedido que não foi feito”, disse Múcio. Em busca de argumentos para reabrir as negociações, o líder do governista no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), foi ontem ao Planalto saber até onde o palácio está disposto a ceder.

Prorrogação


Na saída, Jucá disse que conversaria com cada senador para saber o que pretende em troca do apoio à prorrogação do tributo. “O governo tem a disposição de dialogar e vou conversar para saber qual a proposta dos senadores em troca do apoio. Já estou recebendo alguns pedidos”, afirmou o líder.

Em defesa do diálogo em prol da aprovação da CPMF, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse que a oposição precisa ser responsável e afirmou que o palácio tem sido incansável nas negociações. “Da parte do governo, sistematicamente, procuramos adotar o princípio do diálogo e da negociação. É óbvio que, em um determinado momento, é natural e normal que haja um maior acirramento dos ânimos. Até porque a CPMF é um dos tributos mais importantes para o Planalto hoje, no que se refere a programas sociais”, declarou a ministra em entrevista ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo.

De olho na oportunidade de tirar proveito da vulnerabilidade do Palácio do Planalto na negociação para aprovar a proposta, governadores passaram o dia de ontem conversando com os senadores dos seus estados para listar as exigências que podem ser feitas em troca de votos favoráveis ao projeto. O senador tucano João Tenório (AL) é um dos mais empenhados na análise dos frutos que seu voto pode render ao estado.


Izabelle Torres
Correio Braziliense

“Se alguém tiver uma proposta nova que a faça”, assim o presidente Lula sinalizou para mais conversas com senadores sobre a CPMF”


 


As dificuldades para aprovar a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) levaram o governo a intensificar as negociações com os senadores. Ontem, o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva disse que o governo está disposto a conversar e estudar cada exigência feita pelos senadores em troca de votos favoráveis ao imposto do cheque. “Se alguém tiver uma proposta nova que a faça. O governo vai estudar cada uma. O que é importante é que esse imposto tem que ser votado tal como ele foi aprovado na Câmara”, disse Lula durante participação no programa de rádio Café com o Presidente.

O Palácio do Planalto tem evitado apresentar uma nova proposta. Sabe que os senadores têm uma lista de reivindicações e estuda como atendê-la sem desagradar os deputados, que não tiveram a mesma atençãodo Planalto. “Se a proposta partir do governo, vai parecer que o governo está queimando gordura que tinha e negou durante a negociação com a Câmara”, admitiu o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro.

Segundo ele, o palácio alega não possuir qualquer pedido formal posto na mesa de negociação. Fato que tem dificultado o avanço positivo do placar governista para a aprovação da matéria. “Se houver uma exigência formal nós poderemos analisar. Não podemos é avaliar um pedido que não foi feito”, disse Múcio. Em busca de argumentos para reabrir as negociações, o líder do governista no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), foi ontem ao Planalto saber até onde o palácio está disposto a ceder.

Prorrogação


Na saída, Jucá disse que conversaria com cada senador para saber o que pretende em troca do apoio à prorrogação do tributo. “O governo tem a disposição de dialogar e vou conversar para saber qual a proposta dos senadores em troca do apoio. Já estou recebendo alguns pedidos”, afirmou o líder.

Em defesa do diálogo em prol da aprovação da CPMF, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse que a oposição precisa ser responsável e afirmou que o palácio tem sido incansável nas negociações. “Da parte do governo, sistematicamente, procuramos adotar o princípio do diálogo e da negociação. É óbvio que, em um determinado momento, é natural e normal que haja um maior acirramento dos ânimos. Até porque a CPMF é um dos tributos mais importantes para o Planalto hoje, no que se refere a programas sociais”, declarou a ministra em entrevista ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo.

De olho na oportunidade de tirar proveito da vulnerabilidade do Palácio do Planalto na negociação para aprovar a proposta, governadores passaram o dia de ontem conversando com os senadores dos seus estados para listar as exigências que podem ser feitas em troca de votos favoráveis ao projeto. O senador tucano João Tenório (AL) é um dos mais empenhados na análise dos frutos que seu voto pode render ao estado.