antigas Publicado: 19/02/2008 | 08:29

Nem cartão atinge Lula

Gustavo Krieger
Correio Braziliense

Apesar das denúncias de gastos irregulares de ministros, a popularidade do presidente aumentou, segundo a pesquisa CNT/Sensus

Nos últimos meses, o governo Lula viveu uma crise após outra. Primeiro, a derrubada da CPMF, que causou um rombo de R$ 40 bilhões nas contas públicas. Depois, o aumento nos casos de febre amarela. E, nas últimas semanas, o escândalo dos cartões corporativos. Nada disso abalou a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao contrário. Segundo a mais recente pesquisa do instituto Sensus, a aprovação do presidente chegou a 66,8%. É a segunda melhor marca de seus dois mandatos. Perde apenas para os índices da pesquisa de janeiro de 2003, realizada poucos dias depois da posse. A explicação está na estabilidade da economia.

A aprovação a Lula subiu cinco pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, divulgada em outubro. Já a reprovação caiu quatro pontos e hoje é de 28,6%. O presidente passou incólume pelas crises dos últimos três meses. “Lula continua blindado”, diz Ricardo Guedes, diretor do Sensus. Feita por encomenda da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), a pesquisa foi realizada entre 11 e 16 de fevereiro. Captou, portanto, os efeitos do caso dos cartões, inclusive a queda da ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro.

A popularidade do presidente coincide com a boa avaliação do governo. Para 52,7%, a administração federal é “ótima ou boa”. Esse índice subiu mais de seis pontos percentuais desde outubro. Já o contingente que avalia o governo como “ruim ou péssimo” caiu três pontos e é de 13,7%. Para 32,5%, ele é regular.

Crises
Os bons números de Lula não significam que a população tenha ficado alheia às crises. Nada menos que 93,4% dos entrevistados tomaram conhecimento do aumento nos casos de febre amarela, por exemplo. Mas a população não atribuiu ao governo a maior parte de responsabilidade. Para 39,3%, a culpa “é de todos nós”, enquanto 17,9% criticaram a falta de atuação do Ministério da Saúde.

O caso dos cartões corporativos é ainda mais representativo dos contrastes. O índice de conhecimento é alto para um escândalo político. O contingente que disse estar acompanhando ou ao menos ter ouvido falar no assunto chega a 64,1%. Entre quem está informado, os números mostram a condenação. Para 83,1%, os cartões deveriam ser abolidos e 70,2% acham que os ministros e funcionários que usaram indevidamente a verba devem perder o cargo e devolver o dinheiro aos cofres públicos. E 74,9% acreditam que o caso afeta a imagem do presidente Lula.

Mas não afeta, como mostra a própria pesquisa. Repete-se um fenômeno que aconteceu em outras crises provocadas por casos de corrupção. A população acompanha o caso, acredita nas denúncias e atribui responsabilidade ao governo. Mas isso não afeta a popularidade do presidente. A exceção foi no final de 2005, quando o escândalo do Mensalão fez despencarem os índices de avaliação de Lula e do governo. Mas o fenômeno durou poucos meses.

Economia
A explicação está em outro segmento da pesquisa. Os brasileiros estão felizes com o país e confiantes. O Sensus pede que os entrevistados avaliem como foram os últimos seis meses em áreas como salário, emprego, saúde, educação e segurança e façam projeções para os próximos seis meses. Da média dessas respostas, cria dois índices: um de avaliação e outro de expectativa. O de avaliação subiu de 44,7% em outubro para 50,9% agora. O de expectativa pulou de 64,4% para 71,2%. Esse otimismo rende dividendos políticos ao governo.

Para 58,4%, o emprego vai melhorar nos próximos seis meses. Outros 55,2% esperam aumento na renda, enquanto 54% esperam avanços na saúde e 60,5% na educação. Literalmente todos os índices melhoraram em relação ao final do ano passado.

Nem a crise da economia dos Estados Unidos diminui o otimismo. Para começar, 41,9% dos entrevistados nunca ouviram falar do assunto. É verdade que entre os que seguem o noticiário, 70,8% não acreditam que o Brasil esteja preparado para uma crise econômica mundial. Mas a maioria não parece acreditar que ela venha. Para 60,9% a economia brasileira continuará a crescer além dos próximo quatro anos. “A estabilidade da economia é a chave da boa avaliação do governo Lula”, diz Ricardo Guedes. “Ao lado dos programas sociais do governo, explica a popularidade do presidente”.

Gustavo Krieger
Correio Braziliense

Apesar das denúncias de gastos irregulares de ministros, a popularidade do presidente aumentou, segundo a pesquisa CNT/Sensus

Nos últimos meses, o governo Lula viveu uma crise após outra. Primeiro, a derrubada da CPMF, que causou um rombo de R$ 40 bilhões nas contas públicas. Depois, o aumento nos casos de febre amarela. E, nas últimas semanas, o escândalo dos cartões corporativos. Nada disso abalou a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao contrário. Segundo a mais recente pesquisa do instituto Sensus, a aprovação do presidente chegou a 66,8%. É a segunda melhor marca de seus dois mandatos. Perde apenas para os índices da pesquisa de janeiro de 2003, realizada poucos dias depois da posse. A explicação está na estabilidade da economia.

A aprovação a Lula subiu cinco pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, divulgada em outubro. Já a reprovação caiu quatro pontos e hoje é de 28,6%. O presidente passou incólume pelas crises dos últimos três meses. “Lula continua blindado”, diz Ricardo Guedes, diretor do Sensus. Feita por encomenda da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), a pesquisa foi realizada entre 11 e 16 de fevereiro. Captou, portanto, os efeitos do caso dos cartões, inclusive a queda da ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro.

A popularidade do presidente coincide com a boa avaliação do governo. Para 52,7%, a administração federal é “ótima ou boa”. Esse índice subiu mais de seis pontos percentuais desde outubro. Já o contingente que avalia o governo como “ruim ou péssimo” caiu três pontos e é de 13,7%. Para 32,5%, ele é regular.

Crises
Os bons números de Lula não significam que a população tenha ficado alheia às crises. Nada menos que 93,4% dos entrevistados tomaram conhecimento do aumento nos casos de febre amarela, por exemplo. Mas a população não atribuiu ao governo a maior parte de responsabilidade. Para 39,3%, a culpa “é de todos nós”, enquanto 17,9% criticaram a falta de atuação do Ministério da Saúde.

O caso dos cartões corporativos é ainda mais representativo dos contrastes. O índice de conhecimento é alto para um escândalo político. O contingente que disse estar acompanhando ou ao menos ter ouvido falar no assunto chega a 64,1%. Entre quem está informado, os números mostram a condenação. Para 83,1%, os cartões deveriam ser abolidos e 70,2% acham que os ministros e funcionários que usaram indevidamente a verba devem perder o cargo e devolver o dinheiro aos cofres públicos. E 74,9% acreditam que o caso afeta a imagem do presidente Lula.

Mas não afeta, como mostra a própria pesquisa. Repete-se um fenômeno que aconteceu em outras crises provocadas por casos de corrupção. A população acompanha o caso, acredita nas denúncias e atribui responsabilidade ao governo. Mas isso não afeta a popularidade do presidente. A exceção foi no final de 2005, quando o escândalo do Mensalão fez despencarem os índices de avaliação de Lula e do governo. Mas o fenômeno durou poucos meses.

Economia
A explicação está em outro segmento da pesquisa. Os brasileiros estão felizes com o país e confiantes. O Sensus pede que os entrevistados avaliem como foram os últimos seis meses em áreas como salário, emprego, saúde, educação e segurança e façam projeções para os próximos seis meses. Da média dessas respostas, cria dois índices: um de avaliação e outro de expectativa. O de avaliação subiu de 44,7% em outubro para 50,9% agora. O de expectativa pulou de 64,4% para 71,2%. Esse otimismo rende dividendos políticos ao governo.

Para 58,4%, o emprego vai melhorar nos próximos seis meses. Outros 55,2% esperam aumento na renda, enquanto 54% esperam avanços na saúde e 60,5% na educação. Literalmente todos os índices melhoraram em relação ao final do ano passado.

Nem a crise da economia dos Estados Unidos diminui o otimismo. Para começar, 41,9% dos entrevistados nunca ouviram falar do assunto. É verdade que entre os que seguem o noticiário, 70,8% não acreditam que o Brasil esteja preparado para uma crise econômica mundial. Mas a maioria não parece acreditar que ela venha. Para 60,9% a economia brasileira continuará a crescer além dos próximo quatro anos. “A estabilidade da economia é a chave da boa avaliação do governo Lula”, diz Ricardo Guedes. “Ao lado dos programas sociais do governo, explica a popularidade do presidente”.