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Em vez de polícia e violência, mais investimentos. No lugar de algemas, empregos. O anúncio de uma nova estratégia de combate à criminalidade nas favelas do Rio de Janeiro, além de alfinetadas nos adversários políticos, marcaram o que pareceu ser o começo da campanha eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em parceria com o governador Sérgio Cabral (PMDB), pelas prefeituras fluminenses. Nos três lugares onde discursou ontem - uma siderúrgica em construção, uma fábrica e um posto de saúde -, o presidente Lula frisou que o Estado (citou a iniciativa privada também) tem que correr na frente da "bandidagem" para oferecer melhores oportunidades.
"Se porrada educasse as pessoas, bandido saía da cadeia santo. O que educa as pessoas são oportunidades, são gestos de solidariedade, é as pessoas acreditarem que amanhã terão oportunidade", disse, após afirmar que 99% do povo brasileiro "é gente boa, é gente honesta, gente decente, que tem família e que quer trabalhar".
O presidente Lula informou que vai, na próxima semana, ao Complexo do Alemão, à Rocinha e Manguinhos, zonas de alta criminalidade da cidade, para anunciar novos investimentos. "Se o Estado não oferece, se as empresas não oferecem, se as prefeituras não oferecem, o crime organizado oferece, a bandidagem oferece. Então, tem que ser uma disputa constante do Estado brasileiro fazendo aquilo que tem que fazer", declarou o petista, para políticos, executivos e os milhares de operários contratados para erguer a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), projeto da alemã ThyssenKrupp em parceria com a Vale. "Não vamos fazer uma intervenção com a polícia, não, nós vamos visitar o Complexo do Alemão, vamos visitar Manguinhos, vamos visitar a Rocinha para levar investimentos de milhões e milhões de reais para fazer casa, escola, rua, hospital, água e esgoto" acrescentou Lula.
Na fábrica de pneus Michelin, o presidente continuou defendendo a oferta de oportunidades como melhor tática contra o crime organizado. Ressaltou que a bandidagem têm que ser punida, mas atacou a origem do problema social. "Essas pessoas são resultado de, praticamente, três décadas de descaso neste País, em que a economia não crescia, não se gerava emprego, não se gerava oportunidades". "É preciso ter noção do que significa o desespero de um pai de família chegar em casa e falar: ""perdi o emprego", completou Lula.
Ele ainda aproveitou o assunto para atacar rivais na política. Contou que lhe faltou oportunidades de ensino. "No Brasil, durante tantas décadas, não se investiu na educação adequadamente, porque parece que as pessoas que governavam já tinham tido a sua oportunidade, para que dar oportunidade aos outros?", disparou.
"E eu, como não tive diploma universitário e sei por que eu não tive diploma universitário, porque com 14 anos tive que ir para uma fábrica trabalhar, eu quero dar para os trabalhadores brasileiros a oportunidade que os governantes não deram a mim, na época em que eu tinha 18 ou 19 anos", afirmou.
Alfinetadas
O discurso de Lula esteve afinado com o do governador Sérgio Cabral. A extensa programação do dia previa ainda almoço no Palácio das Laranjeiras, residência oficial do governador fluminense. Depois de tudo, estava prevista a ida dos dois ao Teatro Municipal, no centro do Rio, para cerimônia de premiação da Olimpíada de Matemática.
O que não faltou foi tempo, para novamente, alfinetar o tucano e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o governo de Rosinha Matheus no Rio. "Quando eu sair da Presidência da República, não vou para Paris ou para Londres, eu vou voltar para São Bernardo, morar a 800 metros do sindicato. É por isso que eu queria dizer para vocês: graças a Deus, o Rio de Janeiro elegeu um companheiro como o Sérgio Cabral, com quem a gente pode conversar como companheiro, com quem a gente pode fazer acordo, que a gente sente sinceridade na cara da pessoa quando a gente conversa. O Rio de Janeiro, na verdade, perdeu quatro anos, porque a gente não tinha sequer como fazer acordos aqui", acrescentou .
Mais uma vez citando a experiência própria, o presidente Lula lembrou da recessão que provocou um forte desemprego nas décadas de 80 e 90 no Brasil. "Eu vivi uma das piores crises de desemprego no Brasil, em 1965, com 19 anos de idade. Fiquei desempregado por um ano e dois meses. Saía todos os dias para procurar emprego", recordou.
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