antigas Publicado: 11/03/2008 | 09:11

Congresso se irrita com fala de Lula

Karla Correia
Gazeta Mercantil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva irritou aliados e oposição ontem ao cobrar mais trabalho do Congresso para aprovar a lei orçamentária deste ano. Em seu programa semanal de rádio "Café com o presidente", Lula fez duras críticas aos parlamentares por conta do atraso na votação do Orçamento. "Não posso crer que apenas eu queira trabalhar, e eles não, que apenas eu queira fazer as obras, e eles não", atacou o presidente, quando questionado sobre o impacto da demora na aprovação da lei orçamentária sobre as obras do PAC. "Os deputados e os senadores têm que votar o Orçamento. É uma questão de responsabilidade com o País. É uma questão de responsabilidade com o povo pobre deste País, porque as coisas estão acontecendo", acrescentou Lula.
As declarações provocaram reações indignadas nas duas Casas do Legislativo. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), responsabilizou o Palácio do Planalto, que no ano passado impôs um recesso branco à Casa para não atrapalhar a votação da CPMF no Senado, pelo atraso de mais de três meses na apreciação do Orçamento pelo Congresso. "Esse foi o principal fator do atraso no Orçamento", retrucou Chinaglia, que, contudo, reconheceu o prejuízo que o impasse entre governo e oposição em torno do anexo de metas e prioridades adicionado à lei orçamentária tem provocado na discussão do Orçamento.
Com a escassez de tempo para o cumprimento de convênios entre União, Estados e municípios no ano das eleições para prefeito em todo o país, a bancada governista decidiu partir para o tudo ou nada e votar o Orçamento mesmo sem acordo com a oposição. "Não podemos deixar que divergências paralisem o Congresso", sentenciou Chinaglia.
No entanto, os partidos de oposição promete obstruir a votação caso o governo não aceite ceder e extinguir o anexo, dividindo os R$ 534 milhões apensados à rubrica entre as 27 Unidades da Federação, de forma proporcional à população de cada um dos Estados. "Não vamos votar essa lei orçamentária admitindo a existência de um orçamento paralelo voltado para atender os interesses eleitorais de aliados", afirma o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Segundo ele, o voto contrário ao Orçamento é praticamente questão fechada dentro do partido, caso o governo não aceite negociar a retirada do anexo.
Ontem, no final do dia, o presidente Lula convocou a bancada do PT no Senado. O assunto foi aparar as arestas em torno das reclamações do Planalto em relação à paralisia do Senado.

Karla Correia
Gazeta Mercantil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva irritou aliados e oposição ontem ao cobrar mais trabalho do Congresso para aprovar a lei orçamentária deste ano. Em seu programa semanal de rádio "Café com o presidente", Lula fez duras críticas aos parlamentares por conta do atraso na votação do Orçamento. "Não posso crer que apenas eu queira trabalhar, e eles não, que apenas eu queira fazer as obras, e eles não", atacou o presidente, quando questionado sobre o impacto da demora na aprovação da lei orçamentária sobre as obras do PAC. "Os deputados e os senadores têm que votar o Orçamento. É uma questão de responsabilidade com o País. É uma questão de responsabilidade com o povo pobre deste País, porque as coisas estão acontecendo", acrescentou Lula.
As declarações provocaram reações indignadas nas duas Casas do Legislativo. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), responsabilizou o Palácio do Planalto, que no ano passado impôs um recesso branco à Casa para não atrapalhar a votação da CPMF no Senado, pelo atraso de mais de três meses na apreciação do Orçamento pelo Congresso. "Esse foi o principal fator do atraso no Orçamento", retrucou Chinaglia, que, contudo, reconheceu o prejuízo que o impasse entre governo e oposição em torno do anexo de metas e prioridades adicionado à lei orçamentária tem provocado na discussão do Orçamento.
Com a escassez de tempo para o cumprimento de convênios entre União, Estados e municípios no ano das eleições para prefeito em todo o país, a bancada governista decidiu partir para o tudo ou nada e votar o Orçamento mesmo sem acordo com a oposição. "Não podemos deixar que divergências paralisem o Congresso", sentenciou Chinaglia.
No entanto, os partidos de oposição promete obstruir a votação caso o governo não aceite ceder e extinguir o anexo, dividindo os R$ 534 milhões apensados à rubrica entre as 27 Unidades da Federação, de forma proporcional à população de cada um dos Estados. "Não vamos votar essa lei orçamentária admitindo a existência de um orçamento paralelo voltado para atender os interesses eleitorais de aliados", afirma o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Segundo ele, o voto contrário ao Orçamento é praticamente questão fechada dentro do partido, caso o governo não aceite negociar a retirada do anexo.
Ontem, no final do dia, o presidente Lula convocou a bancada do PT no Senado. O assunto foi aparar as arestas em torno das reclamações do Planalto em relação à paralisia do Senado.