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Publicado: 13/03/2008 | 08:53
Lula recomenda 'euforia comedida'
| Isabel Sobral, Lu Aiko Otta, Adriana Fernandes, Renata Veríssimo, Luciana N |
| O Estado de S. Paulo |
‘Sou muito cauteloso’, disse o presidente, depois de comemorar resultado e prever mais de 5,4% na revisão do PIB
O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2007 deve ser visto com “euforia comedida”, segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em discurso ontem à noite para empresários brasileiros e estrangeiros, Lula disse que não deixará “que as conquistas econômicas sejam perdidas” por aumentos de gastos e por achar que a economia está com todos os problemas resolvidos.
Ele defendeu um crescimento equilibrado da economia. “Sou muito cauteloso. Não almejo que o Brasil fique crescendo a 10% ou 11% ao ano. Prefiro crescer 5% por mais tempo para que a indústria possa atender à demanda e a inflação não volte”, declarou, ao falar em evento promovido pela revista inglesa The Economist. “Não quero momentos de euforia, mas de responsabilidade.” O presidente acrescentou que tem “formação econômica de assalariado” para ilustrar seu compromisso com a austeridade.“Quem vive de salário, toda vez que gasta mais do que ganha quebra a cara.”
Poucas horas antes, numa solenidade que comemorava os quatro anos do Ministério do Desenvolvimento Social, Lula havia mostrado mais o seu lado eufórico. Ele ironizou analistas que previam resultado inferior ao anunciado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e disse ter visto o crescimento de 2007 “de forma muito gostosa”.
“Está cheio de analista dando palpite, e se a gente fosse aceitar os palpites de todos ia embora porque o Brasil ia acabar.” Ele afirmou ainda ter a convicção de que, quando o IBGE fizer a revisão dos cálculos, indicará que em 2007 o crescimento foi ainda maior. “Vai ser mais do que 5,4%”, apostou.
Pela manhã, no entanto, Lula havia sido mais cauteloso, durante reunião com os ministros do Planejamento, Paulo Bernardo, e da Fazenda, Guido Mantega. “Eu acho que nós temos que passar a impressão de uma euforia comedida. Nós estamos satisfeitos, mas achamos que pode melhorar”, comentou o presidente, segundo Bernardo.
Mantega estava tão feliz com o resultado do PIB que deu duas entrevistas coletivas logo pela manhã. Porém, lançou dois alertas: a aceleração da economia deve ser gradual para não esbarrar em falta de infra-estrutura e as taxas de crescimento não continuarão em uma curva constantemente ascendente.
Em 2008, por causa da crise internacional, é possível que o PIB tenha evolução mais modesta, ficando em torno de 5%, segundo o ministro. No momento, a economia cresce ao ritmo de 6%. Como Lula, Mantega também acredita que, na revisão do PIB de 2007, o IBGE poderá mostrar crescimento ainda mais vigoroso, que pode chegar aos 5,7% atingidos em 2004.
Mantega aproveitou para estocar o Banco Central, ao afirmar que o crescimento de 5,4% joga por terra “o mito do PIB potencial”. Por muito tempo, diretores mais ortodoxos do BC afirmaram que a economia brasileira não podia crescer mais do que 3,5% sem reativar o processo inflacionário. Por isso, as taxas de juros não podiam cair no ritmo desejado pelo ministro. “Está provado que podemos crescer mais do que 5% sem gerar pressão inflacionária”, comemorou.
“É um crescimento com qualidade”, disse Mantega, pois vem sendo puxado pelos investimentos e pelo consumo. Ele destacou a expansão da capacidade produtiva, com a alta de 13,4% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBFC) em 2007.
| Isabel Sobral, Lu Aiko Otta, Adriana Fernandes, Renata Veríssimo, Luciana N |
| O Estado de S. Paulo |
‘Sou muito cauteloso’, disse o presidente, depois de comemorar resultado e prever mais de 5,4% na revisão do PIB
O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2007 deve ser visto com “euforia comedida”, segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em discurso ontem à noite para empresários brasileiros e estrangeiros, Lula disse que não deixará “que as conquistas econômicas sejam perdidas” por aumentos de gastos e por achar que a economia está com todos os problemas resolvidos.
Ele defendeu um crescimento equilibrado da economia. “Sou muito cauteloso. Não almejo que o Brasil fique crescendo a 10% ou 11% ao ano. Prefiro crescer 5% por mais tempo para que a indústria possa atender à demanda e a inflação não volte”, declarou, ao falar em evento promovido pela revista inglesa The Economist. “Não quero momentos de euforia, mas de responsabilidade.” O presidente acrescentou que tem “formação econômica de assalariado” para ilustrar seu compromisso com a austeridade.“Quem vive de salário, toda vez que gasta mais do que ganha quebra a cara.”
Poucas horas antes, numa solenidade que comemorava os quatro anos do Ministério do Desenvolvimento Social, Lula havia mostrado mais o seu lado eufórico. Ele ironizou analistas que previam resultado inferior ao anunciado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e disse ter visto o crescimento de 2007 “de forma muito gostosa”.
“Está cheio de analista dando palpite, e se a gente fosse aceitar os palpites de todos ia embora porque o Brasil ia acabar.” Ele afirmou ainda ter a convicção de que, quando o IBGE fizer a revisão dos cálculos, indicará que em 2007 o crescimento foi ainda maior. “Vai ser mais do que 5,4%”, apostou.
Pela manhã, no entanto, Lula havia sido mais cauteloso, durante reunião com os ministros do Planejamento, Paulo Bernardo, e da Fazenda, Guido Mantega. “Eu acho que nós temos que passar a impressão de uma euforia comedida. Nós estamos satisfeitos, mas achamos que pode melhorar”, comentou o presidente, segundo Bernardo.
Mantega estava tão feliz com o resultado do PIB que deu duas entrevistas coletivas logo pela manhã. Porém, lançou dois alertas: a aceleração da economia deve ser gradual para não esbarrar em falta de infra-estrutura e as taxas de crescimento não continuarão em uma curva constantemente ascendente.
Em 2008, por causa da crise internacional, é possível que o PIB tenha evolução mais modesta, ficando em torno de 5%, segundo o ministro. No momento, a economia cresce ao ritmo de 6%. Como Lula, Mantega também acredita que, na revisão do PIB de 2007, o IBGE poderá mostrar crescimento ainda mais vigoroso, que pode chegar aos 5,7% atingidos em 2004.
Mantega aproveitou para estocar o Banco Central, ao afirmar que o crescimento de 5,4% joga por terra “o mito do PIB potencial”. Por muito tempo, diretores mais ortodoxos do BC afirmaram que a economia brasileira não podia crescer mais do que 3,5% sem reativar o processo inflacionário. Por isso, as taxas de juros não podiam cair no ritmo desejado pelo ministro. “Está provado que podemos crescer mais do que 5% sem gerar pressão inflacionária”, comemorou.
“É um crescimento com qualidade”, disse Mantega, pois vem sendo puxado pelos investimentos e pelo consumo. Ele destacou a expansão da capacidade produtiva, com a alta de 13,4% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBFC) em 2007.