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Publicado: 2/06/2008 | 11:13
Tudo para o arquivo
| LEANDRO COLON |
| Correio Braziliense |
Comissão que investiga uso do cartão corporativo encerra os trabalhos sem avaliar milhares de caixas enviadas pelos ministérios
No último dia 26, a CPI mista dos Cartões recebeu 60 caixas lacradas do Ministério da Cultura com as prestações de contas de despesas relacionadas a suprimento de fundos. Uma semana antes, foi a vez do Ministério de Ciência e Tecnologia remeter ao Congresso o mesmo material.
Essa papelada se juntou a milhares de caixas de todos os ministérios que estão na CPI, inclusive informações de servidores da Casa Civil. São despesas que somam, entre 2001 e 2007, cerca de R$ 1,1 bilhão, incluindo cartão corporativo e as contas tipo B, usadas para receber o recurso para as despesas de suprimento de fundos, denominadas de eventuais.
Mas o Congresso não quer saber dessa documentação. Todo esse material já tem um destino definido: a seção de arquivo do Senado. Ou seja, informações que eram para serem investigadas, analisadas, nem serão abertas. A papelada será descartada pelos parlamentares. Técnicos da comissão já preparam o envio dessas caixas para o arquivo.
Má vontade
A CPI encerra seus trabalhos na próxima quinta-feira. Sem vontade de investigar os gastos com cartões corporativos, governo e oposição optaram por deixar de lado as notas fiscais enviadas pelos ministérios. Concentraram-se em disputas políticas que só levaram ao fim melancólico da comissão de inquérito.
O relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-SP), apresentará amanhã seu relatório. Ele não pedirá qualquer indiciamento, poupará ministros que usaram o cartão de maneira indevida e fará apenas sugestões para aperfeiçoar o uso desse tipo de crédito dentro do governo.
“O relatório vai fortalecer o mecanismo da transparência. Todos os indicativos vão demonstrar que, num curto espaço de tempo, a utilização do cartão será muito mais criteriosa a partir dessa CPI”, afirma o relator.
Maioria na comissão, a base do governo vai aprovar o relatório de Luiz Sérgio. A votação está marcada para a próxima quinta, último dia de trabalhos. O relator deve anunciar amanhã o acolhimento de algumas sugestões apresentadas pelos dois sub-relatores da oposição, os deputados Carlos Sampaio (PSDB-SP) e Índio da Costa (DEM-RJ).
Ambos apresentaram na semana passada suas conclusões referentes à sistematização e fiscalização e controle no uso dos cartões corporativos. Para a surpresa do governo, os deputados entregaram um relatório poupando ministros e aliviando para o lado da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Principal polêmica da CPI, o dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi apenas mencionado pela oposição, sem apontar qualquer responsabilidade. Luiz Sérgio já avisou, por exemplo, que não vai abordar esse assunto no seu relatório final. Ele argumenta que esse é um caso investigado pela Polícia Federal.
| LEANDRO COLON |
| Correio Braziliense |
Comissão que investiga uso do cartão corporativo encerra os trabalhos sem avaliar milhares de caixas enviadas pelos ministérios
No último dia 26, a CPI mista dos Cartões recebeu 60 caixas lacradas do Ministério da Cultura com as prestações de contas de despesas relacionadas a suprimento de fundos. Uma semana antes, foi a vez do Ministério de Ciência e Tecnologia remeter ao Congresso o mesmo material.
Essa papelada se juntou a milhares de caixas de todos os ministérios que estão na CPI, inclusive informações de servidores da Casa Civil. São despesas que somam, entre 2001 e 2007, cerca de R$ 1,1 bilhão, incluindo cartão corporativo e as contas tipo B, usadas para receber o recurso para as despesas de suprimento de fundos, denominadas de eventuais.
Mas o Congresso não quer saber dessa documentação. Todo esse material já tem um destino definido: a seção de arquivo do Senado. Ou seja, informações que eram para serem investigadas, analisadas, nem serão abertas. A papelada será descartada pelos parlamentares. Técnicos da comissão já preparam o envio dessas caixas para o arquivo.
Má vontade
A CPI encerra seus trabalhos na próxima quinta-feira. Sem vontade de investigar os gastos com cartões corporativos, governo e oposição optaram por deixar de lado as notas fiscais enviadas pelos ministérios. Concentraram-se em disputas políticas que só levaram ao fim melancólico da comissão de inquérito.
O relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-SP), apresentará amanhã seu relatório. Ele não pedirá qualquer indiciamento, poupará ministros que usaram o cartão de maneira indevida e fará apenas sugestões para aperfeiçoar o uso desse tipo de crédito dentro do governo.
“O relatório vai fortalecer o mecanismo da transparência. Todos os indicativos vão demonstrar que, num curto espaço de tempo, a utilização do cartão será muito mais criteriosa a partir dessa CPI”, afirma o relator.
Maioria na comissão, a base do governo vai aprovar o relatório de Luiz Sérgio. A votação está marcada para a próxima quinta, último dia de trabalhos. O relator deve anunciar amanhã o acolhimento de algumas sugestões apresentadas pelos dois sub-relatores da oposição, os deputados Carlos Sampaio (PSDB-SP) e Índio da Costa (DEM-RJ).
Ambos apresentaram na semana passada suas conclusões referentes à sistematização e fiscalização e controle no uso dos cartões corporativos. Para a surpresa do governo, os deputados entregaram um relatório poupando ministros e aliviando para o lado da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Principal polêmica da CPI, o dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi apenas mencionado pela oposição, sem apontar qualquer responsabilidade. Luiz Sérgio já avisou, por exemplo, que não vai abordar esse assunto no seu relatório final. Ele argumenta que esse é um caso investigado pela Polícia Federal.