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Publicado: 27/06/2008 | 09:34
Paulinho entrega defesa ao Conselho de Ética
| Tiago Pariz |
| Correio Braziliense |
Deputado do PDT levou 23 dias para apresentar documento no qual sustenta a tese de que o BNDES estaria livre de pressões políticas
O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, apresentou ontem sua defesa ao Conselho de Ética, apostando em integrantes do governo e antigos colaboradores para tentar salvar o mandato no processo que responde por quebra de decoro. No documento, ele sugeriu como testemunhas o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, o PM Wilson Consani Júnior e o ex-assessor da Força Sindical João Pedro Moura.
Moura e Consani foram presos pela Polícia Federal durante a Operação Santa Tereza, acusados de participar de um esquema de fraude em empréstimos concedidos pelo BNDES. Paulinho é suspeito de ser um dos beneficiários pelo desvio de verbas da estatal. O ex-assessor da Força, central presidida pelo deputado do PDT paulista, é visto como peça-chave no esquema.
A PF suspeita que Moura intermediava interesses de Paulinho na quadrilha, além de transitar livremente no Congresso Nacional como assessor parlamentar do pedetista. A PF apreendeu com Moura um crachá da Câmara, o que serviu para reforçar as suspeitas.
Na defesa escrita, Paulinho argumentou que o antigo assessor não está no rol de funcionários de seu gabinete e que usava um crachá para explorar ilegalmente o prestígio do parlamentar. Em depoimento à Justiça de São Paulo, Moura admitiu que usou indevidamente o nome de Paulinho e negou que o deputado tenha participado da suposta fraude no BNDES.
Coronel da PM, Consani prestaria serviços para a boate W.E., supostamente utilizada para lavar dinheiro desviado do banco, segundo as suspeitas da polícia. O oficial também é ligado a Paulinho e foi flagrado em uma escuta telefônica alertando o deputado da Operação Santa Tereza.
Miguel Jorge e Luciano Coutinho foram listados como testemunhas para sustentar a tese de que o BNDES está livre de pressões políticas. A argumentação é que os empréstimos do banco são garantidos após minucioso estudo técnico. O dinheiro desviado teria sido originado em uma linha de financiamento oferecido à prefeitura de Praia Grande, cidade do litoral paulista.
Propina
A quadrilha teria negociado com o prefeito a liberação do empréstimo de R$ 124 milhões mediante pagamento de R$ 2,6 milhões em propina. Paulinho teria ficado com parte desse dinheiro, segundo suspeita dos policiais encarregados do caso.
Com a apresentação da defesa, o deputado Paulo Piau (PMDB-MG), relator do caso, quer agilizar o processo e ouvir o depoimento do pedetista na próxima quarta-feira. O presidente do colegiado, Sérgio Moraes (PTB-RS), afirmou que o deputado do PDT poderá optar por ser ouvido em 8 de julho.
Integrantes do conselho acreditam que, quanto mais tempo tiverem para estudar os documentos, melhor para o processo. “A próxima semana deve ser dedicada à avaliação dos argumentos da defesa e documentos apresentados. E somente na outra semana vamos ouvir o Paulinho. Se agilizarmos, poderemos perder a oportunidade de inquiri-lo sobre fatos contraditórios”, opinou o deputado Efraim Filho (DEM-PB).
Paulinho já foi beneficiado pelos 23 dias que levaram para passar as cinco sessões ordinárias da Câmara. O deputado do PDT aposta no tempo para conseguir construir a defesa de seu mandato e reverter o quadro deteriorado que havia se instalado no calor das acusações da Polícia Federal.
MAIS TEMPO NA CADEIA
A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou ontem, por unanimidade, habeas corpus ao ex-prefeito de Juiz de Fora (MG) Carlos Alberto Bejani (PTB). O petebista, que renunciou recentemente ao mandato, está preso desde o dia 12, quando a Polícia Federal realizou a Operação De Volta para Pasárgada. Antes, ele havia sido detido, em abril, na primeira fase da operação, que desarticulou um esquema de liberação irregular de verbas do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
| Tiago Pariz |
| Correio Braziliense |
Deputado do PDT levou 23 dias para apresentar documento no qual sustenta a tese de que o BNDES estaria livre de pressões políticas
O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, apresentou ontem sua defesa ao Conselho de Ética, apostando em integrantes do governo e antigos colaboradores para tentar salvar o mandato no processo que responde por quebra de decoro. No documento, ele sugeriu como testemunhas o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, o PM Wilson Consani Júnior e o ex-assessor da Força Sindical João Pedro Moura.
Moura e Consani foram presos pela Polícia Federal durante a Operação Santa Tereza, acusados de participar de um esquema de fraude em empréstimos concedidos pelo BNDES. Paulinho é suspeito de ser um dos beneficiários pelo desvio de verbas da estatal. O ex-assessor da Força, central presidida pelo deputado do PDT paulista, é visto como peça-chave no esquema.
A PF suspeita que Moura intermediava interesses de Paulinho na quadrilha, além de transitar livremente no Congresso Nacional como assessor parlamentar do pedetista. A PF apreendeu com Moura um crachá da Câmara, o que serviu para reforçar as suspeitas.
Na defesa escrita, Paulinho argumentou que o antigo assessor não está no rol de funcionários de seu gabinete e que usava um crachá para explorar ilegalmente o prestígio do parlamentar. Em depoimento à Justiça de São Paulo, Moura admitiu que usou indevidamente o nome de Paulinho e negou que o deputado tenha participado da suposta fraude no BNDES.
Coronel da PM, Consani prestaria serviços para a boate W.E., supostamente utilizada para lavar dinheiro desviado do banco, segundo as suspeitas da polícia. O oficial também é ligado a Paulinho e foi flagrado em uma escuta telefônica alertando o deputado da Operação Santa Tereza.
Miguel Jorge e Luciano Coutinho foram listados como testemunhas para sustentar a tese de que o BNDES está livre de pressões políticas. A argumentação é que os empréstimos do banco são garantidos após minucioso estudo técnico. O dinheiro desviado teria sido originado em uma linha de financiamento oferecido à prefeitura de Praia Grande, cidade do litoral paulista.
Propina
A quadrilha teria negociado com o prefeito a liberação do empréstimo de R$ 124 milhões mediante pagamento de R$ 2,6 milhões em propina. Paulinho teria ficado com parte desse dinheiro, segundo suspeita dos policiais encarregados do caso.
Com a apresentação da defesa, o deputado Paulo Piau (PMDB-MG), relator do caso, quer agilizar o processo e ouvir o depoimento do pedetista na próxima quarta-feira. O presidente do colegiado, Sérgio Moraes (PTB-RS), afirmou que o deputado do PDT poderá optar por ser ouvido em 8 de julho.
Integrantes do conselho acreditam que, quanto mais tempo tiverem para estudar os documentos, melhor para o processo. “A próxima semana deve ser dedicada à avaliação dos argumentos da defesa e documentos apresentados. E somente na outra semana vamos ouvir o Paulinho. Se agilizarmos, poderemos perder a oportunidade de inquiri-lo sobre fatos contraditórios”, opinou o deputado Efraim Filho (DEM-PB).
Paulinho já foi beneficiado pelos 23 dias que levaram para passar as cinco sessões ordinárias da Câmara. O deputado do PDT aposta no tempo para conseguir construir a defesa de seu mandato e reverter o quadro deteriorado que havia se instalado no calor das acusações da Polícia Federal.
MAIS TEMPO NA CADEIA
A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou ontem, por unanimidade, habeas corpus ao ex-prefeito de Juiz de Fora (MG) Carlos Alberto Bejani (PTB). O petebista, que renunciou recentemente ao mandato, está preso desde o dia 12, quando a Polícia Federal realizou a Operação De Volta para Pasárgada. Antes, ele havia sido detido, em abril, na primeira fase da operação, que desarticulou um esquema de liberação irregular de verbas do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).