antigas Publicado: 6/08/2008 | 09:32

Senado desiste do recesso, mas só da boca para fora

Tiago Pariz
Correio Braziliense

Líderes não abrem mão de participar das campanhas. Para mostrar serviço no Congresso, recorrerão a um rodízio entre os parlamentares
 
 
Líderes do Senado desistiram ontem de oficializar o chamado recesso branco até as eleições. Mas só no discurso. Na prática, os parlamentares terão liberdade para participar livremente das campanhas municipais sem correr qualquer risco de punição. Temendo um desgaste ainda maior da imagem da Casa, os senadores reformularam a proposta de realizar esforço concentrado de apenas três semanas em agosto e setembro. Agora, dizem que garantirão a presença de, pelo menos, 41 parlamentares nas terças e quartas-feiras durante esses dois meses.

Além disso, em três semanas determinadas, prometem presença qualificada para votar até proposta de emenda constitucional. A idéia é a mesma que havia sido levantada pelo presidente da Casa, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN): dar folga aos colegas para eles se dedicarem à campanha nas eleições municipais. Dos 81 senadores, só três são candidatos: Patrícia Saboya (PDT-CE), em Fortaleza; Almeida Lima (PMDB-SE), em Aracaju; e Marcelo Crivella (PRB-RJ), no Rio de Janeiro. O discurso depois da reunião de líderes de ontem foi praticamente igual. “Esperei 21 anos para ter eleição e não posso desprezar algo que é fundamental para a democracia”, defendeu o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).

O governista Romero Jucá (PMDB-RR) entoou a mesma retórica, com palavras diferentes. “A obrigação é eleitoral para fortalecer a democracia”, disse. Até Garibaldi entrou na onda: “O país lutou muito para a restauração do regime democrático”. A proposta de maquiar o recesso branco foi capitaneada na reunião de ontem por Jucá e pelo líder do DEM José Agripino Maia (RN), sob argumento da piora da imagem do Senado com a oficialização do recesso branco. Os senadores, então, passaram a discutir qual a melhor saída. Ficou definido que cada líder ficará responsável pelo comparecimento mínimo dos correligionários. Até isso, no entanto, pode ficar no papel.

Rodízio
“Cada senador vai fazer o seu próprio calendário. O regimento interno é claro ao dizer que não há falta no período eleitoral”, afirmou Jucá, líder do governo, escorando-se num argumento levantado pelo senador Aloizio Mercadante (PT-SP) durante a reunião. O petista lembrou que as normas prevêem não contar a ausência dos senadores nos 60 dias anteriores à eleição de outubro. O líder do PSB Renato Casagrande (ES) afirmou que, mesmo sem a obrigatoriedade, os colegas aparecerão em Brasília. “Mesmo não tendo a obrigação legal para comparecer, nós concordamos em realizar as votações”, disse Casagrande.

Pelo cronograma acertado, os senadores se comprometeram a votar matérias polêmicas que precisam de quorum alto em duas semanas de agosto e uma de setembro. Nessa lista, entrariam, por exemplo, a PEC dos precatórios e a medida provisória que transforma em ministério a Secretaria da Pesca. Ficou definido ainda que os trabalhos nas quartas-feiras terminarão até as 18h para que os senadores possam voltar a tempo a seus estados e se dedicarem à campanha municipal.

Tiago Pariz
Correio Braziliense

Líderes não abrem mão de participar das campanhas. Para mostrar serviço no Congresso, recorrerão a um rodízio entre os parlamentares
 
 
Líderes do Senado desistiram ontem de oficializar o chamado recesso branco até as eleições. Mas só no discurso. Na prática, os parlamentares terão liberdade para participar livremente das campanhas municipais sem correr qualquer risco de punição. Temendo um desgaste ainda maior da imagem da Casa, os senadores reformularam a proposta de realizar esforço concentrado de apenas três semanas em agosto e setembro. Agora, dizem que garantirão a presença de, pelo menos, 41 parlamentares nas terças e quartas-feiras durante esses dois meses.

Além disso, em três semanas determinadas, prometem presença qualificada para votar até proposta de emenda constitucional. A idéia é a mesma que havia sido levantada pelo presidente da Casa, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN): dar folga aos colegas para eles se dedicarem à campanha nas eleições municipais. Dos 81 senadores, só três são candidatos: Patrícia Saboya (PDT-CE), em Fortaleza; Almeida Lima (PMDB-SE), em Aracaju; e Marcelo Crivella (PRB-RJ), no Rio de Janeiro. O discurso depois da reunião de líderes de ontem foi praticamente igual. “Esperei 21 anos para ter eleição e não posso desprezar algo que é fundamental para a democracia”, defendeu o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).

O governista Romero Jucá (PMDB-RR) entoou a mesma retórica, com palavras diferentes. “A obrigação é eleitoral para fortalecer a democracia”, disse. Até Garibaldi entrou na onda: “O país lutou muito para a restauração do regime democrático”. A proposta de maquiar o recesso branco foi capitaneada na reunião de ontem por Jucá e pelo líder do DEM José Agripino Maia (RN), sob argumento da piora da imagem do Senado com a oficialização do recesso branco. Os senadores, então, passaram a discutir qual a melhor saída. Ficou definido que cada líder ficará responsável pelo comparecimento mínimo dos correligionários. Até isso, no entanto, pode ficar no papel.

Rodízio
“Cada senador vai fazer o seu próprio calendário. O regimento interno é claro ao dizer que não há falta no período eleitoral”, afirmou Jucá, líder do governo, escorando-se num argumento levantado pelo senador Aloizio Mercadante (PT-SP) durante a reunião. O petista lembrou que as normas prevêem não contar a ausência dos senadores nos 60 dias anteriores à eleição de outubro. O líder do PSB Renato Casagrande (ES) afirmou que, mesmo sem a obrigatoriedade, os colegas aparecerão em Brasília. “Mesmo não tendo a obrigação legal para comparecer, nós concordamos em realizar as votações”, disse Casagrande.

Pelo cronograma acertado, os senadores se comprometeram a votar matérias polêmicas que precisam de quorum alto em duas semanas de agosto e uma de setembro. Nessa lista, entrariam, por exemplo, a PEC dos precatórios e a medida provisória que transforma em ministério a Secretaria da Pesca. Ficou definido ainda que os trabalhos nas quartas-feiras terminarão até as 18h para que os senadores possam voltar a tempo a seus estados e se dedicarem à campanha municipal.