antigas Publicado: 19/01/2009 | 10:33

Servidor ainda utiliza cartão corporativo de modo irregular

 

Um ano após crise, meio de pagamento ainda é usado em compras não-emergenciais

Portal da Transparência aponta gastos com aluguéis em sequência de carros, restaurantes de alto padrão e loja de time de futebol

Um ano após a crise que levou a uma CPI e fez o governo baixar normas disciplinatórias, o cartão corporativo continua sendo usado para pagamento de compras não-emergenciais ou que não se preocupam em economizar dinheiro público.

Dados do Portal da Transparência revelam que os cartões foram usados para pagar restaurantes caros e gastos em free shop e loja de material do Grêmio.

 


Outro lado

Compra de mochilas em aeroporto foi "necessária", diz FAB

Órgão afirma que gasto em churrascaria se deve a recepção de comitiva, motivo dado também por Exército e Defesa

A Aeronáutica informou que a compra de mochilas em uma loja Duty Free, no aeroporto de Brasília, foi emergencial. Segundo a corporação, o oficial portador do cartão chefiava um grupo que seguia em missão para uma região inóspita próxima de Formosa (GO) e, por isso, a compra "fez-se necessária".
O grupo, segundo a FAB, vinha de São José dos Campos (SP), onde fica sediado, e seguiu para a cidade goiana de carro.
A FAB informou ainda que as refeições pagas com cartão em uma churrascaria da capital faziam parte de "recepção de retribuição" oferecida a comitivas chilena e uruguaia.
Sobre os gastos em um delicatessen, a FAB disse que foram comprados "itens de subsistência" para a "alimentação diária do efetivo", sendo 40% de enlatados e conservas, além de vegetais, sucos, grãos e laticínios.
Em nota, o Exército justificou os gastos em churrascaria dizendo que o Estado-Maior é responsável por "visitas de comitivas estrangeiras", sem especificar qual. A nota diz que os gastos obedeceram a lei.
O Ministério da Defesa informou que os R$ 2 mil gastos no Porcão financiaram refeição de 17 integrantes de comitiva do Departamento de Defesa dos Estados Unidos que veio ao Brasil a convite da pasta. Segundo o ministério, neste caso as despesas são custeadas pelo governo brasileiro.
O IBGE não se pronunciou sobre os gastos com locação de carros no Mato Grosso.
O pró-reitor de planejamento da Universidade Federal de Santa Maria, Charles Prades, afirmou que na Grêmio Mania foram compradas 26 bolas de futebol de campo e futsal usadas pelos alunos de educação física. "Não sei se elas têm a logomarca do Grêmio", disse.
Segundo ele, em uma das notas fiscais consta que foram pagos R$ 384 por três bolas. Por telefone, a loja informou que só comercializa produtos licenciados do clube e que a bola mais cara vendida (branca e azul) custa R$ 58.

 

Um ano depois, a história se repete. Mesmo depois de uma CPI no Congresso e de o governo baixar normas disciplinando o uso do cartão corporativo, servidores continuam a usar o meio de pagamento para compras que não são emergenciais ou que desobedecem o princípio da busca pela economia com o dinheiro público.
Dados do Portal da Transparência revelam que os cartões bancaram aluguéis em sequência de carros, refeições em restaurantes de alto padrão, despesas em delicatessen e até gastos em uma loja do Grêmio.
Também registram uma compra na Dufry Brasil Duty Free -da mesma rede de free shop em que a ex-ministra Matilde Ribeiro (Igualdade Racial) usou o seu cartão corporativo, no episódio que desencadeou o processo de sua demissão.
A despesa foi feita pelo oficial da Aeronáutica Marcelo José Perez Monteiro. Em outubro, ele gastou R$ 647 na loja Duty Free do aeroporto de Brasília. Segundo a corporação, foram compradas três mochilas para notebook e uma pasta protetora para computador portátil.
Na filial da Grêmio Mania em Santa Maria (a 301 km de Porto Alegre), três funcionários da universidade federal gastaram R$ 2.827 de abril a outubro de 2008 -segundo a instituição, para comprar 26 bolas de futebol. Por telefone, a loja informou que não vende produto que não tenha as cores ou a marca do tricolor gaúcho.
Servidores do IBGE no Mato Grosso gastaram R$ 72,9 mil com o aluguel de carros num único lugar: a Localiza Rent a Car. Foram 94 despesas.
Ano passado, a ex-ministra Matilde gastou R$ 110 mil da mesma forma. À época, seu comportamento foi censurado com o argumento de que, para compras em sequência, é obrigatória a realização de licitação.
No mercado La Palma, uma das mercearias mais caras de Brasília, funcionários do Comando da Aeronáutica compraram R$ 5.056,80 em itens para "alimentação diária do efetivo de militares".
No Ministério da Defesa, um servidor gastou R$ 2.000 na churrascaria Porcão (rodízio a R$ 72 por pessoa), em Brasília. Segundo a pasta, foram pagas refeições a 17 integrantes de comitiva do governo americano.
Aeronáutica e Exército também alegaram a necessidade de receber delegações internacionais para justificar cinco despesas na Potência Grill, em Brasília (R$ 49,90 por pessoa o almoço e R$ 39,90 o jantar).

 

Um ano após crise, meio de pagamento ainda é usado em compras não-emergenciais

Portal da Transparência aponta gastos com aluguéis em sequência de carros, restaurantes de alto padrão e loja de time de futebol

Um ano após a crise que levou a uma CPI e fez o governo baixar normas disciplinatórias, o cartão corporativo continua sendo usado para pagamento de compras não-emergenciais ou que não se preocupam em economizar dinheiro público.

Dados do Portal da Transparência revelam que os cartões foram usados para pagar restaurantes caros e gastos em free shop e loja de material do Grêmio.

 


Outro lado

Compra de mochilas em aeroporto foi "necessária", diz FAB

Órgão afirma que gasto em churrascaria se deve a recepção de comitiva, motivo dado também por Exército e Defesa

A Aeronáutica informou que a compra de mochilas em uma loja Duty Free, no aeroporto de Brasília, foi emergencial. Segundo a corporação, o oficial portador do cartão chefiava um grupo que seguia em missão para uma região inóspita próxima de Formosa (GO) e, por isso, a compra "fez-se necessária".
O grupo, segundo a FAB, vinha de São José dos Campos (SP), onde fica sediado, e seguiu para a cidade goiana de carro.
A FAB informou ainda que as refeições pagas com cartão em uma churrascaria da capital faziam parte de "recepção de retribuição" oferecida a comitivas chilena e uruguaia.
Sobre os gastos em um delicatessen, a FAB disse que foram comprados "itens de subsistência" para a "alimentação diária do efetivo", sendo 40% de enlatados e conservas, além de vegetais, sucos, grãos e laticínios.
Em nota, o Exército justificou os gastos em churrascaria dizendo que o Estado-Maior é responsável por "visitas de comitivas estrangeiras", sem especificar qual. A nota diz que os gastos obedeceram a lei.
O Ministério da Defesa informou que os R$ 2 mil gastos no Porcão financiaram refeição de 17 integrantes de comitiva do Departamento de Defesa dos Estados Unidos que veio ao Brasil a convite da pasta. Segundo o ministério, neste caso as despesas são custeadas pelo governo brasileiro.
O IBGE não se pronunciou sobre os gastos com locação de carros no Mato Grosso.
O pró-reitor de planejamento da Universidade Federal de Santa Maria, Charles Prades, afirmou que na Grêmio Mania foram compradas 26 bolas de futebol de campo e futsal usadas pelos alunos de educação física. "Não sei se elas têm a logomarca do Grêmio", disse.
Segundo ele, em uma das notas fiscais consta que foram pagos R$ 384 por três bolas. Por telefone, a loja informou que só comercializa produtos licenciados do clube e que a bola mais cara vendida (branca e azul) custa R$ 58.

 

Um ano depois, a história se repete. Mesmo depois de uma CPI no Congresso e de o governo baixar normas disciplinando o uso do cartão corporativo, servidores continuam a usar o meio de pagamento para compras que não são emergenciais ou que desobedecem o princípio da busca pela economia com o dinheiro público.
Dados do Portal da Transparência revelam que os cartões bancaram aluguéis em sequência de carros, refeições em restaurantes de alto padrão, despesas em delicatessen e até gastos em uma loja do Grêmio.
Também registram uma compra na Dufry Brasil Duty Free -da mesma rede de free shop em que a ex-ministra Matilde Ribeiro (Igualdade Racial) usou o seu cartão corporativo, no episódio que desencadeou o processo de sua demissão.
A despesa foi feita pelo oficial da Aeronáutica Marcelo José Perez Monteiro. Em outubro, ele gastou R$ 647 na loja Duty Free do aeroporto de Brasília. Segundo a corporação, foram compradas três mochilas para notebook e uma pasta protetora para computador portátil.
Na filial da Grêmio Mania em Santa Maria (a 301 km de Porto Alegre), três funcionários da universidade federal gastaram R$ 2.827 de abril a outubro de 2008 -segundo a instituição, para comprar 26 bolas de futebol. Por telefone, a loja informou que não vende produto que não tenha as cores ou a marca do tricolor gaúcho.
Servidores do IBGE no Mato Grosso gastaram R$ 72,9 mil com o aluguel de carros num único lugar: a Localiza Rent a Car. Foram 94 despesas.
Ano passado, a ex-ministra Matilde gastou R$ 110 mil da mesma forma. À época, seu comportamento foi censurado com o argumento de que, para compras em sequência, é obrigatória a realização de licitação.
No mercado La Palma, uma das mercearias mais caras de Brasília, funcionários do Comando da Aeronáutica compraram R$ 5.056,80 em itens para "alimentação diária do efetivo de militares".
No Ministério da Defesa, um servidor gastou R$ 2.000 na churrascaria Porcão (rodízio a R$ 72 por pessoa), em Brasília. Segundo a pasta, foram pagas refeições a 17 integrantes de comitiva do governo americano.
Aeronáutica e Exército também alegaram a necessidade de receber delegações internacionais para justificar cinco despesas na Potência Grill, em Brasília (R$ 49,90 por pessoa o almoço e R$ 39,90 o jantar).