antigas Publicado: 3/02/2009 | 11:22

Lula Exige ousadia contra a crise

GOVERNO VAI REFORÇAR CAIXA DO PAC
Autor(es): Ana Carolina e Ayr Aliski
Jornal do Brasil - 03/02/2009
 

 

Por conta da crise, o presidente Lula exigiu ontem, em reunião ministerial, ousadia com mais investimentos oficiais, incluindo reforço no Programa de Aceleração do Crescimento. A balança comercial registrou déficit em janeiro, o primeiro em oito anos.

 

Lula cobra mais ousadia e Mantega anuncia cortes de despesas para assegurar investimentos

Ousadia do governo, com mais investimentos oficiais, incluindo um reforço no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), luta contra o custo do crédito e aumento no volume de dinheiro disponível. Essas são as armas que o Brasil vai usar para combater o agravamento da crise econômica mundial. Pelo menos no que depender da orientação dada ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na reunião ministerial de mais de 10 horas realizada na Granja do Torto, em Brasília.

– Aumentando investimentos, emprego e acumulando reservas, o Brasil se preparou para atravessar essa crise melhor. Não é momento de reação tímida ou retraída. O presidente quer ousadia – destacou o ministro da Fazenda, que foi o porta-voz de Lula para comunicar as conclusões da reunião.

A ordem dada aos ministros é manter projetos econômicos e sociais, a despeito da retração mundial. A estratégia, portanto, é aumentar a intervenção do Estado na economia. – Todos os programas prioritários do governo estão mantidos – garantiu Mantega, ao destacar que os cortes no orçamento resumiram-se a gastos de custeio, não de investimento e que serão temporários. Será observado o comportamento da arrecadação até março, para que então sejam realizados ajustes no orçamento.

– Faremos tudo o que for necessário para manter investimento – afirmou Mantega.

Sobre o péssimo resultado da balança comercial, que em janeiro registrou déficit, o ministro afirmou que é um retrato da crise mundial, que reduz os fluxo de comércio mundial. Por isso, destacou que é importante que os países não se fechem em blocos.

– Não podemos permitir a volta do protecionismo. Seria incorrer em erro semelhante ao que houve depois da crise de 1929 – declarou.

Uma das estratégias seria ampliar o comércio na América do Sul, utilizando sistemas de pagamentos em moedas locais, assim como foi posto em prática no ano passado entre Brasil e Argentina.

– O comércio externo está sendo reduzido. Isso afeta todos os países, inclusive a China – disse Mantega, ao criticar os países ricos. – A crise financeira não foi equacionada satisfatoriamente nos países avançados. Quem gerou a crise não soube administrá-la – disse Mantega, ao justificar que neste início de ano há uma desaceleração econômica global, afetando fluxos de comércio.

– Hoje eles, os países desenvolvidos, não têm nada para nos ensinar. Não vamos seguir a rota da desaceleração – sustentou o ministro, que falou também das ações que já vinham sendo adotadas para blindar o Brasil dos efeitos da crise.

O ministro destacou a importância de o Banco Central ter adotado medidas para aumentar a liquidez de crédito no mercado interno e ter reduzido a taxa Selic, a redução de tributos federais, a luta contra o custo do crédito por meio dos bancos oficiais, incluindo o combate aos altos spreads bancários, e a injeção de R$ 100 bilhões no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

– Com isso, o BNDES passa a ter R$ 168 bilhões – destacou. – A manutenção do programa de investimentos da Petrobras também foi citada como estratégia de enfrentamento à crise.

– O spread pode ser mais baixo no Brasil – admitiu ontem Mantega, ao deixar a Granja do Torto, em Brasília, ao fim da reunião ministerial convocada pelo presidente Lula. Disse que os bancos públicos já reduziram seus spreads e estão oferecendo crédito mais barato.

– Isso estimula a competição – disse. – Mas ainda assim, ameaçou: existem outra maneiras de reduzir o spread; estamos abertos ao diálogo.

GOVERNO VAI REFORÇAR CAIXA DO PAC
Autor(es): Ana Carolina e Ayr Aliski
Jornal do Brasil - 03/02/2009
 

 

Por conta da crise, o presidente Lula exigiu ontem, em reunião ministerial, ousadia com mais investimentos oficiais, incluindo reforço no Programa de Aceleração do Crescimento. A balança comercial registrou déficit em janeiro, o primeiro em oito anos.

 

Lula cobra mais ousadia e Mantega anuncia cortes de despesas para assegurar investimentos

Ousadia do governo, com mais investimentos oficiais, incluindo um reforço no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), luta contra o custo do crédito e aumento no volume de dinheiro disponível. Essas são as armas que o Brasil vai usar para combater o agravamento da crise econômica mundial. Pelo menos no que depender da orientação dada ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na reunião ministerial de mais de 10 horas realizada na Granja do Torto, em Brasília.

– Aumentando investimentos, emprego e acumulando reservas, o Brasil se preparou para atravessar essa crise melhor. Não é momento de reação tímida ou retraída. O presidente quer ousadia – destacou o ministro da Fazenda, que foi o porta-voz de Lula para comunicar as conclusões da reunião.

A ordem dada aos ministros é manter projetos econômicos e sociais, a despeito da retração mundial. A estratégia, portanto, é aumentar a intervenção do Estado na economia. – Todos os programas prioritários do governo estão mantidos – garantiu Mantega, ao destacar que os cortes no orçamento resumiram-se a gastos de custeio, não de investimento e que serão temporários. Será observado o comportamento da arrecadação até março, para que então sejam realizados ajustes no orçamento.

– Faremos tudo o que for necessário para manter investimento – afirmou Mantega.

Sobre o péssimo resultado da balança comercial, que em janeiro registrou déficit, o ministro afirmou que é um retrato da crise mundial, que reduz os fluxo de comércio mundial. Por isso, destacou que é importante que os países não se fechem em blocos.

– Não podemos permitir a volta do protecionismo. Seria incorrer em erro semelhante ao que houve depois da crise de 1929 – declarou.

Uma das estratégias seria ampliar o comércio na América do Sul, utilizando sistemas de pagamentos em moedas locais, assim como foi posto em prática no ano passado entre Brasil e Argentina.

– O comércio externo está sendo reduzido. Isso afeta todos os países, inclusive a China – disse Mantega, ao criticar os países ricos. – A crise financeira não foi equacionada satisfatoriamente nos países avançados. Quem gerou a crise não soube administrá-la – disse Mantega, ao justificar que neste início de ano há uma desaceleração econômica global, afetando fluxos de comércio.

– Hoje eles, os países desenvolvidos, não têm nada para nos ensinar. Não vamos seguir a rota da desaceleração – sustentou o ministro, que falou também das ações que já vinham sendo adotadas para blindar o Brasil dos efeitos da crise.

O ministro destacou a importância de o Banco Central ter adotado medidas para aumentar a liquidez de crédito no mercado interno e ter reduzido a taxa Selic, a redução de tributos federais, a luta contra o custo do crédito por meio dos bancos oficiais, incluindo o combate aos altos spreads bancários, e a injeção de R$ 100 bilhões no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

– Com isso, o BNDES passa a ter R$ 168 bilhões – destacou. – A manutenção do programa de investimentos da Petrobras também foi citada como estratégia de enfrentamento à crise.

– O spread pode ser mais baixo no Brasil – admitiu ontem Mantega, ao deixar a Granja do Torto, em Brasília, ao fim da reunião ministerial convocada pelo presidente Lula. Disse que os bancos públicos já reduziram seus spreads e estão oferecendo crédito mais barato.

– Isso estimula a competição – disse. – Mas ainda assim, ameaçou: existem outra maneiras de reduzir o spread; estamos abertos ao diálogo.