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Cartaz anti-imigração patrocinado pelo partido ultradireitista SVP: com a crise financeira internacional, xenofobia ganha terreno na Suíça
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu ontem com veemência ao ataque sofrido na Suíça pela advogada pernambucana Paula Oliveira, de 26 anos, que foi torturada por neonazistas e perdeu as gêmeas que esperava. “Nós não podemos aceitar nem podemos ficar calados diante de tanta violência envolvendo uma brasileira no exterior”, disse Lula em visita ao Recife. Durante o dia, o presidente conversou com o governador Eduardo Campos (PSB) e, por sugestão dele, telefonou à noite para o deputado federal Roberto Magalhães (DEM-PE), com quem Paulo Oliveira, pai da advogada, trabalha. Segundo Magalhães, Lula se disse “indignado” e pediu ao parlamentar, intermediário da família no caso, para que informasse aos parentes sobre as providências tomadas pelo Ministério das Relações Exteriores.
O chanceler Celso Amorim, em entrevista concedida no Itamaraty, classificou o episódio como “chocante” e informou que o encarregado de negócios da Embaixada da Suíça, Claude Cnottz, foi convocado pelo diretor para Comunidades Brasileiras no Exterior, Eduardo Gradilone, para tomar conhecimento da “grande preocupação” do governo brasileiro. “É evidente que é um caso chocante. Não podemos fazer nenhum prejulgamento, mas há uma aparência evidente de xenofobia”, disse o chanceler. Ele recomendou por telefone à cônsul brasileira em Zurique, Vitória Cleaver, que assista a família de Paula e acompanhe as providências das autoridades suíças. “Esperamos que o caso seja investigado como deve ser, até pelas boas relações entre Brasil e Suíça. Temos confiança de que teremos a punição adequada, porque a Suíça não tem interesse em projetar uma imagem negativa.”
Na conversa com o presidente Lula, o deputado pernambucano confessou estar preocupado com a forma como brasileiros têm sido tratados em outros países. Pela manhã, o governador Eduardo Campos havia se pronunciado sobre o que chamou de “uma barbárie inaceitável”, e pedido ao presidente garantias de que “a agressão não ficará impune”. Paula Oliveira está legalmente na Suíça e trabalha para uma multinacional. Mora em Dubendorf, a 3km de Zurique. Foi agredida por três skinheads (de cabeças raspadas, roupas pretas e com tatuagem de uma suástica pintada), teve o corpo retalhado por uma centena de cortes e sofreu um aborto. Ela estava na 11ª semana de gravidez.
Os agressores não foram identificados, mas deixaram gravadas nas pernas da brasileira, com golpes de estilete, a sigla do Partido do Povo Suíço (SVP, na sigla em alemão), que defende uma política mais rígida contra imigrantes — mas não tem registro de atividades neonazistas e integra a coalizão que governa a Suíça. No início deste mês, os eleitores suíços aprovaram, com quase 60% dos votos, a prorrogação de um acordo com a União Europeia (UE) sobre abertura do mercado de trabalho para imigrantes de países-membros da UE. O SVP encabeçou a campanha pelo “não”, voltada principalmente contra a extensão do benefício a imigrantes da Bulgária e da Romênia, os dois últimos países que se associaram ao bloco europeu. Com a crise financeira internacional, que atingiu particularmente o país, a hostilidade aos estrangeiros vem aumentando no país.
Entendimento
Há indicativos de que o governo pode pedir para que a Organização das Nações Unidades (ONU), por meio da Comissão de Direitos Humanos, denuncie o caso de Paula por xenofobia, um tipo de aversão a estrangeiros. Ontem à tarde, dois ministros falaram sobre o atentado contra a advogada. O ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vanuchi, disse que não se pode tratar com tolerância intolerantes como os que atentaram contra Paula Oliveira.
Nós não podemos aceitar nem podemos ficar calados diante de tanta violência envolvendo uma brasileira no exterior  |
Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República
Não podemos fazer nenhum prejulgamento, mas há uma aparência evidente de xenofobia  |
Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores
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Advogada volta a ser internada em Zurique
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Paula e o namorado, Marco Trepp: “jamais me livrarei do trauma”
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Três dias depois de ser atacada por neonazistas, a advogada pernambucana Paula Oliveira voltou a ser internada no Hospital Universitário de Zurique. Passou mal por volta das 5h (9h em Brasília) e foi levada pelo noivo, o economista suíço Marco Trepp, à unidade médica onde tinha sido socorrida minutos após as agressões. Até o final da noite de ontem, ela submetia-se a exames. Os médicos suspeitam de complicações renais e afirmam que não há previsão de alta.
A brasileira reclamava de retenção urinária na última terça-feira, quando passou o dia em sua casa, na cidade de Dubendorf, a 3km de Zurique. Na segunda-feira, Paula foi espancada por três homens, um deles com a suástica — símbolo do nazismo — tatuada na cabeça. Teve o corpo marcado com mais de 100 cortes, do rosto aos pés. Os agressores cravaram na barriga e nas coxas da brasileira a sigla SVP, do Partido Popular da Suíça. Grávida de 11 semanas, não resistiu à barbárie e perdeu as gêmeas.
“Nunca mais vou conseguir me livrar desse trauma”, disse Paula Oliveira ao pai, o assessor parlamentar Paulo Oliveira, e à a mãe, Geni Ventura, que a acompanham há dois dias. Os pais deixaram Recife logo após tomarem conhecimento do incidente. Acreditam que a filha foi agredida por radicais xenófobos. O fato de o ataque ter ocorrido logo após ela conversar com a mãe, falando em português, é uma das indicações.
Paulo Oliveira disse acreditar que a filha precisará de tratamento psicológico profissional para livrar-se das lembranças do atentado. A mãe Geni demonstrou incredulidade diante do ato de selvageria em um país como a Suíça. “A gente nunca imagina. Muito menos com minha filha”, desabafou. Paula está legalmente no país e trabalha como funcionária da multinacional de transportes marítimo A P Moeller.
Horror
Por três vezes, a pernambucana relatou aos pais como foram os cinco minutos de horror. “Ela entrou em estado de choque. Não suporta ouvir mais nada. Chora muito quando me ouve contar o episódio para um jornalista ou amigo. Está muito abalada”, contou Paulo à reportagem, enquanto aguardava na sala de espera do Hospital Universitário de Zurique. Na noite terça-feira, a advogada já havia ido ao hospital para tomar um coquetel antiviral. Os medicamentos ajudarão a prevenir doenças eventualmente transmitidas pelos estiletes e facas.
Em nota, a polícia suíça afirmou que “as circunstâncias exatas do acidente não estão claras”. Paulo denuncia a tentativa de “abafar” o crime. “Aqui a coisa é cobrir, abafar e preservar a imagem de que a Suíça é um paraíso da segurança”, desabafou o assessor parlamentar. Ele lembrou que, enquanto seguia de ambulância até o hospital, a filha foi pressionada a dizer que tinha se autoflagelado. “Eles avisaram mais de uma vez: ‘Se você estiver mentindo, será punida legalmente’”, contou o pai. (SB)
fonte: Ministério do Planejamento
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