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Publicado: 5/03/2009 | 09:33
Emergentes focam consumo em produtos de necessidade imediata
Eles também passaram a trocar de marca, optando pela mais em conta, e substituir produtos por equivalentes com custo menor
O neofrugalismo, termo utilizado para designar uma tendência de consumo, na qual se valorizam os gastos e se reduzem os supérfluos, parece ter se fortificado com o advento da crise financeira. No Brasil, essa mudança de atitude em relação ao orçamento, segundo a professora do Provar (Programa de Administração do Varejo) da FIA (Fundação Instituto de Administração), Flávia Ghisi, fica mais clara de se observar na alta redução do consumo das camadas médias pobre, o estrato social que a mídia gosta de chamar de "classe C". Ao mesmo tempo em que esses consumidores passaram a focar suas aquisições nos produtos de necessidade imediata, eles também passaram a trocar de marca, optando por uma mais em conta, e substituir produtos por equivalentes com custo menor. Mudança de comportamento Nos estratos A/B, por outro lado, a influência da crise foi amena, permitindo que eles continuassem fiéis às marcas preferidas, sem afetar o consumo. É o que geralmente acontece quando há crise. Os ricos é médios conseguem manter o padrão de vida e consumo; mas, os estratos mais pobres da sociedade veem o padrão de vida e consumo caírem. Frente a essa conjuntura, Flávia lembra que o mercado de luxo, por exemplo, continua crescendo e também se tornou mais exclusivo, porque a classe média emergente (C) deixou de adquirir estes produtos. "Percebemos ações agressivas de certas redes com o objetivo de aumentar a venda de produtos mais sofisticados", destacou a professora do Provar. Consumo "fútil" Porém, como cada pessoa é atingida de uma forma diferente - assim como postulou Flávia -, para ele, o consumo do que não é essencial não vai acabar. "É natural do ser humano o consumo de conforto. Assim que a crise estabilizar e voltar o período de prosperidade, o consumidor vai ficar mais confiante e voltará a consumir o que não é essencial", reiterou o economista. De olho no lazer doméstico O consumidor brasileiro tem experiência com momentos delicados em que não se deu atenção ao orçamento, como o período de superinflação que durou até 1994. "O consumidor é um gato escaldado [que tem medo de água fria] e busca uma alternativa que lhe dê conforto sem comprometer o orçamento doméstico", explicou o economista. (Com InfoMoney)
Isso ocorreu, pois, no ano passado, houve um inchaço desta faixa de renda - que passou a representar 46% dos consumidores - e como é um público ávido de consumo, sofreu os maiores impactos da crise.
Em relação ao chamado consumo "fútil", o economista da Fecomercio-SP, Altamiro Carvalho, afirma que, em tempos de crise, a tendência é que ele reduza drasticamente.
Outra tendência que já se observa, lembra Altamiro, é o investimento que o consumidor está fazendo em lazer doméstico, observado, por exemplo, no aumento da audiência e da assinatura de televisão.
Eles também passaram a trocar de marca, optando pela mais em conta, e substituir produtos por equivalentes com custo menor
O neofrugalismo, termo utilizado para designar uma tendência de consumo, na qual se valorizam os gastos e se reduzem os supérfluos, parece ter se fortificado com o advento da crise financeira. No Brasil, essa mudança de atitude em relação ao orçamento, segundo a professora do Provar (Programa de Administração do Varejo) da FIA (Fundação Instituto de Administração), Flávia Ghisi, fica mais clara de se observar na alta redução do consumo das camadas médias pobre, o estrato social que a mídia gosta de chamar de "classe C". Ao mesmo tempo em que esses consumidores passaram a focar suas aquisições nos produtos de necessidade imediata, eles também passaram a trocar de marca, optando por uma mais em conta, e substituir produtos por equivalentes com custo menor. Mudança de comportamento Nos estratos A/B, por outro lado, a influência da crise foi amena, permitindo que eles continuassem fiéis às marcas preferidas, sem afetar o consumo. É o que geralmente acontece quando há crise. Os ricos é médios conseguem manter o padrão de vida e consumo; mas, os estratos mais pobres da sociedade veem o padrão de vida e consumo caírem. Frente a essa conjuntura, Flávia lembra que o mercado de luxo, por exemplo, continua crescendo e também se tornou mais exclusivo, porque a classe média emergente (C) deixou de adquirir estes produtos. "Percebemos ações agressivas de certas redes com o objetivo de aumentar a venda de produtos mais sofisticados", destacou a professora do Provar. Consumo "fútil" Porém, como cada pessoa é atingida de uma forma diferente - assim como postulou Flávia -, para ele, o consumo do que não é essencial não vai acabar. "É natural do ser humano o consumo de conforto. Assim que a crise estabilizar e voltar o período de prosperidade, o consumidor vai ficar mais confiante e voltará a consumir o que não é essencial", reiterou o economista. De olho no lazer doméstico O consumidor brasileiro tem experiência com momentos delicados em que não se deu atenção ao orçamento, como o período de superinflação que durou até 1994. "O consumidor é um gato escaldado [que tem medo de água fria] e busca uma alternativa que lhe dê conforto sem comprometer o orçamento doméstico", explicou o economista. (Com InfoMoney)
Isso ocorreu, pois, no ano passado, houve um inchaço desta faixa de renda - que passou a representar 46% dos consumidores - e como é um público ávido de consumo, sofreu os maiores impactos da crise.
Em relação ao chamado consumo "fútil", o economista da Fecomercio-SP, Altamiro Carvalho, afirma que, em tempos de crise, a tendência é que ele reduza drasticamente.
Outra tendência que já se observa, lembra Altamiro, é o investimento que o consumidor está fazendo em lazer doméstico, observado, por exemplo, no aumento da audiência e da assinatura de televisão.