antigas Publicado: 24/03/2009 | 09:59

Obama vai pagar micos dos bancos

 

Governo americano promete comprar US$ 500 bilhões em títulos podres, podendo dobrar a aposta, em uma nova tentativa de destravar os empréstimos bancários. Bolsas reagem com altas de até 6%

Encurralado, o governo dos Estados Unidos anunciou ontem mais um plano para tentar destravar o crédito, que desapareceu com a crise econômica, e estimular o consumo dos americanos. O novo plano do secretário do Tesouro, Timothy Geithner, consiste em limpar da contabilidade dos bancos os ativos tóxicos, compartilhando parte dos riscos com a iniciativa privada e fundos públicos. A promessa é de uma compra de US$ 500 bilhões em títulos podres, mas esse valor pode chegar a US$ 1 trilhão. 

Os ativos tóxicos (créditos de difícil recuperação) contaminam a capacidade dos bancos de conceder empréstimos, prejudicando o consumo e o investimento em toda a economia. Também serão concedidos subsídios na forma de empréstimos a juros mais baixos para os investidores interessados em adquirir hipotecas e outros tipos de empréstimos bancários. 

Para a economista da consultoria Tendências, Alessandra Ribeiro, o pacote deu ânimo às principais bolsas de valores do mundo (leia abaixo). Isso porque o primeiro plano lançado pelo governo americano, em outubro do ano passado — quando o secretário do Tesouro era Henry Paulson e o presidente, George W.Bush —, acabou não surtindo o efeito desejado. A intenção era comprar os ativos podres das instituições financeiras, mas a proposta esbarrou na dificuldade de precificar esses bens. Na época, foi aprovado um pacote de ajuda ao setor financeiro no total de US$ 700 bilhões. 

Segundo Alessandra, o plano Geithner resolve esse problema. A definição dos preços será feita por leilão e o governo norte-americano vai ficar com a maior parte do risco da transação para incentivar a entrada de investidores privados. “A proposta de Geithner abrange dois pontos. Pretende retirar os ativos podres das instituições financeiras e reativar o mercado secundário para que os americanos comecem a comprar”, ressaltou a economista. “O pacote foi bem recebido. Agora vamos esperar a implementação. Acredito que o cenário deve se estabilizar até o fim deste ano. O governo (norte-americano) está assumindo a maior parte do risco do negócio”, acrescentou. 

Risco maior 
Para Geithner, a compra de ativos podres é um risco que os EUA devem assumir. O presidente Barack Obama considera a medida é crucial para reativar o crédito. Para o programa ser colocado em prática contará com a participação da Comissão Federal de Seguros de Depósitos Bancários (FDIC), que regula o sistema bancário, que vai auxiliar os bancos que quiserem se desfazer de suas dívidas de risco, e dará uma garantia e uma ajuda para o financiamento aos investidores interessados em adquiri-las. Os empréstimos serão vendidos por um sistema de leilões. 

Para a compra e gestão a longo prazo dos títulos, o Tesouro vai se associar a gestores de fundos privados (são cinco, até agora) e concederá um financiamento adicional, que pode chegar a um trilhão de dólares. No caso dos títulos atrelados a ativos imobiliários, os investidores poderão se beneficiar de um acesso facilitado ao crédito ao consumo pelo do Programa de Alívio para Ativos Problemáticos (Tarf, na sigla em inglês), recentemente lançado pelo Federal Reserve (Fed), para obter parte do financiamento necessário para realizar a compra. “Não há dúvida de que o Estado está assumindo riscos”, disse Geithner. “Não é possível resolver uma crise financeira sem que o Estado assuma riscos.” 

O presidente Barack Obama se declarou “muito confiante” pois o plano deve contribuir para o desbloqueio do mercado de crédito, que atrapalha a recuperação econômica. “Consideramos que este é um elemento a mais, que será absolutamente crítico para conseguir que o crédito flua novamente”, estimou Obama, após uma reunião com seus conselheiros econômicos na Casa Branca. “Isso não acontecerá da noite para o dia, ainda há muita fragilidade nos sistemas financeiros, mas creio que estamos avançando na direção correta”. 

Na avaliação de Obama, o plano tentará fazer com que “as famílias obtenham empréstimos simples de consumo, empréstimos para a compra de veículos, empréstimos para estudantes, para garantir que as pequenas empresas financiem sua atividade, e para que relancemos a economia”. “Começaremos a ver uma luz de esperança no mercado imobiliário”, concluiu o presidente. O plano se soma a outras medidas já tomadas para tirar o país da grave crise de créditos, como o relançamento do crédito ao consumo e uma ajuda aos proprietários de imóveis que estejam tendo dificuldades para honrar seus pagamentos. 

A proposta de Geithner foi duramente criticada pelo setor privado, já irritado com a decisão do Congresso de aplicar um imposto de 90% sobre as bonificações pagas a executivos cujas empresas foram socorridas pelo Estado.


Bônus devolvidos

Altos executivos da divisão de produtos financeiros da seguradora americana AIG concordaram em devolver os US$ 30 milhões pagos em bonificações pela empresa, que já recebeu cerca de US$180 bilhões em ajuda do governo para não quebrar, segundo informações do jornal The New York Times de ontem. Segundo o procurador geral de Nova York, Andrew Cuomo, 15 dos 20 executivos da AIG beneficiados decidiram devolver o dinheiro. “Esses bônus serão devolvidos por completo”, disse Cuomo à imprensa. Na semana passada, o Congresso americano aprovou a taxação de bônus pagos a executivos de empresas ajudadas pelo governo em 90%. 

Euforia nas bolsas

Os investidores retomaram o ânimo com o detalhamento do plano do Tesouro dos Estados Unidos para limpar ativos podres dos bancos e foram às compras. As bolsas subiram em todo o globo, sendo que a Bovespa teve alta de 5,89% e voltou ao nível do início do mês passado, com poucas ações do índice em baixa e fechando com 42.438 pontos, o maior nível desde 6 de fevereiro. Com o desempenho da segunda-feira, passou a acumular alta de 11,15% no mês e de 13,02% no ano. O giro financeiro somou R$ 4,771 bilhões. 

O plano anunciado pelo secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, prevê a limpeza de US$ 500 bilhões de ativos lastreados por hipotecas problemáticas e outros de risco, montante que pode subir para até US$ 1 trilhão. Chamada de Programa de Investimento Público-Privado, a proposta prevê que Tesouro, Federal Reserve e Corporação Federal de Seguro de Depósito (FDIC) trabalhem em conjunto com investidores privados para tentar reiniciar o mercado para esses ativos problemáticos. Para incentivar o setor privado a participar do programa, o FDIC dará garantia à maior parte do financiamento para a compra dos ativos. 

Nos Estados Unidos, os papéis do setor financeiro estiveram entre as maiores altas do dia, já que são essas as instituições primordialmente beneficiadas pelo plano do Tesouro americano. O Índice Dow Jones da Bolsa de Valores de Nova York acabou a sessão com ganho de 6,84%, a maior desde 28 de outubro de 2008 e o Nasdaq, com alta de 6,76%. O Bank of America fechou com ganho de 26%, o Citigroup, de 19,47%, e o JPMorgan, de 24,67%. Entre as seguradoras, a American International Group (AIG) avançou 17,46%. 

As bolsas europeias também fecharam no azul. Na Bolsa de Londres, o FTSE-100 subiu 2,86%; em Frankfurt, o índice Xetra-DAX avançou 2,65%; na Bolsa de Paris, o CAC-40 teve alta de 2,81%. 

O plano americano de compra de ativos podres de bancos fez também os preços do barril de petróleo encerrarem o dia em alta. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de West Texas Intermediate fechou cotado a US$ 53,80, com alta de US$ 1,73. 

Bancos brasileiros 
No Brasil, embora a alta tenha sido generalizada, os bancos também estiveram entre as maiores valorizações do dia. Unibanco Unit foi a segunda maior alta da sessão, com +12,16%. Itaú PN avançou 9,63%, Bradesco PN, 7,39%, e BB ON, 7,10%. As blue chips Petrobras e Vale não ficaram para trás. Petrobras ON subiu 7,30% e PN, 6,05%. Vale ON fechou com +6,28% e PNA, com +4,80%. CSN ON teve ganho de 7,22%, Usiminas PNA, de 6,13%, Gerdau PN de 5,54% e Metalúrgica Gerdau PN, de 5,48%. 

O dólar no mercado à vista encerrou o dia em queda e no menor valor desde 9 de fevereiro (de R$ 2,237), cotado a R$ 2,245. O declínio da moeda americana foi determinado pelo anúncio do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. 

 

Governo americano promete comprar US$ 500 bilhões em títulos podres, podendo dobrar a aposta, em uma nova tentativa de destravar os empréstimos bancários. Bolsas reagem com altas de até 6%

Encurralado, o governo dos Estados Unidos anunciou ontem mais um plano para tentar destravar o crédito, que desapareceu com a crise econômica, e estimular o consumo dos americanos. O novo plano do secretário do Tesouro, Timothy Geithner, consiste em limpar da contabilidade dos bancos os ativos tóxicos, compartilhando parte dos riscos com a iniciativa privada e fundos públicos. A promessa é de uma compra de US$ 500 bilhões em títulos podres, mas esse valor pode chegar a US$ 1 trilhão. 

Os ativos tóxicos (créditos de difícil recuperação) contaminam a capacidade dos bancos de conceder empréstimos, prejudicando o consumo e o investimento em toda a economia. Também serão concedidos subsídios na forma de empréstimos a juros mais baixos para os investidores interessados em adquirir hipotecas e outros tipos de empréstimos bancários. 

Para a economista da consultoria Tendências, Alessandra Ribeiro, o pacote deu ânimo às principais bolsas de valores do mundo (leia abaixo). Isso porque o primeiro plano lançado pelo governo americano, em outubro do ano passado — quando o secretário do Tesouro era Henry Paulson e o presidente, George W.Bush —, acabou não surtindo o efeito desejado. A intenção era comprar os ativos podres das instituições financeiras, mas a proposta esbarrou na dificuldade de precificar esses bens. Na época, foi aprovado um pacote de ajuda ao setor financeiro no total de US$ 700 bilhões. 

Segundo Alessandra, o plano Geithner resolve esse problema. A definição dos preços será feita por leilão e o governo norte-americano vai ficar com a maior parte do risco da transação para incentivar a entrada de investidores privados. “A proposta de Geithner abrange dois pontos. Pretende retirar os ativos podres das instituições financeiras e reativar o mercado secundário para que os americanos comecem a comprar”, ressaltou a economista. “O pacote foi bem recebido. Agora vamos esperar a implementação. Acredito que o cenário deve se estabilizar até o fim deste ano. O governo (norte-americano) está assumindo a maior parte do risco do negócio”, acrescentou. 

Risco maior 
Para Geithner, a compra de ativos podres é um risco que os EUA devem assumir. O presidente Barack Obama considera a medida é crucial para reativar o crédito. Para o programa ser colocado em prática contará com a participação da Comissão Federal de Seguros de Depósitos Bancários (FDIC), que regula o sistema bancário, que vai auxiliar os bancos que quiserem se desfazer de suas dívidas de risco, e dará uma garantia e uma ajuda para o financiamento aos investidores interessados em adquiri-las. Os empréstimos serão vendidos por um sistema de leilões. 

Para a compra e gestão a longo prazo dos títulos, o Tesouro vai se associar a gestores de fundos privados (são cinco, até agora) e concederá um financiamento adicional, que pode chegar a um trilhão de dólares. No caso dos títulos atrelados a ativos imobiliários, os investidores poderão se beneficiar de um acesso facilitado ao crédito ao consumo pelo do Programa de Alívio para Ativos Problemáticos (Tarf, na sigla em inglês), recentemente lançado pelo Federal Reserve (Fed), para obter parte do financiamento necessário para realizar a compra. “Não há dúvida de que o Estado está assumindo riscos”, disse Geithner. “Não é possível resolver uma crise financeira sem que o Estado assuma riscos.” 

O presidente Barack Obama se declarou “muito confiante” pois o plano deve contribuir para o desbloqueio do mercado de crédito, que atrapalha a recuperação econômica. “Consideramos que este é um elemento a mais, que será absolutamente crítico para conseguir que o crédito flua novamente”, estimou Obama, após uma reunião com seus conselheiros econômicos na Casa Branca. “Isso não acontecerá da noite para o dia, ainda há muita fragilidade nos sistemas financeiros, mas creio que estamos avançando na direção correta”. 

Na avaliação de Obama, o plano tentará fazer com que “as famílias obtenham empréstimos simples de consumo, empréstimos para a compra de veículos, empréstimos para estudantes, para garantir que as pequenas empresas financiem sua atividade, e para que relancemos a economia”. “Começaremos a ver uma luz de esperança no mercado imobiliário”, concluiu o presidente. O plano se soma a outras medidas já tomadas para tirar o país da grave crise de créditos, como o relançamento do crédito ao consumo e uma ajuda aos proprietários de imóveis que estejam tendo dificuldades para honrar seus pagamentos. 

A proposta de Geithner foi duramente criticada pelo setor privado, já irritado com a decisão do Congresso de aplicar um imposto de 90% sobre as bonificações pagas a executivos cujas empresas foram socorridas pelo Estado.


Bônus devolvidos

Altos executivos da divisão de produtos financeiros da seguradora americana AIG concordaram em devolver os US$ 30 milhões pagos em bonificações pela empresa, que já recebeu cerca de US$180 bilhões em ajuda do governo para não quebrar, segundo informações do jornal The New York Times de ontem. Segundo o procurador geral de Nova York, Andrew Cuomo, 15 dos 20 executivos da AIG beneficiados decidiram devolver o dinheiro. “Esses bônus serão devolvidos por completo”, disse Cuomo à imprensa. Na semana passada, o Congresso americano aprovou a taxação de bônus pagos a executivos de empresas ajudadas pelo governo em 90%. 

Euforia nas bolsas

Os investidores retomaram o ânimo com o detalhamento do plano do Tesouro dos Estados Unidos para limpar ativos podres dos bancos e foram às compras. As bolsas subiram em todo o globo, sendo que a Bovespa teve alta de 5,89% e voltou ao nível do início do mês passado, com poucas ações do índice em baixa e fechando com 42.438 pontos, o maior nível desde 6 de fevereiro. Com o desempenho da segunda-feira, passou a acumular alta de 11,15% no mês e de 13,02% no ano. O giro financeiro somou R$ 4,771 bilhões. 

O plano anunciado pelo secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, prevê a limpeza de US$ 500 bilhões de ativos lastreados por hipotecas problemáticas e outros de risco, montante que pode subir para até US$ 1 trilhão. Chamada de Programa de Investimento Público-Privado, a proposta prevê que Tesouro, Federal Reserve e Corporação Federal de Seguro de Depósito (FDIC) trabalhem em conjunto com investidores privados para tentar reiniciar o mercado para esses ativos problemáticos. Para incentivar o setor privado a participar do programa, o FDIC dará garantia à maior parte do financiamento para a compra dos ativos. 

Nos Estados Unidos, os papéis do setor financeiro estiveram entre as maiores altas do dia, já que são essas as instituições primordialmente beneficiadas pelo plano do Tesouro americano. O Índice Dow Jones da Bolsa de Valores de Nova York acabou a sessão com ganho de 6,84%, a maior desde 28 de outubro de 2008 e o Nasdaq, com alta de 6,76%. O Bank of America fechou com ganho de 26%, o Citigroup, de 19,47%, e o JPMorgan, de 24,67%. Entre as seguradoras, a American International Group (AIG) avançou 17,46%. 

As bolsas europeias também fecharam no azul. Na Bolsa de Londres, o FTSE-100 subiu 2,86%; em Frankfurt, o índice Xetra-DAX avançou 2,65%; na Bolsa de Paris, o CAC-40 teve alta de 2,81%. 

O plano americano de compra de ativos podres de bancos fez também os preços do barril de petróleo encerrarem o dia em alta. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de West Texas Intermediate fechou cotado a US$ 53,80, com alta de US$ 1,73. 

Bancos brasileiros 
No Brasil, embora a alta tenha sido generalizada, os bancos também estiveram entre as maiores valorizações do dia. Unibanco Unit foi a segunda maior alta da sessão, com +12,16%. Itaú PN avançou 9,63%, Bradesco PN, 7,39%, e BB ON, 7,10%. As blue chips Petrobras e Vale não ficaram para trás. Petrobras ON subiu 7,30% e PN, 6,05%. Vale ON fechou com +6,28% e PNA, com +4,80%. CSN ON teve ganho de 7,22%, Usiminas PNA, de 6,13%, Gerdau PN de 5,54% e Metalúrgica Gerdau PN, de 5,48%. 

O dólar no mercado à vista encerrou o dia em queda e no menor valor desde 9 de fevereiro (de R$ 2,237), cotado a R$ 2,245. O declínio da moeda americana foi determinado pelo anúncio do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.