Contradição explicável
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Publicado: 25/03/2009 | 13:57
FHC atribui desempenho de Lula ao Real
"Do jeito que a coisa anda, talvez no vigésimo aniversário do Real, teremos de explicar que não foi o presidente Lula, mas sim o presidente Fernando Henrique Cardoso quem fez o plano." A afirmação, feita ontem pelo economista Gustavo Franco, no seminário promovido pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio) 15 Anos de Plano Real, resume o tom do discurso dos tucanos, que defenderam sua autoria na criação das condições para o bom desempenho da economia brasileira nos cinco primeiros anos do governo atual. Na mesma toada do inventor da Unidade Real de Valor (URV), embrião da nova moeda que começou a circular em primeiro julho de 1994, foi o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan, outro importante membro da equipe: "Todo e qualquer governo, sem exceção, ainda que o negue, constrói sobre ganhos institucionais, administrativos e políticos realizados pelos seus antecessores. Não é diferente aqui. O Brasil teria muito a ganhar se houvesse maior compreensão disso", afirmou durante palestra, na qual assumiu os erros do programa e atribuiu os acertos ao restante da equipe, também composta por Edmar Bacha, Andre Lara Resende, Persio Arida, Clovis Carvalho e Winston Fritsch.
FHC foi ainda mais longe, ao afirmar que "o Plano Real é do Itamar Franco", pois, segundo ele, os brasileiros não teriam conhecido a estabilidade da moeda e outros "tantos benefícios" decorrentes do programa se o então presidente da República não tivesse "a coragem de assumir as mudanças propostas". Bem-humorado e diante de uma platéia de centenas de empresários e políticos, o ex-presidente tucano reconheceu, entretanto, os avanços promovidos pelo governo petista. "A César o que é de César. O Brasil está melhor e vai continuar melhorando. Lula recebeu um País em condições melhores do que aquele entregue a mim por Itamar e espero recebê-lo de volta em situação ainda melhor", ressaltou diante de uma platéia de centenas de empresários e políticos. Mas Fernando Henrique evitou assumir preferência entre os dois presidenciáveis tucanos - governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (Minas), que disputam a candidatura nas eleições de 2010 -, restringindo-se a dizer que "o País ganhará com qualquer um dos dois". Enquanto dormia Depois de relatos bem humorados sobre passagens pitorescas do Plano Real - como o fato de ter sido nomeado "enquanto dormia", pois foi consultado à noite por Itamar para ser seu quarto ministro da Fazenda, FHC soube na manhã seguinte que devia deixar o cargo de ministro das Relações Exteriores e ocupar o novo posto com urgência -, o ex-presidente tucano voltou a acusar o atual governo de permitir que "cupins" corroam a política brasileira, numa comparação da ação dos insetos na máquina pública federal que ele considera partidarizada. Mais uma vez, ele disse que "o presidente Lula está passando a mão na cabeça de quem faz a coisa errada". "A corrupção existe em todos os governos, mas eu nunca me compadeci dela", acrescentou o ex-presidente, quando perguntado se a inflação alta era o único problema de sua gestão. Citando Lula diretamente, FHC disse que o presidente está dando passos para trás ao não separar interesses partidários do interesse público. E afirmou, mais uma vez, que a máquina pública está cheia de cupins e que é preciso botar na cadeia os corruptos. Ao ser indagado por um cidadão presente ao evento qual seria o inseticida para combater os cupins que o ex-presidente afirma estarem tomando conta da máquina pública, FHC respondeu: "o inseticida vai depender do voto popular". Ele também repetiu colocações que tinha feito anteontem, sobre o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), o principal programa de obras e investimentos do governo. Depois de chamar o projeto de "Plano de Aceleração da Comunicação", declarou que o governo não chegou a investir os recursos necessários para a execução do programa. Segundo ele, o PAC não tem 1% de investimento do Produto Interno Bruto (PIB), a soma das riquezas produzidas no país. Provocado a dizer se na oposição o PSDB ficou sem discurso pelo fato de o governo do presidente Lula ter dado continuidade à política macroeconômica adotada no Plano Real - com os regimes de meta de inflação, câmbio flutuante e meta de superávit primário -, FHC saiu pela tangente. Enfatizou que a Carta aos Brasileiros, divulgada durante a corrida presidencial de 2002, "foi o ato de penitência do PT, dizendo que não ia fazer nada do que sempre pregou", concluiu.
"Do jeito que a coisa anda, talvez no vigésimo aniversário do Real, teremos de explicar que não foi o presidente Lula, mas sim o presidente Fernando Henrique Cardoso quem fez o plano." A afirmação, feita ontem pelo economista Gustavo Franco, no seminário promovido pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio) 15 Anos de Plano Real, resume o tom do discurso dos tucanos, que defenderam sua autoria na criação das condições para o bom desempenho da economia brasileira nos cinco primeiros anos do governo atual. Na mesma toada do inventor da Unidade Real de Valor (URV), embrião da nova moeda que começou a circular em primeiro julho de 1994, foi o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan, outro importante membro da equipe: "Todo e qualquer governo, sem exceção, ainda que o negue, constrói sobre ganhos institucionais, administrativos e políticos realizados pelos seus antecessores. Não é diferente aqui. O Brasil teria muito a ganhar se houvesse maior compreensão disso", afirmou durante palestra, na qual assumiu os erros do programa e atribuiu os acertos ao restante da equipe, também composta por Edmar Bacha, Andre Lara Resende, Persio Arida, Clovis Carvalho e Winston Fritsch.
FHC foi ainda mais longe, ao afirmar que "o Plano Real é do Itamar Franco", pois, segundo ele, os brasileiros não teriam conhecido a estabilidade da moeda e outros "tantos benefícios" decorrentes do programa se o então presidente da República não tivesse "a coragem de assumir as mudanças propostas". Bem-humorado e diante de uma platéia de centenas de empresários e políticos, o ex-presidente tucano reconheceu, entretanto, os avanços promovidos pelo governo petista. "A César o que é de César. O Brasil está melhor e vai continuar melhorando. Lula recebeu um País em condições melhores do que aquele entregue a mim por Itamar e espero recebê-lo de volta em situação ainda melhor", ressaltou diante de uma platéia de centenas de empresários e políticos. Mas Fernando Henrique evitou assumir preferência entre os dois presidenciáveis tucanos - governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (Minas), que disputam a candidatura nas eleições de 2010 -, restringindo-se a dizer que "o País ganhará com qualquer um dos dois". Enquanto dormia Depois de relatos bem humorados sobre passagens pitorescas do Plano Real - como o fato de ter sido nomeado "enquanto dormia", pois foi consultado à noite por Itamar para ser seu quarto ministro da Fazenda, FHC soube na manhã seguinte que devia deixar o cargo de ministro das Relações Exteriores e ocupar o novo posto com urgência -, o ex-presidente tucano voltou a acusar o atual governo de permitir que "cupins" corroam a política brasileira, numa comparação da ação dos insetos na máquina pública federal que ele considera partidarizada. Mais uma vez, ele disse que "o presidente Lula está passando a mão na cabeça de quem faz a coisa errada". "A corrupção existe em todos os governos, mas eu nunca me compadeci dela", acrescentou o ex-presidente, quando perguntado se a inflação alta era o único problema de sua gestão. Citando Lula diretamente, FHC disse que o presidente está dando passos para trás ao não separar interesses partidários do interesse público. E afirmou, mais uma vez, que a máquina pública está cheia de cupins e que é preciso botar na cadeia os corruptos. Ao ser indagado por um cidadão presente ao evento qual seria o inseticida para combater os cupins que o ex-presidente afirma estarem tomando conta da máquina pública, FHC respondeu: "o inseticida vai depender do voto popular". Ele também repetiu colocações que tinha feito anteontem, sobre o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), o principal programa de obras e investimentos do governo. Depois de chamar o projeto de "Plano de Aceleração da Comunicação", declarou que o governo não chegou a investir os recursos necessários para a execução do programa. Segundo ele, o PAC não tem 1% de investimento do Produto Interno Bruto (PIB), a soma das riquezas produzidas no país. Provocado a dizer se na oposição o PSDB ficou sem discurso pelo fato de o governo do presidente Lula ter dado continuidade à política macroeconômica adotada no Plano Real - com os regimes de meta de inflação, câmbio flutuante e meta de superávit primário -, FHC saiu pela tangente. Enfatizou que a Carta aos Brasileiros, divulgada durante a corrida presidencial de 2002, "foi o ato de penitência do PT, dizendo que não ia fazer nada do que sempre pregou", concluiu.