antigas Publicado: 31/03/2009 | 10:27

Pernambuco dá largada à corrida eleitoral

 

Caravana pelo Sertão dá início à disputa de 2010 em Pernambuco
Autor(es): Carolina Mandl
Valor Econômico - 31/03/2009
 

 

É noite de domingo e poucos moradores de Itapetim, a 414 km do Recife, estão à frente da TV de casa. Vestidos de bermuda e chinelos ou de roupa brilhante de festa, uma parte representativa dos 14,7 mil itapetinenses deixaram o conforto do sofá para se amontoar em uma praça de 2,3 km². O evento do dia era a inauguração da terceira academia de ginástica da cidade sertaneja, com pista de corrida, quadras e aparelhos de resistência. Mas, diferentemente das outras, não se tratava de nenhum novo negócio de um empresário local.

O espaço é público, não cobra mensalidade pelas aulas de ginástica e nem pela consulta com o nutricionista. Batizada de Academia das Cidades, a invenção do secretário das Cidades, o ex-ministro Humberto Costa (PT), se transformou em um sucesso entre os pernambucanos do interior. Diante da alta popularidade e do baixo custo do projeto (R$ 400 mil), o governador Eduardo Campos (PSB) promete inaugurar uma unidade em cada cidade do Estado até 2010. E, de olho nos ganhos eleitorais, pretende cortar a fita da maioria delas.

A Academia das Cidades é uma das obras e promessas que o governador começou a apresentar aos pernambucanos em março. Reeditando as andanças pelo interior de seu avô Miguel Arraes, que governou Pernambuco por três vezes, Eduardo vai percorrer 133 das 184 cidades do Estado até junho. Por onde passar, quer mostrar algo que tenha feito pelo município e firmar o compromisso de fazer mais. Ao mesmo tempo em que presta contas, o governador do PSB já pavimenta o caminho para 2010, quando quer se reeleger.

Com obras de abastecimento de água, rodovias pavimentadas, escolas e academias debaixo do braço, Eduardo já percorreu em meados de março 35 cidades do Sertão em oito dias, cinco deles acompanhados pelo Valor.

Em todos os municípios - mais de 80% deles geridos por aliados - o governador encontrou plateias cheias. Debaixo do sol sertanejo, muitos queriam saber das novidades que chegavam à cidade. Outras estavam interessadas em ver o governador ao vivo. "Que bonito ele é!", "Que olhos azuis!", exclamavam as fãs.

De um lado, o cenário lhe é bastante favorável . Segundo pesquisa Datafolha, Eduardo é o segundo governador mais bem avaliado do país pela população, atrás apenas de Aécio Neves (PSDB-MG). A gestão pernambucana é aprovada por 54% da população. Também conta em prol dele o fato de 140 das 184 prefeituras serem governistas, sendo que 49 são do PSB e os aliados PR e PTB têm outras 30 cidades cada.

Entretanto, Eduardo já percebeu que isso pode não garantir uma disputa pela reeleição tranquila em 2010, a depender do adversário. Ele aparece com 40% das intenções de voto em pesquisa Datafolha divulgada na semana passada. Jarbas Vasconcelos (PMDB) tem 34%, o que levaria a um empate técnico.

Os números surpreenderam o governador, que optou por não comentá-los. Segundo o Valor apurou com integrantes do governo, a estranheza vem do fato de pesquisas encomendadas por Eduardo estarem mostrando outra situação, de vitória contra Jarbas ainda no primeiro turno. O governo reconhece, porém, que o senador, que já foi governador e prefeito do Recife, é um nome forte na memória dos eleitores.

Nem a própria oposição esperava os resultados apresentados, segundo um assessor de Jarbas. "Sabíamos que o senador não se sairia mal, mas não esperávamos que alcançasse tanto", diz. Mas a definição da entrada dele no páreo ainda está longe de ser definida, apesar de seu nome ser considerado o único com capacidade de enfrentar Campos.

É com outro nome de mais alta popularidade ainda que o governador começa a rebater a oposição: o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No mesmo dia em que os números da pesquisa foram divulgados, Lula estava em Pernambuco. Pelos palanques, afirmou que o candidato dele é Eduardo e criticou o senador pemedebista. O apoio do petista esbarra, porém, em outra questão: a sucessão presidencial. Lançar a candidatura de Ciro Gomes (PSB), certamente significará perder um importante cabo-eleitoral, o que vem sendo avaliado pelo partido.

Antes de partir para a campanha em 2010, o governador quer apresentar aos pernambucanos em suas caravanas obras de acesso a água, rodovias pavimentadas, escolas e Academias da Cidade. Ao todo, foram R$ 1,8 bilhões investidos em dois anos de mandato. Empreendimentos privados conquistados em sua gestão, como o estaleiro Atlântico Sul e as planta da Sadia e da Perdigão, também serão citados.

Com as obras de infraestrutura, o governador acredita que abrirá o caminho para que outros empreendimentos cheguem ao interior. "Não é possível levar desenvolvimento econômico às cidades sem que água e acesso rodoviário existam", afirma. O objetivo é que todas as casas do Estado tenham água encanada até 2010.

Eduardo também abraçou muitos professores e alunos nos oito dias de Sertão. A educação é o setor mais bem avaliado pela população segundo pesquisas feitas pelo governo. Ganhou com a reforma de 318 escolas, a criação de 102 unidades de ensino médio em tempo integral, um notebook doado para cada um dos 26 mil professor e merenda para todos os alunos.

Outras duas áreas, porém, estão aquém dos resultados traçados pelo governo e esperados pela população: saúde e segurança pública. Esses são os temas que a oposição mais tem criticado Eduardo. "O discurso de campanha do governador focou muito em saúde e segurança, mas 50% do mandato já se foi, e os resultados são pífios", diz o deputado federal Raul Henry (PMDB). Tanto o PMDB quanto o DEM já começaram suas viagens pelo interior.

Para a segurança, Eduardo lançou em maio de 2007 o Pacto pela Vida, um programa que tinha como objetivo maior reduzir o número de homicídios em 12% ao ano. No primeiro ano, a diminuição foi de cerca de 7%. Em maio deste ano, segundo o governador, deve-se atingir algo em torno de 6% e 8%, abaixo ainda da meta. Pernambuco, segundo levantamento feito pelo Ministério da Justiça em 2006, é o Estado com a maior taxa de crimes violentos letais. "Ainda não alcançamos os 12%, mas o mais importante é que por dois anos seguidos estamos obtendo a redução do número de homicídios, que antes só crescia", avalia Eduardo.

Para a saúde, que enfrenta médicos descontentes e hospitais lotados, o governador promete a inauguração de três novos hospitais, além 20 unidades de pronto-atendimento. As novas estruturas serão geridas por uma fundação, com o objetivo de trazer mais eficiência à gestão.

 

Caravana pelo Sertão dá início à disputa de 2010 em Pernambuco
Autor(es): Carolina Mandl
Valor Econômico - 31/03/2009
 

 

É noite de domingo e poucos moradores de Itapetim, a 414 km do Recife, estão à frente da TV de casa. Vestidos de bermuda e chinelos ou de roupa brilhante de festa, uma parte representativa dos 14,7 mil itapetinenses deixaram o conforto do sofá para se amontoar em uma praça de 2,3 km². O evento do dia era a inauguração da terceira academia de ginástica da cidade sertaneja, com pista de corrida, quadras e aparelhos de resistência. Mas, diferentemente das outras, não se tratava de nenhum novo negócio de um empresário local.

O espaço é público, não cobra mensalidade pelas aulas de ginástica e nem pela consulta com o nutricionista. Batizada de Academia das Cidades, a invenção do secretário das Cidades, o ex-ministro Humberto Costa (PT), se transformou em um sucesso entre os pernambucanos do interior. Diante da alta popularidade e do baixo custo do projeto (R$ 400 mil), o governador Eduardo Campos (PSB) promete inaugurar uma unidade em cada cidade do Estado até 2010. E, de olho nos ganhos eleitorais, pretende cortar a fita da maioria delas.

A Academia das Cidades é uma das obras e promessas que o governador começou a apresentar aos pernambucanos em março. Reeditando as andanças pelo interior de seu avô Miguel Arraes, que governou Pernambuco por três vezes, Eduardo vai percorrer 133 das 184 cidades do Estado até junho. Por onde passar, quer mostrar algo que tenha feito pelo município e firmar o compromisso de fazer mais. Ao mesmo tempo em que presta contas, o governador do PSB já pavimenta o caminho para 2010, quando quer se reeleger.

Com obras de abastecimento de água, rodovias pavimentadas, escolas e academias debaixo do braço, Eduardo já percorreu em meados de março 35 cidades do Sertão em oito dias, cinco deles acompanhados pelo Valor.

Em todos os municípios - mais de 80% deles geridos por aliados - o governador encontrou plateias cheias. Debaixo do sol sertanejo, muitos queriam saber das novidades que chegavam à cidade. Outras estavam interessadas em ver o governador ao vivo. "Que bonito ele é!", "Que olhos azuis!", exclamavam as fãs.

De um lado, o cenário lhe é bastante favorável . Segundo pesquisa Datafolha, Eduardo é o segundo governador mais bem avaliado do país pela população, atrás apenas de Aécio Neves (PSDB-MG). A gestão pernambucana é aprovada por 54% da população. Também conta em prol dele o fato de 140 das 184 prefeituras serem governistas, sendo que 49 são do PSB e os aliados PR e PTB têm outras 30 cidades cada.

Entretanto, Eduardo já percebeu que isso pode não garantir uma disputa pela reeleição tranquila em 2010, a depender do adversário. Ele aparece com 40% das intenções de voto em pesquisa Datafolha divulgada na semana passada. Jarbas Vasconcelos (PMDB) tem 34%, o que levaria a um empate técnico.

Os números surpreenderam o governador, que optou por não comentá-los. Segundo o Valor apurou com integrantes do governo, a estranheza vem do fato de pesquisas encomendadas por Eduardo estarem mostrando outra situação, de vitória contra Jarbas ainda no primeiro turno. O governo reconhece, porém, que o senador, que já foi governador e prefeito do Recife, é um nome forte na memória dos eleitores.

Nem a própria oposição esperava os resultados apresentados, segundo um assessor de Jarbas. "Sabíamos que o senador não se sairia mal, mas não esperávamos que alcançasse tanto", diz. Mas a definição da entrada dele no páreo ainda está longe de ser definida, apesar de seu nome ser considerado o único com capacidade de enfrentar Campos.

É com outro nome de mais alta popularidade ainda que o governador começa a rebater a oposição: o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No mesmo dia em que os números da pesquisa foram divulgados, Lula estava em Pernambuco. Pelos palanques, afirmou que o candidato dele é Eduardo e criticou o senador pemedebista. O apoio do petista esbarra, porém, em outra questão: a sucessão presidencial. Lançar a candidatura de Ciro Gomes (PSB), certamente significará perder um importante cabo-eleitoral, o que vem sendo avaliado pelo partido.

Antes de partir para a campanha em 2010, o governador quer apresentar aos pernambucanos em suas caravanas obras de acesso a água, rodovias pavimentadas, escolas e Academias da Cidade. Ao todo, foram R$ 1,8 bilhões investidos em dois anos de mandato. Empreendimentos privados conquistados em sua gestão, como o estaleiro Atlântico Sul e as planta da Sadia e da Perdigão, também serão citados.

Com as obras de infraestrutura, o governador acredita que abrirá o caminho para que outros empreendimentos cheguem ao interior. "Não é possível levar desenvolvimento econômico às cidades sem que água e acesso rodoviário existam", afirma. O objetivo é que todas as casas do Estado tenham água encanada até 2010.

Eduardo também abraçou muitos professores e alunos nos oito dias de Sertão. A educação é o setor mais bem avaliado pela população segundo pesquisas feitas pelo governo. Ganhou com a reforma de 318 escolas, a criação de 102 unidades de ensino médio em tempo integral, um notebook doado para cada um dos 26 mil professor e merenda para todos os alunos.

Outras duas áreas, porém, estão aquém dos resultados traçados pelo governo e esperados pela população: saúde e segurança pública. Esses são os temas que a oposição mais tem criticado Eduardo. "O discurso de campanha do governador focou muito em saúde e segurança, mas 50% do mandato já se foi, e os resultados são pífios", diz o deputado federal Raul Henry (PMDB). Tanto o PMDB quanto o DEM já começaram suas viagens pelo interior.

Para a segurança, Eduardo lançou em maio de 2007 o Pacto pela Vida, um programa que tinha como objetivo maior reduzir o número de homicídios em 12% ao ano. No primeiro ano, a diminuição foi de cerca de 7%. Em maio deste ano, segundo o governador, deve-se atingir algo em torno de 6% e 8%, abaixo ainda da meta. Pernambuco, segundo levantamento feito pelo Ministério da Justiça em 2006, é o Estado com a maior taxa de crimes violentos letais. "Ainda não alcançamos os 12%, mas o mais importante é que por dois anos seguidos estamos obtendo a redução do número de homicídios, que antes só crescia", avalia Eduardo.

Para a saúde, que enfrenta médicos descontentes e hospitais lotados, o governador promete a inauguração de três novos hospitais, além 20 unidades de pronto-atendimento. As novas estruturas serão geridas por uma fundação, com o objetivo de trazer mais eficiência à gestão.