antigas Publicado: 3/04/2009 | 10:56

Protógenes mais perto da política

 Com relatório que pede indiciamento de delegado, PF fecha as portas para investigador

 

Indiciado por vazamento de informações e compartilhamento ilegal de dados sigilosos, o delegado Protógenes Queiroz deverá ter sua situação agravada hoje com o encerramento do inquérito que apura desvios na Operação Satiagraha. O relatório do delegado responsável pelas investigações, Amaro Vieira Ferreira, deverá ser contundente: pedirá que o Ministério Público proponha uma ação penal, abrindo caminho para a expulsão definitiva de Protógenes dos quadros da Polícia Federal. É tudo que a cúpula da PF quer.

Internamente, a situação do delegado ficará ainda mais delicada com a conclusão da sindicância que apura supostas irregularidades na operação que resultou na prisão do banqueiro Daniel Dantas. As duas frentes abertas pela Polícia Federal empurram o delegado cada vez mais para os braços dos partidos de oposição, como o PSOL, e tornam Protógenes um potencial candidato em 2010 – não se sabe ainda a que, mas Heloísa Helena que se cuide.

– Tenho tentado esclarecer a população sobre o que está acontecendo. Há uma inversão de papéis, onde o investigador virou investigado e alvo de uma correlação de forças jamais vistas no país – diz Protógenes. Na quarta-feira, escoltado por parlamentares de vários partidos (a maioria do PSOL), como quem está testando a popularidade, o delegado fez um tour pelo Congresso. O resultado foi um sucesso: permanentemente assediado por um batalhão de jornalistas, o delegado comportou-se como um popstar, um paladino que comanda a cruzada contra a corrupção.

Picado pela mosca azul da política, o delegado não fala mais de inquérito. Dirige-se "ao povo", cita um a um os políticos que considera honestos, coloca-se como vítima da poderosa elite político-financeira, insinua que o governo ainda verá novas revelações da Satiagraha, fala do combate à corrupção – bandeira ainda sem porta-estandarte na oposição – e dá sinais de que alguma reserva de munição da Satiagraha ainda está sob o seu controle. Protógenes e os outros policiais que trabalharam sob seu comando guardaram, em HD, cópia integral da operação e de outros fatos que até hoje não apareceram nos inquéritos abertos contra o dono do Grupo Opportunity. Até as pedras sabem, no entanto, que os alvos são pessoas próximas ao presidente Lula e o ex-ministro José Dirceu. Misterioso, Protógenes diz a seus interlocutores que na hora certa "dará nomes aos bois".

Recordista

Protógenes é o delegado da PF que acumula o maior número de operações de combate a crimes financeiros e lavagem de dinheiro envolvendo políticos como alvos. São mais de duas dezenas de investigações, todas direcionadas ao centro nervoso da política.

– Ele dá trabalho, mas é eficaz. Desaparece e, quando menos se espera, telefona pedindo dinheiro e uma equipe de prontidão. Nunca perguntei para que. Numa das ocasiões, dois dias depois, ele reapareceu com o Maluf e o filho (Flávio) presos. É um policial produtivo – diz um delegado que chefiou Protógenes na gestão do ex-diretor da PF, Paulo Lacerda, período fértil do combate à corrupção e época em que o delegado mais brilhou. Depois, com a troca de comando na PF, sem avisar, ele canalizou suas energias à Abin e, involuntariamente, acabou contribuindo para o surgimento de uma das mais grave crise institucional dos últimos 21 anos.

– Só temo a Deus. Agi dentro da legalidade e em defesa do contribuinte – diz o delegado. Ele se coloca como o principal alvo da elite e, sem citar nomes, desmistifica o escândalo da suposta escuta nos aparelhos telefônicos do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes e do senador Demóstenes Torres (GO). – Não existe um fragmento sequer de que o grampo existiu – garante Protógenes, desmentindo que a PF ou a Abin tenham espionado ilegalmente autoridades.

Já empossado adido policial em Portugal, o delegado Paulo Lacerda avisou que se Protógenes for candidato a qualquer cargo, vota nele sem vacilar. Para Lacerda, seu pupilo acabou virando uma espécie de divisor de águas entre o que há de bom e ruim nos três poderes e, apesar de ter sido derrubado da Abin pelos desdobramentos da Satiagraha, guarda uma cautelosa admiração por Protógenes. Lacerda acha que o delegado é honesto e preparado mas, em tom de brincadeira, diz que ele deve ser monitorado para evitar que indicie até o presidente dos Estados Unidos.

Na semana que vem, Protógenes e Lacerda estarão juntos na CPI do Grampo, presidida por outro delegado federal, o deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ). Hoje do outro lado do balcão, Itagiba vê franca ilegalidade na relação da PF e Abin, diz que os dois entraram em contradição e quer fazer uma acareação entre Lacerda e Protógenes. Protegido por um hábeas corpus, Protógenes vai à CPI apoiado por numeroso grupo de parlamentares e consciente de que poderá usar a audiência como palanque.

 Com relatório que pede indiciamento de delegado, PF fecha as portas para investigador

 

Indiciado por vazamento de informações e compartilhamento ilegal de dados sigilosos, o delegado Protógenes Queiroz deverá ter sua situação agravada hoje com o encerramento do inquérito que apura desvios na Operação Satiagraha. O relatório do delegado responsável pelas investigações, Amaro Vieira Ferreira, deverá ser contundente: pedirá que o Ministério Público proponha uma ação penal, abrindo caminho para a expulsão definitiva de Protógenes dos quadros da Polícia Federal. É tudo que a cúpula da PF quer.

Internamente, a situação do delegado ficará ainda mais delicada com a conclusão da sindicância que apura supostas irregularidades na operação que resultou na prisão do banqueiro Daniel Dantas. As duas frentes abertas pela Polícia Federal empurram o delegado cada vez mais para os braços dos partidos de oposição, como o PSOL, e tornam Protógenes um potencial candidato em 2010 – não se sabe ainda a que, mas Heloísa Helena que se cuide.

– Tenho tentado esclarecer a população sobre o que está acontecendo. Há uma inversão de papéis, onde o investigador virou investigado e alvo de uma correlação de forças jamais vistas no país – diz Protógenes. Na quarta-feira, escoltado por parlamentares de vários partidos (a maioria do PSOL), como quem está testando a popularidade, o delegado fez um tour pelo Congresso. O resultado foi um sucesso: permanentemente assediado por um batalhão de jornalistas, o delegado comportou-se como um popstar, um paladino que comanda a cruzada contra a corrupção.

Picado pela mosca azul da política, o delegado não fala mais de inquérito. Dirige-se "ao povo", cita um a um os políticos que considera honestos, coloca-se como vítima da poderosa elite político-financeira, insinua que o governo ainda verá novas revelações da Satiagraha, fala do combate à corrupção – bandeira ainda sem porta-estandarte na oposição – e dá sinais de que alguma reserva de munição da Satiagraha ainda está sob o seu controle. Protógenes e os outros policiais que trabalharam sob seu comando guardaram, em HD, cópia integral da operação e de outros fatos que até hoje não apareceram nos inquéritos abertos contra o dono do Grupo Opportunity. Até as pedras sabem, no entanto, que os alvos são pessoas próximas ao presidente Lula e o ex-ministro José Dirceu. Misterioso, Protógenes diz a seus interlocutores que na hora certa "dará nomes aos bois".

Recordista

Protógenes é o delegado da PF que acumula o maior número de operações de combate a crimes financeiros e lavagem de dinheiro envolvendo políticos como alvos. São mais de duas dezenas de investigações, todas direcionadas ao centro nervoso da política.

– Ele dá trabalho, mas é eficaz. Desaparece e, quando menos se espera, telefona pedindo dinheiro e uma equipe de prontidão. Nunca perguntei para que. Numa das ocasiões, dois dias depois, ele reapareceu com o Maluf e o filho (Flávio) presos. É um policial produtivo – diz um delegado que chefiou Protógenes na gestão do ex-diretor da PF, Paulo Lacerda, período fértil do combate à corrupção e época em que o delegado mais brilhou. Depois, com a troca de comando na PF, sem avisar, ele canalizou suas energias à Abin e, involuntariamente, acabou contribuindo para o surgimento de uma das mais grave crise institucional dos últimos 21 anos.

– Só temo a Deus. Agi dentro da legalidade e em defesa do contribuinte – diz o delegado. Ele se coloca como o principal alvo da elite e, sem citar nomes, desmistifica o escândalo da suposta escuta nos aparelhos telefônicos do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes e do senador Demóstenes Torres (GO). – Não existe um fragmento sequer de que o grampo existiu – garante Protógenes, desmentindo que a PF ou a Abin tenham espionado ilegalmente autoridades.

Já empossado adido policial em Portugal, o delegado Paulo Lacerda avisou que se Protógenes for candidato a qualquer cargo, vota nele sem vacilar. Para Lacerda, seu pupilo acabou virando uma espécie de divisor de águas entre o que há de bom e ruim nos três poderes e, apesar de ter sido derrubado da Abin pelos desdobramentos da Satiagraha, guarda uma cautelosa admiração por Protógenes. Lacerda acha que o delegado é honesto e preparado mas, em tom de brincadeira, diz que ele deve ser monitorado para evitar que indicie até o presidente dos Estados Unidos.

Na semana que vem, Protógenes e Lacerda estarão juntos na CPI do Grampo, presidida por outro delegado federal, o deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ). Hoje do outro lado do balcão, Itagiba vê franca ilegalidade na relação da PF e Abin, diz que os dois entraram em contradição e quer fazer uma acareação entre Lacerda e Protógenes. Protegido por um hábeas corpus, Protógenes vai à CPI apoiado por numeroso grupo de parlamentares e consciente de que poderá usar a audiência como palanque.