antigas Publicado: 7/04/2009 | 10:02

Saque supera depósitos na poupança

 

Poupança teve captação negativa em março pela primeira vez desde 2006
Autor(es): Patrícia Duarte
O Globo - 07/04/2009
 

Saques superaram depósitos em R$ 846 milhões. BC pode adiar mudança no indexador

A caderneta de poupança perdeu mais recursos do que ganhou em março, o que não acontecia desde 2006. Segundo o BC, a aplicação teve captação negativa de R$ 846,8 milhões no mês. Este ano, as retiradas superam as aplicações em R$ 582 milhões.

 

 

 

A caderneta de poupança perdeu mais recursos do que ganhou em março, algo que não acontecia desde 2006. Segundo dados do Banco Central (BC), a aplicação apresentou captação negativa de R$ 846,803 milhões no mês. Um ano antes, havia registrado entrada líquida de R$ 1,085 bilhão. Este ano, as retiradas superam as aplicações em R$ 582,068 milhões, levando o saldo para R$ 274,695 bilhões até março.

 

 

 

Para analistas, as retiradas ocorreram por diversas razões, desde a necessidade de complementação de renda até pelo fato de o governo já ter deixado claro que pretende mexer, para baixo, nos ganhos da aplicação, o que teria afugentado poupadores.

 

 

 

A ideia do governo, amplamente defendida pelo BC, é retirar a Taxa Referencial (TR) mais 6% ao ano (ou 0,5% ao mês) como o indicador de ganhos da poupança e trocá-la por uma parte da Selic, hoje em 11,25% ao ano. Isso porque, com a queda da taxa básica de juros, a aplicação já começou a ter melhores resultados do que alguns fundos de investimento, sobretudo de renda fixa, atraindo a atenção de grandes investidores. Além de um desequilíbrio no mercado, o governo não quer que esses grandes aplicadores migrem para a poupança, pois ela é isenta de Imposto de Renda.

 

 

 

Com a tendência de queda da Selic, o governo tinha pressa para mexer na forma de rentabilidade da poupança, que precisa de aval do Congresso. Mas a resistência, sobretudo da oposição, de diminuir os ganhos da aplicação mais popular do país, voltada para pequenos aplicadores, foi maior do que se imaginava e está obrigando os técnicos da equipe econômica a tirar o pé do acelerador. Uma medida provisória (MP) está sendo preparada para efetuar a mudança, mas só será usada como último recurso. A avaliação no BC é que com a taxa básica em torno de 10%, essa situação ainda é contornável.

 

 

 

TR foi fixada em zero na última sexta-feira A tendência de queda da Selic — que, pelas contas do mercado deve encerrar o ano 9,25% — e o menor número de dias úteis afetaram a rentabilidade da poupança na última sexta-feira. Naquele dia, a TR acabou ficando negativa mas, como a lei proíbe esse tipo de perda, acabou sendo considerada zerada. Ou seja, sem ganho ou perda.

 

 

 

Isso significa que os poupadores que fizeram aplicação naquele dia, ou cujo aniversário da caderneta é naquela data, no dia 3 de maio terá apenas rentabilidade de 0,5%. O BC explicou que, em alguns dias, esse cenário poderá se repetir dependendo das condições de mercado, mas não informou quando.

 

Poupança teve captação negativa em março pela primeira vez desde 2006
Autor(es): Patrícia Duarte
O Globo - 07/04/2009
 

Saques superaram depósitos em R$ 846 milhões. BC pode adiar mudança no indexador

A caderneta de poupança perdeu mais recursos do que ganhou em março, o que não acontecia desde 2006. Segundo o BC, a aplicação teve captação negativa de R$ 846,8 milhões no mês. Este ano, as retiradas superam as aplicações em R$ 582 milhões.

 

 

 

A caderneta de poupança perdeu mais recursos do que ganhou em março, algo que não acontecia desde 2006. Segundo dados do Banco Central (BC), a aplicação apresentou captação negativa de R$ 846,803 milhões no mês. Um ano antes, havia registrado entrada líquida de R$ 1,085 bilhão. Este ano, as retiradas superam as aplicações em R$ 582,068 milhões, levando o saldo para R$ 274,695 bilhões até março.

 

 

 

Para analistas, as retiradas ocorreram por diversas razões, desde a necessidade de complementação de renda até pelo fato de o governo já ter deixado claro que pretende mexer, para baixo, nos ganhos da aplicação, o que teria afugentado poupadores.

 

 

 

A ideia do governo, amplamente defendida pelo BC, é retirar a Taxa Referencial (TR) mais 6% ao ano (ou 0,5% ao mês) como o indicador de ganhos da poupança e trocá-la por uma parte da Selic, hoje em 11,25% ao ano. Isso porque, com a queda da taxa básica de juros, a aplicação já começou a ter melhores resultados do que alguns fundos de investimento, sobretudo de renda fixa, atraindo a atenção de grandes investidores. Além de um desequilíbrio no mercado, o governo não quer que esses grandes aplicadores migrem para a poupança, pois ela é isenta de Imposto de Renda.

 

 

 

Com a tendência de queda da Selic, o governo tinha pressa para mexer na forma de rentabilidade da poupança, que precisa de aval do Congresso. Mas a resistência, sobretudo da oposição, de diminuir os ganhos da aplicação mais popular do país, voltada para pequenos aplicadores, foi maior do que se imaginava e está obrigando os técnicos da equipe econômica a tirar o pé do acelerador. Uma medida provisória (MP) está sendo preparada para efetuar a mudança, mas só será usada como último recurso. A avaliação no BC é que com a taxa básica em torno de 10%, essa situação ainda é contornável.

 

 

 

TR foi fixada em zero na última sexta-feira A tendência de queda da Selic — que, pelas contas do mercado deve encerrar o ano 9,25% — e o menor número de dias úteis afetaram a rentabilidade da poupança na última sexta-feira. Naquele dia, a TR acabou ficando negativa mas, como a lei proíbe esse tipo de perda, acabou sendo considerada zerada. Ou seja, sem ganho ou perda.

 

 

 

Isso significa que os poupadores que fizeram aplicação naquele dia, ou cujo aniversário da caderneta é naquela data, no dia 3 de maio terá apenas rentabilidade de 0,5%. O BC explicou que, em alguns dias, esse cenário poderá se repetir dependendo das condições de mercado, mas não informou quando.