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Publicado: 7/04/2009 | 10:05
Armas na escola: um alerta
Em 13 de março último, na Escola Nossa Senhora das Graças, em São Paulo, um estudante de 14 anos levou ao colégio e mostrou para seus colegas um revólver e algumas balas. O jovem procurava um cabo de computador no armário de seu pai quando achou a arma, devidamente registrada. Felizmente, nenhum acidente ocorreu! Os pais do aluno o acompanharam à escola para dizer que entregaram a arma à Polícia Federal. Seu pai aproveitou a oportunidade para contar ao filho os inúmeros acidentes, associados ao porte de armas, que têm gerado a morte de pessoas.
O episódio foi comentado por todos na escola conhecida como Gracinha e chegou ao conhecimento dos pais de seus 1.100 alunos. Alguns pais informaram à direção da escola que o episódio era muito grave e que o estudante deveria ser expulso do colégio. Já outros sugeriram que a direção do Gracinha aproveitasse a oportunidade e promovesse uma sequência de debates sobre cultura e educação para a paz. Ao ler esta notícia no jornal Folha de S. Paulo liguei para o professor Eduardo Roberto da Silva, diretor da escola, onde estudei do jardim de infância ao quarto ano primário, e ofereci-me a fazer uma palestra sobre como construir as condições de justiça na sociedade brasileira visando a diminuir a violência e construir a paz. Isso aconteceu, no dia 31 de março último, quando falei para mais de 200 estudantes, professores, orientadores e funcionários. Naquela ocasião, lembrei que meu pai explicava para os seus 11 filhos porque nunca teve armas em casa e ilustrava seus conselhos com histórias de acidentes ocorridos com pessoas que usavam as armas inadequadamente. Recordei também que, em minha família, um primo de segundo grau de apenas 10 anos causou, sem querer, a morte de seu irmão ao manipular uma arma carregada em casa. Também lhes contei que disse aos meus filhos, Eduardo – o Supla – André e João, que nunca teria armas em casa. Alegrei-me ao perceber que o estudante e seus colegas apreciaram que falasse das lições que podemos aprender com as biografias e as recomendações de líderes que defenderam ardorosamente a justiça e a não violência. Como exemplo citei a vida de Mahatma Gandhi e Martim Luther King Jr. e as canções de John Lennon, Bob Dylan e Gilberto Gil sobre como construir a paz. Fiquei ainda mais contente quando soube, pelo diretor da escola, que o estudante voltou a frequentar as aulas após a suspensão decorrente do incidente. Muito me alegrou a decisão da direção da escola, com a compreensão dos pais, que avaliou ser mais eficaz convidá-lo e a toda comunidade para participarem desta reflexão do que expulsa-lo do Gracinha. Do próprio rapaz recebi o texto: "Com base do que fiz, senador Suplicy vai à escola dar uma palestra. O que eu senti? Muitas coisas, que já vinham com o tempo. Tristeza... um pouco de dor, e aquele peso insuportável de poder ter feito alguma ação que nunca mais voltaria. Gostaria de ter falado com ele antes da palestra, mas então existia a possibilidade dele chegar um pouco em cima da hora. Não sei o que aconteceu, mas não pude falar com ele, então depois da palestra eu falaria com ele, mas estava um pouco depressivo, e pra falar a verdade era o dia que eu revi meus amigos.... Então quando ele fala dos grandes homens da paz, eu penso, por que eles fazem aquilo, como eles conseguem!? E como diz a famosa música de Bob Dylan: ‘A resposta, meu amigo, voando no ar. ’ (...) Um outro grande exemplo da paz é Martin Luther King Jr. Um grande revolucionário americano, que como objetivo queria a paz entre os brancos e os negros. Entre os seus mais famosos discursos, está o ‘Eu tenho um sonho’; que por sua vez fala muitas coisas bonitas, como por exemplo: ‘E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder’. Bom, isso é o que mais me marcou de sua palestra, caro senador. E um dia, eu sei, ainda cantaremos a música Blowin" in the wind, vendo um mundo cheio de paz e amor, mais para isso precisamos mudar a cabeça de cada cidadão, e eu sei que tanto você quanto eu, quanto qualquer um, pode fazer isso! Muito obrigado, pela atenção, e pela grande palestra é claro. Então vamos começar a cantar agora! ‘How many roads must a man walk down,/ Before you call him a man?/ The answer, my friend, is blowin" in the wind/ The answer is blowin" in the wind’".
Em 13 de março último, na Escola Nossa Senhora das Graças, em São Paulo, um estudante de 14 anos levou ao colégio e mostrou para seus colegas um revólver e algumas balas. O jovem procurava um cabo de computador no armário de seu pai quando achou a arma, devidamente registrada. Felizmente, nenhum acidente ocorreu! Os pais do aluno o acompanharam à escola para dizer que entregaram a arma à Polícia Federal. Seu pai aproveitou a oportunidade para contar ao filho os inúmeros acidentes, associados ao porte de armas, que têm gerado a morte de pessoas.
O episódio foi comentado por todos na escola conhecida como Gracinha e chegou ao conhecimento dos pais de seus 1.100 alunos. Alguns pais informaram à direção da escola que o episódio era muito grave e que o estudante deveria ser expulso do colégio. Já outros sugeriram que a direção do Gracinha aproveitasse a oportunidade e promovesse uma sequência de debates sobre cultura e educação para a paz. Ao ler esta notícia no jornal Folha de S. Paulo liguei para o professor Eduardo Roberto da Silva, diretor da escola, onde estudei do jardim de infância ao quarto ano primário, e ofereci-me a fazer uma palestra sobre como construir as condições de justiça na sociedade brasileira visando a diminuir a violência e construir a paz. Isso aconteceu, no dia 31 de março último, quando falei para mais de 200 estudantes, professores, orientadores e funcionários. Naquela ocasião, lembrei que meu pai explicava para os seus 11 filhos porque nunca teve armas em casa e ilustrava seus conselhos com histórias de acidentes ocorridos com pessoas que usavam as armas inadequadamente. Recordei também que, em minha família, um primo de segundo grau de apenas 10 anos causou, sem querer, a morte de seu irmão ao manipular uma arma carregada em casa. Também lhes contei que disse aos meus filhos, Eduardo – o Supla – André e João, que nunca teria armas em casa. Alegrei-me ao perceber que o estudante e seus colegas apreciaram que falasse das lições que podemos aprender com as biografias e as recomendações de líderes que defenderam ardorosamente a justiça e a não violência. Como exemplo citei a vida de Mahatma Gandhi e Martim Luther King Jr. e as canções de John Lennon, Bob Dylan e Gilberto Gil sobre como construir a paz. Fiquei ainda mais contente quando soube, pelo diretor da escola, que o estudante voltou a frequentar as aulas após a suspensão decorrente do incidente. Muito me alegrou a decisão da direção da escola, com a compreensão dos pais, que avaliou ser mais eficaz convidá-lo e a toda comunidade para participarem desta reflexão do que expulsa-lo do Gracinha. Do próprio rapaz recebi o texto: "Com base do que fiz, senador Suplicy vai à escola dar uma palestra. O que eu senti? Muitas coisas, que já vinham com o tempo. Tristeza... um pouco de dor, e aquele peso insuportável de poder ter feito alguma ação que nunca mais voltaria. Gostaria de ter falado com ele antes da palestra, mas então existia a possibilidade dele chegar um pouco em cima da hora. Não sei o que aconteceu, mas não pude falar com ele, então depois da palestra eu falaria com ele, mas estava um pouco depressivo, e pra falar a verdade era o dia que eu revi meus amigos.... Então quando ele fala dos grandes homens da paz, eu penso, por que eles fazem aquilo, como eles conseguem!? E como diz a famosa música de Bob Dylan: ‘A resposta, meu amigo, voando no ar. ’ (...) Um outro grande exemplo da paz é Martin Luther King Jr. Um grande revolucionário americano, que como objetivo queria a paz entre os brancos e os negros. Entre os seus mais famosos discursos, está o ‘Eu tenho um sonho’; que por sua vez fala muitas coisas bonitas, como por exemplo: ‘E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder’. Bom, isso é o que mais me marcou de sua palestra, caro senador. E um dia, eu sei, ainda cantaremos a música Blowin" in the wind, vendo um mundo cheio de paz e amor, mais para isso precisamos mudar a cabeça de cada cidadão, e eu sei que tanto você quanto eu, quanto qualquer um, pode fazer isso! Muito obrigado, pela atenção, e pela grande palestra é claro. Então vamos começar a cantar agora! ‘How many roads must a man walk down,/ Before you call him a man?/ The answer, my friend, is blowin" in the wind/ The answer is blowin" in the wind’".