Relator do fim do fator previdenciário apresentará parecer em abril
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Publicado: 7/04/2009 | 10:16
Tapinha nas costas
Além da injeção de recursos, é preciso disseminar informações positivas para mudar o ânimo das pessoas
UMA CARACTERÍSTICA marcante das imagens da reunião de cúpula do G20 da semana passada, em Londres, foi a descontração dos chefes de Estado. Barack Obama chamou Lula de "meu chapa" e este retribuiu o elogio dizendo que o presidente americano é tão "boa gente" que poderia ser confundido com um baiano. Até a rainha Elizabeth 2ª levou tapinha nas costas da primeira-dama Michelle Obama.
Esse comportamento descontraído dos chefes de Estado dos 20 países mais importantes do mundo e de seus acompanhantes tem significado. Reunidos em busca de soluções conjuntas para a maior crise global desde os anos 1930, eles tiveram a sabedoria de não transformar o encontro no velório da velha economia mundial. Antes disso, tentaram criar um clima de celebração ao que pode ser o nascimento da novíssima economia do século 21, mais regulada e mais voltada à produção.
O encontro do G20 pode não ser um novo Bretton Woods, mas, sem dúvida, representa uma tentativa de garantir cooperação e controle do sistema econômico internacional, tal qual se fez em 1944 para reconstruir o capitalismo debilitado por duas guerras mundiais.
Nada garante que a cúpula de Londres entrará para a história -muitos outros encontros internacionais badalados ficaram apenas no papel. Mesmo assim, o G20 é uma referência para o atual momento. O rol de iniciativas globais está praticamente completo. Às inúmeras medidas anunciadas no mundo, principalmente nos EUA, somam-se agora um pacote de recursos de US$ 1,1 trilhão, promessas de políticas monetárias expansionistas e regulação do sistema financeiro, combate a paraísos fiscais e ao protecionismo, ajuda aos países muito pobres e busca de tecnologias ambientalmente mais limpas.
Esses são os principais pontos do plano de salvação da economia mundial. Ao todo, os estímulos fiscais globais pós-crise somam US$ 5 trilhões, segundo estimativa do G20. Mesmo que uma parte das medidas não seja implementada, é inegável que a economia mundial já dispõe de fortificantes poderosos.
Chegou a hora de parar com a disseminação do pânico. Não há similaridade entre a crise da Grande Depressão e a de hoje, especialmente porque os governos, desta vez, reagiram de forma agressiva e, sobretudo, impediram quebras no sistema financeiro. Os estímulos fiscais, mais cedo ou mais tarde, reativarão a produção e o consumo.
O que pode retardar essa reativação é a desconfiança dos consumidores. Cabe aos governos e ao setor privado passar mensagens de confiança e comemorar mesmo pequenas conquistas daqui para a frente, sem insistir em comparações com os gloriosos números de 2007 e 2008.
O desconforto provocado pela crise internacional ainda é enorme. Nos EUA, só em março, mais 660 mil empregos desapareceram. Muita notícia ruim ainda deve vir do exterior quando saírem os resultados do PIB do primeiro trimestre.
É certo que a demanda mundial não ajudará tão cedo a puxar a produção e o emprego no Brasil. Porém o país conta com um mercado interno grande e diversificado, com mais de 50 milhões de pessoas na classe média. A demanda desses consumidores e a das classes de renda mais baixa, assistidas por programas sociais, pode fazer toda a diferença para que o país alcance uma situação mais confortável do que a de muitas nações ricas.
Além de injetar recursos e fazer política fiscal e monetária expansionista, é preciso disseminar informações positivas para mudar o ânimo das pessoas. O G20 da semana passada e a descontração dos chefes de Estado serviram para isso. Esse novo comportamento também é um desafio dos tempos atuais.
BENJAMIN STEINBRUCH , 55, empresário, é diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional, presidente do conselho de administração da empresa e primeiro vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
Além da injeção de recursos, é preciso disseminar informações positivas para mudar o ânimo das pessoas
UMA CARACTERÍSTICA marcante das imagens da reunião de cúpula do G20 da semana passada, em Londres, foi a descontração dos chefes de Estado. Barack Obama chamou Lula de "meu chapa" e este retribuiu o elogio dizendo que o presidente americano é tão "boa gente" que poderia ser confundido com um baiano. Até a rainha Elizabeth 2ª levou tapinha nas costas da primeira-dama Michelle Obama.
Esse comportamento descontraído dos chefes de Estado dos 20 países mais importantes do mundo e de seus acompanhantes tem significado. Reunidos em busca de soluções conjuntas para a maior crise global desde os anos 1930, eles tiveram a sabedoria de não transformar o encontro no velório da velha economia mundial. Antes disso, tentaram criar um clima de celebração ao que pode ser o nascimento da novíssima economia do século 21, mais regulada e mais voltada à produção.
O encontro do G20 pode não ser um novo Bretton Woods, mas, sem dúvida, representa uma tentativa de garantir cooperação e controle do sistema econômico internacional, tal qual se fez em 1944 para reconstruir o capitalismo debilitado por duas guerras mundiais.
Nada garante que a cúpula de Londres entrará para a história -muitos outros encontros internacionais badalados ficaram apenas no papel. Mesmo assim, o G20 é uma referência para o atual momento. O rol de iniciativas globais está praticamente completo. Às inúmeras medidas anunciadas no mundo, principalmente nos EUA, somam-se agora um pacote de recursos de US$ 1,1 trilhão, promessas de políticas monetárias expansionistas e regulação do sistema financeiro, combate a paraísos fiscais e ao protecionismo, ajuda aos países muito pobres e busca de tecnologias ambientalmente mais limpas.
Esses são os principais pontos do plano de salvação da economia mundial. Ao todo, os estímulos fiscais globais pós-crise somam US$ 5 trilhões, segundo estimativa do G20. Mesmo que uma parte das medidas não seja implementada, é inegável que a economia mundial já dispõe de fortificantes poderosos.
Chegou a hora de parar com a disseminação do pânico. Não há similaridade entre a crise da Grande Depressão e a de hoje, especialmente porque os governos, desta vez, reagiram de forma agressiva e, sobretudo, impediram quebras no sistema financeiro. Os estímulos fiscais, mais cedo ou mais tarde, reativarão a produção e o consumo.
O que pode retardar essa reativação é a desconfiança dos consumidores. Cabe aos governos e ao setor privado passar mensagens de confiança e comemorar mesmo pequenas conquistas daqui para a frente, sem insistir em comparações com os gloriosos números de 2007 e 2008.
O desconforto provocado pela crise internacional ainda é enorme. Nos EUA, só em março, mais 660 mil empregos desapareceram. Muita notícia ruim ainda deve vir do exterior quando saírem os resultados do PIB do primeiro trimestre.
É certo que a demanda mundial não ajudará tão cedo a puxar a produção e o emprego no Brasil. Porém o país conta com um mercado interno grande e diversificado, com mais de 50 milhões de pessoas na classe média. A demanda desses consumidores e a das classes de renda mais baixa, assistidas por programas sociais, pode fazer toda a diferença para que o país alcance uma situação mais confortável do que a de muitas nações ricas.
Além de injetar recursos e fazer política fiscal e monetária expansionista, é preciso disseminar informações positivas para mudar o ânimo das pessoas. O G20 da semana passada e a descontração dos chefes de Estado serviram para isso. Esse novo comportamento também é um desafio dos tempos atuais.
BENJAMIN STEINBRUCH , 55, empresário, é diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional, presidente do conselho de administração da empresa e primeiro vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).