CLIPPING Publicado: 14/08/2012 | 16:11

CLIPPING 14 DE AGOSTO



CLIPPING 14 DE AGOSTO
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O Estado de S. Paulo

Acampamento de greve manterá vigília na Esplanada

14/08

Para pressionar o governo, servidores federais de 30 categorias, de todo o País, decidiram instalar a partir de hoje na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, um "acampamento de greve", cuja missão é manter-se em permanente vigília até sexta-feira. A Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), que reúne 80% do funcionalismo público, estima que 10 mil pessoas participarão do acampamento.

Por toda a semana, as categorias organizarão atos em frente a ministérios. As iniciativas são uma preparação para os encontros prometidos pelo governo federal - ele se dispõe a receber representantes de todas as categorias de hoje até sexta-feira. Entre as principais reivindicações dos servidores estão a reestruturação de carreiras e a realização de concursos públicos. Hoje, há reuniões confirmadas com servidores do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

No resto do País, a semana começou sem turbulências, mas prometendo complicações para os próximos dias. Universitários do Rio de Janeiro e de Florianópolis bloquearam já na manhã de ontem a entrada de pessoas nas universidades federais.

A ação dos estudantes no Rio chegou a ter momentos de tensão, quando 30 alunos bloquearam a entrada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e um policial ameaçou romper os cadeados para liberar o acesso de estudantes, professores e servidores.

"A greve virou partidária", afirmou o professor Francisco Teixeira, ao ver estudantes de outras faculdades tentando insuflar o movimento. Segundo ele, houve "conquistas substanciais" na questão salarial e era preciso voltar "para salvar o semestre". Estudantes reagiram dizendo que esse era "um posicionamento arbitrário" e que a volta fora decidida em uma reunião secreta".

Além disso, policiais federais do Paraná - parados desde o dia 7 - devem realizar hoje uma grande manifestação, que chamam de "Operação Milagre", no aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais. Ontem, houve reunião das lideranças para um balanço do movimento.

Em Recife a operação padrão arrefeceu, mas em Belo Horizonte ela foi mantida no mesmo ritmo da semana passada. A Polícia Federal de Minas Gerais deixou de emitir cerca de 2.500 passaportes no Estado desde o início da greve, na terça-feira passada.

Segundo Renato Deslandes, presidente do sindicato da categoria, estão sendo encaminhados apenas 20% dos pedidos - 10 das 600 solicitações diárias. Depois de chamar a atenção para o movimento com a distribuição de uma pizza gigante no Aeroporto de Confins, no último domingo, o sindicalista diz que os agentes farão hoje nova uma operação padrão no local.

Correio Braziliense

Manifestação na Esplanada

14/08

Professores e técnicos das universidades federais fazem ato hoje em frente ao Ministério do Planejamento e amanhã participam de marcha com outras categorias. Eles querem reabrir negociações, mas o governo afirma que não fará nova proposta

Protesto de professores das universidades federais: recusa do aumento diferenciado de 25% a 40%, que favorece os que têm maior titularidade

A poucos dias de completar três meses de greve, o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino (Andes-SN) realiza na manhã de hoje mais um protesto em frente ao Ministério do Planejamento. Com objetivo de pressionar o governo federal para reabrir as negociações com a categoria, os grevistas participam de ato coordenado em conjunto com Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica e Tecnológica (Sinasefe) e Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras (Fasubra). Os três sindicatos também participarão amanhã de uma marcha na Esplanada dos Ministérios, com os demais setores em greve.

A recomendação do Andes-SN feita aos docentes foi de intensificar os protestos contra o governo federal nos próximos dias. A entidade também tem reunião marcada com deputados na quinta-feira para sugerir a criação da Frente Parlamentar em Defesa da Reabertura de Negociações. Os Comandos Locais de Greve foram instruídos a procurar deputados nos estados em busca de apoio. "A greve continua forte, tanto que as assembleias apontam, de forma expressiva, a continuidade da nossa luta", avalia a presidente do Andes-SN, Marinalva Oliveira.
Ontem, o Andes-SN organizou um ato em frente ao Ministério da Educação (MEC) defendendo a reabertura das negociações. No entanto, na última semana, o governo federal foi categórico ao afirmar que a mesa de negociações com os docentes universitários foi encerrada. Segundo o MEC, o Andes-SN e Sinacefe podem aderir à proposta a qualquer momento, mas não haverá modificações. O ministério está supervisionando o calendário de reposição das aulas.Até o fim de agosto, o Ministério do Planejamento vai enviar ao Congresso Nacional, na Lei Orçamentária Anual (LOA), a proposta de carreira dos professores das universidades e institutos federais, que prevê reajustes de 25% a 40%, assegurando ganhos reais expressivos a quem tem maior titulação e dedicação exclusiva. O impacto anual será de R$ 4,2 bilhões. No último 3 de agosto, o governo assinou acordo somente com a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes). O Andes-SN alega que essa entidade tem pouca representatividade.

Correio Braziliense

CUT e Força juntas

14/08

Nascidos juntos no início dos anos 1980, no auge da greve dos metalúrgicos do ABC paulista, o PT e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) nunca tiveram um embate tão acirrado como o que ocorre desde que o atual movimento grevista no setor público explodiu. Em outros tempos , sindicalistas da central foram às ruas defender o partido. Mas, agora, ameaçam romper a aliança e atingem frontalmente o governo da petista Dilma Rousseff ao lado de concorrentes históricos, como a Força Sindical.
"Por causa da greve, há um incômodo generalizado na CUT que tem afetado o engajamento das bases e, consequentemente, pode ter um efeito negativo nas campanhas de todo o país", comentou um petista que atua na candidatura de Fernando Haddad a prefeito de São Paulo. Apesar de não assumirem publicamente, integrantes da central chegaram a comentar que estudam apoiar o deputado federal e candidato a prefeito da capital paulista Paulo Pereira (PDT), presidente licenciado da Força Sindical, no lugar de entrar na campanha de Haddad.

Pessoas ligadas à entidade, no entanto, garantem que não interesse à CUT cortar totalmente os laços com o PT, já que o grupo tem candidatos filiados à legenda. "Esses comentários foram feitos mais na intenção de mandar um aviso ao governo de que querer ser ouvidos", defendeu um integrante da Força Sindical. "Mas, ultimamente, a CUT e a Força têm atuado junto em diversas ocasiões no movimento sindical, principalmente quando o PT os deixa de lado", completou.

O Estado de S. Paulo

Paralisação no Incra suspende inquérito

14/08

A greve do funcionalismo tem atrapalhado até o andamento de investigações tocadas pelo Ministério Público Federal. Por causa das dificuldades para que os órgãos do governo respondam a pedidos de informação, procuradores da República mandam suspender inquéritos até que os servidores voltem ao trabalho.

Portaria publicada ontem no Diário Oficial da União sobrestou por dois meses a apuração de supostas irregularidades no uso de um imóvel público. A Procuradoria da República no Paraná havia solicitado informações ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), mas não foi atendida.

"O Incra manifestou-se noticiando a greve de seus servidores e a consequente impossibilidade de cumprimento da requisição ministerial", justificou o procurador Robson Martins.

De acordo com a Confederação Nacional das Associações dos Servidores do Incra (Gnasi), em 28 das 30 superintendências do órgão os funcionários aderiram à greve. Nelas, a adesão varia de 70% a 95%. A paralisação impacta o andamento de processos de regularização de imóveis e de assentamentos. Os grevistas apresentaram uma pauta de reivindicações, que inclui melhorias salariais, aumento do orçamento do órgão e a contratação de mais 3 mil pessoas. Segundo a entidade, dos 5,5 mil servidores efetivos do Incra, dois mil devem se aposentar até o fim do governo Dilma. Por causa dos cortes orçamentários, não tem sido possível cumprir as metas definidas no programa de reforma agrária.

"No ano passado, houve contingenciamento de 25% do orçamento. Previa-se o assentamento de 50 mil famílias, mas fizeram só 20 mil", reclama o diretor da Gnasi, Reginaldo Aguiar, que acusa o governo de intransigência. "O órgão já estava paralisado. A greve só agravou esse quadro."

O Globo

Alimentos sob pressão

14/08

Estiagem nos EUA encarece em até 33% grãos no atacado. Alta chegará ao varejo

A seca que castiga as regiões produtoras de grãos nos EUA já se traduz em preços mais elevados no Brasil. No atacado, os principais grãos - soja, milho e trigo - ficaram até 33% mais caros desde maio (às vésperas do início da estiagem) no mercado brasileiro. O Brasil é grande produtor de grãos, mas como essas commodities são cotadas no mercado internacional, a quebra de safra nos EUA afeta diretamente os preços praticados aqui.

É uma questão de tempo - ou de dias - para que o consumidor também pague parte dessa conta. Tanto que, preveem especialistas, as cotações mais elevadas devem aparecer já na próxima divulgação da inflação oficial, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referente a agosto. Carnes de frango e de porco (que usam farelo de soja e de milho como ração), além de óleo de soja, pães e macarrão devem ficar mais caros também no varejo.

Nas contas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da USP, os efeitos da estiagem aparecem quase de imediato na soja. De maio a agosto, os preços médios do grão no atacado subiram 33%.

- No caso do milho, a expansão no atacado atinge 29%. E a alta do trigo está em 12%. Mas, com os estoques baixos, esse avanço será maior. Os preços elevados devem permanecer ainda por 12 a 15 meses, dependendo do grão e das próximas safras. Se não fosse a crise atual, que segura a demanda mundial, os preços iam disparar - previu Lucílio Alves, analista do Cepea. - Não há como o consumidor não pagar mais por frango ou suínos. Além da seca, a greve dos fiscais agropecuários foi o detalhe do terremoto.

Frangos e suínos mais caros

De acordo com Francisco Turra, presidente da União Brasileira de Avicultura (Ubabef), o preço do quilo do frango vivo começou a subir há duas semanas. No período, o valor aumentou de R$ 2,10 para R$ 2,30, quase 10% mais. Impacto direto da seca nos Estados Unidos, que causou perda na safra de milho de 100 milhões de toneladas, número que representa toda a safra combinada de Brasil e Argentina.

- O milho hoje é um dos principais custos na cadeia do frango. Muitos pequenos e médios produtores estão sentindo o efeito e começam a reduzir a sua produção.

Marcelo Lopes, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), relata que, sem estoques, os preços do quilo do porco vivo já subiram 11% nas duas últimas semanas. Os preços de milho e soja somam 70% dos custos para os produtores de suínos.

Pressão pode adiar reajuste da gasolina

As altas já aparecem na inflação medida pelo IGP-M, da Fundação Getulio Vargas (FGV), que investiga os preços no atacado. Mas, para Salomão Quadros, da FGV, as altas captadas na primeira prévia do IGP-M de agosto (de 18,05% no milho, de 9,93% na soja, de 3,99% no trigo e de 4,69% na ração animal) não devem aparecer com a mesma intensidade no varejo:

- Certamente, menos da metade vai chegar ao consumidor. E essa conta pode ainda surgir em etapas nos supermercados, aos poucos.

José de Sousa, presidente da Bolsa de Gêneros Alimentícios do Rio, concorda. Ele não projeta altas superiores a 5% no varejo, porque as vendas estão mornas nos supermercados.

- O melhor termômetro dos preços é o comportamento do consumidor. É isso que dita se os preços sobem ou não.

Para a inflação, a seca dos Estados Unidospode contribuir para uma taxa de 0,50% a 0,55% no terceiro trimestre - acima dos 0,43% do IPCA de julho, prevê Fábio Silveira, da RC Consultores. Porém, continua ele, não é nada que comprometa o teto da meta da inflação (de 6,5% para este ano).

- A seca trouxe patamares de preços internacionais surreais. Além disso, ainda há uma forte especulação junto com uma grande expectativa para as safras da América do Sul - afirma Silveira, acrescentando que, diante da estiagem, que vai pressionar a inflação de alimentos, é possível que o governo deixe para autorizar um reajuste da gasolina só no ano que vem.

O Globo

Professores são barrados no IFCS

14/08

Um piquete de estudantes na porta do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), no Largo de São Francisco, no Centro, impediu ontem o acesso de professores e alunos do Instituto de História (IH) que queriam romper a greve e retomar as aulas.

Os docentes do IH acusam os manifestantes de partidarização da greve. Do outro lado, a associação dos docentes da universidade (Adufrj) rebate, dizendo que eles advogam para o governo. Um dos organizadores do ato, o estudante de Filosofia Julio Anselmo, é candidato a vereador no Rio pelo PSTU. Também estiveram presentes no ato candidatos do PSOL.

- Querem impor a política do cadeado. É um absurdo não termos o direito nem de acessar a instituição onde trabalho. Só tinha visto isso aqui na ditadura - reclamou o professor Francisco Teixeira, titular da cadeira de História Moderna e Contemporânea.

Anselmo minimizou:

Esses professores não acataram a decisão da assembleia geral que votou pela permanência da greve, na sexta-feira e, numa reunião secreta, decidiram voltar a trabalhar.

Hoje, o grupo tentará mais uma vez furar o movimento grevista. Até o fechamento desta edição, os grevistas ainda discutiam se iam continuar ocupando o prédio.

A ministra do Planejamento Miriam Belchior prometeu para esta semana uma resposta final sobre o reajuste dos servidores federais. Além dos professores, mais de 30 categorias estão de greve no país.

O Globo

Greve de servidores públicos já afeta pesquisas científicas

14/08

Sem insumos importados, instituto para testes com células tronco

RIOe BRASÍLIA Além de prejudicar as exportações do país, a emissão de passaportes e a rotina de estudantes de universidades públicas, entre outros serviços essenciais, a greve dos servidores federais está atrasando até pesquisas científicas. Referência na área de saúde, o Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ (ICB) sofre com a falta de reagentes químicos, o que tem forçado a interrupção de pesquisas. O instituto desenvolve estudos em áreas como células tronco, regeneração do sistema nervoso e esquizofrenia.

Os reagentes são alguns dos insumos importados usados pelos pesquisadores. Com a paralisação da Anvisa e da Receita Federal, há produtos retidos em portos e aeroportos. Mas o problema vai além da retenção. Cientes da greve, os fornecedores não estão nem mesmo aceitando pedidos.

- Somos orientados a fazer a compra apenas depois que a greve acabar, porque são produtos perecíveis - explica Roberto Lent, diretor do ICB.

O atraso compromete desde a publicação de artigos em revistas científicas, ao registro de patentes.

O Estado de S. Paulo

Dilma pede acordo com grevistas que ganham menos

14/08

Presidente autoriza maratona de reuniões setoriais a partir de hoje com sindicatos; centrais prometem realizar novas manifestações

Decidida a tocar sua estratégia de negociar de forma pulverizada com os sindicatos de servidores e deixar de lado as centrais, a presidente Dilma Rousseff autorizou o início de uma maratona de reuniões, a partir de hoje, para dar as respostas do governo aos pleitos de reajustes salariais.

O cofre permanecerá praticamente fechado para as carreiras com maiores salários, como já indicaram na semana passada a própria presidente e a ministra do Planejamento, Miriam Belchior.

Ontem, Dilma comandou uma reunião com Miriam e os ministros da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, e da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, além do advogado-geral da União, Luís Inácio Adams. Na reunião foi batido o martelo sobre quanto o governo disporá para conceder reajustes no ano que vem. Ao longo da tarde, seguiram-se reuniões para detalhar quais categorias serão atendidas.

Grupos. A ordem é só dar aumento aos grupos que estão nas faixas salariais mais baixas e estão há muitos anos sem reajuste. Quem teve recomposição salarial grande e ganha bem deve ficar de fora, segundo informaram técnicos.

Se esse for o corte, grupos como policiais federais e fiscais da Receita, por exemplo, não serão atendidos agora. Já os professores de universidades federais estão, do ponto de vista do governo, contemplados com a proposta já apresentada, que soma R$ 3,9 bilhões. "Nós sabemos que há categorias com perda maior, outras com menor; umas que negociam todo ano e outras que não negociam, mas queremos que o governo apresente os números", afirmou o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas. O sindicalista disse esperar, ainda, que as centrais sejam informadas antes sobre o pacote de medidas na área de infraestrutura, a ser lançado amanhã.

No domingo, cinco centrais sindicais, entre elas a CUT, Força Sindical e UGT, divulgaram uma nota conjunta manifestando apoio formal à greve dos servidores federais e rechaçando o modo como o governo tem conduzido as negociações. O texto do documento assinado pelos presidentes das centrais sindicais repudia "todas formas de autoritarismo no trato com reivindicações legítimas dos trabalhadores".

Para tirar a pressão de cima de Dilma e Miriam, o posicionamento do governo será dado pelo secretário de Relações do Trabalho, Sérgio Mendonça, na mesa de negociações com os sindicalistas. Ele tem marcadas para hoje reuniões com representantes do Incra, Ministério do Desenvolvimento Agrário, técnicos das universidades federais e Fiocruz.

Para quarta-feira, já estão marcadas reuniões com representantes da Polícia Federal e do IBGE.

Mobilizações. Antevendo um desfecho negativo para suas reivindicações, os sindicalistas preparam mobilizações na Esplanada dos Ministérios esta semana. "Vamos reunir um grande contingente amanhã (hoje), quarta, quinta e sexta", prometeu o diretor da executiva da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), Sérgio Ronaldo da Silva. O ponto alto deverá ser uma marcha programada para amanhã.

Para a manhã de sexta-feira está marcada uma reunião plenária na Esplanada para avaliar os retornos dados pelo governo. "Se for necessário intensificar a greve, nós faremos", disse Silva. "Mas não é nossa intenção, porque a greve é um sacrifício, cansa, a categoria quer uma solução para o conflito."

Como mostra de sua disposição de não radicalizar, os sindicalistas já indicaram que estão dispostos a aceitar reajustes diluídos ao longo do tempo, informou o diretor da Condsef. De acordo com ele, do dia 6 de março até agora foram realizadas 170 reuniões com o governo, sem resultado.

"Queremos continuar conversando, mas em bases realistas", comentou. Ele criticou a estimativa divulgada pelo governo na semana passada, pela qual a soma dos pedidos de aumento apresentados pelos servidores chega a R$ 92 bilhões. "É um terço disso", assegurou.

O tempo para pressionar o governo está acabando. A legislação prevê que os reajustes a serem pagos em 2013, têm de ser propostos, na forma de projeto de lei, até o próximo dia 31.

O Estado de S. Paulo

Cabo de guerra

14/08

Quem assiste ao desdobramento da greve nacional dos funcionários públicos desta república sindicalista e à reação do governo pode ter a impressão equivocada de que a presidente Dilma está na oposição. No entanto, ela não está fazendo outra coisa senão colher o que o governo Lula e o dela semearam nos últimos nove anos.

Os levantamentos não são inteiramente confiáveis, mas dão conta de que estão em greve, total ou parcial, alguma coisa entre 300 mil e 350 mil servidores públicos, boa parte deles há mais de 50 dias, num total de 26 categorias. Algumas preferiram desencadear as chamadas operações-padrão, como é o caso dos servidores da Polícia Federal e dos auditores da Receita. Os enormes congestionamentos nas rodovias federais, as filas imensas nas áreas de embarque internacional nos aeroportos, o volume sem precedentes de carga amontoada nos postos alfandegários à espera de liberação e a perda do ano letivo em universidades federais são uma pálida amostra do estado caótico a que ficou reduzida boa parte dos serviços públicos.

A reivindicação básica dos funcionários são reajustes salariais da ordem de 22%, num ano em que o Banco Central garante que conduzirá a inflação ao centro da meta de 4,5%. Mas os docentes das universidades federais já rejeitaram proposta apresentada pelo governo federal de correlação escalonada por três anos, de 25% a 40%.

Os servidores públicos tiveram tratamento mais do que privilegiado durante a gestão Lula. O quadro do funcionalismo público federal saltou de 485 mil para 573 mil postos de ocupação. De acordo com levantamento realizado pelo jornal Folha de S.Paulo, a despesa mensal média com o salário de cada um dos funcionários públicos federais saltou de R$ 2.840, em 2003, para R$ 7.690, neste ano - um avanço superior a 170%, enquanto a inflação acumulada no período não passou dos 70%.

A aceleração das despesas com a folha de pagamentos no governo Lula aconteceu, em grande parcela, quando a ministra chefe da Casa Civil era a presidente Dilma Rousseff. E ela foi também fortemente beneficiada por essa política, na medida em que garantiu grande número de votos nas eleições de 2010.

Dilma vem reagindo tardia e flacidamente ao movimento grevista que desafia impunemente seu governo. Primeiramente, pediu ajuda a seu antigo chefe político, o ex-presidente Lula, para que contivesse as centrais sindicais. Essa iniciativa mostra que ela própria não sabia como tratar o assunto. Em seguida, no final de julho, assinou decreto que permite a substituição de servidores federais por funcionários estaduais e municipais. No mais, ameaçou os grevistas com o corte de ponto, com o que já reconhece a existência de uma situação absurda em que o servidor não faz greve, mas somente tira férias - como na década de 1970 chegou a observar o então líder dos metalúrgicos do ABC, Luiz Inácio Lula da Silva. Seu ministro do Trabalho, Brizola Neto, limita-se a avisar que não tem de se meter nessa greve e que a bola está com a ministra do Planejamento.

Por aí se vê que servidores públicos e governo disputam um cabo de guerra. Como sempre, a corda vai rebentar no ponto mais fraco. E este parece ser o do vacilante governo Dilma.

Correio Braziliense

Greve provoca fissura nas bases do governo

14/08

Impasse salarial com os servidores estremece a relação entre o PT e o funcionalismo

Benesses concedidas por Lula acabaram na era Dilma: crise externa impõe novo equilíbrio orçamentário

A decisão da presidente Dilma Rousseff de comprar uma briga com as centrais sindicais fraturou a relação do governo e do PT com uma categoria que sempre foi alinhada ao petismo: o funcionalismo público. Pressionada pela necessidade cortar gastos para o país não sucumbir diante da crise mundial, Dilma resolveu enfrentar os servidores, deixando o PT e os representantes dos trabalhadores perdidos no meio do tiroteio que se intensificou nos últimos dias. "As coisas não estão boas do jeito que estão. Esse é um tema importante para o PT e os servidores são importantes para nós", afirmou ao Correio um ex-líder do PT na Câmara, que exerce funções de visibilidade no Congresso.

Para piorar o que já parecia caótico, a greve generalizada que se alastrou pelo país vai provocar estragos na vida da classe média. Universidades em greve, com alunos sem perspectivas de continuidade do semestre letivo, além de auditores fiscais parados em portos e aeroportos afetarão a vida do brasileiro comum, o que também pode gerar desgaste na popularidade de Dilma, que ainda se mantém em níveis estratosféricos. "Até o momento, nem o governo nem o PT têm sofrido diretamente, as pesquisas continuam a nossa favor", tentou minimizar o ex-líder do governo na Casa, Cândido Vacarezza (PT-SP).

Além da questão orçamentária, que impede a concessão de reajustes generosos, Dilma pode estar em busca de estabelecer um novo relacionamento com o funcionalismo público. Sindicalistas ouvidos pelo Correio admitem que o setor está mal acostumado com as benesses dadas ao longo do governo Lula, sobretudo no segundo mandato, quando o ex-presidente reestruturou carreiras e corrigiu o poder de compra do salário mínimo. "O Lula fingia que negociava, concedia os reajustes e deixava o discurso pronto para que os sindicalistas levassem para as suas bases", lembrou o ex-presidente do Sindilegis, Ezequiel Nascimento.

A presidente, contudo, escorada no argumento da proteção do país contra os terremotos externos, busca, na visão de analistas, impor um novo equilíbrio nesta balança. O problema estaria mais na forma do que no conteúdo. "Dilma está arranhando sua imagem de gestora, que foi construída artificialmente. Como ela pensa que os sindicalistas são todos ligados ao PT, acha que está lidando com a base aliada do Congresso, grupo com o qual também não tem boa relação", comparou um especialista nas relações entre o Planalto e o Parlamento.

Trauma

Dilma já enfrentou batalhas duras em outros momentos. Mas conseguiu filtrar as ações e aprovar medidas impensáveis em governos anteriores, incluindo o de seu padrinho político. A presidente empurrou os bancos para o canto do ringue ao pressionar pela queda na taxa de juros, puxados justamente pela queda nos percentuais praticados nos bancos públicos. Também conseguiu mudar as regras de rendimento da poupança devido à redução da taxa Selic. "Os brasileiros têm trauma de alterações na poupança, herança das medidas tomadas durante o governo Collor. Lula tentou e não deu certo. Dilma mexeu e o ritmo de aplicações na poupança continua estável", afirmou o cientista político Rafael Cortez, da Tendência Consultoria.

Mas a presidente tem perdido o discurso. Petistas e integrantes do primeiro escalão do governo lembram que o Planalto demorou a se posicionar diante da greve dos professores, mais atento aos pacotes de desoneração que serão anunciados nos próximos dias. Quando resolveu apresentar uma proposta, ela foi rejeitada pela categoria. "Nesse tipo de disputa, quem grita primeiro parece que tem razão", reconheceu um sindicalista.

O problema é que a margem para atender o funcionalismo é mínima, pelas contas da equipe econômica. Para piorar, lideranças sindicais ouvidas pelo Correio admitem que a pressão mais intensa vem justamente das categorias que têm mais poder de mobilização, não necessariamente as que precisam de mais aumento. "Você tem 300, 400 mil funcionários com salários entre R$ 800 e R$ 1,2 mil que nunca conseguem nada porque quem sai às ruas são os servidores com salários acima de R$ 10 mil", disse uma fonte ligada ao funcionalismo.

Sem brechas

O governo se debruça sobre os números e encontra poucas brechas para conceder aumentos. A folha de pagamentos do funcionalismo público já consome R$ 204 bilhões. Se for concedido um reajuste médio para o setor de 10%, isso significaria um acréscimo anual de R$ 20 bilhões, praticamente o mesmo orçamento de investimentos previstos para o país nas obras que não estão inseridas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Valor Econômico

Governo decide manter proposta de reajuste feita para os professores

14/08

No projeto de lei do Orçamento da União para 2013, que será encaminhado ao Congresso Nacional até dia 31, o Executivo pretende incorporar a proposta de reajuste feita recentemente aos professores das universidades federais, em greve desde o dia 17 de maio. Apesar de ter sido rejeitada pelos professores, o governo decidiu manter a proposta que constará do anexo V do projeto de lei, com reajuste mínimo de 25%, chegando a 40% para os professores com titulação maior e com dedicação exclusiva.

Esta é uma das decisões já tomadas pelo governo para a política salarial do funcionalismo em 2013, que teve ontem reunião conclusiva, com a presença da presidente Dilma Rousseff. Desse encontro, realizado no Palácio do Planalto, participaram a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, e o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams.

Os ministros fizeram uma avaliação do movimento grevista dos servidores e a presidente Dilma recebeu números e sugestões da área econômica para a política salarial. Ela definiu uma série de parâmetros, cujas repercussões nas contas públicas no próximo ano tiveram de ser avaliadas em reunião da junta de execução orçamentária, realizada na Casa Civil, no início da tarde de ontem, que contou com a presença do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Dilma definiu as linhas gerais da política para o funcionalismo em 2013, mas ainda faltava, ontem à noite, concluir detalhes da proposta, segundo fontes do governo. A expectativa dos técnicos é que o trabalho entraria pela madrugada, pois, a partir de hoje, o secretário de Relações de Trabalho no Serviço Público, Sérgio Mendonça, começa a receber os representantes das entidades dos servidores para apresentar a resposta do governo a cada uma das reivindicações apresentadas pelo funcionalismo federal.

Na reunião de ontem, Dilma manteve a sua orientação de conter os gastos com pessoal no próximo ano, pois entende que a prioridade do governo é criar condições para a retomada da economia. Para isso, o aumento do investimento público é considerado fundamental.

Assim, a presidente deve conceder reajuste salarial para poucas categorias, entre elas as dos professores universitários e os militares, mas poderá atender a reivindicações específicas. O governo vai fazer de tudo para impedir que o movimento grevista afete a economia, disseram as mesmas fontes.

Hoje, às 10 horas, Mendonça recebe os representantes da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), com os quais discutirá dispositivo da lei 12.277, de 2010, que criou uma estrutura remuneratória para cargos efetivos de engenheiro, arquiteto, economista, estatístico e geólogo. Agora, os cargos efetivos ocupados por outras categorias, como médicos e administradores, por exemplo, reivindicam uma equiparação.

Às 14 horas, Mendonça apresentará a resposta do governo às reivindicações dos funcionários do Incra e do Ministério da Agricultura. Às 15 horas, ele apresentará a proposta do governo para os servidores técnicos administrativos das universidades federais. E, finalmente, às 17 horas, o secretário receberá os representantes da associação dos funcionários da Fiocruz. Para amanhã, Mendonça marcou reuniões com a entidade que representa os policiais federais e com a associação dos funcionários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para os professores, o governo não apresentará nova proposta. Mesmo porque, lembrou uma fonte do governo, uma das universidades em greve já aderiu ao acordo proposto. O aumento oferecido pelo governo aos professores deve ser distribuído por um período de três anos e o prazo para o pagamento das parcelas de reajuste vai ser antecipado para o mês de março de cada ano e não mais no segundo semestre. O custo total estimado é de R$ 4,2 bilhões, distribuídos no triênio 2013 a 2015.
A decisão de conceder aumento diferenciado aos professores decorreu da constatação de que os docentes das universidades federais tiveram seus salários reajustados abaixo das demais categorias do serviço público.

Os docentes com doutorado recebem, atualmente, cerca de R$ 7,3 mil. Categorias análogas, como um pesquisador do Ipea ou da Ciência e Tecnologia ganham salário inicial de cerca de R$ 13 mil e R$ 10,3 mil, respectivamente. Para equiparar-se ao pesquisador do Ipea, o professor teria que ter reajuste de até 76,7%.

O salário real do professor este ano é 8,7% inferior ao que ele ganhava em 1998, segundo cálculos feitos por Pierre Lucena, doutor em administração/finanças pela PUC-Rio.

Valor Econômico

Com greve de servidores, cai média de importação

14/08

A greve dos servidores públicos federais contribuiu para reduzir a média diária de importações nas duas primeiras semanas de agosto. O valor desembarcado diariamente nas duas primeiras semanas de agosto (US$ 785,5 milhões) foi o menor registrado em 2012.

Segundo dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, a média diária no período foi 9,5% inferior à registrada no acumulado deste ano, quando os desembarques somaram US$ 868,1 milhões por dia útil. Em relação a agosto do ano passado a queda da média de importações por dia útil é de 18,9%.

Segundo Welber Barral, sócio da Barral M Jorge, a greve dos fiscais agropecuários, da Receita Federal e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) distorceu os registros mais recentes de importação. Para ele, um dos indícios de que a paralisação está afetando o desembarque de mercadorias está na queda expressiva de importações de combustíveis e lubrificantes. Nas duas primeiras semanas de agosto as importações diárias desses produtos somaram US$ 85 milhões, recuo de 51,8% em relação à média diária observada em agosto do ano passado.

Para Barral, é possível que os desembarques de alguns itens continuem a ocorrer, mas sem o devido registro nas estatísticas do ministério. Além disso, há a paralisação de cargas em portos, por exemplo. Segundo levantamento do Valor, a greve dos funcionários que liberam a entrada de mercadorias no país contribuiu para que em julho as importações em alguns portos caíssem até 25% em relação ao mesmo mês de 2011.

O efeito da paralisação, na avaliação do especialista, é perceptível nos desembarques de alguns insumos, que costumam ser mais atingidos pelas greves, como é o caso da queda de 19,4% das importações de borracha e de 15,8% de plásticos, sempre na comparação entre as médias diárias de agosto deste ano em relação a agosto do ano passado.

O Estado de S. Paulo

Protestos prejudicam investigações da CGU

14/08

Controladoria-Geral vai reduzir fiscalização que detecta corrupção e má aplicação de verbas federais em prefeituras

A greve dos servidores públicos federais já prejudica atividades de investigação e controle da corrupção no governo. A Controladoria-Geral da União cancelou ontem fiscalizações que estavam programadas para 36 municípios. Nas contas do órgão, metade dos analistas e técnicos de controle estão em greve nos Estados.

Ao todo, foram excluídos municípios de 14 Estados, a maioria de pequeno porte. Eles haviam sido definidos por meio do programa de sorteios públicos, que avalia, por amostragem, como anda a aplicação de recursos federais pelas prefeituras. Por causa das paralisações, só 24 das 60 selecionadas serão auditadas. Para os prefeitos que escaparam do "pente-fino", de 11 partidos da base aliada e da oposição, trata-se de uma preocupação a menos. Em ano eleitoral, as irregularidades apontadas pela CGU costumam influenciar disputas locais.

Principal atribuição da controladoria, as fiscalizações por sorteio já haviam sido prejudicadas pelos cortes orçamentários anunciados pela presidente Dilma Rousseff no início de seu governo. Em anos de vacas gordas, costumam ocorrer até quatro rodadas anuais. Em 2012, a programação afetada pela greve seria a primeira. Por ora, só está prevista mais uma, em outubro.

As viagens dos técnicos foram agendadas para entre 6 e 10 de agosto. Contudo, os funcionários fizeram paralisações em dois desses dias. De acordo com o órgão, das equipes previamente definidas para visitar os municípios, foram enviadas somente as que não tiveram desfalques significativos. Outro critério para teria sido a proximidade com as capitais, nas quais ficam baseados os técnicos. Os 36 excluídos só voltarão a ser fiscalizados em curto ou médio prazo se forem sorteados novamente.

Os funcionários da CGU querem 20% de aumento, a título de reposição das perdas salariais a partir de 2010. Um técnico (cargo de nível médio) ganha em torno de R$ 4,9 mil mensais. A remuneração de um analista é de cerca de R$ 12,9 mil por mês. Outra reivindicação é o aumento do efetivo, considerado insuficiente para as atribuições. Fora as fiscalizações por sorteios, a controladoria faz, por exemplo, auditorias anuais de gestão nos ministérios e demais órgãos da administração direta. "Pedimos concurso para preencher 600 vagas, mas o Planejamento autorizou só 250", queixa-se o presidente do Sindicato Nacional dos Analistas e Técnicos de Controle (Unacon), Rudinei Marques.

Ele diz que os funcionários que têm comparecido às repartições trabalham em operação-padrão.

Correio Braziliense

GOVERNO VOLTA A NEGOCIAR, MAS CORTARÁ O PONTO

14/08

GOVERNO MANDA CORTAR OS SALÁRIOS DE 80 MIL

Cerca de 80 mil servidores públicos da União vão receber os salários deste mês com os descontos dos dias parados em greve. Apesar da medida, que vai atingir todo o funcionalismo — até mesmo os professores das universidades —, o governo federal pretende apresentar, a partir de hoje, propostas de reajustes para alguns sindicatos. Serão privilegiadas as categorias que não recebem aumento há mais tempo. O índice médio de 22% pedido pelos grevistas está totalmente descartado. A paralisação dos serviços em todo o país, a radicalização do movimento e o impasse nas negociações têm desgastado o Palácio do Planalto, que já enfrenta problemas com sua base política.

Ministério do Planejamento reabre as discussões com os servidores públicos, que cobram reajuste médio de 22%, mas avisa que não pagará dias parados de grevistas. Descontos constarão no contracheque de agosto

Planalto não esconde o descontentamento com os protestos de funcionários. Ontem, foi dia de longas reuniões de ministros com a presidente Dilma

O Ministério do Planejamento vai cortar o ponto de 80 mil servidores que estão em greve. Os dias parados serão descontados no contracheque deste mês, que será fechado no próximo dia 20. Com essa decisão, o governo dá o mais claro sinal de seu descontentamento com o funcionalismo, que partiu para o confronto — inclusive nas ruas — por reajustes médios de 22%. A determinação vale, inclusive, para as universidades, que têm autonomia administrativa. Os reitores já foram avisados pela Advocacia-Geral da União (AGU) de que devem punir os trabalhadores que estão de braços cruzados há mais de dois meses.

A partir de hoje, o governo retomará as negociações com os servidores. O governo, pelo que foi acertado ontem entre a presidente Dilma Rousseff e a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, não deverá fazer uma proposta de aumento linear — não por enquanto. A determinação do Palácio do Planalto é privilegiar carreiras que estão com salários mais defasados. Nesse grupo, estão os professores de universidades, aos quais foram propostos aumentos de até 45%, e os técnicos administrativos de universidades, que devem ter correção de 15%. Já está certo, também, que os militares serão agraciados com rendimentos melhores. E algumas categorias de técnicos, como as do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

"Depois da conversa entre a presidente Dilma e a ministra Miriam, o reajuste dos servidores foi avaliado pela junta orçamentária, que fez várias ressalvas. O tema voltou de novo para análise da presidente Dilma. Portanto, trata-se de um processo complexo. O momento não é favorável para aumentos salariais no serviço público. É preciso ter muita cautela", disse um assessor palaciano. Ele destacou que, assim como no caso dos professores e dos técnicos de universidades, os reajustes aprovados serão parcelado em três anos, entre 2013 e 2015. Em hipótese alguma, os gastos do governo chegarão perto da fatura de R$ 92,2 bilhões apresentada pelo funcionalismo.

Desencontros
A tensão está grande. E os representantes dos servidores asseguram que o governo está inflando os números referentes aos pedidos de aumento salarial para jogar a opinião pública contra o funcionalismo, taxado como elite dos trabalhadores. Segundo a União das Carreiras de Estado (UCE), que reúne 22 entidades representativas do setor, a fatura de R$ 92,2 bilhões é irreal e isso será comprovado por meio de um estudo técnico sobre os pedidos recebidos pelo Planejamento, a ser divulgado hoje. Para a UCE, além de inflar os números, o governo está sendo intransigente nas negociações. E uma prova disso foi o Decreto Presidencial 7.777/12, que permite a substituição de fiscais em greve por funcionários estaduais e municipais.

Além de reajuste imediato, os servidores exigem uma política salarial permanente, com reposição inflacionária anual e correção do salário-base. Segundo os grevistas, os últimos aumentos ficaram abaixo da inflação. O Ministério do Planejamento contesta e assegura que, entre janeiro de 2003 e dezembro de 2011, todas as categorias tiveram ganhos reais (acima da inflação) variando de 7,70% a 289,79%. Nesse período, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 75,3%. Os técnicos administrativos das universidades federais tiveram, por exemplo, correções entre 43,04% e 110,6% acima da inflação nos três níveis do plano de cargos (auxiliar, intermediário e superior). Considerando apenas o salário final, ou seja, o topo da carreira nesses três níveis, o aumento real variou de 172,3% a 225%.

Em meio ao confronto de números, os servidores asseguram que vão partir com tudo para cima do governo, a começar por um acampamento na Esplanada dos Ministérios. As estruturas para receber pelo menos mil manifestantes foram montadas ontem. A vigília vai durar até sexta-feira, último dia das negociações com o Planejamento. Os representantes dos servidores prometem ainda, para a quarta-feira, uma grande marcha pela Esplanada, que deve reunir 15 mil grevistas, segundo a Confederação dos Trabalhadores do Serviço Público Federal (Condsef). A entidade representa 80% do funcionalismo do Executivo. No mês passado, os sindicalistas conseguiram agregar 10 mil pessoas em uma passeata semelhante, que provocou transtornos em Brasília e deu força à greve, até então restrita a poucos órgãos.

Leite derramado
As manifestações dos servidores por reajustes de salários vão ocorrer em vários pontos da Esplanada. No Ministério da Agricultura, os fiscais agropecuários vão distribuir 3,5 mil litros de leite hoje em protesto contra a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de pôr fim à greve da categoria. Desde 6 de agosto, eles estavam de braços cruzados, reivindicando concurso público e reestruturação da carreira. Os policiais federais farão movimentos por todo o país, com a volta da operação padrão, que criou transtornos no principais aeroportos.

Valor Econômico

De costas para o público

14/08

Um grupo de policiais federais fez na manhã de ontem um protesto na frente da sede da PF, na região da Lapa, na zona Oeste de São Paulo. A categoria está em greve desde a semana passada. Desde então, a emissão de passaportes está afetada e vários aeroportos do país passaram por operação-padrão.

No ato de ontem, os policiais se concentraram na escadaria da sede da Superintendência da PF e ficaram de costas para a rua. Os policiais ainda planejam uma doação de sangue coletiva hoje de manhã.

Para amanhã há planos de que haja uma nova operação-padrão no aeroporto de Guarulhos. Com isso, a fiscalização será reforçada e pode haver filas e atrasos.

Outros Estados também realizam protestos, de acordo com o cronograma de cada sindicato. No domingo, houve protesto no aeroporto de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte, com distribuição de pizzas aos passageiros que estavam no local.

Esses professores não acataram a decisão da assembleia geral que votou pela permanência da greve, na sexta-feira e, numa reunião secreta, decidiram voltar a trabalhar.

Hoje, o grupo tentará mais uma vez furar o movimento grevista. Até o fechamento desta edição, os grevistas ainda discutiam se iam continuar ocupando o prédio.

A ministra do Planejamento Miriam Belchior prometeu para esta semana uma resposta final sobre o reajuste dos servidores federais. Além dos professores, mais de 30 categorias estão de greve no país.

JORNAL DE BRASÍLIA - PONTO DO SERVIDOR