CLIPPING 31 DE AGOSTO
CLIPPING
Publicado: 22/08/2012 | 09:31
CLIPPING 22 DE AGOSTO
CLIPPING 22 DE AGOSTOSECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA CSPB
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AGÊNCIA CÂMARA
Profissionais de saúde cobram carreira nacional e maior articulação
21/08
Representantes de diversas entidades profissionais da saúde cobraram hoje a definição de uma carreira nacional dos trabalhadores do setor. Esses profissionais também defenderam a criação de uma instância administrativa que funcione como articuladora dos conselhos profissionais e operadores do sistema de saúde existentes no País.
Durante audiência pública realizada pela Subcomissão Especial para o Ordenamento da Formação de Recursos Humanos do Sistema Único de Saúde (SUS) e da Educação Permanente na Área da Saúde, foi aventada a possibilidade de essa instância administrativa promover o debate permanente sobre o exercício das atividades e uma política de distribuição e fixação desses profissionais de acordo com a necessidade do País.
A subcomissão é vinculada à Comissão de Seguridade Social e Família. O relator do colegiado, deputado Rogério Carvalho (PT-SE), afirmou que pretende elaborar seu relatório com três subdivisões que tratem da formação profissional; da distribuição e fixação dos profissionais; e da regulamentação das profissões ligadas à saúde. “Vamos, a partir das contribuições das entidades, tentar formar uma análise da situação de cada um dos três temas e apresentar a proposta na forma de um projeto de lei que ordene os recursos humanos”, disse Carvalho.
Mediação de conflito
Formação dos profissionais
Outra preocupação manifestada pelo relator é dar maior clareza na responsabilidade sobre a formação dos profissionais. “De quem é a obrigação? Do Ministério da Educação, do Ministério da Saúde, das universidades? É preciso que o SUS tenha um formulador que relacione os cerca de 6 mil operadores municipais, estaduais e nacionais, uma instância interinstitucional e intergovernamental que possa deliberar de forma clara essa formulação e agir na mediação de conflito”, destacou.
Uma das mais veementes na defesa de um plano de carreira único foi a representante da Federação Nacional dos Odontologistas, Joana Oliveira Lopes. “Médicos, enfermeiros, dentistas executam as mesmas tarefas em diversos locais do País, não faz sentido um profissional de São Paulo ganhar mais que um do Piauí, por exemplo”.
Ela defendeu, no entanto, que haja compensações para os profissionais que atuarem em locais remotos, de menor desenvolvimento econômico, e também cobrou a divisão de responsabilidade pelo pagamento de pessoal. “Defendemos a criação de uma carreira de estado para o SUS, custeada pelas três esferas de governo, na qual a União também se responsabilize pelos recursos humanos”, acrescentou.
Cursos universitários
Quadro semelhante foi descrito por enfermeiros, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e nutricionistas.
Os representantes do Conselho Federal de Nutricionistas, Antônio Augusto Garcia, e da Federação Nacional dos Enfermeiros, Eliane Santos, também mostraram preocupação com a expansão do número de cursos universitários, que tem provocado a queda na qualidade da formação dos profissionais. “O problema não é de oferta, mas de qualidade, pois algumas faculdades nem podiam estar abertas”, afirmou Eliane.
O presidente da subcomissão, deputado João Ananias (PCdoB-CE), disse que as entidades profissionais serão ouvidas novamente em outras audiências, que deverão ser feitas em diversas regiões do País. “A intenção é que o relatório exprima os diversos segmentos de todas as áreas e entes da federação, para que tenhamos um quadro mais fidedigno possível da saúde no Brasil”, concluiu.
PORTAL FAXAJU
SERVIDORES DO MPU E JUDICIÁRIO PARALISAM
22/08
Os servidores do Poder Judiciário Federal (TRT/SE, TRE/SE e JF/SE) e do Ministério Público da União em Sergipe (MPU/SE), após realização de assembléias e atendendo à convocação dos sindicatos das categorias envolvidas, decidiu pela paralisação das atividades desses órgãos a partir desta quarta-feira (22), com possibilidade de conversão em greve por tempo indeterminado, sendo mantidos apenas os serviços essenciais dos órgãos.
No MPU, o movimento já conta com o apoio expresso e majoritário dos procuradores, conforme divulgado na nota conjunta da ANPR, ANPT, ANATA e SINASEMPU.
Segundo nota divulgada pelo sindicato, os servidores do MPU e do Poder Judiciário estão sem reajuste salarial desde 2006, quando tiveram aprovado o último Plano de Cargos e Salários - PCS, contabilizando perdas efetivas de poder aquisitivo face à inflação acumulada do período, que variou de dezembro/2006 até julho/2012, entre 46,77% (IGPM), 37,85% (INPC) e 35,58% (IPCA).
Eles explicam que o salário mínimo em 2006 era de R$ 350,00; hoje, R$ 622,00 (78% de aumento) e todas as demais despesas relacionadas ou não com o aumento do salário mínimo também foram elevadas (alimentação, transporte, moradia, educação, saúde, etc). Apesar disso, os servidores do MPU que não tiveram qualquer reajuste em suas remunerações desde 2006, não lutam agora por aumento real, mas apenas pela recomposição de seus salários corroídos pela inflação.
“Em comparação com várias outras carreiras do Poder Executivo Federal, os salários do MPU e do Judiciário ficaram tão defasados que a rotatividade de seus órgãos cresceu de forma significativa a ponto de ser evidente a ausência de atratividade dos aprovados nos últimos concursos em assumir os cargos vagos. Esse é um fato que pode ser facilmente confirmado com a simples verificação da lista de nomeações tornadas sem efeito”, é o que afirma Cristiano de Oliveira, um dos servidores do MPU/SE.
“Não estamos exigindo nada de absurdo. Só estamos pedindo que o governo reajuste os nossos salários para fazer face ao aumento do custo de vida nos últimos seis anos”, afirma, em nota, a categoria dos servidores do Judiciário Federal, representada pelo SINDJUS. : “Sabemos que a nossa greve causa transtornos a toda a sociedade, paralisando ações e processos. Mas não temos alternativa senão paralisar as nossas atividades para sensibilizar as autoridades dos três poderes, responsáveis pelo encaminhamento de nossas propostas de reajuste salarial (?)”, defende ainda a nota.
As tentativas de iniciar um diálogo com o Poder Executivo Federal se arrastam desde 2009, sem qualquer tipo de avanço ou proposta efetiva por parte do governo, que insiste em conceder “ZERO” de reajuste. A Presidente Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), se recusa a negociar efetivamente com o Procurador-Geral da República e com o Presidente do Supremo Tribunal Federal ou com os sindicatos nacionais das categorias (SINASEMPU e SINDJUS) e ainda exerce fortes pressões políticas, por meio de ministros de Estado e de sua base aliada no Congresso Nacional, pela manutenção de sua posição intransigente.
O congelamento salarial dos servidores do MPU e do Poder Judiciário, com o consequente esvaziamento dos quadros funcionais para outras carreiras públicas, antes de ser mera medida de contenção de gastos?, “prudência orçamentária? ou ajuste fiscal, revela-se na verdade como uma forma perniciosa, lenta e gradual do Executivo Federal de enfraquecer, sucatear e desmoralizar a instituição, que não se submete às pressões políticas ou de interesses privados no exercício de suas funções constitucionais, dentre elas, o combate ao crime, à corrupção, à improbidade administrativa e a defesa da correta aplicação do dinheiro público.
A autonomia administrativa, orçamentária e financeira do Judiciário e do MPU é assegurada na Constituição Federal como forma de garantir que os meios necessários ao funcionamento dessas instituições não fiquem condicionados à vontade única do Poder Executivo, preservando-lhes a independência, um dos alicerces do regime democrático.
O Poder Executivo, porém, desrespeitou a Constituição ao cortar unilateralmente as propostas orçamentárias do MPU e do Poder Judiciário, por ocasião do envio do Projeto de Lei Orçamentária Anual em 2011, e demonstra que irá fazer o mesmo no corrente ano, apesar da referida proposta encontrar-se abaixo dos limites fixados na Lei de Responsabilidade Fiscal e haver recursos disponíveis, subtraindo do Poder Legislativo a possibilidade de discussão da matéria. O desrespeito a estas garantias republicanas remonta às práticas mais espúrias e vis dos regimes ditatoriais, nos quais as instituições democráticas existentes submetem-se à vontade exclusiva de uma só pessoa, um grupo ou um partido político. Diante deste quadro, resta apenas uma pergunta: a quem interessa o enfraquecido dessas instituições republicanas?
Na visão de Priscilla Navas, servidora do MPU/SE, a greve dos servidores federais vai muito além de uma briga por ´aumento salarial´, reposição de perdas ou manutenção da antiga condição financeira ou social. É uma briga, antes de mais nada, por respeito.
Eu me vejo ultrajada por cada manifestação do executivo contra o PCS e suas manobras para enganar a opinião pública contra a categoria do funcionalismo público. Eu acredito que o servidor pra trabalhar bem precisa receber um salário justo, conclui a servidora.
Entre as estratégias de mobilização a serem usadas na paralisação conjunta ?Justiça e MPU?, incluem-se visitas setoriais nos órgãos do Poder Judiciário Federal local, piquetes nas entradas dos prédios, uso de apitos, vuvuzelas, fogos, carro de som e demais manifestações durante toda quarta-feira, 22/08, com concentração dos grevistas às 12h na frente da sede do Tribunal Regional Eleitoral - TRE/SE.
De acordo com os representantes sindicais das categorias, a luta dos servidores em defesa da independência do Ministério Público da União e do Poder Judiciário da União, instituições vitais do Estado Democrático de Direito, é medida urgente e inevitável.
PORTAL R7
Veja dicas para driblar greves e usar os serviços do governo federal
21/08
As greves do funcionalismo público federal passaram a atrapalhar a vida dos brasileiros, já que alguns serviços ligados à educação, saúde, segurança pública e até previdência praticamente deixaram de ser prestados. Para facilitar a vida dos trabalhadores do País, o R7 fez um mapa das paralisações pelo País e traz alternativas para amenizar os prejuízos aos contribuintes.
Os primeiros a cruzar os braços foram os professores das universidades federais, em 17 de maio. As principais reivindicações são aumentos de salário e reestruturação da carreira. A partir de então, o movimento se alastrou e, só no poder Executivo, já são 30 categorias paradas, segundo estimativa da Condsef (Confederação dos Trabalhadores do Serviço Público Federal).
No caso das universidades federais, os brasileiros não têm muito o que fazer a não ser esperar. São 59 instituições federais de ensino superior e 56 delas ainda estão paradas, segundo o sindicato da categoria.
Os servidores da Polícia Federal também estão de braços cruzados e alguns serviços, como a emissão de passaporte, já foram suspensos no Rio de Janeiro, por exemplo — outros Estados devem seguir a paralisação no serviço. Neste caso, o brasileiro nem deve sair de casa. Para evitar perder tempo, vale a pena ligar nas unidades locais para checar se o serviço está sendo prestado.
Na última quarta-feira (15), os servidores do INSS fizeram uma paralisação em parte do País, o que gerou cancelamentos de perícias e consultas médicas. O órgão já voltou a operar, mas o segurado pode ligar para o telefone 135 para saber se a unidade onde será atendido está funcionando normalmente.
Os policiais rodoviários federais também aderiram ao movimento grevista, que deve ganhar força na categoria a partir desta quinta-feira (23). Os servidores dizem que vão trabalhar normalmente, mas só vão atender acidentes de trânsito com vítimas e eventuais flagrantes.
Portanto, fica suspenso o combate a crimes como roubo de cargas, tráfico de drogas, contrabando, descaminho, sonegação de impostos, exploração sexual de crianças e adolescentes e crimes de trânsito. O brasileiro deve redobrar a atenção nas estradas.
Fontes: sindicatos e CSPB (Confederação dos Servidores Públicos do Brasil)
Correio Braziliense
DILMA CULPA GREVISTAS DE “SANGUE AZUL” POR IMPASSE
22/08
Governo aponta elite do funcionalismo, com salário acima de R$ 10 mil, como a principal responsável por radicalizar o movimento e travar as negociações
A presidente considera inconcebível que, no meio de uma crise mundial, esses servidores — os mais beneficiados por reajustes no governo Lula — se recusem a aceitar a atual proposta de correção de 15,8%, divididos em três anos. Integrantes de carreiras de Estado, esses funcionários teriam sido chamados por ela de “sangues azuis”. Entre eles, estão funcionários do Banco Central, da Receita, da Agência Brasileira de Inteligência e da Polícia Federal, que ontem fizeram uma fogueira em frente ao Palácio do Planalto.
Essas categorias pedem reajustes entre 35,53% e 151,27%. No governo, a avaliação é de que não há a menor possibilidade de Dilma atender ao pleito.
Para a presidente Dilma, elite do funcionalismo, com salário mensal superior a R$ 10 mil, é a principal responsável pelo impasse nas negociações com o Planejamento. Se o governo aceitar pedidos, muitos vão ganhar mais que o teto constitucional.
A presidente Dilma Rousseff não esconde a irritação com a forma com que os representantes das chamadas carreiras de Estado, que têm salário superiores a R$ 10 mil por mês, vêm conduzindo as negociações com o Ministério do Planejamento. Para ela, é inconcebível que justamente os funcionários federais que mais foram beneficiados pela política de reajustes do governo Lula se recusem a aceitar a proposta de correção de 15,8% divididos em três anos feita pela atual administração. Por essa resistência, eles têm sido chamados pela presidente de "sangues azuis" do funcionalismo.
Na avaliação do Palácio do Planalto, não há a menor possibilidade de Dilma atender aos pleitos da elite do funcionalismo. Por isso, a percepção dentro do governo é de que apenas as carreiras que ganham menos aceitarão o aumento de 15,8%. A primeira parcela, de pouco mais de 5%, estará prevista na proposta orçamentária de 2013, que será encaminhada até 31 de agosto. "Infelizmente, está prevalecendo a falta de bom senso entre os sangues azuis. Eles ainda não perceberam a gravidade da situação da economia mundial e do esforço que se está fazendo para reativar a economia brasileira e garantir os empregos do setor privado, os mais vulneráveis", disse um técnico da equipe econômica.
Ele ressaltou que, no Planalto, sempre é feita uma conta simples para confrontar os argumentos dos sangues azuis: com os 5% de aumento em 2013, os funcionários que ganham R$ 10 mil vão incorporar R$ 500 nos rendimentos. É quase um salário mínimo (R$ 622) pago a mais de 20 milhões de brasileiros. "Esses sangues azuis têm que entender que os tempos de reajustes expressivos acabaram. Vivemos em outra realidade. Não dá para comprometer o Orçamento da União com ganhos absurdos para uma pequena classe privilegiada e deixar a maioria à margem", disse o técnico.
Para um assessor do Ministério da Fazenda, "quanto maior for o reajuste para os servidores da elite, menor fica a margem do governo para defender a elevação do salário mínimo e beneficiar, sobretudo, aposentados e pensionistas que fazem milagres, todos os meses, com o piso salarial". O Palácio ressaltou que, entre os sangues azuis estão delegados e peritos da Polícia Federal e funcionários do Banco Central, da Receita Federal, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Eles pedem reajustes entre 35,53% a 151,27%, o que os levaria a ganhar, em vários casos, mais do que a presidente da República e o ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), cujos ganhos são limitados constitucionalmente — atualmente, o teto é de R$ 26,7 mil. "Na Abin, por exemplo, o salário chegaria a R$ 29 mil", assinalou o assessor da Fazenda.
Em conversas com interlocutores, a presidente tem expressado, ainda, a preocupação em ceder à elite do funcionalismo do Executivo, porque os aumentos se propagariam para o Legislativo e o Judiciário, que, na avaliação dela, já pagam salários altos demais. "O governo não está sendo intransigente com os servidores. Mesmo quem ganha muito terá reajuste de 15,8%. Por isso, é incompreensível que os sangues azuis criem um impasse tão grande para fechar um acordo com o Ministério do Planejamento", afirmou um assessor palaciano.
Ganho a militares
Quem conversou com a presidente Dilma Rousseff nos últimos dias garante que ela reservou uma parcela do Orçamento de 2013 para corrigir os ganhos dos militares. Só não está definido ainda se o aumento incidirá sobre os salários ou sobre as gratificações. Dilma deve bater o martelo até o fim da próxima semana. A presidente reconhece que os rendimentos dentro das Forças Armadas estão aquém do razoável, sobretudo quando comparado ao da elite dos servidores do Executivo.
Miriam esgotada
A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, está superesgotada com a pesada negociação com os servidores. Amigos próximos dizem que ela tem reclamado sistematicamente da intransigência do funcionalismo em aceitar a proposta de reajuste de 15,8% em três anos feita pelo governo. Para Miriam, o Palácio do Planalto fez mais do que o possível para encontrar espaço no Orçamento da União e reservar quase R$ 22 bilhões para engordar os contracheques da Esplanada.
Valor Econômico
Governo aposta em enfraquecimento da greve, mantém proposta e corta ponto
22/08
O governo federal manteve-se ontem irredutível nas negociações salariais com os servidores públicos. O Executivo insiste em conceder ao funcionalismo aumento de 15,8% em três anos, o que afastaria a administração Dilma Rousseff de duas armadilhas:
primeiro, a presidente reduziria os riscos de novas greves ocorrerem nos próximos anos, sobretudo às vésperas das eleições de 2014; em paralelo, o governo quer também evitar que o teto salarial do funcionalismo seja ultrapassado por algumas categorias, o que forçaria uma nova elevação do teto e um consequente efeito cascata com mais impactos nas contas públicas.
Coerente com essa estratégia, o Ministério do Planejamento decidiu cortar o ponto de 11,5 mil servidores por causa da greve parcial que eles mantêm, informou ontem a assessoria do ministério. A medida implica o não pagamento do salário referente ao período entre 15 de julho e 15 de agosto. O número não engloba os professores de universidades federais, já que eles são obrigados a repor os dias parados. "Eles são a categoria, de fato, parada nacionalmente", explicou a assessoria.
Caso o governo acolha todas as demandas apresentadas pelos sindicalistas, alertam autoridades do Executivo, algumas categorias passariam a receber mais que os R$ 26,7 mil do atual teto salarial do funcionalismo. Um desses casos é o dos servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Pelo menos por enquanto, a única exceção feita pelo governo foi aos professores das universidades federais. A proposta encaminhada ao magistério prevê aumentos de 25% a 40% no mesmo período.
O prazo para a conclusão das negociações é o dia 31, quando o Executivo enviará a proposta de lei orçamentária de 2013 para o Congresso. O governo trabalha com um cenário em que o movimento grevista perderá força nos próximos dias, abrindo espaço para um avanço nas tratativas com os servidores do Judiciário e militares. Enquanto isso, várias categorias protestam ou realizam paralisações.
A partir de hoje, por exemplo, os auditores-fiscais da Receita Federal param de trabalhar por 48 horas. A paralisação será somente nas zonas secundárias, já que as aduanas estão em operação-padrão desde meados de junho. Até agora, segundo o Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Sindifisco), a operação padrão da categoria já causou filas de cerca de 1,2 mil caminhões no posto de fronteira em Foz do Iguaçu. O mesmo número de veículos parados foi verificado nas cidades gaúchas de Uruguaiana e São Borja.
Paralisações também prejudicaram os trabalhos na Superintendência de Seguros Privados (Susep) e na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo o Sindicato dos Servidores na Susep (Sindsusep), só as atividades consideradas essenciais estão com um ritmo normal: atendimento ao público e a corretores de seguros, serviço de informação ao cidadão, pagamentos e a área de informática.
Já os fiscais agropecuários protestaram contra o governo no aeroporto de Brasília, e os servidores civis do Hospital das Forças Armadas (HFA) consideraram a proposta do governo "inaceitável". E os servidores do Judiciário realizaram um protesto na Esplanada dos Ministérios. Segundo a Polícia Militar, 1,2 mil pessoas estiveram na marcha.
Correio Braziliense
Eleição na UnB começa em clima de guerra
22/08
Grupo favorável à greve invade sede da AdUnB, onde estavam guardadas as cédulas e as urnas para a votação de hoje e amanhã, e tenta interferir na organização do pleito. Apesar das pressões, o resultado do 1º turno para a escolha do novo reitor será conhecido na sexta-feira.
As eleições para o novo reitor da Universidade de Brasília (UnB) têm início hoje com os ânimos exaltados. Professores e alunos ligados ao movimento grevista deixaram clara, nos últimos dias, a intenção de adiar e interferir no pleito. A tensão se intensificou após a invasão e a ocupação de quase quatro horas, durante a tarde, da sede da Associação dos Docentes da UnB (AdUnB). O local abrigava as 51 urnas e as cédulas que serão usadas na votação. Por causa disso, a Comissão Organizadora da Consulta (COC) retirou o material do local a fim de evitar violações. O novo reitor será conhecido na sexta-feira.
A ocupação da AdUnB ocorreu às 12h de ontem, durante entrevista concedida a dois órgãos de imprensa pela primeira-vice-presidente da entidade, Therese Hofmann. Uma coletiva havia sido programada para às 11h, mas acabou adiada para cinco horas mais tarde, assim que a direção da entidade descobriu uma possível tentativa de invasão por parte dos professores. Mesmo com a mudança, Therese aceitou conversar com duas equipes de reportagem presentes no local, entre elas o Correio. Durante a conversa com os jornalistas, cerca de 80 pessoas, entre docentes e alunos, invadiram a sala de reunião aos gritos de "Assembleia já", em alusão ao pedido entregue na última segunda-feira à direção da entidade para a convocação de uma nova reunião.
Após a invasão, integrantes do Comando Local de Greve (CLG) deram a versão do grupo sobre a não aceitação de uma assembleia para a próxima sexta-feira, conforme propôs a AdUnB. "A direção da entidade quer convocar uma reunião sem contemplar a pauta proposta pelo Comando. Não queremos votar a legitimidade da decisão da semana passada, mas, sim, pela continuidade ou não da greve", afirmou a porta-voz do CLG, professora Daniele Nunes.
Therese informou que, com o abaixo-assinado entregue às 19h da última segunda-feira, a direção da AdUnB é obrigada, segundo o regimento interno da própria entidade, a convocar um novo encontro em um prazo máximo de 48 horas, que termina hoje. "A realização, no entanto, só pode ocorrer 48 horas após a análise e a convocação da reunião (por isso, ficaria para a sexta-feira)", alegou a representante da AdUnB. A ocupação da sede da entidade terminou por volta das 16h.
Integrantes da Comissão Organizadora da Consulta (COC) retiram urnas e cédulas que serão usadas no pleito.
Integridade
Com a invasão e a ocupação por parte do CLG e do Comando Local de Greve Estudantil, o pleito para a escolha do reitor esteve ameaçado. A retirada do material das eleições, que estava em uma das salas da AdUnB, ocorreu sem alarde, por volta das 15h, por iniciativa dos membros da COC. O objetivo dos responsáveis da Comissão era não chamar a atenção de professores, estudantes e jornalistas que acompanhavam a manifestação. As urnas e as cédulas seguiram para a reitoria no porta-malas do carro de um professor.
A transferência de local foi acompanhada pelo Correio, que confirmou o lacre no material eleitoral. "Não houve violação das cédulas ou das urnas. Estamos retirando tudo para resguardar a integridade dos equipamentos cedidos pelo Tribunal Superior Eleitoral", explicou Paulo Celso dos Reis, membro do COC.
Para o professor de filosofia Rodrigo Dantas, integrante do CLG, a eleição para reitor não terá legitimidade. "Esta será uma eleição fantasma, pois a universidade se encontra vazia. Insistimos para que a votação fosse suspensa, mas, atendendo a interesses particulares, a AdUnB derrubou a proposta, o que demonstra claramente apoio a uma das chapas", alegou. O CLG promete, a partir das 9h, fazer uma lavagem das escadarias da AdUnB. O grupo deve se reunir às 18h na Faculdade de Educação para avaliar a decisão da entidade de convocar nova assembleia.
Por volta das 9h de ontem, cerca de 250 estudantes se reuniram no Teatro de Arena e decidiram pela continuidade da paralisação em apoio ao movimento dos professores. Os servidores técnicos administrativos votaram por indicativo de término da greve para a próxima segunda-feira. Eles devem entregar hoje documento com a aceitação da proposta do governo e decidir amanhã a data da volta ao trabalho.
O Globo
Funcionalismo promete radicalizar e governo começa a punir grevistas
22/08
Ativistas vão às ruas protestar e ministros anunciam corte de ponto. Itamaraty e Receita podem parar
BRASÍLIA A dez dias do fim do prazo para o envio da proposta orçamentária de 2013 ao Congresso, os servidores públicos federais foram ontem mais uma vez às ruas para pressionar o governo por reajustes. À noite, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que serão aplicadas sanções aos grevistas em casos de desrespeito à lei, referindo-se às greves da Polícia Federal (PF) e Polícia Rodoviária Federal (PRF). Já o Ministério do Planejamento anunciou o corte do ponto de 11.495 funcionários do Executivo. Segundo o ministério, a medida não atingiu os professores das universidades federais, que já fecharam acordo de reajuste salarial entre 25% e 40% até 2015.
- Da mesma forma que garantimos a liberdade de expressão, não podemos aceitar a ofensa a lei, ao interesse público e ao interesse do cidadão. Baixamos uma clara orientação para a direção da Polícia Federal e da Policia Rodoviária Federal. Em todos os casos que ocorrerem ilegalidade vamos abrir processo disciplinar e informar à Justiça - disse Cardozo.
Há dois dias parados em 12 estados, os agentes da PRF pretendem parar as atividades em todo o Brasil amanhã, a partir das 14h, se não houver acordo. Hoje, estão atendendo apenas casos urgentes, com vítimas, ou flagrantes.
Segundo Reni Rocha, vice-presidente do Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais do Distrito Federal (SinPRF-DF), embora a carreira exija ensino superior, os agentes recebem valor de nível médio. Ontem, trabalhadores do Hospital das Forças Armadas (HFA) recusaram a proposta de reajuste de 15,8%, parcelado em três anos. Os servidores do Itamaraty prometem parar hoje. Pedro Delarue, presidente do Sindifisco Nacional, disse que os auditores fiscais da Receita vão cruzar os braços hoje e amanhã.
O Ministério da Educação divulgou ontem balanço parcial referente às universidades federais que mostra que os servidores técnico-administrativos de 20 delas aceitaram a proposta de reajuste do governo, de 15,78% em três anos, e decidiram voltar ao trabalho. Em outras cinco, a categoria recusou e a paralisação continua.
Correio Braziliense
Pontos cortados
22/08
Não teve choro nem vela. O governo cortou, este mês, o ponto de 11.495 de servidores, de acordo com o Ministério do Planejamento. Os contracheques foram processados ontem e já não podem mais ser refeitos. Os trabalhadores das universidades, entre técnicos e professores, não estão incluídos nessa conta, já que têm autonomia. A presidente Dilma Rousseff está convicta de que agiu corretamente ao punir os grevistas, que vêm dificultando a prestação de serviços essenciais à população. O Palácio do Planalto acredita que a Justiça manterá a decisão, caso questionada pelos sindicatos.
Além disso, a menos de 10 dias do prazo final para fechar o Orçamento de 2013, o Executivo, mais uma vez, suspendeu as negociações com as lideranças sindicais. O argumento é a necessidade de que o secretário de Relações do Trabalho, Sérgio Mendonça — principal negociador do governo —, converse sobre os pleitos com a ministra da pasta, Miriam Belchior. Segundo um técnico do órgão, a pauta do encontro entre os dois ontem, que durou cerca de uma hora, foi a possibilidade de atender da melhor maneira possível as reivindicações das categorias.
No último dia 16, o governo ofereceu a todos os funcionários civis do Executivo reajuste de 15,8%, divididos em três anos. As categorias, entretanto, não se deram por satisfeitas e pedem aumento de, pelo menos, 22%. Segundo a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), que representa cerca de 80% dos servidores, desde março, quando começou a campanha salarial de 2012, já foram feitas mais de 180 reuniões entre o governo e sindicatos. Apenas a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes), no entanto, aceitou a proposta do Palácio do Planalto.
Na tarde de ontem, mais uma categoria rejeitou a proposta do Executivo. Os servidores do Hospital das Forças Armadas (HFA), em greve há 53 dias, afirmaram que a oferta é absurda e está aquém do que esperavam receber. "Nossa reinvindicação é de cerca de 30% de reajuste", afirmou o representante do HFA no Sindicato dos Servidores Públicos Federais (Sindsep), Humberto Oliveira.
O Globo
Servidor recebeu reajustes acima do avanço do PIB
22/08
Estudo mostra que, nos últimos nove anos, valor médio pago cresceu 33%, para R$ 7,2 mil
BRASÍLIA Em greve que já dura mais de três meses, os servidores públicos federais tiveram reajustes salariais não apenas acima da inflação, nos últimos nove anos, mas além do crescimento da economia. Levantamento feito pelo economista Raul Velloso, a pedido do GLOBO, mostra que, enquanto o valor médio pago ao pessoal ativo da União teve ganho real de 33,2%, passando de R$ 5,3 mil em 2002 para R$ 7,2 mil em 2011, o PIB per capita (a geração média de riquezas de cada brasileiro) cresceu 26,7% no mesmo período.
Para o especialista em finanças públicas, ao priorizar os gastos com o funcionalismo, o governo deixa de fazer investimentos indispensáveis para que a atividade econômica cresça sem pressionar os preços de bens e serviços. A seu ver, do ponto de vista das contas públicas, este não é o momento para conceder aumentos aos servidores.
- O mais grave é que esse dinheiro deixa de ser aplicado, por exemplo, em infraestrutura, que está em situação de terra arrasada. Hoje, menos de 3% do Orçamento são destinados a esses investimentos. E o governo tem dificuldade de transferir essas obrigações, muitas vezes pouco rentáveis, para a iniciativa privada - disse Velloso, que fez os cálculos das remunerações médias já corrigidas pela inflação.
Dados do Ministério do Planejamento mostram que, enquanto na gestão FH, a despesa com pessoal da União aumentou 109% - de R$ 35,86 bilhões para R$ 75,03 bilhões - no governo seguinte o salto foi de 144,2%: de R$ 75,03 bilhões para R$ 183,27 bilhões. Proporcionalmente, a elevação mais expressiva foi registrada na folha de pagamento dos servidores do Judiciário, de 189,7%. Para o Executivo, o índice foi de 136% e, para o Legislativo, de 128%.
Economista defende limite de gastos
O inchaço é reflexo dos aumentos salariais expressivos concedidos nos oito anos do governo Lula. Na gestão do ex-presidente, pelo menos 64 categorias foram beneficiadas com reajustes salariais que ultrapassaram 250%. Para o cargo de analista do Banco Central, de 2002 para cá, a remuneração inicial saltou de R$ 3.636,59 para R$ 12.960,77, um aumento de 256,3%. Em termos reais, o reajuste foi de 109,3%, considerando uma inflação acumulada de 70,3% no período. Para os técnicos, o aumento real foi de 147,6%.
Na avaliação do economista Felipe Salto, da Tendências Consultoria, com tantos pedidos na mesa, o controle efetivo da despesa de pessoal só será possível se for incluído na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) um limite para esses gastos.
Valor Econômico
Greve da Anvisa atrasa entrega de exames em hospitais e laboratórios
22/08
A paralisação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), iniciada em 16 de julho e que hoje tem adesão parcial dos servidores, está afetando os hospitais e os laboratórios de medicina diagnóstica. Os estoques de insumos médicos, quase todos importados, usados para o diagnóstico dos exames estão no limite. Com isso, já há laboratórios atrasando a entrega dos resultados e negando atendimento.
No laboratório paulista SalomãoZoppi, a maior parte dos materiais biológicos colhidos dos pacientes (sangue, por exemplo) está sendo congelada na expectativa de que os insumos cheguem nos próximos dias. Os resultados dos exames estão com atraso de até 15 dias.
"Vivemos um problema muito sério porque entre 60% e 80% das decisões médicas são baseadas nos exames laboratoriais. Há ainda os pacientes de doenças crônicas que demandam exames constantes para se medicar e aqueles que estão internados", reclamou Gianfranco Zampieri, diretor médico do SalomãoZoppi. Ele destaca que se os insumos não forem entregues esta semana há um grande risco de o laboratório interromper o atendimento de exames de análises clínicas.
Esse cenário se repete em todo o setor. "Os estoques da maioria dos laboratórios estão praticamente esgotados. A previsão é que, a partir desta semana, alguns fiquem totalmente desabastecidos, sem possibilidade de fazer os exames", disse Claudia Cohn, presidente da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed).
Alguns laboratórios conseguiram os insumos por meio de decisão judicial ou estão enviando os materiais biológicos de exames mais complexos e urgentes para serem realizados fora do país, segundo Carlos Gouveia, presidente da Câmara Brasileira do Diagnóstico Laboratorial (CBDL), entidade que representa cerca de 40 laboratórios e entrou na justiça.
Nos hospitais, a situação também é complicada. Levantamento feito pela Associação Nacional dos Hospitais Privados (Anahp), representante de 45 hospitais, a paralisação da Anvisa está impactando 75% desses estabelecimentos de saúde. "Há mais de 20 dias não recebemos insumos, materiais hospitalares e produtos farmacêuticos importados. Há um grande conjunto de produtos parados nos portos e aeroportos mesmo com o retorno parcial dos funcionários da Anvisa", afirmou Francisco Balestrin, presidente da Anahp.
Balestrin ressalta ainda que está preocupado com outros importantes embarques ainda parados em seus países de origem. "Mesmo se a greve terminar hoje, teremos falta de produtos em setembro ou outubro. Muitas encomendas paradas no exterior foram encaminhadas para clientes de outros países", disse. Os insumos médicos normalmente têm prazos de validade curtos e muitas vezes precisam ser conservados em baixíssimas temperaturas.
Segundo a Anvisa, 70% dos seus 1.622 funcionários retornaram ao trabalho no dia 13, após decisão da Advocacia Geral da União (AGU). A agência reguladora alega que a demora no desembarque de alguns materiais de saúde é reflexo da "operação padrão" da Receita Federal.
Correio Braziliense
ECT pode parar
22/08
Após assembleia realizada ontem no Rio de Janeiro, os funcionários dos Correios entraram em estado de greve. A partir de hoje, eles iniciam uma operação tartaruga, que fará com que cartas e encomendas demorem mais a chegarem ao destino. A categoria rejeitou a proposta de aumento feita pela direção da empresa, de 3%, que não cobre a inflação no período. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu o teto da meta do governo no ano passado, acumulando, de janeiro a dezembro, uma alta de 6,5%. Foi a maior elevação desde os 7,6% registrados em 2004.
Se a direção da ECT não apresentar oferta melhor nos próximos dias, a indicação do sindicato é de que seja iniciada greve na semana que vem. Os empregados reivindicam aumento real (acima da inflação) e incorporação de R$ 200 aos salários, reajuste do ticket refeição de R$ 25 para R$ 30 e da cesta básica de R$ 140 para R$ 200. Atualmente, um carteiro recebe cerca de R$ 800. A categoria exige ainda medidas de proteção aos profissionais contra os assaltos cada vez mais frequentes.
Na segunda-feira, integrantes da Comissão de Negociações da ECT e representantes dos Sindicatos Unificados de São Paulo, Bauru, Tocantins e Rio de Janeiro tiveram nova rodada de conversas. Os dirigentes da empresa solicitaram que os sindicalistas analisassem os custos e a viabilidade das reivindicações no atual cenário econômico do país. Os sindicatos solicitaram uma planilha da despesa consolidada dos Correios em 2011 e no último mês disponível. As informações serão analisadas pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e discutidas nas próximas reuniões.
Correio Braziliense
Fiscais aderem
22/08
Auditores fiscais da Receita Federal prometem paralisar as atividades hoje e amanhã em protesto contra as dificuldades que encontram nas conversas com o governo federal, anunciou a categoria em nota ontem. O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco) informou que cruzarão os braços os servidores do setor administrativo da Receita, enquanto nas aduanas de portos, aeroportos e zonas de fronteira eles permanecerão em operação padrão, intensificando a fiscalização — o objetivo não admitido disso é causar transtornos aos usuários.
O governo federal ofereceu reajuste salarial de 15,8% a ser pago em três anos para a categoria, e os auditores devem votar em assembleia marcada para quarta-feira se aceitam ou não a proposta. O presidente do Sindifisco, Pedro Delarue, disse que a oferta de reajuste é insuficiente. "A proposta de 5 por cento a cada ano, a partir de 2013 até 2015, faz com que se abra mão da inflação passada", afirmou em nota divulgada ontem. O Sindifisco anunciou também que haverá paralisação similar de 48 horas nos dias 28 e 29 de agosto. Servidores de várias categorias participaram de protesto ontem na portaria do Ministério do Planejamento.
Em ato simbólico no Aeroporto Internacional de Brasília, cerca de 35 fiscais agropecuários se amarraram para protestar por mudanças estruturais na carreira na manhã de ontem. O protesto começou às 9h30 e durou pouco mais de duas horas.
De acordo com o delegado do Sindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa), Fernado Fagundes, o movimento não aceitou a proposta do governo de reajuste de 15,8% por essa não ser a principal reivindicação da categoria.
"Pedimos a incorporação de adicionais ao salário, mais escolas de formação, promoção por meritocracia e concursos", explica.
Itamaraty volta a parar hoje
Os servidores do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) entraram em greve pela segunda vez em três meses a partir de hoje. A categoria, que inclui diplomatas, oficiais de chancelaria e assistentes de chancelaria, havia paralisado os trabalhos entre 18 de junho e 2 de julho. Segundo o Sindicato Nacional dos Servidores do Ministério das Relações Exteriores (Sinditamaraty), o ministério decidiu paralisar novamente os trabalhos depois de o governo federal não ter chamado os funcionários para as negociações realizadas entre 13 e 17 de agosto, período em que o Ministério do Planejamento reuniu-se com outras categorias. Não há jurisprudência que considere as atividades do Itamaraty essenciais para o público e, sem essa determinação, os servidores pretendem parar 100% o trabalho, sem manter o mínimo de 30% dos cargos em serviço.
O Globo
Fronteiras e rodovias desguarnecidas
22/08
Greve na PRF e ausência da PF afetam fiscalização de estradas e entradas do país, prejudicando população
RIO, SÃO PAULO E FOZ DO IGUAÇU (PR) Com a greve nacional dos agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a redução da fiscalização por parte da Polícia Federal (PF), fronteiras e rodovias ficaram ontem desguarnecidas, em mais um dia de transtornos para a população. No Rio, quase três horas após um acidente na BR-493 (Magé-Manilha), que deixou três feridos por volta das 9h30m de ontem, agentes da PRF chegaram ao local para liberar as pistas. Em Foz do Iguaçu, apenas dois agentes da PF fizeram a fiscalização do posto da aduana na Ponte da Amizade.
Sexta-feira é o prazo estabelecido pelo comando da greve para o fim da paralisação no Estado do Rio. Mas o presidente do Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais no estado, Marcelo Novaes, disse que, se não houver avanços na reunião de amanhã com o Ministério do Planejamento, os policiais rodoviários podem cruzar os braços por tempo indeterminado.
- A PRF atua com 400 homens em todo o Estado do Rio. O mínimo necessário são 1.200. Estamos muito abaixo do aceitável. Sabemos que os serviços serão prejudicados. Mas a greve foi o último ato que a categoria viu como necessário para sensibilizar o governo - afirmou Novaes.
Em protesto, chefes da PRF entregam cargos
Na manhã de ontem, em protesto contra baixos salários, 50 policiais rodoviários federais do Rio, em funções de chefia, entregaram seus cargos e insígnias num ato simbólico na Superintendência da PRF no Km 163 da Dutra, na altura de Vigário Geral, Zona Norte do Rio.
Ontem, O GLOBO percorreu postos da PRF na Região Metropolitana do Rio. A 4ª Delegacia da PRF (na Rio-Teresópolis) estava fechada. Pela manhã, só três carros da corporação monitoravam um trecho de 170km da via.
Com a paralisação, a fiscalização na Via Dutra, na divisa entre os estados do Rio e de São Paulo, também ficou desguarnecida. Uma faixa colocada pelo movimento grevista no posto desativado da PRF de Penedo, na Via Dutra, no km 311, em Itatiaia, informava que o posto estava fechado, logo, a passagem estava livre para tráfico de drogas e armas. Segundo Novaes, o local foi escolhido por ser recordista em apreensão de entorpecentes no Estado do Rio.
Os agentes também são responsáveis pela segurança dos
usuários nas rodovias federais. Mas, segundo o superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no Rio, Marcelo Cotrim, o Dnit não tem pessoal nem poder de polícia para substituir os agentes da Polícia Rodoviária Federal em caso de acidentes nos 550 quilômetros de rodovias federais do Rio administrados pelo órgão.
Na Ponte da Amizade, que liga o Brasil ao Paraguai, policiais federais de Foz do Iguaçu mantiveram ontem o relaxamento na fiscalização de veículos e pessoas. A ação, iniciada na segunda-feira, é uma resposta à decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de proibir as operações-padrão. Pela manhã, apenas dois agentes faziam o controle no posto da aduana na ponte.
EM SP, HOUVE APITAÇO EM CONGONHAS
Segundo a presidente do Sindicato dos Policiais Federais de Foz do Iguaçu, Bibiana Orsi, os agentes não abandonaram seus postos - como acusou o Ministério da Justiça -, e estão respeitando o mínimo de 30% dos serviços como determina a lei. Na delegacia local da PF, porém, diversos procedimentos estão parados.
- Os dois policiais que estão na ponte são o efetivo miserável, normal, que temos todos os dias nesta, que é a fronteira mais movimentada do país. Se alguém abandonou o papel de proteger as fronteiras e os postos de trabalho não foram os policiais, mas a própria Polícia - disse.
Em Brasília, enquanto assessores do Ministério do Planejamento reuniam-se com representantes dos servidores grevistas em busca de um acordo, cerca 1,5 mil trabalhadores do Judiciário fizeram uma marcha na Esplanada dos Ministérios para reivindicar aumentos de até 56%.
Já em São Paulo, policiais federais em greve fizeram um "apitaço" e distribuíram panfletos no aeroporto de Congonhas. Eles informavam aos passageiros sobre "o sucateamento da PF".
O Estado de S. Paulo
Greve faz Dilma trocar PF por militares na Copa
22/08
A presidente Dilma Rousseff decidiu privilegiar o papel das Forças Armadas no comando da segurança dos grandes eventos que vão ocorrer no Brasil a partir do ano que vem - Copa das Confederações, Copa do Mundo de Futebol e Olimpíada. A intervenção ocorreu depois que Dilma formou convicção de que na greve em curso os policiais federais agiram para atemorizar a sociedade em aeroportos, postos de fronteira e portos.
De acordo com assessores diretos, Dilma considera absurda a forma como os policiais federais têm agido na greve, levando a população a constrangimentos com revistas descabidas em malas e bolsas, além de exibição de armas em suas operações-padrão. A presidente teme ainda que o Brasil passe por vexames, como o que ocorreu na Rio+20, quando policiais federais tentaram fazer um protesto durante o evento.
O comando da Secretaria Extraordinária de Grandes Eventos, subordinada ao Ministério da Justiça e dirigida por um delegado da PF, Valdinho Jacinto Caetano, já começou a perder espaço para as Forças Armadas. Num primeiro movimento autorizado por Dilma, o Ministério da Defesa publicou ontem no Diário Oficial da União portaria que prevê o redistribuição de verbas de segurança em eventos e avança nas funções estratégicas da secretaria em favor dos comandos do Exército, Marinha e Aeronáutica.
Conforme a portaria, em contexto emergencial, o ministério fica autorizado a realizar o planejamento para emprego temporário das Forças Armadas para atuar nas áreas de defesa aeroespacial, controle de espaço aéreo, defesa de áreas marítima, fluvial e portuária, segurança e defesa cibernética, de preparo e emprego, de comando e controle e de defesa contra terrorismo. A medida vale para todas as cidades-sede da Copa e dos grandes eventos programados até 2016.
O Estado apurou que, num segundo momento, o Planalto planeja substituir o titular da secretaria por um representante do Ministério da Defesa. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, informou por meio da assessoria que não comentaria portaria de outra pasta.
Correio Braziliense
PF recusa os 15,8% e vai para o confronto
22/08
Policiais federais e funcionários do Judiciário protestam contra o que classificam de intransigência do Palácio do Planalto
Brasília - Manifestantes queimam cópias de acordos que não teriam sido cumpridos
São Paulo - No aeroporto de Congonhas, panfletagem em busca de apoio popular
Os policiais federais decidiram partir para o confronto total contra o governo. Impedidos pela Justiça de executarem as operações padrões que causaram transtornos à população e às empresas, ao tumultuarem aeroportos, portos e postos de fronteiras do país, e ameaçados do corte de pontos, eles se rebelaram contra o que chamam de descaso. O Ministério do Planejamento deveria recebê-los ontem para apresentar uma proposta efetiva de reajuste de salários, mas a conversa foi adiada para amanhã. Com isso, saíram às ruas em protesto, ocuparam áreas de embarques de aeroportos e impuseram barreiras nas divisas estratégicas do Brasil com os vizinhos. Lideraram uma onda de caos.
Os agentes estão convencidos de que o governo não dá o devido valor à categoria, considerada estratégica para o país, e de que está levando a Polícia Federal ao sucateamento. Para sustentar esse discurso, lideranças sindicais prometeram distribuir relatórios provando que o país carece de segurança para receber grandes eventos como a Copa do Mundo e a Olimpíada de 2016 e que medidas para reprimir o terrorismo não estão sendo tomadas, como o Plano de Segurança de Aviação Civil. Na região da tríplice fronteira (Brasil-Argentina-Paraguai), só existem quatro plantonistas. Os representantes da categoria afirmaram ainda que bastou uma ação menos incisiva ontem para que a Ponte da Amizade, que separa o país do Paraguai, se transformasse em um corredor livre para o tráfico de drogas.
"O Brasil será desmoralizado perante o mundo. O nosso documento colocará em xeque a segurança para receber a Copa do Mundo e a Olimpíada", disse o presidente do Sindicato dos Policiais Federais em Minas Gerais, Renato Deslandes. A indignação motivou os protestos por todo o Brasil, sendo as manifestações mais intensas observadas em Brasília, onde queimaram réplicas de promessas de acordos com o governo para a reestruturação da carreira, e nos aeroportos do Rio de Janeiro, de São Paulo (Congonhas), de Porto Alegre, de Salvador, de Minas Gerais, do Espírito Santo e do Rio Grande do Sul.
Serviços prejudicados
O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, destacou, porém, que os protestos da PF estão sob controle e que a liminar concedida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) proibindo a operação padrão foi suficiente para conter os grevistas que estavam comprometendo serviços essenciais aos cidadãos. Segundo ele, o governo não crê que seja preciso novas liminares nos próximos dias, mas não descartou a possibilidade de recorrer ao STJ. "Não vemos necessidade no momento de tomar nenhuma medida e tenho certeza que, se tivermos que agir, as providências serão adotadas", assegurou.
Na avaliação de Adams, a proposta do governo, de reajuste de 15,8% entre 2013 e 2105 para todos os servidores, atende às demandas. "É uma proposta que eu entendo como muito boa, porque dá uma estabilidade maior para o funcionalismo. Não vejo por que rejeitá-la, pois está além das expectativas inflacionária do país", disse. De acordo com ele, não aceitar o aumento proposto pelo Palácio do Planalto será pior para os grevistas, já que correções maiores são economicamente inviáveis. "Se não concordarem com a proposta, não terão aumento. É uma decisão que eles precisarão tomar", completou.
Os policiais estão em greve há duas semanas. Além do reajuste, a principal reivindicação é a reestruturação das carreiras de agentes, escrivães e papiloscopistas, que vem sendo negociada há mais de três anos. Como estão cientes da negativa da presidente Dilma Rousseff, foram ontem para a porta do Planalto, onde fizeram uma fogueira na qual queimaram o termo de compromisso firmado com o governo para reestruturação de cargos e salários, que deveria ter entrado em vigor em 31 de março do ano passado. "Não queremos dinheiro, muito menos esses 15,8% que estão sendo oferecidos.
Abrimos mão até da contratação de pessoal. Queremos que nosso plano de carreira saia do Planejamento e vá para a Casa Civil", destacou Leilane Ribeiro de Oliveira, presidente do Sindicato Nacional dos Servidores do Plano Especial de Cargos da PF.
Amanhã, às 11 horas, a categoria fará um protesto em frente ao Ministério do Planejamento. Pedirá que o secretário de Relações do Trabalho, Sérgio Mendonça, olhe pela janela. "Soltaremos 100 balões e diremos que cada um deles representa R$ 1 mil que está sendo gasto com o desvio de função", destacou Leilane.
JORNAL DE BRASÍLIA
Técnicos aceitam proposta
PONTO DO SERVIDOR