antigas Publicado: 11/07/2007 | 10:41

Cabral ameaça policiais em greve

Marcello Gazzaneo
Jornal do Brasil

Pouco mais de 24 horas de greve dos policiais civis foram suficientes para colocar em rota de colisão o governador do Rio, Sérgio Cabral, e a categoria. Ontem, enquanto Cabral dizia que não negociaria sob chantagem, às vésperas do início dos Jogos Pan-Americanos, o presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), Fernando Bandeira, garantia que os rumos do movimento só serão definidos na assembléia de hoje, às 9h, em frente à sede da Chefia de Polícia Civil, no Centro. A operação padrão que vem sendo feita pelos policiais deve continuar, mas uma greve não está descartada.

Ao deixar a cerimônia de abertura da Assembléia Geral da Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa), o governador, visivelmente irritado, considerou o movimento grevista, a dois dias do Pan, oportunista. Endureceu o discurso, garantindo que não haverá negociação durante a competição. E já ordenou o corte do ponto caso a greve continue.

Não há negociação enquanto houver Pan-Americano. Não negocio sob chantagem - desabafou, ao lado do ministro dos Esportes, Orlando Silva, e do prefeito do Rio, Cesar Maia. - Realmente não há momento mais fora de propósito do que este. Um momento em que a cidade recebe milhares de convidados nacionais e internacionais.

Do lado grevista, o discurso também não foi em tom suave. Fernando Bandeira argumentou que a deflagração da paralisação de 48 horas, na tarde de segunda-feira, e a possibilidade de greve às vésperas dos Jogos foi uma coincidência forçada pelo próprio governo estadual. De acordo com o presidente do Sinpol, desde março os policiais estão esperando uma resposta do Executivo.

Quem fez chantagem com a gente foi o governo. Não queremos greve durante o Pan nem somos oportunistas - disse o dirigente. - Mas a decisão vai ser da categoria.

Os policiais pedem a reposição das perdas com o fim do pagamento da Gratificação Especial de Atividade (Geat), o que significaria um aumento de 50% a 70% nos salários da categoria - hoje está em R$ 1.600 em média. Na segunda-feira, o governador Sérgio Cabral prometeu esforços para dar o aumento ainda este ano. Ontem, possivelmente diante da adesão de mais de 70% dos policiais à paralisação, decidiu pôr fim às negociações até o fim dos Jogos.

Além de o governador mudar o tom do discurso, assessores da área de segurança articularam um enfraquecimento do movimento. À noite, a categoria participaria de uma reunião com os secretários de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, e de Planejamento e Gestão, Sérgio Rui Barbosa, mas apenas dois representantes puderam ir ao encontro. Segundo Bandeira, seis entidades de classe dos policiais ficaram de fora da reunião.

Na reunião, os policiais esperavam receber uma resposta efetiva do governo sobre as reivindicações da categoria. O encontro, no entanto, serviu apenas para amenizar os efeitos da paralisação e rechaçar uma greve durante o Pan, conforme contou um agente, impedido de participar da reunião com os secretários. Ao saber que apenas dois policiais participariam da reunião, Fernando Bandeira protestou diante de Beltrame.

Querem apagar o movimento - resumiu um policial.

Sem dinheiro em caixa, o governo acena com a proposta de reestudar a programação orçamentária para encontrar saldo, o que possbilitaria a concessão do aumento para os policiais civis. A previsão é de que só no fim de julho a Secretaria de Planejamento e Gestão terá uma resposta sobre folgas no orçamento.

Marcello Gazzaneo
Jornal do Brasil

Pouco mais de 24 horas de greve dos policiais civis foram suficientes para colocar em rota de colisão o governador do Rio, Sérgio Cabral, e a categoria. Ontem, enquanto Cabral dizia que não negociaria sob chantagem, às vésperas do início dos Jogos Pan-Americanos, o presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), Fernando Bandeira, garantia que os rumos do movimento só serão definidos na assembléia de hoje, às 9h, em frente à sede da Chefia de Polícia Civil, no Centro. A operação padrão que vem sendo feita pelos policiais deve continuar, mas uma greve não está descartada.

Ao deixar a cerimônia de abertura da Assembléia Geral da Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa), o governador, visivelmente irritado, considerou o movimento grevista, a dois dias do Pan, oportunista. Endureceu o discurso, garantindo que não haverá negociação durante a competição. E já ordenou o corte do ponto caso a greve continue.

Não há negociação enquanto houver Pan-Americano. Não negocio sob chantagem - desabafou, ao lado do ministro dos Esportes, Orlando Silva, e do prefeito do Rio, Cesar Maia. - Realmente não há momento mais fora de propósito do que este. Um momento em que a cidade recebe milhares de convidados nacionais e internacionais.

Do lado grevista, o discurso também não foi em tom suave. Fernando Bandeira argumentou que a deflagração da paralisação de 48 horas, na tarde de segunda-feira, e a possibilidade de greve às vésperas dos Jogos foi uma coincidência forçada pelo próprio governo estadual. De acordo com o presidente do Sinpol, desde março os policiais estão esperando uma resposta do Executivo.

Quem fez chantagem com a gente foi o governo. Não queremos greve durante o Pan nem somos oportunistas - disse o dirigente. - Mas a decisão vai ser da categoria.

Os policiais pedem a reposição das perdas com o fim do pagamento da Gratificação Especial de Atividade (Geat), o que significaria um aumento de 50% a 70% nos salários da categoria - hoje está em R$ 1.600 em média. Na segunda-feira, o governador Sérgio Cabral prometeu esforços para dar o aumento ainda este ano. Ontem, possivelmente diante da adesão de mais de 70% dos policiais à paralisação, decidiu pôr fim às negociações até o fim dos Jogos.

Além de o governador mudar o tom do discurso, assessores da área de segurança articularam um enfraquecimento do movimento. À noite, a categoria participaria de uma reunião com os secretários de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, e de Planejamento e Gestão, Sérgio Rui Barbosa, mas apenas dois representantes puderam ir ao encontro. Segundo Bandeira, seis entidades de classe dos policiais ficaram de fora da reunião.

Na reunião, os policiais esperavam receber uma resposta efetiva do governo sobre as reivindicações da categoria. O encontro, no entanto, serviu apenas para amenizar os efeitos da paralisação e rechaçar uma greve durante o Pan, conforme contou um agente, impedido de participar da reunião com os secretários. Ao saber que apenas dois policiais participariam da reunião, Fernando Bandeira protestou diante de Beltrame.

Querem apagar o movimento - resumiu um policial.

Sem dinheiro em caixa, o governo acena com a proposta de reestudar a programação orçamentária para encontrar saldo, o que possbilitaria a concessão do aumento para os policiais civis. A previsão é de que só no fim de julho a Secretaria de Planejamento e Gestão terá uma resposta sobre folgas no orçamento.