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Publicado: 11/07/2007 | 10:43
A reforma política que o povo deseja
Tales Faria
Jornal do Brasil
Jornal do Brasil
Quando a votação da reforma política na Câmara dos Deputados ainda era vista como uma possibilidade concreta, lá pelos idos de maio, o Serviço de Pesquisa de Opinião Pública do Senado Federal (DataSenado) realizou um levantamento telefônico sobre o assunto com 1.094 entrevistados das 27 capitais do país. Resultou numa pesquisa com margem de erro de três pontos percentuais para cima e para baixo dos índices auferidos.
Ficou claro que a população deseja, sim, mudanças no sistema político e eleitoral, apesar de a Câmara não estar conseguindo votá-las. Mas essas mudanças seriam um pouco diferentes do que se imaginava.
Por exemplo: na questão do financiamento público de campanha. Mesmo tendo sido exaustivamente anunciado na imprensa que a origem de boa parte dos escândalos da área política tem a ver com o caixa 2 das campanhas eleitorais, a população não parece estar convencida de que o fim do financiamento privado vá solucionar o problema. Dos entrevistados, 49% defenderam o financiamento mais que privado - exclusivamente privado! - de campanhas, enquanto 31% ficaram com o financiamento público exclusivo e 13% preferiram um sistema misto. Não souberam ou não quiseram responder 7%.
Outra surpresa: apesar do plebiscito de 1993, 56% dos entrevistados acham que é o momento de se rediscutir o sistema de governo - parlamentarismo ou presidencialismo - muito embora não tenham deixado claro se apóiam um sistema ou outro.
Ficou clara, no entanto, uma franca maioria pelo fim do voto obrigatório: 61%. E também pelo fim do calendário eleitoral de votações a cada dois anos. Dos entrevistados, 63% propõem que as eleições municipais, estaduais e federais sejam unificadas para ocorrerem de uma só vez a cada quatro anos.
Outro ponto interessante: 42% das pessoas ouvidas defenderam a manutenção do direito à reeleição para presidente, governadores e prefeitos de grandes cidades. Os que são favoráveis a acabar com a reeleição dividiram-se em três grupos: 30% favoráveis a manter os mandatos em quatro anos, 15% querem que o mandato aumente para cinco anos e 11%, para seis anos.
E, finalmente, mas não menos importante, um ponto ganhou de goleada: 72% dos entrevistados não agüentam mais os senadores suplentes. Defendem a criação de algum mecanismo de eleição dos suplentes. Para acabar de vez com essa classe de políticos-sem-votos que se apossaram do plenário e dos gabinetes do Senado Federal.
Governo fraco
O fato de a Câmara não ter conseguido votar a reforma política, apesar das pressões do comando nacional do PT, está sendo apontado como um marco no esgarçamento da chamada base parlamentar de apoio ao governo no Congresso. A ala governista anda desarticulando-se. Ontem à noite, o Palácio Planalto foi derrotado por 214 votos a 212, quando mandou seus deputados votarem contra uma emenda à medida provisória do crédito agrícola equiparando os inadimplentes de maior risco aos devedores de menor risco.
Cabral não satisfaz
Por falar em pesquisa, não vai bem o governador Sérgio Cabral dentro de seu próprio partido. O PMDB encomendou ao Ibope uma pequisa realizada com 602 entrevistados na cidade do Rio de Janeiro, entre 21 e 24 de junho. Revelou que 42% das pessoas ouvidas acham que a segurança pública piorou. Quem ficou feliz da vida foi o ex-secretário de Segurança, o também peemedebista Marcelo Itagiba, que é pré-candidato à prefeitura do Rio.
Bocas e boquinhas
A Secretaria de Portos, já entregue ao PSB do ministro Pedro Brito, nasceu com 116 cargos comissionados, os chamados DAS. E a Secretaria de Ações a Longo Prazo, de Mangabeira Unger, terá 110. Para o partido a que nominalmente Unger pertence, o PRB, esses 110 DAS são mais importantes do que a própria secretaria, basicamente restrita ao Ipea. Cada carguinho desses é um salário garantido para os militantes da legenda.
Entre amigos
O presidente Lula convidou ontem o presidente do Senado, Renan Calheiros, para juntos almoçarem hoje, antes da votação da LDO em sessão do Congresso. Lula vai tentar convencer pessoalmente Renan a não comandar a sessão, para evitar a obstrução dos partidos de oposição na Câmara e facilitar o recesso oficial do Congresso.
Inimigos
Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS), dois dos três relatores do processo contra Renan Calheiros no Conselho de Ética, fizeram ontem uma reunião com peritos da Polícia Federal. Impediram o chefe da consultoria do Senado, Bruno Dantas, de participar, desconfiados de que ele poderia servir como espião de Renan.
Inimigos 2
O clima está ficando cada dia mais pesado entre Renan Calheiros e a Polícia Federal. Aliados do presidente do Senado informaram-no de que a PF está orientando passo a passo os dois relatores chamados "de oposição" sobre a melhor forma de fechar o cerco contra ele.
Para calar oposição
Acossado por deputados do DEM e do PSDB que querem mudanças na proposta de emenda que prorroga a CPMF, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) tem uma resposta pronta. Ou melhor, uma pergunta: "Tudo bem, mas como cobrir os R$ 32 bilhões que já estão incorporados ao Orçamento da União, até por antecipação?". No Congresso, quando se fala em Orçamento, pensa-se logo nas emendas dos parlamentares.
Tales Faria
Jornal do Brasil
Jornal do Brasil
Quando a votação da reforma política na Câmara dos Deputados ainda era vista como uma possibilidade concreta, lá pelos idos de maio, o Serviço de Pesquisa de Opinião Pública do Senado Federal (DataSenado) realizou um levantamento telefônico sobre o assunto com 1.094 entrevistados das 27 capitais do país. Resultou numa pesquisa com margem de erro de três pontos percentuais para cima e para baixo dos índices auferidos.
Ficou claro que a população deseja, sim, mudanças no sistema político e eleitoral, apesar de a Câmara não estar conseguindo votá-las. Mas essas mudanças seriam um pouco diferentes do que se imaginava.
Por exemplo: na questão do financiamento público de campanha. Mesmo tendo sido exaustivamente anunciado na imprensa que a origem de boa parte dos escândalos da área política tem a ver com o caixa 2 das campanhas eleitorais, a população não parece estar convencida de que o fim do financiamento privado vá solucionar o problema. Dos entrevistados, 49% defenderam o financiamento mais que privado - exclusivamente privado! - de campanhas, enquanto 31% ficaram com o financiamento público exclusivo e 13% preferiram um sistema misto. Não souberam ou não quiseram responder 7%.
Outra surpresa: apesar do plebiscito de 1993, 56% dos entrevistados acham que é o momento de se rediscutir o sistema de governo - parlamentarismo ou presidencialismo - muito embora não tenham deixado claro se apóiam um sistema ou outro.
Ficou clara, no entanto, uma franca maioria pelo fim do voto obrigatório: 61%. E também pelo fim do calendário eleitoral de votações a cada dois anos. Dos entrevistados, 63% propõem que as eleições municipais, estaduais e federais sejam unificadas para ocorrerem de uma só vez a cada quatro anos.
Outro ponto interessante: 42% das pessoas ouvidas defenderam a manutenção do direito à reeleição para presidente, governadores e prefeitos de grandes cidades. Os que são favoráveis a acabar com a reeleição dividiram-se em três grupos: 30% favoráveis a manter os mandatos em quatro anos, 15% querem que o mandato aumente para cinco anos e 11%, para seis anos.
E, finalmente, mas não menos importante, um ponto ganhou de goleada: 72% dos entrevistados não agüentam mais os senadores suplentes. Defendem a criação de algum mecanismo de eleição dos suplentes. Para acabar de vez com essa classe de políticos-sem-votos que se apossaram do plenário e dos gabinetes do Senado Federal.
Governo fraco
O fato de a Câmara não ter conseguido votar a reforma política, apesar das pressões do comando nacional do PT, está sendo apontado como um marco no esgarçamento da chamada base parlamentar de apoio ao governo no Congresso. A ala governista anda desarticulando-se. Ontem à noite, o Palácio Planalto foi derrotado por 214 votos a 212, quando mandou seus deputados votarem contra uma emenda à medida provisória do crédito agrícola equiparando os inadimplentes de maior risco aos devedores de menor risco.
Cabral não satisfaz
Por falar em pesquisa, não vai bem o governador Sérgio Cabral dentro de seu próprio partido. O PMDB encomendou ao Ibope uma pequisa realizada com 602 entrevistados na cidade do Rio de Janeiro, entre 21 e 24 de junho. Revelou que 42% das pessoas ouvidas acham que a segurança pública piorou. Quem ficou feliz da vida foi o ex-secretário de Segurança, o também peemedebista Marcelo Itagiba, que é pré-candidato à prefeitura do Rio.
Bocas e boquinhas
A Secretaria de Portos, já entregue ao PSB do ministro Pedro Brito, nasceu com 116 cargos comissionados, os chamados DAS. E a Secretaria de Ações a Longo Prazo, de Mangabeira Unger, terá 110. Para o partido a que nominalmente Unger pertence, o PRB, esses 110 DAS são mais importantes do que a própria secretaria, basicamente restrita ao Ipea. Cada carguinho desses é um salário garantido para os militantes da legenda.
Entre amigos
O presidente Lula convidou ontem o presidente do Senado, Renan Calheiros, para juntos almoçarem hoje, antes da votação da LDO em sessão do Congresso. Lula vai tentar convencer pessoalmente Renan a não comandar a sessão, para evitar a obstrução dos partidos de oposição na Câmara e facilitar o recesso oficial do Congresso.
Inimigos
Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS), dois dos três relatores do processo contra Renan Calheiros no Conselho de Ética, fizeram ontem uma reunião com peritos da Polícia Federal. Impediram o chefe da consultoria do Senado, Bruno Dantas, de participar, desconfiados de que ele poderia servir como espião de Renan.
Inimigos 2
O clima está ficando cada dia mais pesado entre Renan Calheiros e a Polícia Federal. Aliados do presidente do Senado informaram-no de que a PF está orientando passo a passo os dois relatores chamados "de oposição" sobre a melhor forma de fechar o cerco contra ele.
Para calar oposição
Acossado por deputados do DEM e do PSDB que querem mudanças na proposta de emenda que prorroga a CPMF, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) tem uma resposta pronta. Ou melhor, uma pergunta: "Tudo bem, mas como cobrir os R$ 32 bilhões que já estão incorporados ao Orçamento da União, até por antecipação?". No Congresso, quando se fala em Orçamento, pensa-se logo nas emendas dos parlamentares.