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Publicado: 13/07/2007 | 09:48
Crise reabre disputa no PMDB
Gustavo Krieger
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Enfraquecimento de Renan dá novo impulso à briga das bancadas no Senado e na Câmara por prestígio com Lula. Atuação de Michel Temer como mensageiro do governo no caso da LDO criou mal-estar
Os problemas políticos do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) deram novo impulso a uma velha briga, que opõe as bancadas do PMDB na Câmara e no Senado. É uma disputa nos bastidores, que tem como pano de fundo a corrida pela atenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a conquista de cargos no segundo escalão do governo e em empresas estatais. Ninguém admite em público, mas os choques aumentaram de tom nos últimos dias.
Renan divide com o colega José Sarney (AP) a condição de líder informal dos peemedebistas do Senado. Seu enfraquecimento diminui o peso político do grupo. Ao mesmo tempo, a bancada da Câmara vem ganhando pontos com o Palácio do Planalto. Depois de muito tempo, os deputados do partido uniram-se nas votações a favor do governo.
Na quarta-feira, pela primeira vez, Renan sentiu-se traído pelo Palácio do Planalto. O ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, e o líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE), chamaram o deputado Michel Temer (PMDB-SP) para servir de portador de uma mensagem incômoda. Queriam convencer Renan a não presidir a sessão do Congresso que votaria a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A oposição ameaçava boicotar a votação se ele aparecesse.
O senador não queria ir, mas não gostou do envolvimento de Temer. Presidente nacional do PMDB, ele é o principal adversário de Renan na disputa pelo comando do partido. Em público, juram amizade, mas as relações são frias. Até agora, o PMDB nacional não se manifestou oficialmente em defesa do presidente do Senado.
Para piorar, Renan teve de deixar seu gabinete na Presidência do Senado e ir até a sala de Temer para ouvir a má notícia. O ritual foi especialmente irritante. Horas mais tarde, o presidente Lula encontrou o senador em um almoço no Itamaraty e tentou remediar o mal-estar. Convidou-o para uma reunião no Palácio do Planalto. Renan foi, mas levou o aliado Sarney. Na conversa reservada que tiveram com o presidente, alertaram-no contra o PMDB da Câmara. Disseram que enquanto os senadores dão apoio político desde o primeiro mandato de Lula, os deputados estão usando a tática da chantagem. Lembraram que a bancada do PMDB do Rio de Janeiro ameaça retirar do governo parte da arrecadação da CPMF se não for assinada a nomeação do ex-prefeito Luiz Paulo Conde para a presidência de Furnas Centrais Elétricas (leia mais na página 5).
Acordo
O envolvimento do ministro Walfrido e de José Múcio na conversa com Temer acendeu outra desconfiança entre os senadores do PMDB. Os dois são do PTB, partido que se esforça para salvar o mandato de Gim Argello (DF), que nem assumiu e já corre o risco de cassação. Há poucos dias, o PTB governista propôs um acordo a Renan. Se ele garantisse o arquivamento do processo contra Gim na Mesa do Senado, poderia contar com os votos do partido para sua absolvição quando fosse julgado em plenário. O presidente do Senado recusou, avaliando que o desgaste seria grande demais e apostando em contar com o apoio da maioria dos senadores petebistas de qualquer forma.
Aliados de Renan acreditam que o sinal de prestígio a Temer pode ter sido uma forma de o PTB ameaçar com uma mudança de aliados. O ministro Walfrido dos Mares Guia nega que sequer tenha tocado no caso Renan durante a conversa com Temer. Mas os senadores ficaram preocupados.
entenda o caso
A situação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), começou a ficar complicada no dia 25 de maio, quando foi acusado em reportagem da revista Veja de ter parte de suas despesas pessoais pagas por Cláudio Gontijo, da construtora Mendes Júnior. Os R$ 12 mil mensais eram usados para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso com quem tem uma filha de três anos fora do casamento. Por causa da denúncia, o PSol entrou com representação contra Renan no Conselho de Ética do Senado por quebra de decoro parlamentar.
Em defesa, o senador tentou provar que tinha recursos próprios e não precisava do dinheiro da empreiteira. Renan alegou que tinha rendimentos com origem em atividades agropecuárias. Segundo ele, a venda de gado teria resultado em um ganho de R$ 1,9 milhão nos últimos quatro anos. No entanto, os documentos apresentados pelo senador para provar o negócio continham irregularidades. Existem suspeitas de que o negócio teria sido feito com empresas já fechadas. As notas apresentadas seriam “frias” e “laranjas” teriam sido usados na transação.
Perícias técnicas realizadas pela Polícia Federal nos documentos apresentados por Renan apontaram falhas nos papéis. O laudo, não conclusivo, reforça suspeitas de que algumas notas teriam sido produzidas em cima da hora apenas para servir à defesa do senador, além de apontar divergências entre as Guias de Trânsito Animal (GTA) emitidas no estado de Alagoas e as notas fiscais de venda.
Na semana passada, a Veja publicou mais uma reportagem que complicou a situação do presidente do Senado. Desta vez, por conta da descoberta da operação que possibilitou à sua família vender uma fábrica de tubaína em Murici (AL) por R$ 27 milhões para a Schincariol, embora a empresa estivesse com problemas financeiros e não valesse mais do que R$ 10 milhões.
Sobre a negociação, a revista afirmou que Renan teria atuado em favor da Schincariol no INSS, para impedir que a dívida de R$ 100 milhões da cervejaria fosse executada, e na Receita Federal, contra a multa por sonegação de impostos. O PSol tentou, sem sucesso, que as novas denúncias que envolvem a Schincariol fossem incorporadas ao processo contra Renan.
Gustavo Krieger
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Enfraquecimento de Renan dá novo impulso à briga das bancadas no Senado e na Câmara por prestígio com Lula. Atuação de Michel Temer como mensageiro do governo no caso da LDO criou mal-estar
Os problemas políticos do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) deram novo impulso a uma velha briga, que opõe as bancadas do PMDB na Câmara e no Senado. É uma disputa nos bastidores, que tem como pano de fundo a corrida pela atenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a conquista de cargos no segundo escalão do governo e em empresas estatais. Ninguém admite em público, mas os choques aumentaram de tom nos últimos dias.
Renan divide com o colega José Sarney (AP) a condição de líder informal dos peemedebistas do Senado. Seu enfraquecimento diminui o peso político do grupo. Ao mesmo tempo, a bancada da Câmara vem ganhando pontos com o Palácio do Planalto. Depois de muito tempo, os deputados do partido uniram-se nas votações a favor do governo.
Na quarta-feira, pela primeira vez, Renan sentiu-se traído pelo Palácio do Planalto. O ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, e o líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE), chamaram o deputado Michel Temer (PMDB-SP) para servir de portador de uma mensagem incômoda. Queriam convencer Renan a não presidir a sessão do Congresso que votaria a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A oposição ameaçava boicotar a votação se ele aparecesse.
O senador não queria ir, mas não gostou do envolvimento de Temer. Presidente nacional do PMDB, ele é o principal adversário de Renan na disputa pelo comando do partido. Em público, juram amizade, mas as relações são frias. Até agora, o PMDB nacional não se manifestou oficialmente em defesa do presidente do Senado.
Para piorar, Renan teve de deixar seu gabinete na Presidência do Senado e ir até a sala de Temer para ouvir a má notícia. O ritual foi especialmente irritante. Horas mais tarde, o presidente Lula encontrou o senador em um almoço no Itamaraty e tentou remediar o mal-estar. Convidou-o para uma reunião no Palácio do Planalto. Renan foi, mas levou o aliado Sarney. Na conversa reservada que tiveram com o presidente, alertaram-no contra o PMDB da Câmara. Disseram que enquanto os senadores dão apoio político desde o primeiro mandato de Lula, os deputados estão usando a tática da chantagem. Lembraram que a bancada do PMDB do Rio de Janeiro ameaça retirar do governo parte da arrecadação da CPMF se não for assinada a nomeação do ex-prefeito Luiz Paulo Conde para a presidência de Furnas Centrais Elétricas (leia mais na página 5).
Acordo
O envolvimento do ministro Walfrido e de José Múcio na conversa com Temer acendeu outra desconfiança entre os senadores do PMDB. Os dois são do PTB, partido que se esforça para salvar o mandato de Gim Argello (DF), que nem assumiu e já corre o risco de cassação. Há poucos dias, o PTB governista propôs um acordo a Renan. Se ele garantisse o arquivamento do processo contra Gim na Mesa do Senado, poderia contar com os votos do partido para sua absolvição quando fosse julgado em plenário. O presidente do Senado recusou, avaliando que o desgaste seria grande demais e apostando em contar com o apoio da maioria dos senadores petebistas de qualquer forma.
Aliados de Renan acreditam que o sinal de prestígio a Temer pode ter sido uma forma de o PTB ameaçar com uma mudança de aliados. O ministro Walfrido dos Mares Guia nega que sequer tenha tocado no caso Renan durante a conversa com Temer. Mas os senadores ficaram preocupados.
entenda o caso
A situação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), começou a ficar complicada no dia 25 de maio, quando foi acusado em reportagem da revista Veja de ter parte de suas despesas pessoais pagas por Cláudio Gontijo, da construtora Mendes Júnior. Os R$ 12 mil mensais eram usados para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso com quem tem uma filha de três anos fora do casamento. Por causa da denúncia, o PSol entrou com representação contra Renan no Conselho de Ética do Senado por quebra de decoro parlamentar.
Em defesa, o senador tentou provar que tinha recursos próprios e não precisava do dinheiro da empreiteira. Renan alegou que tinha rendimentos com origem em atividades agropecuárias. Segundo ele, a venda de gado teria resultado em um ganho de R$ 1,9 milhão nos últimos quatro anos. No entanto, os documentos apresentados pelo senador para provar o negócio continham irregularidades. Existem suspeitas de que o negócio teria sido feito com empresas já fechadas. As notas apresentadas seriam “frias” e “laranjas” teriam sido usados na transação.
Perícias técnicas realizadas pela Polícia Federal nos documentos apresentados por Renan apontaram falhas nos papéis. O laudo, não conclusivo, reforça suspeitas de que algumas notas teriam sido produzidas em cima da hora apenas para servir à defesa do senador, além de apontar divergências entre as Guias de Trânsito Animal (GTA) emitidas no estado de Alagoas e as notas fiscais de venda.
Na semana passada, a Veja publicou mais uma reportagem que complicou a situação do presidente do Senado. Desta vez, por conta da descoberta da operação que possibilitou à sua família vender uma fábrica de tubaína em Murici (AL) por R$ 27 milhões para a Schincariol, embora a empresa estivesse com problemas financeiros e não valesse mais do que R$ 10 milhões.
Sobre a negociação, a revista afirmou que Renan teria atuado em favor da Schincariol no INSS, para impedir que a dívida de R$ 100 milhões da cervejaria fosse executada, e na Receita Federal, contra a multa por sonegação de impostos. O PSol tentou, sem sucesso, que as novas denúncias que envolvem a Schincariol fossem incorporadas ao processo contra Renan.