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Publicado: 16/07/2007 | 08:47
Correntes do PT se articulam para eleição interna
Sandro Lima
Correio Braziliense
Correio Braziliense
PARTIDOS
O PT definirá nos próximos meses seu futuro político, e conseqüentemente, que rumo seguirá na eleições de 2010. O partido deseja ter candidato à Presidência da República, mas ainda não definiu o nome para disputar a sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva. A escolha passa pela nova correlação de forças do partido, que será definida no 3º Congresso Nacional do PT, no final de agosto, e no Processo de Eleições Diretas (PED).
As três principais alas do PT já têm os candidatos praticamente definidos. O Campo Majoritário, principal corrente do partido, pretende reeleger o atual presidente da legenda, Ricardo Berzoini, para um novo mandato. A Democracia Socialista, tendência mais à esquerda, cogita lançar o ex-ministro Olívio Dutra. O Movimento PT, de centro, ensaia a candidatura do deputado Geraldo Magela (PT-DF). Estes três candidatos devem disputar o comando do partido.
Pela apuração parcial dos congressos municipais, o Campo Majoritário, que perdeu a maioria em 2005 e passou a se chamar “Construindo um novo Brasil”, chegará revigorado ao 3º Congresso Nacional, reconquistando o espaço perdido e ganhando influência para definir a data do PED. Com exceção do Rio Grande do Sul, o Campo Majoritário elegeu o maior número de delegados nos principais colégios eleitorais (veja quadro). A apuração está em andamento em vários estados, mas a partir dos dados preliminares, o Campo Majoritário estima eleger 55% do total dos delegados.
Há três opções em discussão no partido: escolher nova direção ainda este ano, manter a data marcada em 2008 ou transferir o pleito para 2009, ampliando o mandato de Berzoini. A disputa em torno da data do PED, durante o 3º Congresso Nacional do PT, funcionará como uma prévia da sucessão petista. O Campo Majoritário defende o adiamento para 2009. Integrantes das outras correntes do partido querem a antecipação da disputa. Como chegará em maioria no Congresso, o Campo Majoritário tem grandes chances de escolher a data que mais lhe convém.
Sucessão
O novo presidente do PT será peça chave na sucessão de Lula. Caso Ricardo Berzoini, eleito para um mandato até setembro de 2008, confirme o favoritismo, ele presidirá o partido durante o processo de escolha do candidato petista à presidência da República. Neste caso, crescem as chances do candidato petista sair das fileiras do Campo Majoritário. A ministra do Turismo, Marta Suplicy, é, no momento, o nome mais cotado para receber o apoio da corrente.
O presidente Lula já avisou que deseja apoiar um candidato da coalizão governista, e que tal candidato não precisa ser necessariamente do PT. Dentro dos partidos da base há opções como o deputado Ciro Gomes (PSB-CE). Outra hipótese discutida no governo é a filiação do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), ao PMDB para ser o candidato da coalizão. Em qualquer destas opções, o PT teria que contentar-se com o cargo de vice ou então lançar candidato próprio à revelia do presidente. Há também a possibilidade em que Lula tenha dois ou até três candidatos.
Em todos estes cenários, Lula terá que negociar com o novo presidente do PT. Embora o partido tenha perdido espaço no governo no segundo mandato e as relações com o presidente estarem um pouco estremecidas, Lula continua dando as cartas no partido.
A escolha do candidato petista ao Planalto passa pelo aval presidencial. Se a economia estiver crescendo em ritmo forte, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) for concluído, os programas sociais continuarem em ampliação e o risco de apagão for superado, será difícil para o PT opor-se à escolha do presidente Lula.
Alianças
Caso o candidato do Campo Majoritário não consiga maioria no PED e tenha que disputar o segundo turno, as outras correntes planejam unir-se para tentar derrotá-lo. Ao contrário do 3º Congresso Nacional, no qual somente os delegados votam, no PED todos os filiados ao partido podem votar. Mesmo derrotados no Congresso, as correntes que se opõem ao Campo Majoritário apostam que podem reverter a desvantagem reforçando a campanha nas bases do partido. Se a Democracia Socialista ou o Movimento PT conseguirem vencer, aumentam as chances de o partido lançar um candidato alternativo, como, por exemplo, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Os candidatos das três correntes em disputa têm bom relacionamento com Lula, mas dois deles — Ricardo Berzoini e Olívio Dutra — já tiveram problemas com o presidente. Berzoini foi obrigado por Lula a licenciar-se do comando da campanha presidencial petista em setembro do ano passado, em pleno processo eleitoral. Um grupo de petistas foi acusado de envolvimento na compra de um dossiê contra o então candidato ao governo de São Paulo José Serra (PSDB). Já Olívio Dutra foi obrigado por Lula a deixar o cargo de ministro das Cidades para abrir vaga para o PP.
DIVISÃO DE FORÇAS
O número aproximado de delegados das correntes petistas nas principais unidades da federação:
SÃO PAULO
Campo Majoritário 600
PT de Luta e de Massas 300
Outras correntes 600
PARANÁ
Campo Majoritário 250
Democracia Socialista 30
Movimento PT 30
DISTRITO FEDERAL
Campo Majoritário 50
Outras correntes 31
PARÁ
Campo Majoritário 90
Democracia Socialista 35
Movimento PT 15
MINAS GERAIS
Campo Majoritário 230
Outras correntes 120
PERNAMBUCO
Campo Majoritário 110
Democracia Socialista 90
RIO GRANDE DO SUL
Democracia Socialista 120
Unidade na Luta 120
Movimento PT 80
Outros 80
Democracia Socialista 120
Unidade na Luta 120
Movimento PT 80
Outros 80
Sandro Lima
Correio Braziliense
Correio Braziliense
PARTIDOS
O PT definirá nos próximos meses seu futuro político, e conseqüentemente, que rumo seguirá na eleições de 2010. O partido deseja ter candidato à Presidência da República, mas ainda não definiu o nome para disputar a sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva. A escolha passa pela nova correlação de forças do partido, que será definida no 3º Congresso Nacional do PT, no final de agosto, e no Processo de Eleições Diretas (PED).
As três principais alas do PT já têm os candidatos praticamente definidos. O Campo Majoritário, principal corrente do partido, pretende reeleger o atual presidente da legenda, Ricardo Berzoini, para um novo mandato. A Democracia Socialista, tendência mais à esquerda, cogita lançar o ex-ministro Olívio Dutra. O Movimento PT, de centro, ensaia a candidatura do deputado Geraldo Magela (PT-DF). Estes três candidatos devem disputar o comando do partido.
Pela apuração parcial dos congressos municipais, o Campo Majoritário, que perdeu a maioria em 2005 e passou a se chamar “Construindo um novo Brasil”, chegará revigorado ao 3º Congresso Nacional, reconquistando o espaço perdido e ganhando influência para definir a data do PED. Com exceção do Rio Grande do Sul, o Campo Majoritário elegeu o maior número de delegados nos principais colégios eleitorais (veja quadro). A apuração está em andamento em vários estados, mas a partir dos dados preliminares, o Campo Majoritário estima eleger 55% do total dos delegados.
Há três opções em discussão no partido: escolher nova direção ainda este ano, manter a data marcada em 2008 ou transferir o pleito para 2009, ampliando o mandato de Berzoini. A disputa em torno da data do PED, durante o 3º Congresso Nacional do PT, funcionará como uma prévia da sucessão petista. O Campo Majoritário defende o adiamento para 2009. Integrantes das outras correntes do partido querem a antecipação da disputa. Como chegará em maioria no Congresso, o Campo Majoritário tem grandes chances de escolher a data que mais lhe convém.
Sucessão
O novo presidente do PT será peça chave na sucessão de Lula. Caso Ricardo Berzoini, eleito para um mandato até setembro de 2008, confirme o favoritismo, ele presidirá o partido durante o processo de escolha do candidato petista à presidência da República. Neste caso, crescem as chances do candidato petista sair das fileiras do Campo Majoritário. A ministra do Turismo, Marta Suplicy, é, no momento, o nome mais cotado para receber o apoio da corrente.
O presidente Lula já avisou que deseja apoiar um candidato da coalizão governista, e que tal candidato não precisa ser necessariamente do PT. Dentro dos partidos da base há opções como o deputado Ciro Gomes (PSB-CE). Outra hipótese discutida no governo é a filiação do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), ao PMDB para ser o candidato da coalizão. Em qualquer destas opções, o PT teria que contentar-se com o cargo de vice ou então lançar candidato próprio à revelia do presidente. Há também a possibilidade em que Lula tenha dois ou até três candidatos.
Em todos estes cenários, Lula terá que negociar com o novo presidente do PT. Embora o partido tenha perdido espaço no governo no segundo mandato e as relações com o presidente estarem um pouco estremecidas, Lula continua dando as cartas no partido.
A escolha do candidato petista ao Planalto passa pelo aval presidencial. Se a economia estiver crescendo em ritmo forte, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) for concluído, os programas sociais continuarem em ampliação e o risco de apagão for superado, será difícil para o PT opor-se à escolha do presidente Lula.
Alianças
Caso o candidato do Campo Majoritário não consiga maioria no PED e tenha que disputar o segundo turno, as outras correntes planejam unir-se para tentar derrotá-lo. Ao contrário do 3º Congresso Nacional, no qual somente os delegados votam, no PED todos os filiados ao partido podem votar. Mesmo derrotados no Congresso, as correntes que se opõem ao Campo Majoritário apostam que podem reverter a desvantagem reforçando a campanha nas bases do partido. Se a Democracia Socialista ou o Movimento PT conseguirem vencer, aumentam as chances de o partido lançar um candidato alternativo, como, por exemplo, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Os candidatos das três correntes em disputa têm bom relacionamento com Lula, mas dois deles — Ricardo Berzoini e Olívio Dutra — já tiveram problemas com o presidente. Berzoini foi obrigado por Lula a licenciar-se do comando da campanha presidencial petista em setembro do ano passado, em pleno processo eleitoral. Um grupo de petistas foi acusado de envolvimento na compra de um dossiê contra o então candidato ao governo de São Paulo José Serra (PSDB). Já Olívio Dutra foi obrigado por Lula a deixar o cargo de ministro das Cidades para abrir vaga para o PP.
DIVISÃO DE FORÇAS
O número aproximado de delegados das correntes petistas nas principais unidades da federação:
SÃO PAULO
Campo Majoritário 600
PT de Luta e de Massas 300
Outras correntes 600
PARANÁ
Campo Majoritário 250
Democracia Socialista 30
Movimento PT 30
DISTRITO FEDERAL
Campo Majoritário 50
Outras correntes 31
PARÁ
Campo Majoritário 90
Democracia Socialista 35
Movimento PT 15
MINAS GERAIS
Campo Majoritário 230
Outras correntes 120
PERNAMBUCO
Campo Majoritário 110
Democracia Socialista 90
RIO GRANDE DO SUL
Democracia Socialista 120
Unidade na Luta 120
Movimento PT 80
Outros 80
Democracia Socialista 120
Unidade na Luta 120
Movimento PT 80
Outros 80