Eis os generais da marcha para 2010
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Publicado: 12/11/2007 | 08:50
Todos Lulistas, mas com discursos opostos
Gustavo Krieger
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Os quatro mais fortes candidatos a presidente do PT revelam ao Correio planos para vencer a disputa no próximo dia 2. E apontam a fórmula para tentar emplacar o sucessor de Lula no Palácio do Planalto
Não é muito fácil entender a eleição interna do PT. São nove chapas na disputa pelo Diretório Nacional e sete candidatos à presidência. Destes, quatro aparecem com chances de vencer. Mas a confusão vai muito além dos números. Passa pelo discurso de cada um. Para começar, todos se declaram lulistas de carteirinha. Juram ser a melhor opção para fazer o partido apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao mesmo tempo, prometem fazer com que o partido se imponha ao governo e conquiste mais espaço na Esplanada dos Ministérios e mais respeito do Palácio do Planalto. O Correio entrevistou os quatro candidatos mais fortes ao comando do PT, para investigar semelhanças e diferenças.
O nome a ser batido é o do atual presidente, Ricardo Berzoini. Ele é o candidato da chapa “Construindo um novo Brasil”. É a nova marca do antigo “Campo Majoritário”, a corrente liderada pelo ex-ministro José Dirceu. Berzoini foi eleito em 2005 em um apertado segundo turno, com 51% dos votos. Sua corrente estava enfraquecida pelos efeitos políticos da crise do mensalão que envolveu integrantes como Dirceu, Delúbio Soares, Silvio Pereira e José Genoino. Na presidência do PT enfrentou sua própria crise, com a prisão de petistas que tentavam comprar um dossiê contra tucanos na campanha eleitoral. Enfraquecido, quase teve de renunciar. Meses depois, disputa a reeleição.
Berzoini aposta na força de sua chapa, que fez mais de 40% dos votos no último Congresso Nacional do PT, há poucas semanas. O antigo Campo Majoritário é a tendência mais forte na máquina do partido. Também é a mais entranhada no governo Lula. É certo que o atual presidente estará no segundo turno. Ele faz um esforço para vencer no primeiro e estima estar perto disso. Teria algo entre 45% e 51% dos votos. Se houver segundo turno, espera que as divergências entre os outros candidatos impeçam a criação de uma frente contra ele.
Militantes
Os outros nomes brigam para ser o segundo colocado. O deputado Jilmar Tatto (SP) pode ser a surpresa desta eleição. Conseguiu unir três correntes internas do partido em sua chapa. Somadas, teriam cerca de 25% da legenda. No PT, os militantes organizados das tendências podem fazer a diferença nas eleições internas. Afinal, o voto é voluntário. Em 2005 votaram 314 mil petistas, entre mais de 800 mil filiados.
O deputado José Eduardo Cardozo aposta em atrair os petistas que estão afastados. Ele é o candidato da “Mensagem ao Partido”, grupo que combina algumas correntes internas a governadores e alguns ministros. Mas não é o nome mais forte nem dentro do governo nem na máquina partidária. Pensando nisso, faz uma campanha “para fora”, pela mídia. Espera atingir os petistas descontentes. Embora sua chapa esteja cheia de ministros, condena a submissão do partido ao governo. Baseia sua campanha em um discurso ético e acusa a atual direção de montar “currais eleitorais” dentro do PT.
Valter Pomar, candidato das correntes de esquerda do partido, também aposta em chegar ao segundo turno. Terceiro colocado nas eleições de 2005, ele perdeu parte de seus apoiadores, mas espera capitalizar o sentimento de oposição de segmentos do partido à atual direção.
Os três adversários de Berzoini vivem uma situação peculiar no primeiro turno. Precisam se diferenciar, em busca de um lugar no segundo turno. Mas não podem atacar um ao outro, porque precisam de aliados na fase decisiva. As entrevistas mostram que o atual presidente do PT foi escolhido como alvo preferencial. No dia 2 de dezembro, quando os petistas votarem no primeiro turno, se saberá quem levou a melhor.
800 mil É o número de filiados do Partido dos Trabalhadores aptos a votar nas eleições internas
314 mil Foi o número de filiados que votaram nas eleições passadas
3,8% É o crescimento de filiados do PT nos últimos quatro anos
Ricardo Berzoini
Nada de ansiedade
Ricardo Berzoini quase não foi candidato à reeleição no comando do PT. O Palácio do Planalto tentou emplacar o assessor especial de Lula, Marco Aurélio Garcia, mas ele foi vetado pelo PT de São Paulo. Berzoini continuou na disputa e com ares de favorito.
Todas as chapas que disputam o comando do PT colocaram em seus programas a defesa de candidatura própria à sucessão de Lula. Essa é uma necessidade do PT?
Faz parte da afirmação política de um partido que elegeu o presidente, cinco governadores e a maior bancada na Câmara dos Deputados. Um partido assim não tem por que não ter candidatura própria. Por outro lado, temos de ter muita sensibilidade para a reação dos demais partidos da base do governo. Sabemos que o PT em sua história sempre teve candidato. É claro que esse candidato era o Lula e isso não vai acontecer em 2010. Mas o nosso plano é a candidatura própria.
O senhor é o candidato da chapa “Construindo um Novo Brasil”, a mais próxima do presidente Lula. Sua vitória não o ajudaria a impor ao PT uma candidatura única da coalizão de governo?
A história mostra o contrário. Basta lembrar da eleição para a Presidência da Câmara. O candidato do presidente era Aldo Rebelo (PCdoB). Analisando a conjuntura e as necessidades do PT, decidimos lançar o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), que venceu. Se fosse para termos qualquer tipo de subordinação mecânica ao pensamento momentâneo do presidente, aquele momento seria mais propício, até porque Lula acabara de ser reeleito. Acredito que Lula, mais próximo da eleição, terá uma opinião semelhante à que temos hoje, de que o PT não tem motivo para não ter candidato.
A mais recente pesquisa do instituto Sensus mostrou os candidatos tucanos na liderança da disputa pela sucessão de Lula.
O PT não está perdendo tempo para construir um candidato?
Não. Neste momento é cedo para discutir nomes. Podemos chegar a 2009 com meia dúzia de nomes para discutir. Em política, muita água passa debaixo da ponte em três anos. Não há razão para precipitação. Vamos trabalhar com calma, sem ansiedade.
Se em 2009 nenhum desses candidatos decolar, o PT não tentará um terceiro mandato para Lula?
O presidente não quer e o PT firmou posição de lidar com as regras que estão aí. E se fosse para mudar, a tendência do PT seria acabar com a reeleição.
O PT tem uma relação equilibrada com o governo ou é submisso?
A relação sempre pode ser aperfeiçoada. O PT, pela importância que tem, busca seus espaços. Mas reconhece que o governo Lula é profundamente identificado com o PT. Vários ministros são petistas de carteirinha e de coração.
A eleição anterior foi marcada pela discussão ética gerada pela crise do mensalão. O senhor acha que isso acontecerá novamente ou o PT já superou o assunto?
Nos debates que fizemos até agora a gente percebe que esse assunto tem importância, mas não é central. Para nós é importante qualificar o processo ético dentro do PT. Sem transformar em ponto de exploração política, mas sem minimizar o assunto.
O senhor é apontado como o candidato do ex-ministro José Dirceu. Qual é a influência de Dirceu no PT e em sua campanha?
O Zé é um militante importante. Todos reconhecem seu papel na construção do PT, mas hoje ele está afastado. Não tem participado sistematicamente. Ele merece a nossa consideração, mas existe exagero em relação a seu papel. Nesses dois anos em que presidi o PT ele não me procurou nenhuma vez para discutir linha política.
O Zé é um militante importante. Todos reconhecem seu papel na construção do PT, mas hoje ele está afastado. Não tem participado sistematicamente. Ele merece a nossa consideração, mas existe exagero em relação a seu papel. Nesses dois anos em que presidi o PT ele não me procurou nenhuma vez para discutir linha política.
Gustavo Krieger
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Os quatro mais fortes candidatos a presidente do PT revelam ao Correio planos para vencer a disputa no próximo dia 2. E apontam a fórmula para tentar emplacar o sucessor de Lula no Palácio do Planalto
Não é muito fácil entender a eleição interna do PT. São nove chapas na disputa pelo Diretório Nacional e sete candidatos à presidência. Destes, quatro aparecem com chances de vencer. Mas a confusão vai muito além dos números. Passa pelo discurso de cada um. Para começar, todos se declaram lulistas de carteirinha. Juram ser a melhor opção para fazer o partido apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao mesmo tempo, prometem fazer com que o partido se imponha ao governo e conquiste mais espaço na Esplanada dos Ministérios e mais respeito do Palácio do Planalto. O Correio entrevistou os quatro candidatos mais fortes ao comando do PT, para investigar semelhanças e diferenças.
O nome a ser batido é o do atual presidente, Ricardo Berzoini. Ele é o candidato da chapa “Construindo um novo Brasil”. É a nova marca do antigo “Campo Majoritário”, a corrente liderada pelo ex-ministro José Dirceu. Berzoini foi eleito em 2005 em um apertado segundo turno, com 51% dos votos. Sua corrente estava enfraquecida pelos efeitos políticos da crise do mensalão que envolveu integrantes como Dirceu, Delúbio Soares, Silvio Pereira e José Genoino. Na presidência do PT enfrentou sua própria crise, com a prisão de petistas que tentavam comprar um dossiê contra tucanos na campanha eleitoral. Enfraquecido, quase teve de renunciar. Meses depois, disputa a reeleição.
Berzoini aposta na força de sua chapa, que fez mais de 40% dos votos no último Congresso Nacional do PT, há poucas semanas. O antigo Campo Majoritário é a tendência mais forte na máquina do partido. Também é a mais entranhada no governo Lula. É certo que o atual presidente estará no segundo turno. Ele faz um esforço para vencer no primeiro e estima estar perto disso. Teria algo entre 45% e 51% dos votos. Se houver segundo turno, espera que as divergências entre os outros candidatos impeçam a criação de uma frente contra ele.
Militantes
Os outros nomes brigam para ser o segundo colocado. O deputado Jilmar Tatto (SP) pode ser a surpresa desta eleição. Conseguiu unir três correntes internas do partido em sua chapa. Somadas, teriam cerca de 25% da legenda. No PT, os militantes organizados das tendências podem fazer a diferença nas eleições internas. Afinal, o voto é voluntário. Em 2005 votaram 314 mil petistas, entre mais de 800 mil filiados.
O deputado José Eduardo Cardozo aposta em atrair os petistas que estão afastados. Ele é o candidato da “Mensagem ao Partido”, grupo que combina algumas correntes internas a governadores e alguns ministros. Mas não é o nome mais forte nem dentro do governo nem na máquina partidária. Pensando nisso, faz uma campanha “para fora”, pela mídia. Espera atingir os petistas descontentes. Embora sua chapa esteja cheia de ministros, condena a submissão do partido ao governo. Baseia sua campanha em um discurso ético e acusa a atual direção de montar “currais eleitorais” dentro do PT.
Valter Pomar, candidato das correntes de esquerda do partido, também aposta em chegar ao segundo turno. Terceiro colocado nas eleições de 2005, ele perdeu parte de seus apoiadores, mas espera capitalizar o sentimento de oposição de segmentos do partido à atual direção.
Os três adversários de Berzoini vivem uma situação peculiar no primeiro turno. Precisam se diferenciar, em busca de um lugar no segundo turno. Mas não podem atacar um ao outro, porque precisam de aliados na fase decisiva. As entrevistas mostram que o atual presidente do PT foi escolhido como alvo preferencial. No dia 2 de dezembro, quando os petistas votarem no primeiro turno, se saberá quem levou a melhor.
800 mil É o número de filiados do Partido dos Trabalhadores aptos a votar nas eleições internas
314 mil Foi o número de filiados que votaram nas eleições passadas
3,8% É o crescimento de filiados do PT nos últimos quatro anos
Ricardo Berzoini
Nada de ansiedade
Ricardo Berzoini quase não foi candidato à reeleição no comando do PT. O Palácio do Planalto tentou emplacar o assessor especial de Lula, Marco Aurélio Garcia, mas ele foi vetado pelo PT de São Paulo. Berzoini continuou na disputa e com ares de favorito.
Todas as chapas que disputam o comando do PT colocaram em seus programas a defesa de candidatura própria à sucessão de Lula. Essa é uma necessidade do PT?
Faz parte da afirmação política de um partido que elegeu o presidente, cinco governadores e a maior bancada na Câmara dos Deputados. Um partido assim não tem por que não ter candidatura própria. Por outro lado, temos de ter muita sensibilidade para a reação dos demais partidos da base do governo. Sabemos que o PT em sua história sempre teve candidato. É claro que esse candidato era o Lula e isso não vai acontecer em 2010. Mas o nosso plano é a candidatura própria.
O senhor é o candidato da chapa “Construindo um Novo Brasil”, a mais próxima do presidente Lula. Sua vitória não o ajudaria a impor ao PT uma candidatura única da coalizão de governo?
A história mostra o contrário. Basta lembrar da eleição para a Presidência da Câmara. O candidato do presidente era Aldo Rebelo (PCdoB). Analisando a conjuntura e as necessidades do PT, decidimos lançar o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), que venceu. Se fosse para termos qualquer tipo de subordinação mecânica ao pensamento momentâneo do presidente, aquele momento seria mais propício, até porque Lula acabara de ser reeleito. Acredito que Lula, mais próximo da eleição, terá uma opinião semelhante à que temos hoje, de que o PT não tem motivo para não ter candidato.
A mais recente pesquisa do instituto Sensus mostrou os candidatos tucanos na liderança da disputa pela sucessão de Lula.
O PT não está perdendo tempo para construir um candidato?
Não. Neste momento é cedo para discutir nomes. Podemos chegar a 2009 com meia dúzia de nomes para discutir. Em política, muita água passa debaixo da ponte em três anos. Não há razão para precipitação. Vamos trabalhar com calma, sem ansiedade.
Se em 2009 nenhum desses candidatos decolar, o PT não tentará um terceiro mandato para Lula?
O presidente não quer e o PT firmou posição de lidar com as regras que estão aí. E se fosse para mudar, a tendência do PT seria acabar com a reeleição.
O PT tem uma relação equilibrada com o governo ou é submisso?
A relação sempre pode ser aperfeiçoada. O PT, pela importância que tem, busca seus espaços. Mas reconhece que o governo Lula é profundamente identificado com o PT. Vários ministros são petistas de carteirinha e de coração.
A eleição anterior foi marcada pela discussão ética gerada pela crise do mensalão. O senhor acha que isso acontecerá novamente ou o PT já superou o assunto?
Nos debates que fizemos até agora a gente percebe que esse assunto tem importância, mas não é central. Para nós é importante qualificar o processo ético dentro do PT. Sem transformar em ponto de exploração política, mas sem minimizar o assunto.
O senhor é apontado como o candidato do ex-ministro José Dirceu. Qual é a influência de Dirceu no PT e em sua campanha?
O Zé é um militante importante. Todos reconhecem seu papel na construção do PT, mas hoje ele está afastado. Não tem participado sistematicamente. Ele merece a nossa consideração, mas existe exagero em relação a seu papel. Nesses dois anos em que presidi o PT ele não me procurou nenhuma vez para discutir linha política.
O Zé é um militante importante. Todos reconhecem seu papel na construção do PT, mas hoje ele está afastado. Não tem participado sistematicamente. Ele merece a nossa consideração, mas existe exagero em relação a seu papel. Nesses dois anos em que presidi o PT ele não me procurou nenhuma vez para discutir linha política.