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Publicado: 16/07/2007 | 09:25
As novas forças nada ocultas
Artigo - Rubem Azevedo Lima
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Petista algum ignora que o presidente Lula pensa em suceder a si mesmo, em 2010, hipótese essa compatível com suas declarações sobre a sucessão, nas quais sempre diz que não abrirá mão do direito de escolher e eleger o sucessor.
Ninguém sabe como Lula viabilizará tal projeto, mas, se o fizer, terá de elaborá-lo até meados de 2008, a tempo de resolver, no caso, pendências judiciais. Com a popularidade em alta e a economia nos trilhos, ser-lhe-á fácil atrair adesões, o que outros candidatos do PT não conseguiriam.
Dilma Rousseff, Marta Suplicy ou Mercadante, nomes julgados mais fortes no partido, após o de Lula, mesmo com participação e apoio presidencial na campanha, teriam pouco a exibir de seus feitos, para derrotarem os dos governadores Serra ou Aécio, nas eleições.
O problema de Lula é dar-se o direito a uma segunda reeleição, hoje legalmente impossível. Se não o conseguir, persistindo a falta de nome viável no PT, o meio legal de Lula “continuar” presidente será deixar o cargo, temporariamente, e lançar a mulher, Marisa, à sua sucessão. Sem licenciar-se, Kirchner lançou a sua, Cristina, que deve eleger-se na Argentina, de Evita e Isabelita. Hillary, mulher de Clinton, concorre à presidência dos EUA, cuja lei, aliás, dispensa artifícios.
O modelito político de Marisa, mais simples do que o daquelas duas, por isso mesmo talvez dê ao casal Silva outra década no poder.A praxe de lançar a mulher para substituir o marido na política é bem brasileira. Na ditadura militar, os eleitores consagraram duas mulheres, Ligia Doutel de Andrade (SC) e Nísia Carone (MG), cujos maridos, deputados federais, tinham sido cassados.
Em 1933, em vez do marido exilado, uma dona-de-casa, mãe de onze filhos, um era este repórter, concorreu, avulsa, à Constituinte de 1934. Foi das mais votadas no Rio, mas não atingiu o coeficiente partidário, pois muitos votos seus foram contados para a chapa oficial. Não há mais isso. Assim, em tese, se o povo quiser, Marisa pode eleger-se. Mas atenção: o Banco Mundial diz que “o Brasil, hoje, está sob seqüestro das elites e interesses privados”. Há, pois, novas forças a guiarem as multidões.
Artigo - Rubem Azevedo Lima
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Petista algum ignora que o presidente Lula pensa em suceder a si mesmo, em 2010, hipótese essa compatível com suas declarações sobre a sucessão, nas quais sempre diz que não abrirá mão do direito de escolher e eleger o sucessor.
Ninguém sabe como Lula viabilizará tal projeto, mas, se o fizer, terá de elaborá-lo até meados de 2008, a tempo de resolver, no caso, pendências judiciais. Com a popularidade em alta e a economia nos trilhos, ser-lhe-á fácil atrair adesões, o que outros candidatos do PT não conseguiriam.
Dilma Rousseff, Marta Suplicy ou Mercadante, nomes julgados mais fortes no partido, após o de Lula, mesmo com participação e apoio presidencial na campanha, teriam pouco a exibir de seus feitos, para derrotarem os dos governadores Serra ou Aécio, nas eleições.
O problema de Lula é dar-se o direito a uma segunda reeleição, hoje legalmente impossível. Se não o conseguir, persistindo a falta de nome viável no PT, o meio legal de Lula “continuar” presidente será deixar o cargo, temporariamente, e lançar a mulher, Marisa, à sua sucessão. Sem licenciar-se, Kirchner lançou a sua, Cristina, que deve eleger-se na Argentina, de Evita e Isabelita. Hillary, mulher de Clinton, concorre à presidência dos EUA, cuja lei, aliás, dispensa artifícios.
O modelito político de Marisa, mais simples do que o daquelas duas, por isso mesmo talvez dê ao casal Silva outra década no poder.A praxe de lançar a mulher para substituir o marido na política é bem brasileira. Na ditadura militar, os eleitores consagraram duas mulheres, Ligia Doutel de Andrade (SC) e Nísia Carone (MG), cujos maridos, deputados federais, tinham sido cassados.
Em 1933, em vez do marido exilado, uma dona-de-casa, mãe de onze filhos, um era este repórter, concorreu, avulsa, à Constituinte de 1934. Foi das mais votadas no Rio, mas não atingiu o coeficiente partidário, pois muitos votos seus foram contados para a chapa oficial. Não há mais isso. Assim, em tese, se o povo quiser, Marisa pode eleger-se. Mas atenção: o Banco Mundial diz que “o Brasil, hoje, está sob seqüestro das elites e interesses privados”. Há, pois, novas forças a guiarem as multidões.