antigas Publicado: 25/07/2007 | 10:11

Governo começa a ratear cargos

Daniel Pereira
Correio Braziliense

Palácio termina mapeamento de 500 postos no segundo escalão que serão divididos entre os partidos da base aliada nos estados. Preenchimento das vagas será usado para garantir votos no Congresso

O governo já tem pronto o mapa dos cargos de segundo escalão nos estados que serão rateados entre os partidos que apóiam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. São cerca de 500 postos. Foram relacionados depois de uma série de reuniões. A última delas, realizada ontem, contou com a participação do secretário-geral da Presidência da República, Luiz Dulci, e os ministros de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, e do Planejamento, Paulo Bernardo.

Como desde o início do ano, o governo promete nomear os aliados nos estados o mais rápido possível. Quer amansar a base, que ameaça amarrar a votação da proposta de emenda constitucional que prorroga a CPMF enquanto as vagas de segundo escalão não são preenchidas. O direito de cobrar o tributo, que rendeu R$ 32 bilhões no ano passado, expira em dezembro.

Pelos cálculos de assessores do presidente, não haverá troca em pelo menos metade dos 500 postos mapeados, mas só confirmação dos ocupantes indicados pelos aliados. Em caso de substituição, o governo tentará conciliar capacidade técnica e traquejo político. A cantilena é antiga. Resta saber se será cumprida.

Cobiça
Entre os alvos da cobiça dos partidos, destacam-se os comandos regionais do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT). O PR considera-se detentor de tais postos, já que o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, é filiado ao partido. Já o PP exige cargos sob o guarda-chuva do Ministério das Cidades, cujo titular, Márcio Fortes, está na cota do partido.

Além dos cargos de segundo escalão nos estados, o governo tem duas cartas na manga para acalmar os ânimos dos parlamentares. Uma delas são as diretorias das estatais do setor elétrico, que têm orçamento para investimento de R$ 44 bilhões neste ano. PT e PMDB travam disputa renhida pelo butim. A outra carta é a boa e velha liberação de emendas individuais de parlamentares. Serão R$ 500 milhões a cada dois meses até o fim do ano, segundo promessa feita publicamente pelo ministro de Relações Institucionais.

“Esperamos a liberação das emendas e o preenchimento dos cargos. Há um desconforto na base. Nós que somos líderes sentimos isso na pele”, diz Luciano Castro (RR), líder do PR na Câmara.

Crítica a novo roteiro

Políticos de oposição criticaram ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela decisão de trocar eventos no Centro-Sul pelo Nordeste para evitar vaias e protestos por conta do acidente com o Airbus da TAM. Na segunda-feira, o Palácio do Planalto comunicou alterações na agenda de viagens do presidente e substituiu inaugurações que aconteceriam nos estados do Sul por outras no Nordeste. No blog que mantém na internet, o prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (DEM), afirmou que Lula não é um “estadista” e que a “adversidade o colocou na clandestinidade”. Para o líder do PSDB na Câmara, deputado Antônio Carlos Pannunzio (SP), o presidente Lula “tem uma clara tendência a fugir de problemas”. “O presidente foge das críticas e das situações adversas e prefere ir para o Nordeste, onde o programa Bolsa Família funciona mais como um cartão de visitas a seu favor”, afirma o deputado tucano.

Daniel Pereira
Correio Braziliense

Palácio termina mapeamento de 500 postos no segundo escalão que serão divididos entre os partidos da base aliada nos estados. Preenchimento das vagas será usado para garantir votos no Congresso

O governo já tem pronto o mapa dos cargos de segundo escalão nos estados que serão rateados entre os partidos que apóiam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. São cerca de 500 postos. Foram relacionados depois de uma série de reuniões. A última delas, realizada ontem, contou com a participação do secretário-geral da Presidência da República, Luiz Dulci, e os ministros de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, e do Planejamento, Paulo Bernardo.

Como desde o início do ano, o governo promete nomear os aliados nos estados o mais rápido possível. Quer amansar a base, que ameaça amarrar a votação da proposta de emenda constitucional que prorroga a CPMF enquanto as vagas de segundo escalão não são preenchidas. O direito de cobrar o tributo, que rendeu R$ 32 bilhões no ano passado, expira em dezembro.

Pelos cálculos de assessores do presidente, não haverá troca em pelo menos metade dos 500 postos mapeados, mas só confirmação dos ocupantes indicados pelos aliados. Em caso de substituição, o governo tentará conciliar capacidade técnica e traquejo político. A cantilena é antiga. Resta saber se será cumprida.

Cobiça
Entre os alvos da cobiça dos partidos, destacam-se os comandos regionais do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT). O PR considera-se detentor de tais postos, já que o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, é filiado ao partido. Já o PP exige cargos sob o guarda-chuva do Ministério das Cidades, cujo titular, Márcio Fortes, está na cota do partido.

Além dos cargos de segundo escalão nos estados, o governo tem duas cartas na manga para acalmar os ânimos dos parlamentares. Uma delas são as diretorias das estatais do setor elétrico, que têm orçamento para investimento de R$ 44 bilhões neste ano. PT e PMDB travam disputa renhida pelo butim. A outra carta é a boa e velha liberação de emendas individuais de parlamentares. Serão R$ 500 milhões a cada dois meses até o fim do ano, segundo promessa feita publicamente pelo ministro de Relações Institucionais.

“Esperamos a liberação das emendas e o preenchimento dos cargos. Há um desconforto na base. Nós que somos líderes sentimos isso na pele”, diz Luciano Castro (RR), líder do PR na Câmara.

Crítica a novo roteiro

Políticos de oposição criticaram ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela decisão de trocar eventos no Centro-Sul pelo Nordeste para evitar vaias e protestos por conta do acidente com o Airbus da TAM. Na segunda-feira, o Palácio do Planalto comunicou alterações na agenda de viagens do presidente e substituiu inaugurações que aconteceriam nos estados do Sul por outras no Nordeste. No blog que mantém na internet, o prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (DEM), afirmou que Lula não é um “estadista” e que a “adversidade o colocou na clandestinidade”. Para o líder do PSDB na Câmara, deputado Antônio Carlos Pannunzio (SP), o presidente Lula “tem uma clara tendência a fugir de problemas”. “O presidente foge das críticas e das situações adversas e prefere ir para o Nordeste, onde o programa Bolsa Família funciona mais como um cartão de visitas a seu favor”, afirma o deputado tucano.