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Publicado: 17/01/2008 | 09:37
Briga envolve R$ 56 bilhões
Gustavo Krieger e Daniel Pereira
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Orçamento para 2008 das estatais de energia, como Petrobras e Eletrobras, explica disputa entre o PT e o PMDB por cargos no setor
Desde o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, PT e PMDB lutam pelos principais cargos do Ministério de Minas e Energia. Para entender a atração das duas legendas pelo setor energético, o melhor caminho é dar uma boa olhada no orçamento da pasta. Ou melhor, das estatais subordinadas a ela. A lista inclui as empresas dos sistemas Petrobras e Eletrobras, além da distribuidora de energia Furnas. Em comum, todas elas têm muito dinheiro em caixa, seja para investimento seja em contratos com fornecedores. Para 2008, as estatais de energia têm um orçamento de R$ 56,1 bilhões. Isso representa 90,4% do total disponível para investimentos em todas as empresas públicas federais.
O primeiro round dessa disputa aconteceu em 2002, logo após a eleição de Lula, quando José Dirceu era encarregado de montar a base de apoio ao governo no Congresso. O PMDB exigiu a pasta de Energia. O acordo estava fechado, mas esbarrou na resistência do PT. Ao final, os petistas conseguiram emplacar Dilma Roussef como ministra, e o PMDB não aderiu ao governo. A exceção foi o senador José Sarney (PMDB-AP). Fortalecido pelo apoio que dera a Lula nas eleições, o ex-presidente assegurou cargos de direção na Eletrobras e Eletronorte. Nunca mais deixou de ter influência no setor.
À medida que aumentaram as ligações entre o PMDB e o governo, o partido ampliou seu domínio na área de energia até finalmente conseguir nomear Silas Rondeau para o comando do ministério. Nunca foi uma convivência fácil. Promovida para a Casa Civil, Dilma Rousseff usou sua força para impedir que o novo ministro e o PMDB ocupassem os principais cargos nas estatais. Rondeau caiu depois de ser envolvido em uma investigação da Polícia Federal sobre corrupção na pasta. Até hoje, os peemedebistas estão convencidos de que o PT estava por trás das denúncias.
Não chega sequer a ser uma disputa de bastidores. Ela acontece às claras. No ano passado, a bancada do PMDB do Rio de Janeiro, comandada pelo deputado Eduardo Cunha, manteve paralisada por meses a emenda constitucional que prorrogava a CPMF. Só deixou a proposta andar quando o governo aceitou nomear Luiz Paulo Conde para a presidência de Furnas. Ele não se cansa de reclamar do PT e é mantido longe das decisões da empresa.
Lobão é uma indicação de Sarney. Filiado há poucos meses ao PMDB, não era a escolha da bancada. Mas o ex-presidente fortaleceu-se ao sair da disputa pela Presidência do Senado e permitir uma sucessão tranqüila após a renúncia de Renan Calheiros (PMDB-AL). Resgatou esses créditos indicando Lobão. A bancada da Câmara apoiou o nome. Em troca, quer escolher um diretor para a Petrobras.
Para vencer a resistência de Dilma, o PMDB prometeu refrear seu apetite. O acordo para a indicação do ministro envolve a manutenção dos diretores das estatais e dos ocupantes dos cargos estratégicos do ministério, a começar pela secretaria-executiva. Mas o partido não esconde a intenção de ampliar seus espaços. Espera fazer isso quando o governo precisar novamente dos votos do partido no Congresso.
Gustavo Krieger e Daniel Pereira
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Orçamento para 2008 das estatais de energia, como Petrobras e Eletrobras, explica disputa entre o PT e o PMDB por cargos no setor
Desde o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, PT e PMDB lutam pelos principais cargos do Ministério de Minas e Energia. Para entender a atração das duas legendas pelo setor energético, o melhor caminho é dar uma boa olhada no orçamento da pasta. Ou melhor, das estatais subordinadas a ela. A lista inclui as empresas dos sistemas Petrobras e Eletrobras, além da distribuidora de energia Furnas. Em comum, todas elas têm muito dinheiro em caixa, seja para investimento seja em contratos com fornecedores. Para 2008, as estatais de energia têm um orçamento de R$ 56,1 bilhões. Isso representa 90,4% do total disponível para investimentos em todas as empresas públicas federais.
O primeiro round dessa disputa aconteceu em 2002, logo após a eleição de Lula, quando José Dirceu era encarregado de montar a base de apoio ao governo no Congresso. O PMDB exigiu a pasta de Energia. O acordo estava fechado, mas esbarrou na resistência do PT. Ao final, os petistas conseguiram emplacar Dilma Roussef como ministra, e o PMDB não aderiu ao governo. A exceção foi o senador José Sarney (PMDB-AP). Fortalecido pelo apoio que dera a Lula nas eleições, o ex-presidente assegurou cargos de direção na Eletrobras e Eletronorte. Nunca mais deixou de ter influência no setor.
À medida que aumentaram as ligações entre o PMDB e o governo, o partido ampliou seu domínio na área de energia até finalmente conseguir nomear Silas Rondeau para o comando do ministério. Nunca foi uma convivência fácil. Promovida para a Casa Civil, Dilma Rousseff usou sua força para impedir que o novo ministro e o PMDB ocupassem os principais cargos nas estatais. Rondeau caiu depois de ser envolvido em uma investigação da Polícia Federal sobre corrupção na pasta. Até hoje, os peemedebistas estão convencidos de que o PT estava por trás das denúncias.
Não chega sequer a ser uma disputa de bastidores. Ela acontece às claras. No ano passado, a bancada do PMDB do Rio de Janeiro, comandada pelo deputado Eduardo Cunha, manteve paralisada por meses a emenda constitucional que prorrogava a CPMF. Só deixou a proposta andar quando o governo aceitou nomear Luiz Paulo Conde para a presidência de Furnas. Ele não se cansa de reclamar do PT e é mantido longe das decisões da empresa.
Lobão é uma indicação de Sarney. Filiado há poucos meses ao PMDB, não era a escolha da bancada. Mas o ex-presidente fortaleceu-se ao sair da disputa pela Presidência do Senado e permitir uma sucessão tranqüila após a renúncia de Renan Calheiros (PMDB-AL). Resgatou esses créditos indicando Lobão. A bancada da Câmara apoiou o nome. Em troca, quer escolher um diretor para a Petrobras.
Para vencer a resistência de Dilma, o PMDB prometeu refrear seu apetite. O acordo para a indicação do ministro envolve a manutenção dos diretores das estatais e dos ocupantes dos cargos estratégicos do ministério, a começar pela secretaria-executiva. Mas o partido não esconde a intenção de ampliar seus espaços. Espera fazer isso quando o governo precisar novamente dos votos do partido no Congresso.