antigas Publicado: 3/08/2007 | 09:43

Aliados apostam em solidariedade

Gustavo Krieger
Correio Braziliense

Grupo de Renan acredita que nova representação do PSol mostra “interesse político” do partido e espera que outros senadores, com receio de virarem alvo de ações, tenham a mesma avaliação

Os aliados do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) apostam na possibilidade de uma vitória na próxima semana, quando a Mesa Diretora da Câmara vai examinar a nova representação impetrada contra ele pelo PSol. Esperam que a Mesa rejeite a abertura de um novo processo por quebra de decoro parlamentar contra o presidente do Senado. A esperança tem dois motivos. O primeiro está nas fragilidades da representação, baseada em reportagens publicadas por jornais e revistas. O segundo é um sentimento de vulnerabilidade que afeta senadores, preocupados em ser o próximo alvo de uma denúncia. A decisão da Mesa será o primeiro indicador do clima político no Senado na volta do recesso parlamentar.

Renan já responde a uma investigação no Conselho de Ética. Ele foi acusado de receber ajuda do lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior, para pagar despesas pessoais. Esse caso deve ir a julgamento no Conselho de Ética do Senado em setembro. A decisão final, em plenário, deve acontecer no final de outubro. Surpreendentemente, o senador avalia que a nova representação pode melhorar sua situação. Acredita que ela deixou clara o interesse político do PSol e espera que os outros senadores compartilhem a avaliação.

Resta ver se a expectativa se confirma. Nas últimas semanas antes do recesso, Renan sofreu várias derrotas políticas. Duas delas foram na própria Mesa. Primeiro, os dirigentes do Senado barraram uma tentativa de arquivar o processo contra ele. Depois, a Mesa aprovou o pedido para que a Polícia Federal fizesse uma perícia nos documentos de contabilidade apresentados pela defesa do senador.

Para provar que tinha condições de pagar suas despesas, ele apresentou notas fiscais que comprovariam operações de venda de gado no valor de R$ 1,9 milhão nos últimos quatro anos. A defesa transformou-se em problema porque alguns dos supostos compradores são empresas de fachada. O senador defende-se com o argumento de que vendeu o gado a um grande frigorífico de Alagoas e que seria do matadouro a responsabilidade pelo uso de empresas fantasmas.

Clima
A próxima reunião de Mesa acontecerá em um momento político diferente. A tragédia do avião da TAM trouxe a crise aérea para o centro do noticiário e deixou o caso Renan em segundo plano. O senador espera que isso mude o clima de seu julgamento.

Além disso, aposta no medo político que afeta boa parte dos senadores. O PSol tornou-se uma espécie de promotor público dentro do Senado. A cada nova denúncia contra um senador, o partido apresenta uma representação por quebra de decoro parlamentar. Os resultados políticos têm sido favoráveis ao partido, que ganhou visibilidade, mas colocam outros senadores em dificuldades. O primeiro alvo foi Renan. O segundo foi Joaquim Roriz (PMDB-DF), que não resistiu e renunciou. Depois veio uma representação contra o suplente dele, Gim Argello (PTB-DF). Agora foi a vez da nova representação contra Renan.


MP INVESTIGA FRIGORÍFICO
O Ministério Público de Alagoas, por meio do promotor de Justiça da Comarca de Satuba, Cyro Blatter, vai abrir um inquérito para investigar denúncias de irregularidades no Matadouro Frigorífico de Alagoas (Mafrial). O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) é acusado de usar notas fiscais frias e empresas fantasmas, na negociação do seu gado com a Mafrial, para justificar rendimentos agropecuários. “Vamos apurar as denúncias de uso do Mafrial para a comercialização de gado, quando a finalidade do frigorífico é o abate, a armazenagem e a distribuição de carnes”, disse Blatter. 

Ato contra impunidade

A ex-senadora Heloísa Helena, presidente nacional do Partido Socialismo e Liberdade (PSol), esteve ontem nas ruas de Ceilândia e no Conic colhendo assinaturas para um abaixo-assinado contra a corrupção, que será entregue no dia 14 de agosto à Comissão de Ética do Senado. Nele, o partido convoca a sociedade a se indignar e a exigir investigação e punição de parlamentares, governantes e empresários corruptos. Na lista do PSol, estão o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o senador Gim Argello (PTB-DF), que assumiu a vaga após a renúncia de Joaquim Roriz (PMDB). “Se permitirmos que políticos consigam roubar até a esperança do povo, estamos fadados ao fracasso”, discursou a senadora. A mobilização vem acontecendo há pelo menos três semanas, em todo o país. No DF, os militantes já percorreram a Feira do Cruzeiro, o Parque da Cidade, o Conic e a Feira do Guará. Até agora, aproximadamente seis mil assinaturas chegaram à sede do partido de Brasília. No Rio, foram contabilizados 8 mil e, no Rio Grande do Sul, 10 mil. A meta é de 100 mil assinaturas. (Izabel Toscano, do Aqui DF)

Gustavo Krieger
Correio Braziliense

Grupo de Renan acredita que nova representação do PSol mostra “interesse político” do partido e espera que outros senadores, com receio de virarem alvo de ações, tenham a mesma avaliação

Os aliados do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) apostam na possibilidade de uma vitória na próxima semana, quando a Mesa Diretora da Câmara vai examinar a nova representação impetrada contra ele pelo PSol. Esperam que a Mesa rejeite a abertura de um novo processo por quebra de decoro parlamentar contra o presidente do Senado. A esperança tem dois motivos. O primeiro está nas fragilidades da representação, baseada em reportagens publicadas por jornais e revistas. O segundo é um sentimento de vulnerabilidade que afeta senadores, preocupados em ser o próximo alvo de uma denúncia. A decisão da Mesa será o primeiro indicador do clima político no Senado na volta do recesso parlamentar.

Renan já responde a uma investigação no Conselho de Ética. Ele foi acusado de receber ajuda do lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior, para pagar despesas pessoais. Esse caso deve ir a julgamento no Conselho de Ética do Senado em setembro. A decisão final, em plenário, deve acontecer no final de outubro. Surpreendentemente, o senador avalia que a nova representação pode melhorar sua situação. Acredita que ela deixou clara o interesse político do PSol e espera que os outros senadores compartilhem a avaliação.

Resta ver se a expectativa se confirma. Nas últimas semanas antes do recesso, Renan sofreu várias derrotas políticas. Duas delas foram na própria Mesa. Primeiro, os dirigentes do Senado barraram uma tentativa de arquivar o processo contra ele. Depois, a Mesa aprovou o pedido para que a Polícia Federal fizesse uma perícia nos documentos de contabilidade apresentados pela defesa do senador.

Para provar que tinha condições de pagar suas despesas, ele apresentou notas fiscais que comprovariam operações de venda de gado no valor de R$ 1,9 milhão nos últimos quatro anos. A defesa transformou-se em problema porque alguns dos supostos compradores são empresas de fachada. O senador defende-se com o argumento de que vendeu o gado a um grande frigorífico de Alagoas e que seria do matadouro a responsabilidade pelo uso de empresas fantasmas.

Clima
A próxima reunião de Mesa acontecerá em um momento político diferente. A tragédia do avião da TAM trouxe a crise aérea para o centro do noticiário e deixou o caso Renan em segundo plano. O senador espera que isso mude o clima de seu julgamento.

Além disso, aposta no medo político que afeta boa parte dos senadores. O PSol tornou-se uma espécie de promotor público dentro do Senado. A cada nova denúncia contra um senador, o partido apresenta uma representação por quebra de decoro parlamentar. Os resultados políticos têm sido favoráveis ao partido, que ganhou visibilidade, mas colocam outros senadores em dificuldades. O primeiro alvo foi Renan. O segundo foi Joaquim Roriz (PMDB-DF), que não resistiu e renunciou. Depois veio uma representação contra o suplente dele, Gim Argello (PTB-DF). Agora foi a vez da nova representação contra Renan.


MP INVESTIGA FRIGORÍFICO
O Ministério Público de Alagoas, por meio do promotor de Justiça da Comarca de Satuba, Cyro Blatter, vai abrir um inquérito para investigar denúncias de irregularidades no Matadouro Frigorífico de Alagoas (Mafrial). O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) é acusado de usar notas fiscais frias e empresas fantasmas, na negociação do seu gado com a Mafrial, para justificar rendimentos agropecuários. “Vamos apurar as denúncias de uso do Mafrial para a comercialização de gado, quando a finalidade do frigorífico é o abate, a armazenagem e a distribuição de carnes”, disse Blatter. 

Ato contra impunidade

A ex-senadora Heloísa Helena, presidente nacional do Partido Socialismo e Liberdade (PSol), esteve ontem nas ruas de Ceilândia e no Conic colhendo assinaturas para um abaixo-assinado contra a corrupção, que será entregue no dia 14 de agosto à Comissão de Ética do Senado. Nele, o partido convoca a sociedade a se indignar e a exigir investigação e punição de parlamentares, governantes e empresários corruptos. Na lista do PSol, estão o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o senador Gim Argello (PTB-DF), que assumiu a vaga após a renúncia de Joaquim Roriz (PMDB). “Se permitirmos que políticos consigam roubar até a esperança do povo, estamos fadados ao fracasso”, discursou a senadora. A mobilização vem acontecendo há pelo menos três semanas, em todo o país. No DF, os militantes já percorreram a Feira do Cruzeiro, o Parque da Cidade, o Conic e a Feira do Guará. Até agora, aproximadamente seis mil assinaturas chegaram à sede do partido de Brasília. No Rio, foram contabilizados 8 mil e, no Rio Grande do Sul, 10 mil. A meta é de 100 mil assinaturas. (Izabel Toscano, do Aqui DF)