antigas Publicado: 7/08/2007 | 10:39

A esperança é a primeira que morre

Coluna - Fausto Wolff
Jornal do Brasil

O sr. Luiz Silva falou para governadores e prefeitos e lhes prometeu muito dinheiro. Os primeiros já pensavam quanto deixariam de dar aos segundos e estes quanto deixariam de repassar ao povo. Muito fagueiro no palco, entre uma piada e outra, Luiz Silva mentia. Todos sabiam disso, menos ele. Assim que anuncia irresponsavelmente a mentira, passa a acreditar nela. O sr. Luiz Silva já esqueceu que seguiu cursos nos Estados Unidos promovidos pela AFL-CIO, a maior central sindical do mundo, especializada em formar líderes classistas para a América Latina para que possam controlar reivindicações que atinjam o coração do capitalismo.

Já esqueceu a aposentadoria obtida tão cedo, caso contrário não aumentaria os anos de trabalho para os verdadeiros trabalhadores. Esqueceu também a sua não participação na campanha das Diretas Já, porque não queria a "volta dos comunistas" depois de todo o trabalho que ele e seus mentores tiveram para acabar com a esquerda no Brasil.

Esqueceu-se das medidas de exceção que deram impunidade aos nossos banqueiros, os mais ricos do mundo. Imagino eu que, de vez em quando, se lembre, no meio de algum pesadelo, dos milhares de coisas que esqueceu. Mas, ao despertar, imagino que corra para a TV para ver um jogo do Corinthians cair naquele transe ególatra e fique pensando em sua próxima ida para o exterior, onde ninguém o vaia.

E, apesar disso, o sr. será eleito uma terceira vez - o Jobim entende desse negócio de mudar a Constituição no tapa -, pois seu programa de governo só tem dois tópicos: bolsa de comida para os miseráveis que acreditam em tudo e bolsa de ouro para os ricos, que seguem qualquer ideário desde que mantenham o poder e o lucro. Quanto à classe média, está tão preocupada em pagar aluguel e reconquistar o emprego que não sabe o que acontece à sua volta.

Logo em seguida apareceu o sr. Manteiga, ministro da Fazenda cada vez mais parecido com o Drácula do Morumbi, que todos conhecem. Este é apenas um aspone bem remunerado que, como jamais será eleito síndico do edifício, contou a verdade. O governo só pode continuar governando bem (é um cínico) se mantiver o CPMF e impedir qualquer teto para as arrecadações fiscais.

Enquanto isso, na sombra, Franklin Martins daria à Folha e à Veja o conteúdo da caixa-preta, que chegou à conclusão de que os culpados são os mortos. Nem 353 cadáveres e o desenrolar de uma tragédia com mais de 10 meses de duração gerando prejuízos materiais e de imagem incomensuráveis para um país já pouco respeitado na comunidade conseguiram arrancar do governo uma autocrítica.

A desculpa (é duro de engolir) foi a de que não se discutiu aviação nas duas campanhas para a Presidência. Neste momento, para não gastar todos os corruptos do PT, os está substituindo pelos adoradores de FHC, que adoram ainda mais o Deus Grana. A bancada do PSDB na Câmara e no Senado se transformará num bando de siris com as boquinhas bem cerradas. E acabará uma oposição que nunca existiu.

Para demonstrar que é apenas incompetente e galhofeiro, o presidente deve apresentar na TV sua declaração de bens e a declaração de bens de todos os seus familiares, bem como suas contas bancárias e as dos seus familiares aqui e no exterior.

Há esperança? Há. Há o programa da TV Globo (a mesma que informou que toda a delegação cubana havia debandado) Criança Esperança, apresentado no Brasil principalmente para evitar a prostituição infantil, o trabalho escravo infantil e assim por diante. O programa é criação da Unicef e é apresentado em todo o mundo.

Digamos que a TV Globo recolha os muitos milhões que arrecada e os repasse para a Unicef (todinho? duvideodó). Ainda assim estará cometendo um crime, pois essa grana toda é descontada dos impostos da TV Globo e não dos impostos de quem fez a doação em dinheiro. Provavelmente para facilitar as coisas, não é mesmo?

Como esse dinheiro não chega à maioria das crianças famintas do mundo, elas, e a Esperança, são as primeiras a morrer, o que explica o título do meu artigo. Até amanhã, com muita alegria, muito baião, buscapé, vinho doce, rapadura e quadrilha na casa do seu Quelemente.

P.S.: Não tenho nada a ver com esse grupo chamado "Cansei" ou "Cansamos". Ainda não estou tão velho que não reconheça um lobo por debaixo da pele de carneiro. Justiça, sim! Golpe, não!

Coluna - Fausto Wolff
Jornal do Brasil

O sr. Luiz Silva falou para governadores e prefeitos e lhes prometeu muito dinheiro. Os primeiros já pensavam quanto deixariam de dar aos segundos e estes quanto deixariam de repassar ao povo. Muito fagueiro no palco, entre uma piada e outra, Luiz Silva mentia. Todos sabiam disso, menos ele. Assim que anuncia irresponsavelmente a mentira, passa a acreditar nela. O sr. Luiz Silva já esqueceu que seguiu cursos nos Estados Unidos promovidos pela AFL-CIO, a maior central sindical do mundo, especializada em formar líderes classistas para a América Latina para que possam controlar reivindicações que atinjam o coração do capitalismo.

Já esqueceu a aposentadoria obtida tão cedo, caso contrário não aumentaria os anos de trabalho para os verdadeiros trabalhadores. Esqueceu também a sua não participação na campanha das Diretas Já, porque não queria a "volta dos comunistas" depois de todo o trabalho que ele e seus mentores tiveram para acabar com a esquerda no Brasil.

Esqueceu-se das medidas de exceção que deram impunidade aos nossos banqueiros, os mais ricos do mundo. Imagino eu que, de vez em quando, se lembre, no meio de algum pesadelo, dos milhares de coisas que esqueceu. Mas, ao despertar, imagino que corra para a TV para ver um jogo do Corinthians cair naquele transe ególatra e fique pensando em sua próxima ida para o exterior, onde ninguém o vaia.

E, apesar disso, o sr. será eleito uma terceira vez - o Jobim entende desse negócio de mudar a Constituição no tapa -, pois seu programa de governo só tem dois tópicos: bolsa de comida para os miseráveis que acreditam em tudo e bolsa de ouro para os ricos, que seguem qualquer ideário desde que mantenham o poder e o lucro. Quanto à classe média, está tão preocupada em pagar aluguel e reconquistar o emprego que não sabe o que acontece à sua volta.

Logo em seguida apareceu o sr. Manteiga, ministro da Fazenda cada vez mais parecido com o Drácula do Morumbi, que todos conhecem. Este é apenas um aspone bem remunerado que, como jamais será eleito síndico do edifício, contou a verdade. O governo só pode continuar governando bem (é um cínico) se mantiver o CPMF e impedir qualquer teto para as arrecadações fiscais.

Enquanto isso, na sombra, Franklin Martins daria à Folha e à Veja o conteúdo da caixa-preta, que chegou à conclusão de que os culpados são os mortos. Nem 353 cadáveres e o desenrolar de uma tragédia com mais de 10 meses de duração gerando prejuízos materiais e de imagem incomensuráveis para um país já pouco respeitado na comunidade conseguiram arrancar do governo uma autocrítica.

A desculpa (é duro de engolir) foi a de que não se discutiu aviação nas duas campanhas para a Presidência. Neste momento, para não gastar todos os corruptos do PT, os está substituindo pelos adoradores de FHC, que adoram ainda mais o Deus Grana. A bancada do PSDB na Câmara e no Senado se transformará num bando de siris com as boquinhas bem cerradas. E acabará uma oposição que nunca existiu.

Para demonstrar que é apenas incompetente e galhofeiro, o presidente deve apresentar na TV sua declaração de bens e a declaração de bens de todos os seus familiares, bem como suas contas bancárias e as dos seus familiares aqui e no exterior.

Há esperança? Há. Há o programa da TV Globo (a mesma que informou que toda a delegação cubana havia debandado) Criança Esperança, apresentado no Brasil principalmente para evitar a prostituição infantil, o trabalho escravo infantil e assim por diante. O programa é criação da Unicef e é apresentado em todo o mundo.

Digamos que a TV Globo recolha os muitos milhões que arrecada e os repasse para a Unicef (todinho? duvideodó). Ainda assim estará cometendo um crime, pois essa grana toda é descontada dos impostos da TV Globo e não dos impostos de quem fez a doação em dinheiro. Provavelmente para facilitar as coisas, não é mesmo?

Como esse dinheiro não chega à maioria das crianças famintas do mundo, elas, e a Esperança, são as primeiras a morrer, o que explica o título do meu artigo. Até amanhã, com muita alegria, muito baião, buscapé, vinho doce, rapadura e quadrilha na casa do seu Quelemente.

P.S.: Não tenho nada a ver com esse grupo chamado "Cansei" ou "Cansamos". Ainda não estou tão velho que não reconheça um lobo por debaixo da pele de carneiro. Justiça, sim! Golpe, não!