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Publicado: 3/09/2007 | 09:53
PT quer candidato próprio em 2010
Alessandra Pereira
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Mesmo ante a crise de comando provocada pelo mensalão, sigla aprova tese defendendo petista na cabeça de chapa com apoio dos aliados
O PT planeja liderar uma chapa governista para disputar a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010. Na manhã de encerramento do 3º Congresso Nacional da sigla, foi aprovada uma resolução cujo texto deixa clara a intenção do partido de, ao menos, apresentar um candidato próprio para encabeçar uma chapa a ser construída com o apoio dos partidos aliados.
Apesar da redação dada ao documento final, dirigentes do partido se apressaram em esclarecer que o nome do candidato será resultado do consenso obtido a partir do diálogo com integrantes de uma coalizão partidária. “O PT tem vocação, condições e potencial para ter o candidato, mas precisa delegar e construir alianças. Se partirmos do pressuposto de que o candidato obrigatoriamente será do PT, evidentemente passamos uma mensagem que não é boa para alianças”, explicou o presidente da sigla, Ricardo Berzoini.
Foi ele mesmo quem, durante o processo de votação, sugeriu a inclusão de um adendo ao texto original da resolução, que acabou tornando-a mais alinhada com o discurso feito pelo presidente Lula no sábado. A versão original do documento dizia apenas que a sigla deve “apresentar uma candidatura petista à sucessão de Lula, capaz de liderar, juntamente com outros partidos, uma ampla aliança e vencer as eleições de 2010”.
Depois de aprovado, o texto recebeu um adendo para torná-lo menos sectário e mais aberto a alianças com outros partidos. Costurado por Berzoini, este “corretivo” também teve votação favorável da maioria dos delegados presentes.
Para Berzoini, a resolução mostra firme disposição do PT em manter e ampliar as alianças que elegeram e dão sustentação ao governo Lula. Segundo ele, a decisão em torno do texto também provou a maturidade do partido: “Aprovamos um documento em que reafirmamos a condição para ter candidatura própria, mas deixamos o diálogo aberto para avaliar o cenário e a conjuntura até 2009, e construir a vitória em 2010”.
A sucessão presidencial era um dos principais temas em discussão no congresso. Algumas correntes internas defendiam que a proposta de candidatura própria fosse claramente expressa no documento final. Houve negociações, chegou-se ao consenso e a tese aprovada foi mesmo a que, originalmente, era defendida, entre outras tendências, pela Construindo um Novo Brasil (ex-Campo Majoritário), corrente da qual fazem parte o presidente Lula, o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu e o próprio Berzoini.
Eleições internas
No terceiro e último dia do congresso, os petistas também aprovaram a antecipação das eleições diretas para a renovação da diretoria da Executiva Nacional do partido. A resolução definiu a realização do pleito em dois turnos, com datas já marcadas: os próximos dias 2 e 16 de dezembro.
A necessidade de convocação das eleições internas era praticamente consenso entre as diferentes correntes petistas. Nos bastidores, comenta-se que a disputa será acirrada e contará com vários candidatos. A única corrente, no entanto, que optou por se antecipar às demais e anunciar candidatura logo após o final congresso foi a Articulação de Esquerda, que vai concorrer com chapa encabeçada pelo atual secretário de relações internacionais do partido, Valter Pomar.
Durante rápida entrevista, Ricardo Berzoini começou dizendo não pretender ser candidato, mas reformulou rapidamente a frase para dizer que também não descarta a possibilidade: “Minha disposição é cuidar do meu mandato de deputado. Evidentemente não fecho totalmente a porta, porque temos diálogo interno a fazer”, disse o atual presidente petista, que preferiu não citar nomes de potenciais candidatos à sua própria sucessão.
Íntegra // Sucessão
Leia a resolução aprovada pelos petistas para orientar o partido em relação às próximas eleições presidenciais
“Na nossa estratégia eleitoral, é fundamental que o PT construa vitórias importantes em 2008, fortalecendo nossa base política para 2010.
O PT deve se colocar como dirigente da condução do processo sucessório presidencial. Temos de preservar a coalizão governamental, aperfeiçoar e ampliar essa base de sustentação, sem esquecer a defesa intransigente dos interesses do PT, dos trabalhadores e dos movimentos sociais que nos sustentam.
O PT deve organizar um amplo processo de debate interno para formular, a partir de nossas experiências no governo federal e dos avanços até lá alcançados, um programa para o mandato 2011/2014 e, a partir dele, apresentar uma candidatura petista à sucessão de Lula, capaz de liderar, juntamente com outros partidos, uma ampla aliança partidária e social e vencer as eleições de 2010.
O PT apresentará uma candidatura a presidente a ser construída com outros partidos e, assim, formar uma aliança programática, partidária e social capaz de ser vitoriosa nas eleições de 2010, e impedir o retorno do neoliberalismo.”
Código de ética pós-mensalão
E o partido mais ético do Brasil, segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, decidiu adotar um código de ética para seus membros, 27 anos depois de criado. Resolução nesse sentido foi aprovada no último dia do 3º Congresso Nacional do partido, concluído ontem, na capital paulista. O código que guiará o comportamento dos petistas brotou entre as decisões oficiais por influência da corrente Mensagem ao Partido, encabeçada pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, e pelo deputado José Eduardo Martins Cardozo (SP). Os dois são críticos contundentes das práticas de operação política levadas a cabo no primeiro mandato de Lula. As mesmas que o Ministério Público denunciou como criminosas e que o Supremo Tribunal Federal (STF) admitiu como ações penais, popularmente conhecidas por mensalão.
O código de ética petista só deve começar a vigorar na segunda metade do ano que vem. Pelo documento aprovado ontem, a nova direção nacional (a ser eleita em dezembro) irá formar uma comissão para estabelecer as normas do texto. Depois, a versão final do documento ainda será discutida internamente. “Temos de ser mais intransigentes com nossos erros éticos internos do que fomos na nossa história com os de nossos adversários”, considerou o presidente do PT, Ricardo Berzoini.
O deputado José Eduardo Cardozo evitou falar em recuo da corrente Mensagem ao Partido em relação a proposta de criação da corregedoria interna. “Houve entendimento. Ninguém descarta que, uma vez existindo o código, terá de haver um órgão, um ombudsman ou uma corregedoria, para garantir sua aplicação. Para evitar uma polêmica, concentramos no que, num primeiro momento, era mesmo mais importante: a resolução sobre o código.”
Segundo o deputado, o código de ética demorou para ser instituído, mas, segundo ele, reconhecer isso não invalida o mérito de sua criação. “Podíamos ter tido antes, mas o importante agora é garantir regras éticas firmes, punições claras e iguais para todos e medidas que assegurem transparência”, avaliou Cardozo.
Alessandra Pereira
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Mesmo ante a crise de comando provocada pelo mensalão, sigla aprova tese defendendo petista na cabeça de chapa com apoio dos aliados
O PT planeja liderar uma chapa governista para disputar a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010. Na manhã de encerramento do 3º Congresso Nacional da sigla, foi aprovada uma resolução cujo texto deixa clara a intenção do partido de, ao menos, apresentar um candidato próprio para encabeçar uma chapa a ser construída com o apoio dos partidos aliados.
Apesar da redação dada ao documento final, dirigentes do partido se apressaram em esclarecer que o nome do candidato será resultado do consenso obtido a partir do diálogo com integrantes de uma coalizão partidária. “O PT tem vocação, condições e potencial para ter o candidato, mas precisa delegar e construir alianças. Se partirmos do pressuposto de que o candidato obrigatoriamente será do PT, evidentemente passamos uma mensagem que não é boa para alianças”, explicou o presidente da sigla, Ricardo Berzoini.
Foi ele mesmo quem, durante o processo de votação, sugeriu a inclusão de um adendo ao texto original da resolução, que acabou tornando-a mais alinhada com o discurso feito pelo presidente Lula no sábado. A versão original do documento dizia apenas que a sigla deve “apresentar uma candidatura petista à sucessão de Lula, capaz de liderar, juntamente com outros partidos, uma ampla aliança e vencer as eleições de 2010”.
Depois de aprovado, o texto recebeu um adendo para torná-lo menos sectário e mais aberto a alianças com outros partidos. Costurado por Berzoini, este “corretivo” também teve votação favorável da maioria dos delegados presentes.
Para Berzoini, a resolução mostra firme disposição do PT em manter e ampliar as alianças que elegeram e dão sustentação ao governo Lula. Segundo ele, a decisão em torno do texto também provou a maturidade do partido: “Aprovamos um documento em que reafirmamos a condição para ter candidatura própria, mas deixamos o diálogo aberto para avaliar o cenário e a conjuntura até 2009, e construir a vitória em 2010”.
A sucessão presidencial era um dos principais temas em discussão no congresso. Algumas correntes internas defendiam que a proposta de candidatura própria fosse claramente expressa no documento final. Houve negociações, chegou-se ao consenso e a tese aprovada foi mesmo a que, originalmente, era defendida, entre outras tendências, pela Construindo um Novo Brasil (ex-Campo Majoritário), corrente da qual fazem parte o presidente Lula, o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu e o próprio Berzoini.
Eleições internas
No terceiro e último dia do congresso, os petistas também aprovaram a antecipação das eleições diretas para a renovação da diretoria da Executiva Nacional do partido. A resolução definiu a realização do pleito em dois turnos, com datas já marcadas: os próximos dias 2 e 16 de dezembro.
A necessidade de convocação das eleições internas era praticamente consenso entre as diferentes correntes petistas. Nos bastidores, comenta-se que a disputa será acirrada e contará com vários candidatos. A única corrente, no entanto, que optou por se antecipar às demais e anunciar candidatura logo após o final congresso foi a Articulação de Esquerda, que vai concorrer com chapa encabeçada pelo atual secretário de relações internacionais do partido, Valter Pomar.
Durante rápida entrevista, Ricardo Berzoini começou dizendo não pretender ser candidato, mas reformulou rapidamente a frase para dizer que também não descarta a possibilidade: “Minha disposição é cuidar do meu mandato de deputado. Evidentemente não fecho totalmente a porta, porque temos diálogo interno a fazer”, disse o atual presidente petista, que preferiu não citar nomes de potenciais candidatos à sua própria sucessão.
Íntegra // Sucessão
Leia a resolução aprovada pelos petistas para orientar o partido em relação às próximas eleições presidenciais
“Na nossa estratégia eleitoral, é fundamental que o PT construa vitórias importantes em 2008, fortalecendo nossa base política para 2010.
O PT deve se colocar como dirigente da condução do processo sucessório presidencial. Temos de preservar a coalizão governamental, aperfeiçoar e ampliar essa base de sustentação, sem esquecer a defesa intransigente dos interesses do PT, dos trabalhadores e dos movimentos sociais que nos sustentam.
O PT deve organizar um amplo processo de debate interno para formular, a partir de nossas experiências no governo federal e dos avanços até lá alcançados, um programa para o mandato 2011/2014 e, a partir dele, apresentar uma candidatura petista à sucessão de Lula, capaz de liderar, juntamente com outros partidos, uma ampla aliança partidária e social e vencer as eleições de 2010.
O PT apresentará uma candidatura a presidente a ser construída com outros partidos e, assim, formar uma aliança programática, partidária e social capaz de ser vitoriosa nas eleições de 2010, e impedir o retorno do neoliberalismo.”
Código de ética pós-mensalão
E o partido mais ético do Brasil, segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, decidiu adotar um código de ética para seus membros, 27 anos depois de criado. Resolução nesse sentido foi aprovada no último dia do 3º Congresso Nacional do partido, concluído ontem, na capital paulista. O código que guiará o comportamento dos petistas brotou entre as decisões oficiais por influência da corrente Mensagem ao Partido, encabeçada pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, e pelo deputado José Eduardo Martins Cardozo (SP). Os dois são críticos contundentes das práticas de operação política levadas a cabo no primeiro mandato de Lula. As mesmas que o Ministério Público denunciou como criminosas e que o Supremo Tribunal Federal (STF) admitiu como ações penais, popularmente conhecidas por mensalão.
O código de ética petista só deve começar a vigorar na segunda metade do ano que vem. Pelo documento aprovado ontem, a nova direção nacional (a ser eleita em dezembro) irá formar uma comissão para estabelecer as normas do texto. Depois, a versão final do documento ainda será discutida internamente. “Temos de ser mais intransigentes com nossos erros éticos internos do que fomos na nossa história com os de nossos adversários”, considerou o presidente do PT, Ricardo Berzoini.
O deputado José Eduardo Cardozo evitou falar em recuo da corrente Mensagem ao Partido em relação a proposta de criação da corregedoria interna. “Houve entendimento. Ninguém descarta que, uma vez existindo o código, terá de haver um órgão, um ombudsman ou uma corregedoria, para garantir sua aplicação. Para evitar uma polêmica, concentramos no que, num primeiro momento, era mesmo mais importante: a resolução sobre o código.”
Segundo o deputado, o código de ética demorou para ser instituído, mas, segundo ele, reconhecer isso não invalida o mérito de sua criação. “Podíamos ter tido antes, mas o importante agora é garantir regras éticas firmes, punições claras e iguais para todos e medidas que assegurem transparência”, avaliou Cardozo.