antigas Publicado: 16/10/2007 | 10:03

Presidente procura candidato para 2010

Gustavo Krieger
Correio Braziliense

Levantamento realizado pelo instituto Sensus revela que Lula terá problemas para escolher o sucessor. Entre os mais cotados para ocupar o Planalto está Serra. O aliado Ciro figura em quarto lugar

De um lado, a oposição com vários candidatos bem posicionados disputando o mesmo espaço político. De outro, um presidente da República popular e bem avaliado, mas com dificuldades para indicar um candidato oficial à sua sucessão em 2010. Esse é o quadro revelado pela mais recente pesquisa nacional de opinião pública feita pelo instituto Sensus para a Confederação Nacional dos Transportes (CNT). Os presidenciáveis do PSDB lideram as intenções de voto e os pré-candidatos do PT têm dificuldades para decolar e dependem da força do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como cabo eleitoral.

A Sensus apresentou aos entrevistados uma cartela com o nome de 21 possíveis candidatos à sucessão de Lula. Entraram na lista todos os nomes especulados pela imprensa. Em primeiro lugar apareceu o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), com 12,8%. Outro tucano, Geraldo Alckmin, derrotado por Lula nas eleições de 2006, é o segundo mais lembrado, com 11,6%. O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, também do PSDB, ficou em terceiro com 9,8%.

Entre os partidos da base governista, o resultado mais expressivo é o de Ciro Gomes. O deputado do PSB recebeu 9,4% das indicações. Ficou à frente da ex-senadora Heloísa Helena (PSol), com 6,1%, e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), com 4,7%.

O desempenho dos presidenciáveis do PT nessa pesquisa é muito ruim. A ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy foi a mais lembrada, com 2,2%. O ministro da Justiça, Tarso Genro, ficou com 1,6%. O governador da Bahia, Jaques Wagner, teve 1%. Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil e apontada como um dos nomes de preferência de Lula, teve 0,7%.

Num segundo momento, a pesquisa simulou dois cenários para a eleição presidencial. Em ambos incluiu Ciro Gomes e Dilma, mas variou o candidato do PSDB. Com Aécio Neves na disputa, Ciro teria 28,3%. O governador de Minas Gerais teria 20,5% e Dilma ficaria com 5,4%. Se o candidato tucano fosse Serra, o governador paulista lideraria com 30%. Ciro teria 22,8% e Dilma 5,7%.

Como ainda faltam três anos para as eleições presidenciais, esses números importam menos como uma avaliação do ânimo dos eleitores e mais como um indicativo das estratégias que cada presidenciável terá de seguir para se viabilizar. No PSDB, os três candidatos possíveis (Serra, Aécio e Alckmin) largam de um patamar que os coloca como nomes fortes. Projetando o futuro, Serra e Aécio têm a vantagem de estar no comando de estados importantes, enquanto Alckmin conta ainda com o “recall” de ter sido candidato a presidente, um capital político que tende a se desgastar.

Simulações
Na base de apoio a Lula, o quadro é mais complicado. O único nome a se destacar nesse primeiro momento é Ciro Gomes (PSB), outro ex-candidato a presidente. Nas simulações do Sensus, Ciro aparece em condições de disputar tanto com Serra quanto com Aécio. Mas ele dificilmente unificará os partidos que apóiam Lula.

O PT não abre mão de ter candidato, mas a pesquisa confirmou as dificuldades de todos os presidenciáveis do partido. Nenhum tem um bom desempenho. E Dilma não mostrou força na simulação de uma disputa direta contra Ciro Gomes ou os tucanos. A solução para o partido seria confiar no apoio de Lula. A popularidade dele continua alta, como mostra a pesquisa. O governo é aprovado por 61,2% dos entrevistados e reprovado por 32,5%. “Um governante com índice de aprovação acima de 51% tem grandes chances de eleger seu sucessor”, diz Ricardo Guedes, diretor da Sensus.

A pesquisa mostra esse poder de fogo de Lula. Segundo 10,8% dos entrevistados, o candidato indicado por Lula seria o único em que votariam. Outros 25,4% dizem que podem votar no candidato oficial e 32,4% responderam que teriam de conhecer esse candidato antes de decidir. O contingente que não votaria de forma alguma no nome avalizado por Lula é de 27,3%. “Esses números mostram um alto poder de influência”, afirma Ricardo Guedes. “Normalmente, o poder de transferência de um governador ou presidente para o candidato à sua sucessão fica em torno de 5%”.

Esse é o dilema político do PT. O partido quer ter candidato próprio à sucessão de Lula mas depende do apoio do presidente para viabilizar qualquer nome. E o presidente não se mexe. Em primeiro lugar, porque não quer iniciar cedo demais o debate de sua sucessão. E também porque deseja usar sua força para enquadrar todos os aliados, inclusive o PT.

A pesquisa ouviu duas mil pessoas entre 8 e 12 de outubro. A margem de erro é de três pontos percentuais para cima ou para baixo.

Gustavo Krieger
Correio Braziliense

Levantamento realizado pelo instituto Sensus revela que Lula terá problemas para escolher o sucessor. Entre os mais cotados para ocupar o Planalto está Serra. O aliado Ciro figura em quarto lugar

De um lado, a oposição com vários candidatos bem posicionados disputando o mesmo espaço político. De outro, um presidente da República popular e bem avaliado, mas com dificuldades para indicar um candidato oficial à sua sucessão em 2010. Esse é o quadro revelado pela mais recente pesquisa nacional de opinião pública feita pelo instituto Sensus para a Confederação Nacional dos Transportes (CNT). Os presidenciáveis do PSDB lideram as intenções de voto e os pré-candidatos do PT têm dificuldades para decolar e dependem da força do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como cabo eleitoral.

A Sensus apresentou aos entrevistados uma cartela com o nome de 21 possíveis candidatos à sucessão de Lula. Entraram na lista todos os nomes especulados pela imprensa. Em primeiro lugar apareceu o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), com 12,8%. Outro tucano, Geraldo Alckmin, derrotado por Lula nas eleições de 2006, é o segundo mais lembrado, com 11,6%. O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, também do PSDB, ficou em terceiro com 9,8%.

Entre os partidos da base governista, o resultado mais expressivo é o de Ciro Gomes. O deputado do PSB recebeu 9,4% das indicações. Ficou à frente da ex-senadora Heloísa Helena (PSol), com 6,1%, e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), com 4,7%.

O desempenho dos presidenciáveis do PT nessa pesquisa é muito ruim. A ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy foi a mais lembrada, com 2,2%. O ministro da Justiça, Tarso Genro, ficou com 1,6%. O governador da Bahia, Jaques Wagner, teve 1%. Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil e apontada como um dos nomes de preferência de Lula, teve 0,7%.

Num segundo momento, a pesquisa simulou dois cenários para a eleição presidencial. Em ambos incluiu Ciro Gomes e Dilma, mas variou o candidato do PSDB. Com Aécio Neves na disputa, Ciro teria 28,3%. O governador de Minas Gerais teria 20,5% e Dilma ficaria com 5,4%. Se o candidato tucano fosse Serra, o governador paulista lideraria com 30%. Ciro teria 22,8% e Dilma 5,7%.

Como ainda faltam três anos para as eleições presidenciais, esses números importam menos como uma avaliação do ânimo dos eleitores e mais como um indicativo das estratégias que cada presidenciável terá de seguir para se viabilizar. No PSDB, os três candidatos possíveis (Serra, Aécio e Alckmin) largam de um patamar que os coloca como nomes fortes. Projetando o futuro, Serra e Aécio têm a vantagem de estar no comando de estados importantes, enquanto Alckmin conta ainda com o “recall” de ter sido candidato a presidente, um capital político que tende a se desgastar.

Simulações
Na base de apoio a Lula, o quadro é mais complicado. O único nome a se destacar nesse primeiro momento é Ciro Gomes (PSB), outro ex-candidato a presidente. Nas simulações do Sensus, Ciro aparece em condições de disputar tanto com Serra quanto com Aécio. Mas ele dificilmente unificará os partidos que apóiam Lula.

O PT não abre mão de ter candidato, mas a pesquisa confirmou as dificuldades de todos os presidenciáveis do partido. Nenhum tem um bom desempenho. E Dilma não mostrou força na simulação de uma disputa direta contra Ciro Gomes ou os tucanos. A solução para o partido seria confiar no apoio de Lula. A popularidade dele continua alta, como mostra a pesquisa. O governo é aprovado por 61,2% dos entrevistados e reprovado por 32,5%. “Um governante com índice de aprovação acima de 51% tem grandes chances de eleger seu sucessor”, diz Ricardo Guedes, diretor da Sensus.

A pesquisa mostra esse poder de fogo de Lula. Segundo 10,8% dos entrevistados, o candidato indicado por Lula seria o único em que votariam. Outros 25,4% dizem que podem votar no candidato oficial e 32,4% responderam que teriam de conhecer esse candidato antes de decidir. O contingente que não votaria de forma alguma no nome avalizado por Lula é de 27,3%. “Esses números mostram um alto poder de influência”, afirma Ricardo Guedes. “Normalmente, o poder de transferência de um governador ou presidente para o candidato à sua sucessão fica em torno de 5%”.

Esse é o dilema político do PT. O partido quer ter candidato próprio à sucessão de Lula mas depende do apoio do presidente para viabilizar qualquer nome. E o presidente não se mexe. Em primeiro lugar, porque não quer iniciar cedo demais o debate de sua sucessão. E também porque deseja usar sua força para enquadrar todos os aliados, inclusive o PT.

A pesquisa ouviu duas mil pessoas entre 8 e 12 de outubro. A margem de erro é de três pontos percentuais para cima ou para baixo.