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Publicado: 12/09/2007 | 09:53
Bancada petista livre, leve e solta
Leandro Colon e Marcelo Rocha
Correio Braziliense
Correio Braziliense
PT tenta jogar a possibilidade de uma eventual absolvição nas costas dos partidos de oposição e libera senadores para que cada um vote como quiser
Sem consenso, a reunião deixou de lado qualquer tipo de contagem de votos. Se isso ocorresse, Renan teria, no máximo, quatro declarados a seu favor: a própria Ideli, além de Serys Slhessarenko (PT-MT), Fátima Cleide (PT-RO) e Sibá Machado (PT-AC). Nas contas de petistas, devem votar pela cassação os senadores Delcidio Amaral (PT-MS), Eduardo Suplicy (PT-SP), Augusto Botelho (PT-RR), Flávio Arns (PT-PR), Paulo Paim (PT-RS) e João Pedro (PT-AM).
Este último, porém, sempre aparece na lista dos aliados de Renan contra a cassação, embora garanta que manterá a postura adotada no Conselho de Ética pela perda do mandato do senador. Suplicy visitou Renan em seu gabinete no início da noite de ontem. Recebeu do presidente do Senado um documento sobre sua defesa. Um memorial que também foi distribuído aos outros senadores. Ao fim do encontro, o senador do PT não quis informar se manterá ou não seu voto pró-cassação.
As incógnitas dentro do PT ficam por conta de Tião Viana (PT-AC) e Aloizio Mercadante (PT-SP). O primeiro, vice-presidente do Senado, nem apareceu na reunião da bancada. Preferiu manter a discrição com o argumento de que presidirá a sessão secreta de hoje. Nas listas da oposição, Viana surge como expectativa de voto pró-cassação. Já Mercadante continua em cima do muro, e promete decidir o voto após a defesa de Renan em plenário. “É preciso aguardar o amplo direito de defesa para tomar uma posição”, disse.
Na avaliação de um senador petista a favor da cassação, Renan deve partir para o “chute na canela” em busca de votos dentro do PT nos poucos minutos que restam antes da votação. O peemedebista aposta que pode reverter alguma coisa no partido com sua defesa em plenário.
Aliado de Renan, o líder do PMDB, Valdir Raupp (RO), minimizou a dificuldade de apoio dentro do PT. “Sessão secreta não tem fechamento de questão. Nem o PMDB orientou seus senadores”, afirmou.
Cobrança
O presidente do Senado já deixou claro que espera o apoio do partido na votação de hoje. O aviso tem sido repetido por ele à líder do PT desde o começo da crise, há mais de três meses. Da tropa de choque de Renan, Ideli repete todos os dias que o PT não será fiel da balança nesta votação. Alega que há divisão em todas as legendas. E tenta jogar a responsabilidade para a oposição, com o discurso de que senadores votarão pela cassação de olho na cadeira de presidente do Senado. “Na minha convicção, é um erro poder julgar alguém na cadeira de presidente”, disse. Ideli deve também adotar essa retórica na sessão em plenário. “Existe o risco da contaminação (pelo desejo de suceder de Renan)”, ressaltou.
Sem consenso em torno do peemedebista, o PT anunciou um apoio simbólico ao projeto de Delcidio e Suplicy que acaba com a sessão secreta de hoje. Apoio em vão, porque a proposta ficou de lado e não ofereceu qualquer risco aos aliados de Renan, favoráveis ao fechamento do plenário. A sessão vai julgar a acusação de que Renan recebeu ajuda do lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior, para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha de três anos.
O Conselho de Ética aprovou, por 11 votos a quatro, relatório que pede a cassação do senador, com a alegação de que ele não conseguiu comprovar rendimentos agropecuários suficientes para essas despesas. Depois de passar o dia em longas conversas e telefonemas com os colegas que vão decidir seu futuro, Renan deixou o Senado às 21h40.
DIVISÃO NO DF
Dos três representantes do Distrito Federal no Senado, dois têm posição reconhecidamente clara na votação desta tarde. Cristovam Buarque (PDT) vota pela cassação. Suplente de Joaquim Roriz, Gim Argello (PTB) vota contra a cassação. Suplente do vice-governador Paulo Octávio, Adelmir Santana (DEM) é uma incógnita. Diz que votará pela cassação, mas figura como voto certo na lista dos aliados de Renan Calheiros (PMDB-AL).
As razões do pedido de cassação
O que está nos relatórios de Marisa Serrano (PSDB-MS) e Renato Casagrande (PSB-ES):
1. Uso do lobista Cláudio Gontijo como intermediário do pagamento de pensão para a jornalista Mônica Veloso, com quem o senador tem uma filha. Gontijo é funcionário da Mendes Júnior, empreiteira beneficiada com emenda de Renan ao Orçamento
2. O senador não conseguiu comprovar que tinha dinheiro suficiente para pagar pensão da filha que tem com Mônica
3. Irregularidades nas declarações do Imposto de Renda
4. Renan teria omitido dados sobre contas bancárias na documentação encaminhada ao Conselho de Ética
5. O senador declarou como renda a verba indenizatória do Senado, que só pode ser usada para ressarcir despesas relacionadas ao mandato
6. Renan não informou à Receita Federal um suposto empréstimo contraído junto à empresa Costa Dourada Veículos
7. Os relatores dizem que Renan mentiu ao Senado em vários momentos de sua defesa. Por exemplo, disse que saques de sua conta bancária eram para pagar pensão de Mônica Veloso. A investigação mostrou que esses saques foram para bancar despesas de suas fazendas.
8. O senador teria omitido informações durante as investigações e usado seu cargo de presidente do Senado para pressionar funcionários da Casa a dar pareceres a seu favor.
Leandro Colon e Marcelo Rocha
Correio Braziliense
Correio Braziliense
PT tenta jogar a possibilidade de uma eventual absolvição nas costas dos partidos de oposição e libera senadores para que cada um vote como quiser
Sem consenso, a reunião deixou de lado qualquer tipo de contagem de votos. Se isso ocorresse, Renan teria, no máximo, quatro declarados a seu favor: a própria Ideli, além de Serys Slhessarenko (PT-MT), Fátima Cleide (PT-RO) e Sibá Machado (PT-AC). Nas contas de petistas, devem votar pela cassação os senadores Delcidio Amaral (PT-MS), Eduardo Suplicy (PT-SP), Augusto Botelho (PT-RR), Flávio Arns (PT-PR), Paulo Paim (PT-RS) e João Pedro (PT-AM).
Este último, porém, sempre aparece na lista dos aliados de Renan contra a cassação, embora garanta que manterá a postura adotada no Conselho de Ética pela perda do mandato do senador. Suplicy visitou Renan em seu gabinete no início da noite de ontem. Recebeu do presidente do Senado um documento sobre sua defesa. Um memorial que também foi distribuído aos outros senadores. Ao fim do encontro, o senador do PT não quis informar se manterá ou não seu voto pró-cassação.
As incógnitas dentro do PT ficam por conta de Tião Viana (PT-AC) e Aloizio Mercadante (PT-SP). O primeiro, vice-presidente do Senado, nem apareceu na reunião da bancada. Preferiu manter a discrição com o argumento de que presidirá a sessão secreta de hoje. Nas listas da oposição, Viana surge como expectativa de voto pró-cassação. Já Mercadante continua em cima do muro, e promete decidir o voto após a defesa de Renan em plenário. “É preciso aguardar o amplo direito de defesa para tomar uma posição”, disse.
Na avaliação de um senador petista a favor da cassação, Renan deve partir para o “chute na canela” em busca de votos dentro do PT nos poucos minutos que restam antes da votação. O peemedebista aposta que pode reverter alguma coisa no partido com sua defesa em plenário.
Aliado de Renan, o líder do PMDB, Valdir Raupp (RO), minimizou a dificuldade de apoio dentro do PT. “Sessão secreta não tem fechamento de questão. Nem o PMDB orientou seus senadores”, afirmou.
Cobrança
O presidente do Senado já deixou claro que espera o apoio do partido na votação de hoje. O aviso tem sido repetido por ele à líder do PT desde o começo da crise, há mais de três meses. Da tropa de choque de Renan, Ideli repete todos os dias que o PT não será fiel da balança nesta votação. Alega que há divisão em todas as legendas. E tenta jogar a responsabilidade para a oposição, com o discurso de que senadores votarão pela cassação de olho na cadeira de presidente do Senado. “Na minha convicção, é um erro poder julgar alguém na cadeira de presidente”, disse. Ideli deve também adotar essa retórica na sessão em plenário. “Existe o risco da contaminação (pelo desejo de suceder de Renan)”, ressaltou.
Sem consenso em torno do peemedebista, o PT anunciou um apoio simbólico ao projeto de Delcidio e Suplicy que acaba com a sessão secreta de hoje. Apoio em vão, porque a proposta ficou de lado e não ofereceu qualquer risco aos aliados de Renan, favoráveis ao fechamento do plenário. A sessão vai julgar a acusação de que Renan recebeu ajuda do lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior, para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha de três anos.
O Conselho de Ética aprovou, por 11 votos a quatro, relatório que pede a cassação do senador, com a alegação de que ele não conseguiu comprovar rendimentos agropecuários suficientes para essas despesas. Depois de passar o dia em longas conversas e telefonemas com os colegas que vão decidir seu futuro, Renan deixou o Senado às 21h40.
DIVISÃO NO DF
Dos três representantes do Distrito Federal no Senado, dois têm posição reconhecidamente clara na votação desta tarde. Cristovam Buarque (PDT) vota pela cassação. Suplente de Joaquim Roriz, Gim Argello (PTB) vota contra a cassação. Suplente do vice-governador Paulo Octávio, Adelmir Santana (DEM) é uma incógnita. Diz que votará pela cassação, mas figura como voto certo na lista dos aliados de Renan Calheiros (PMDB-AL).
As razões do pedido de cassação
O que está nos relatórios de Marisa Serrano (PSDB-MS) e Renato Casagrande (PSB-ES):
1. Uso do lobista Cláudio Gontijo como intermediário do pagamento de pensão para a jornalista Mônica Veloso, com quem o senador tem uma filha. Gontijo é funcionário da Mendes Júnior, empreiteira beneficiada com emenda de Renan ao Orçamento
2. O senador não conseguiu comprovar que tinha dinheiro suficiente para pagar pensão da filha que tem com Mônica
3. Irregularidades nas declarações do Imposto de Renda
4. Renan teria omitido dados sobre contas bancárias na documentação encaminhada ao Conselho de Ética
5. O senador declarou como renda a verba indenizatória do Senado, que só pode ser usada para ressarcir despesas relacionadas ao mandato
6. Renan não informou à Receita Federal um suposto empréstimo contraído junto à empresa Costa Dourada Veículos
7. Os relatores dizem que Renan mentiu ao Senado em vários momentos de sua defesa. Por exemplo, disse que saques de sua conta bancária eram para pagar pensão de Mônica Veloso. A investigação mostrou que esses saques foram para bancar despesas de suas fazendas.
8. O senador teria omitido informações durante as investigações e usado seu cargo de presidente do Senado para pressionar funcionários da Casa a dar pareceres a seu favor.