antigas Publicado: 19/09/2007 | 09:19

Falta ao Brasil uma política nacional de desenvolvimento

Luciana Collet e Silvia Regina Rosa
Gazeta Mercantil

A falta de uma política nacional de desenvolvimento e o cenário interno macroeconômico desfavorável para o crescimento do País foram as principais críticas dos representantes da indústria que participaram ontem do 4 Fórum de Economia, organizado pela Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EESP-FGV). "Apesar de todo o cenário externo favorável, há inúmeros desafios para o Brasil. A política de juros é desfavorável, a política de câmbio é desfavorável, a carga tributária é desfavorável", resumiu ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira, coordenador do evento, encerrado ontem.
"O Brasil sempre teve uma certa penalidade por fatores externo, as hoje, com exceção dos produtores de petróleo, o Brasil é o país com cenário externo mais favorável, por isso é escancarado a possibilidade de viabilizar o crescimento econômico", acrescentou o presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Beijamin Steinbruch, ressaltando que o que falta é vontade de fazer e capacidade de gestão. "Se existe uma doença brasileira é essa e a cura depende de nós", ressaltou, destacando a necessidade de uma mudança da política macroeconômica.
"O Brasil precisa dramaticamente de uma estratégia nacional de desenvolvimento", complementou Bresser-Pereira, destacando que o centro não é uma política industrial, mas uma política econômica que favoreça o desenvolvimento. Para o economista, é possível fazer um acordo nacional em torno de uma disciplina mais dura, um câmbio mais alto e juros mais baixos. Além disso, o governo deveria investir em educação, saúde e infra-estrutura. "O capital privado investe no resto."
Para o também ex-ministro Antonio Delfim Netto, o crescimento da economia brasileira deve passar necessariamente pelo desenvolvimento do setor industrial, especialmente de produtos manufaturados. "Não há nenhuma chance de se voltar a ter um crescimento robusto, sem que ele afete o balanço de pagamentos, a não ser pelo setor de manufaturados", disse, ressaltando que a participação brasileira no total das exportações mundiais de manufaturados hoje está em cerca de 1%. "O setor industrial é aquele que pode ser motor de desenvolvimento", acrescentou o superintendente geral da Coteminas, Josué Christiano Gomes da Silva. "Ao final corremos o risco de nos tornar uma Argentina, ou um México, apenas com indústria de montagem."
O presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Armando Monteiro Neto, defendeu uma política industrial que seja colocada no centro da estratégia de desenvolvimento.
Para José Roberto Mendonça de Barros, sócio-diretor da MB Associados, o Brasil deve se espelhar no modelo escandinavo de crescimento e buscar agregar valor aos produtos do setor de commodities, com vistas a desenvolver toda a cadeia com o investimento em inovação e conhecimento na indústria de transformação. "Os setores mais afetados pela ‘doença holandesa’ – valorização cambial impulsionada pela valorização do preço dos recursos naturais provocando o declínio do setor industrial – que empregam mão-de-obra intensiva devem investir na internacionalização e redefinir sua estratégia, buscando diversificar seus produtos para ganhar competitividade", afirma.
Barros ressalta que no Brasil a entrada de recursos estrangeiros, gerando superávit na conta financeira, tem um papel relevante na valorização cambial.

Luciana Collet e Silvia Regina Rosa
Gazeta Mercantil

A falta de uma política nacional de desenvolvimento e o cenário interno macroeconômico desfavorável para o crescimento do País foram as principais críticas dos representantes da indústria que participaram ontem do 4 Fórum de Economia, organizado pela Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EESP-FGV). "Apesar de todo o cenário externo favorável, há inúmeros desafios para o Brasil. A política de juros é desfavorável, a política de câmbio é desfavorável, a carga tributária é desfavorável", resumiu ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira, coordenador do evento, encerrado ontem.
"O Brasil sempre teve uma certa penalidade por fatores externo, as hoje, com exceção dos produtores de petróleo, o Brasil é o país com cenário externo mais favorável, por isso é escancarado a possibilidade de viabilizar o crescimento econômico", acrescentou o presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Beijamin Steinbruch, ressaltando que o que falta é vontade de fazer e capacidade de gestão. "Se existe uma doença brasileira é essa e a cura depende de nós", ressaltou, destacando a necessidade de uma mudança da política macroeconômica.
"O Brasil precisa dramaticamente de uma estratégia nacional de desenvolvimento", complementou Bresser-Pereira, destacando que o centro não é uma política industrial, mas uma política econômica que favoreça o desenvolvimento. Para o economista, é possível fazer um acordo nacional em torno de uma disciplina mais dura, um câmbio mais alto e juros mais baixos. Além disso, o governo deveria investir em educação, saúde e infra-estrutura. "O capital privado investe no resto."
Para o também ex-ministro Antonio Delfim Netto, o crescimento da economia brasileira deve passar necessariamente pelo desenvolvimento do setor industrial, especialmente de produtos manufaturados. "Não há nenhuma chance de se voltar a ter um crescimento robusto, sem que ele afete o balanço de pagamentos, a não ser pelo setor de manufaturados", disse, ressaltando que a participação brasileira no total das exportações mundiais de manufaturados hoje está em cerca de 1%. "O setor industrial é aquele que pode ser motor de desenvolvimento", acrescentou o superintendente geral da Coteminas, Josué Christiano Gomes da Silva. "Ao final corremos o risco de nos tornar uma Argentina, ou um México, apenas com indústria de montagem."
O presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Armando Monteiro Neto, defendeu uma política industrial que seja colocada no centro da estratégia de desenvolvimento.
Para José Roberto Mendonça de Barros, sócio-diretor da MB Associados, o Brasil deve se espelhar no modelo escandinavo de crescimento e buscar agregar valor aos produtos do setor de commodities, com vistas a desenvolver toda a cadeia com o investimento em inovação e conhecimento na indústria de transformação. "Os setores mais afetados pela ‘doença holandesa’ – valorização cambial impulsionada pela valorização do preço dos recursos naturais provocando o declínio do setor industrial – que empregam mão-de-obra intensiva devem investir na internacionalização e redefinir sua estratégia, buscando diversificar seus produtos para ganhar competitividade", afirma.
Barros ressalta que no Brasil a entrada de recursos estrangeiros, gerando superávit na conta financeira, tem um papel relevante na valorização cambial.