antigas Publicado: 20/09/2007 | 11:52

Lula: não se governa sem o tributo

Daniel Pereira
Correio Braziliense

Presidente elogia o Congresso Nacional e afirma que nenhum partido poderia abrir mão da CPMF agora. Para ele, só quem quer “inviabilizar o Brasil” é contra prorrogar a contribuição até 2011

Na tentativa de reduzir a resistência parlamentar à aprovação da proposta de prorrogação da CPMF até 2011, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou ontem o Congresso. Agradeceu a deputados e senadores pela aprovação de projetos do PAC que abrem espaço para mais investimentos públicos. E disse que a Câmara e o Senado “muitas vezes” melhoram as propostas apresentadas pelo governo. Os afagos deram o tom do discurso presidencial na cerimônia de anúncio do chamado “PAC Funasa” (leia mais na página 19). Foram deixados de lado uma única vez, quando o presidente afirmou que a resistência à prorrogação da CPMF parte de grupos que trabalham para inviabilizar o país.

“Qualquer pessoa de juízo, a não ser aqueles que querem inviabilizar o Brasil, sabe que nem o governo Lula nem o governo de qualquer outro ser humano poderiam abrir mão da CPMF neste instante”, declarou Lula. “Aqueles que acham que é simples acabar deveriam propor acabar depois de 2010, para saber que nenhum governo, nem do PT, nem do PMDB, nem do PSDB, nem do PFL, conseguiria governar sem a CPMF”, acrescentou o presidente.

No Congresso, o movimento pela extinção do tributo é capitaneado por tucanos e democratas. No meio empresarial, pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A alegação do grupo é de que o momento é propício para a redução do fardo tributário, porque a arrecadação federal tem batido recordes sucessivos. 
 
“Vivo o melhor momento”

Nunca antes na história deste país, Luiz Inácio Lula da Silva foi tão feliz. “Estou vivendo o melhor momento da minha vida como presidente”, declarou ontem. E prometeu transformar o Brasil numa potência, “uma grande economia mundial”, deixando o patamar de emergente e eterna nação do futuro. “Ninguém segura este país”, disse Lula, durante o lançamento do “PAC Funasa”.

Diante de uma platéia amistosa, o presidente mencionou alguns motivos de tanta satisfação. Citou o resultado da mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o levantamento, o crescimento anual da renda do trabalhador atingiu 7,2% em 2006, o maior aumento desde 1995.

Além disso, a renda média da metade mais pobre da população superou a registrada em 1996 (R$ 293 contra R$ 267). “Quando cunhamos o slogan ‘Brasil, um país de todos’, é porque nós, efetivamente, queremos e vamos governar para todos. Mas, entre esses todos, temos que olhar uma parte que precisa mais do Estado”, afirmou Lula. “É por isso que temos uma política privilegiando os setores mais empobrecidos da população. Até porque o Brasil que eu sonho é um país de classe média muito ampla. Eu não quero 35 milhões de classe média, cinco milhões de ricos e 100 milhões de pobres. Quero uma maioria de gente na classe média.”

Crescimento
O presidente também festejou o crescimento econômico no segundo trimestre, que foi de 5,4% sobre o mesmo período do ano passado, segundo o IBGE. O percentual está acima da meta de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) fixada pelo governo, que é de 4,5% neste ano e de 5% entre 2008 e 2010. “A porca entortou o rabo, não deu certo e agora eles estão perdendo dinheiro”, afirmou Lula, referindo-se à turbulência no mercado financeiro internacional e seu impacto nos Estados Unidos e na Europa.

“E o Brasil está tranqüilo. Até agora, essa crise não chegou à fronteira brasileira, porque nos preparamos juntando um volume de reservas internacionais de 162 bilhões de dólares. Não devemos nada ao FMI.” De acordo com Lula, seu sucessor encontrará um país arrumado e com projetos em andamento, ao contrário do que herdou. Seu legado será tão positivo que terá o condão, inclusive, de rejuvenescer o presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). “Estou convencido, meu caro Arlindo, de que esses seus cabelos brancos ficarão mais negros se você conseguir aprovar tudo o que vamos mandar para lá.”

Daniel Pereira
Correio Braziliense

Presidente elogia o Congresso Nacional e afirma que nenhum partido poderia abrir mão da CPMF agora. Para ele, só quem quer “inviabilizar o Brasil” é contra prorrogar a contribuição até 2011

Na tentativa de reduzir a resistência parlamentar à aprovação da proposta de prorrogação da CPMF até 2011, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou ontem o Congresso. Agradeceu a deputados e senadores pela aprovação de projetos do PAC que abrem espaço para mais investimentos públicos. E disse que a Câmara e o Senado “muitas vezes” melhoram as propostas apresentadas pelo governo. Os afagos deram o tom do discurso presidencial na cerimônia de anúncio do chamado “PAC Funasa” (leia mais na página 19). Foram deixados de lado uma única vez, quando o presidente afirmou que a resistência à prorrogação da CPMF parte de grupos que trabalham para inviabilizar o país.

“Qualquer pessoa de juízo, a não ser aqueles que querem inviabilizar o Brasil, sabe que nem o governo Lula nem o governo de qualquer outro ser humano poderiam abrir mão da CPMF neste instante”, declarou Lula. “Aqueles que acham que é simples acabar deveriam propor acabar depois de 2010, para saber que nenhum governo, nem do PT, nem do PMDB, nem do PSDB, nem do PFL, conseguiria governar sem a CPMF”, acrescentou o presidente.

No Congresso, o movimento pela extinção do tributo é capitaneado por tucanos e democratas. No meio empresarial, pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A alegação do grupo é de que o momento é propício para a redução do fardo tributário, porque a arrecadação federal tem batido recordes sucessivos. 
 
“Vivo o melhor momento”

Nunca antes na história deste país, Luiz Inácio Lula da Silva foi tão feliz. “Estou vivendo o melhor momento da minha vida como presidente”, declarou ontem. E prometeu transformar o Brasil numa potência, “uma grande economia mundial”, deixando o patamar de emergente e eterna nação do futuro. “Ninguém segura este país”, disse Lula, durante o lançamento do “PAC Funasa”.

Diante de uma platéia amistosa, o presidente mencionou alguns motivos de tanta satisfação. Citou o resultado da mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o levantamento, o crescimento anual da renda do trabalhador atingiu 7,2% em 2006, o maior aumento desde 1995.

Além disso, a renda média da metade mais pobre da população superou a registrada em 1996 (R$ 293 contra R$ 267). “Quando cunhamos o slogan ‘Brasil, um país de todos’, é porque nós, efetivamente, queremos e vamos governar para todos. Mas, entre esses todos, temos que olhar uma parte que precisa mais do Estado”, afirmou Lula. “É por isso que temos uma política privilegiando os setores mais empobrecidos da população. Até porque o Brasil que eu sonho é um país de classe média muito ampla. Eu não quero 35 milhões de classe média, cinco milhões de ricos e 100 milhões de pobres. Quero uma maioria de gente na classe média.”

Crescimento
O presidente também festejou o crescimento econômico no segundo trimestre, que foi de 5,4% sobre o mesmo período do ano passado, segundo o IBGE. O percentual está acima da meta de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) fixada pelo governo, que é de 4,5% neste ano e de 5% entre 2008 e 2010. “A porca entortou o rabo, não deu certo e agora eles estão perdendo dinheiro”, afirmou Lula, referindo-se à turbulência no mercado financeiro internacional e seu impacto nos Estados Unidos e na Europa.

“E o Brasil está tranqüilo. Até agora, essa crise não chegou à fronteira brasileira, porque nos preparamos juntando um volume de reservas internacionais de 162 bilhões de dólares. Não devemos nada ao FMI.” De acordo com Lula, seu sucessor encontrará um país arrumado e com projetos em andamento, ao contrário do que herdou. Seu legado será tão positivo que terá o condão, inclusive, de rejuvenescer o presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). “Estou convencido, meu caro Arlindo, de que esses seus cabelos brancos ficarão mais negros se você conseguir aprovar tudo o que vamos mandar para lá.”