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Publicado: 26/09/2007 | 08:47
Brasília-DF - A receita dos governadores
Correio Braziliense
Se quiser votos seguros para aprovar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), o presidente Lula terá que conquistar os governadores que começam a desenhar algumas alternativas para discutir com a equipe econômica. No elenco de propostas que beneficiam os estados e podem servir a setores da economia estão o aumento de repasses da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide), dos recursos decorrentes da Lei Kandir e a redução do PIS/Cofins (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social) na área de saneamento. Nas três áreas o governo terá o discurso de incrementar o setor de transportes, compensar o setor exportador com a queda do câmbio e aliviar a carga sobre investimentos em saneamento, essencial para a saúde.
Essas três ações juntas representariam gastar R$ 6 bilhões para aprovar R$ 40 bilhões. Para muitos governadores de oposição e aliados de Lula, soa mais barato do que o toma-lá-dá-cá varejista. E mais: será vista com simpatia pela turma dos tucanos, hoje mais interessados em tocar seus governos do que partir para a oposição pura e simples à CPMF. A palavra de ordem desse grupo hoje é o pragmatismo. Mas toda essa conversa só passará para o primeiro plano quando a CPMF chegar ao Senado. Até lá, nenhum tucano falará em favor do imposto.
O freio de Jucá
O que levou o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), a cancelar a reunião de líderes convocada há dois dias foi a leitura dos jornais ontem pela manhã, dando o tom de isolamento do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Tudo o que Jucá não deseja é passar para a posteridade como aquele que ajudou a empurrar o amigo alagoano para o cadafalso.
Visão externa
Quem acompanha a uma certa distância o desenrolar da crise do Senado acredita que Renan Calheiros está nos estertores. Sobreviverá como senador, mas não como presidente da Casa.
Remédio
Os caciques tucanos do Congresso se preparam para usar no caso de Eduardo Azeredo o mesmo argumento que o PT usou para deixar o presidente Lula longe dessa história de mensalão: não saber nada.
Padrinho forte
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), não só concordou com a escolha do petista Jorge Viana para presidir a fábrica de helicópteros Helibrás, como também dá uma forcinha na busca de encomendas. Dia desses, numa conversa com seu colega Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, Aécio foi direto: “Se for comprar helicópteros, dê preferência ao produto nacional”, comentou, referindo-se ao potencial da empresa e ao novo presidente do conselho da empresa, Jorge Viana.
No cafezinhoÓ o auê aê aí ó!/ Conhecido por seu jeito brincalhão, o deputado Raul Jungmann (foto) esbarrou propositadamente nos colegas que se aglomeravam em frente ao cafezinho da Câmara para abrir passagem. O deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC), um dos deslocados pelo ombro do pernambucano, soltou a piada: “Raul, você está me confundindo com um segurança do Senado?”. Jungmann, de pronto, respondeu: “Vocês não me dão licença, eu abro caminho!”, brincou, no estilo pit boy.
Perfil/ O processo de expulsão dos três deputados do Democratas que contrariaram orientação do partido e votaram a favor da prorrogação da CPMF teve seu relator definido ontem. Caberá ao tesoureiro do DEM, o ex-deputado Saulo Queiroz (MS), indicar o destino de Robson Rodovalho (DF), Lael Varella (MG) e Edmar Moreira (MG). Queiroz é defensor ferrenho da fidelidade partidária.
Para a posteridade/ A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, prepara uma proposta de Lei de Responsabilidade Fiscal para o estado. Não quer que nenhum outro governador pegue as contas do jeito que ela encontrou.
Direito autoral/ O senador licenciado Fernando Collor (PDT-AL) não escondia que há um dedo seu na candidatura do Rio de Janeiro como cidade-sede da Rio+20, formalizada por Lula ontem na Assembléia Geral da ONU. Em Alagoas, lembrou a colegas que partiu dele a sugestão de reeditar a conferência mundial do meio ambiente na cidade onde o debate foi aberto em 1992.
Correio Braziliense
Se quiser votos seguros para aprovar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), o presidente Lula terá que conquistar os governadores que começam a desenhar algumas alternativas para discutir com a equipe econômica. No elenco de propostas que beneficiam os estados e podem servir a setores da economia estão o aumento de repasses da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide), dos recursos decorrentes da Lei Kandir e a redução do PIS/Cofins (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social) na área de saneamento. Nas três áreas o governo terá o discurso de incrementar o setor de transportes, compensar o setor exportador com a queda do câmbio e aliviar a carga sobre investimentos em saneamento, essencial para a saúde.
Essas três ações juntas representariam gastar R$ 6 bilhões para aprovar R$ 40 bilhões. Para muitos governadores de oposição e aliados de Lula, soa mais barato do que o toma-lá-dá-cá varejista. E mais: será vista com simpatia pela turma dos tucanos, hoje mais interessados em tocar seus governos do que partir para a oposição pura e simples à CPMF. A palavra de ordem desse grupo hoje é o pragmatismo. Mas toda essa conversa só passará para o primeiro plano quando a CPMF chegar ao Senado. Até lá, nenhum tucano falará em favor do imposto.
O freio de Jucá
O que levou o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), a cancelar a reunião de líderes convocada há dois dias foi a leitura dos jornais ontem pela manhã, dando o tom de isolamento do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Tudo o que Jucá não deseja é passar para a posteridade como aquele que ajudou a empurrar o amigo alagoano para o cadafalso.
Visão externa
Quem acompanha a uma certa distância o desenrolar da crise do Senado acredita que Renan Calheiros está nos estertores. Sobreviverá como senador, mas não como presidente da Casa.
Remédio
Os caciques tucanos do Congresso se preparam para usar no caso de Eduardo Azeredo o mesmo argumento que o PT usou para deixar o presidente Lula longe dessa história de mensalão: não saber nada.
Padrinho forte
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), não só concordou com a escolha do petista Jorge Viana para presidir a fábrica de helicópteros Helibrás, como também dá uma forcinha na busca de encomendas. Dia desses, numa conversa com seu colega Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, Aécio foi direto: “Se for comprar helicópteros, dê preferência ao produto nacional”, comentou, referindo-se ao potencial da empresa e ao novo presidente do conselho da empresa, Jorge Viana.
No cafezinhoÓ o auê aê aí ó!/ Conhecido por seu jeito brincalhão, o deputado Raul Jungmann (foto) esbarrou propositadamente nos colegas que se aglomeravam em frente ao cafezinho da Câmara para abrir passagem. O deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC), um dos deslocados pelo ombro do pernambucano, soltou a piada: “Raul, você está me confundindo com um segurança do Senado?”. Jungmann, de pronto, respondeu: “Vocês não me dão licença, eu abro caminho!”, brincou, no estilo pit boy.
Perfil/ O processo de expulsão dos três deputados do Democratas que contrariaram orientação do partido e votaram a favor da prorrogação da CPMF teve seu relator definido ontem. Caberá ao tesoureiro do DEM, o ex-deputado Saulo Queiroz (MS), indicar o destino de Robson Rodovalho (DF), Lael Varella (MG) e Edmar Moreira (MG). Queiroz é defensor ferrenho da fidelidade partidária.
Para a posteridade/ A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, prepara uma proposta de Lei de Responsabilidade Fiscal para o estado. Não quer que nenhum outro governador pegue as contas do jeito que ela encontrou.
Direito autoral/ O senador licenciado Fernando Collor (PDT-AL) não escondia que há um dedo seu na candidatura do Rio de Janeiro como cidade-sede da Rio+20, formalizada por Lula ontem na Assembléia Geral da ONU. Em Alagoas, lembrou a colegas que partiu dele a sugestão de reeditar a conferência mundial do meio ambiente na cidade onde o debate foi aberto em 1992.