antigas Publicado: 27/09/2007 | 11:50

O retorno dos aposentados ao mercado de trabalho carioca

Luciana Gondim
Jornal do Brasil

Vinte e oito anos de trabalho com crianças não foram suficientes para convencer a professora Maria Nazareth Mendes, de 70 anos, de que era hora de deixar o quadro-negro. Mesmo com a aposentadoria garantida, a idosa se recusou a abandonar a sala de aula, correu atrás de um novo emprego e acaba de ser contratada para lecionar português e matemática para adultos em uma escola municipal.

Histórias como a da professora são cada vez mais comuns na cidade do Rio. Pesquisa da Fecomércio-RJ, realizada com 509 pessoas com idade superior a 55 anos, revela que 80,7% estão aposentados ou recebem algum tipo de pensão. Entre esse público, 24,5% voltaram a trabalhar - um em cada quatro aposentados na cidade.

Mesmo com uma aposentadoria de R$ 1.300 fica difícil pagar as contas e ainda ajudar a família - conta Maria Nazareth. - Como professor ganha muito pouco, aceitei a nova proposta para ganhar R$ 500 por mês, e dar aulas de segunda à sexta, no turno da noite.

A pesquisa da Fecomércio-RJ comprova que o esforço da professora em não desistir da carreira tem fundamento e provavelmente será recompensado. Números mostram que a permanência em algum tipo de atividade profissional permitiu que a maioria dos idosos conseguisse ao menos dobrar seu orçamento. Entre esse público, 42,3% têm faixa salarial maior do que a aposentadoria ou pensão e 17,9%, rendimento igual. A informalidade também cresceu nesta faixa acima dos 55 anos: o número de idosos que trabalham sem carteira assinada passou de 18,8%, no ano passado, para 24,4%, em setembro deste ano.

Para o presidente da Fecomércio-RJ, Orlando Diniz, a expansão da renda da população mais velha é uma tendência recente, decorrente do aumento da demanda do mercado carioca por profissionais mais experientes. Segundo ele, o número de aposentados que voltou a atuar na mesma área em que trabalhava passou de 45% em 2006 para para 48,7% este ano. Entre esse público, 65,4% retornaram ao mercado de trabalho por necessidade.

Como os idosos têm mais experiência que os jovens, isso conta como vantagem comparativa na hora da contratação - explica Diniz. - A renda aumentou também porque 75% dos idosos cariocas recebem a única ou a maior remuneração entre os integrantes da família, ou seja, são os chefes de família. Na tentativa de incrementar o orçamento, eles foram obrigados a procurar novos empregos.

Mesmo com a aposentadoria assegurada, a enfermeira Lúcia dos Santos, de 65 anos, resolveu prestar concurso para a Secretaria Municipal de Saúde do Rio. Preocupada em manter a saúde e o padrão de vida, a enfermeira enxergou no novo emprego uma oportunidade de melhorar sua qualidade de vida.

Se não estivesse trabalhando, não conseguiria pagar aluguel, condomínio, comer bem, cuidar da minha saúde, nem viajar, que é um supérfluo necessário para quem já viveu muito - ensina.

A pesquisa da Fecomércio-RJ aponta que a alimentação consome a maior parte da renda das pessoas com mais de 55 anos de idade (42% do total de despesas). Em seguida estão os gastos com remédios (24,6%), planos de saúde (8,1%), aluguel (7,9%), lazer (5,5%) e educação (1,6%).

Luciana Gondim
Jornal do Brasil

Vinte e oito anos de trabalho com crianças não foram suficientes para convencer a professora Maria Nazareth Mendes, de 70 anos, de que era hora de deixar o quadro-negro. Mesmo com a aposentadoria garantida, a idosa se recusou a abandonar a sala de aula, correu atrás de um novo emprego e acaba de ser contratada para lecionar português e matemática para adultos em uma escola municipal.

Histórias como a da professora são cada vez mais comuns na cidade do Rio. Pesquisa da Fecomércio-RJ, realizada com 509 pessoas com idade superior a 55 anos, revela que 80,7% estão aposentados ou recebem algum tipo de pensão. Entre esse público, 24,5% voltaram a trabalhar - um em cada quatro aposentados na cidade.

Mesmo com uma aposentadoria de R$ 1.300 fica difícil pagar as contas e ainda ajudar a família - conta Maria Nazareth. - Como professor ganha muito pouco, aceitei a nova proposta para ganhar R$ 500 por mês, e dar aulas de segunda à sexta, no turno da noite.

A pesquisa da Fecomércio-RJ comprova que o esforço da professora em não desistir da carreira tem fundamento e provavelmente será recompensado. Números mostram que a permanência em algum tipo de atividade profissional permitiu que a maioria dos idosos conseguisse ao menos dobrar seu orçamento. Entre esse público, 42,3% têm faixa salarial maior do que a aposentadoria ou pensão e 17,9%, rendimento igual. A informalidade também cresceu nesta faixa acima dos 55 anos: o número de idosos que trabalham sem carteira assinada passou de 18,8%, no ano passado, para 24,4%, em setembro deste ano.

Para o presidente da Fecomércio-RJ, Orlando Diniz, a expansão da renda da população mais velha é uma tendência recente, decorrente do aumento da demanda do mercado carioca por profissionais mais experientes. Segundo ele, o número de aposentados que voltou a atuar na mesma área em que trabalhava passou de 45% em 2006 para para 48,7% este ano. Entre esse público, 65,4% retornaram ao mercado de trabalho por necessidade.

Como os idosos têm mais experiência que os jovens, isso conta como vantagem comparativa na hora da contratação - explica Diniz. - A renda aumentou também porque 75% dos idosos cariocas recebem a única ou a maior remuneração entre os integrantes da família, ou seja, são os chefes de família. Na tentativa de incrementar o orçamento, eles foram obrigados a procurar novos empregos.

Mesmo com a aposentadoria assegurada, a enfermeira Lúcia dos Santos, de 65 anos, resolveu prestar concurso para a Secretaria Municipal de Saúde do Rio. Preocupada em manter a saúde e o padrão de vida, a enfermeira enxergou no novo emprego uma oportunidade de melhorar sua qualidade de vida.

Se não estivesse trabalhando, não conseguiria pagar aluguel, condomínio, comer bem, cuidar da minha saúde, nem viajar, que é um supérfluo necessário para quem já viveu muito - ensina.

A pesquisa da Fecomércio-RJ aponta que a alimentação consome a maior parte da renda das pessoas com mais de 55 anos de idade (42% do total de despesas). Em seguida estão os gastos com remédios (24,6%), planos de saúde (8,1%), aluguel (7,9%), lazer (5,5%) e educação (1,6%).