antigas Publicado: 28/09/2007 | 08:32

Inflação começa a corroer salários

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Impacto dos preços no bolso do brasileiro leva BC a reduzir previsão de consumo das famílias. IGP-M supera 1% e é o maior desde 2004

As famílias brasileiras já sentem no bolso os efeitos negativos da disparada da inflação, impulsionada, sobretudo, pelos preços dos alimentos. Segundo informou ontem o diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Mário Mesquita, a massa salarial, que é resultado da soma dos rendimentos dos trabalhadores com o número de empregos, está crescendo este ano 4,1%, índice inferior aos registrados em 2005 (+4,6%) e 2006 (+6,4%). “Nem mesmo o número maior de vagas no mercado de trabalho está sendo suficiente para evitar o recuo no crescimento da massa salarial”, afirmou. Ele destacou ainda que o BC elevou as estimativas do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para este ano, de 3,5% para 4%, e para 2008, de 4,1% para 4,2%, taxas ainda inferiores ao centro da meta definida pelo governo, de 4,5%.

O impacto da alta da inflação na renda da população foi tão evidente, que o BC reviu para baixo — ainda que na margem — a previsão de aumento do consumo das famílias em 2007. Em junho, a expectativa era de que houvesse alta de 6,1%. Agora, o BC projeta incremento de 6%. Esse, por sinal, foi um dos motivos que levou a instituição a manter em 4,7% a projeção de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. O consumo das famílias representa 60% do cálculo do PIB. “A inflação maior está afetando, principalmente, a renda das famílias de menor poder aquisitivo (até seis salários mínimos mensais), que destinam a maior parte do orçamento para a compra de alimentos”, frisou o diretor do BC. “Portanto, vamos ver uma acomodação do consumo das famílias”, emendou.

Nas contas de Mesquita, a inflação média mensal deste ano está em 0,35% ante o 0,26% verificado em 2006. Além disso, destacou, os reajustes de preços estão mais disseminados pela economia, não se concentrando apenas no grupo de alimentos. Para comprovar a generalização dos aumentos, o BC usa o chamado índice de difusão, que fechou agosto em 63%, acima dos 60% verificados em 2005, quando a inflação encostou nos 6%. Esse volume maior de reajustes está sendo facilitado, no entender do diretor do BC, pela robustez da economia, que facilita repasses de custos pelas empresas para ampliar as margens de lucro das empresas. “É por isso que acreditamos que chegou ao fim o ciclo de cortes da taxa básica de juros (Selic)”, assinalou o economista-chefe do Unibanco, Marcelo Salomon.

O atual patamar de reajustes levou o BC a fazer um estudo especial sobre a rigidez dos preços no Brasil, divulgado ontem no relatório trimestral de inflação. Segundo Mesquita, 37% de todos os preços das economia são aumentados mensalmente. Em geral, quando os preços são reajustados, eles aumentam 27% mais do que quando caem, característica comum de países que ainda carregam na memória longos ciclos de inflação alta, como é o caso do Brasil. O diretor do BC garantiu, porém, que a instituição agirá para manter o poder de compra das famílias. “A recente queda de popularidade do presidente Lula nas pesquisas pode ser um indício do descontentamento da população com a inflação maior”, enfatizou o economista Nuno Câmara, do Dresdner Bank em Nova York.

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Impacto dos preços no bolso do brasileiro leva BC a reduzir previsão de consumo das famílias. IGP-M supera 1% e é o maior desde 2004

As famílias brasileiras já sentem no bolso os efeitos negativos da disparada da inflação, impulsionada, sobretudo, pelos preços dos alimentos. Segundo informou ontem o diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Mário Mesquita, a massa salarial, que é resultado da soma dos rendimentos dos trabalhadores com o número de empregos, está crescendo este ano 4,1%, índice inferior aos registrados em 2005 (+4,6%) e 2006 (+6,4%). “Nem mesmo o número maior de vagas no mercado de trabalho está sendo suficiente para evitar o recuo no crescimento da massa salarial”, afirmou. Ele destacou ainda que o BC elevou as estimativas do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para este ano, de 3,5% para 4%, e para 2008, de 4,1% para 4,2%, taxas ainda inferiores ao centro da meta definida pelo governo, de 4,5%.

O impacto da alta da inflação na renda da população foi tão evidente, que o BC reviu para baixo — ainda que na margem — a previsão de aumento do consumo das famílias em 2007. Em junho, a expectativa era de que houvesse alta de 6,1%. Agora, o BC projeta incremento de 6%. Esse, por sinal, foi um dos motivos que levou a instituição a manter em 4,7% a projeção de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. O consumo das famílias representa 60% do cálculo do PIB. “A inflação maior está afetando, principalmente, a renda das famílias de menor poder aquisitivo (até seis salários mínimos mensais), que destinam a maior parte do orçamento para a compra de alimentos”, frisou o diretor do BC. “Portanto, vamos ver uma acomodação do consumo das famílias”, emendou.

Nas contas de Mesquita, a inflação média mensal deste ano está em 0,35% ante o 0,26% verificado em 2006. Além disso, destacou, os reajustes de preços estão mais disseminados pela economia, não se concentrando apenas no grupo de alimentos. Para comprovar a generalização dos aumentos, o BC usa o chamado índice de difusão, que fechou agosto em 63%, acima dos 60% verificados em 2005, quando a inflação encostou nos 6%. Esse volume maior de reajustes está sendo facilitado, no entender do diretor do BC, pela robustez da economia, que facilita repasses de custos pelas empresas para ampliar as margens de lucro das empresas. “É por isso que acreditamos que chegou ao fim o ciclo de cortes da taxa básica de juros (Selic)”, assinalou o economista-chefe do Unibanco, Marcelo Salomon.

O atual patamar de reajustes levou o BC a fazer um estudo especial sobre a rigidez dos preços no Brasil, divulgado ontem no relatório trimestral de inflação. Segundo Mesquita, 37% de todos os preços das economia são aumentados mensalmente. Em geral, quando os preços são reajustados, eles aumentam 27% mais do que quando caem, característica comum de países que ainda carregam na memória longos ciclos de inflação alta, como é o caso do Brasil. O diretor do BC garantiu, porém, que a instituição agirá para manter o poder de compra das famílias. “A recente queda de popularidade do presidente Lula nas pesquisas pode ser um indício do descontentamento da população com a inflação maior”, enfatizou o economista Nuno Câmara, do Dresdner Bank em Nova York.