antigas Publicado: 1/02/2008 | 08:39

Taxa pronta para subir

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Maioria dos analistas de mercado apostam no aumento dos juros no Brasil até abril. Ata do Comitê de Política Monetária mostra aumento da pressão inflacionária e incerteza na economia internacional

O mercado financeiro já estima em 40% a possibilidade de o Banco Central aumentar a taxa básica de juros (Selic) em março e em 75% as chances de alta na reunião de abril do Comitê de Política Monetária (Copom). No cenário traçado pelos investidores que apostam na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), a Selic pode subir 0,25 ponto percentual em março e 0,25 ponto no mês seguinte ou 0,50 ponto de uma única vez em abril. O último aumento efetivo aconteceu em maio de 2005, de 19,5% para 19,75%.

Esse quadro se consolidou ontem, depois da divulgação da ata da reunião da semana passada do Copom, na qual os juros permaneceram em 11,25% ao ano pela terceira vez consecutiva. Diante dos alertas feitos pelo BC, de que está pronto para elevar os juros no caso de disparada da inflação, há quem acredite, no mercado futuro da BM&F, que a Selic pode fechar o ano entre 12% e 12,25%. “Na minha avaliação, se realmente os juros subirem, isso acontecerá em abril, quando o BC terá um quadro mais completo do comportamento da inflação e da atividade econômica”, afirmou o economista-chefe da Corretora López León, Flávio Serrano.

Para mostrar que não permitirá que a inflação — puxada para cima pelos preços dos alimentos — fuja do controle e comprometa o cumprimento da meta de 4,5% fixada para este ano e para 2009, os diretores do BC recorreram a termos pouco usuais nas atas do Copom. Segundo eles, o BC poderá recorrer a “decisões alternativas de política monetária”, partir para uma “ação preventiva” e “adotar uma postura diferente, por meio do ajuste dos instrumentos de política monetária — o primeiro desses ajustes, por sinal, veio ontem à noite, com a criação de recolhimentos compulsórios sobre os depósitos das empresas de leasing (arrendamento mercantil). Tudo isso porque “as perspectivas para a inflação estão cercadas por maior incerteza e aumentou o risco de materialização de um cenário inflacionário menos benigno”.

“Realmente, os termos usados pelo BC para traduzir sua preocupação foram muito mais fortes do que o normal. E não será surpresa se, antes do aumento dos juros, vierem novos aumentos de compulsórios sobre o sistema financeiro, para conter um pouco a oferta de crédito”, destacou o economista-chefe da SLW Asset Management, Carlos Thadeu Filho. Na avaliação do BC, com a fartura de crédito, o aumento real de 6,3% na massa salarial e a queda do desemprego, os consumidores estão comprando tudo o que vêem pela frente.

Esse quadro não seria, porém, tão preocupante, se o consumo não estivesse recebendo estímulos adicionais dos benefícios sociais e da disposição do governo de torrar parte da arrecadação recorde com elevações de salários ao funcionalismo. Mas não é só. As importações, que vinham ajudando a abastecer o mercado interno e a estimular a concorrência, já não são suficientes para conter reajustes internos de preços. Além disso, os investimentos no aumento da produção estão demorando a maturar, a ponto de o BC já detectar falta de produtos em determinados segmentos.

O controle inflacionário tornou-se mais difícil diante da iminente recessão dos Estados Unidos, que podem reduzir as exportações brasileiras e conter o fluxo de dólares para o país, fazendo subir a cotação da moeda e jogando pressão sobre a inflação. O temor do BC é o de que, no cenário atual, as expectativas dos agentes econômicos sejam contaminadas, estimulando remarcações preventivas. Entre as reuniões de dezembro passado e a de janeiro, as projeções do mercado para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência para o sistema de metas, saltaram de 4,10% para 4,35% — agora, estão em 4,45%.

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Maioria dos analistas de mercado apostam no aumento dos juros no Brasil até abril. Ata do Comitê de Política Monetária mostra aumento da pressão inflacionária e incerteza na economia internacional

O mercado financeiro já estima em 40% a possibilidade de o Banco Central aumentar a taxa básica de juros (Selic) em março e em 75% as chances de alta na reunião de abril do Comitê de Política Monetária (Copom). No cenário traçado pelos investidores que apostam na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), a Selic pode subir 0,25 ponto percentual em março e 0,25 ponto no mês seguinte ou 0,50 ponto de uma única vez em abril. O último aumento efetivo aconteceu em maio de 2005, de 19,5% para 19,75%.

Esse quadro se consolidou ontem, depois da divulgação da ata da reunião da semana passada do Copom, na qual os juros permaneceram em 11,25% ao ano pela terceira vez consecutiva. Diante dos alertas feitos pelo BC, de que está pronto para elevar os juros no caso de disparada da inflação, há quem acredite, no mercado futuro da BM&F, que a Selic pode fechar o ano entre 12% e 12,25%. “Na minha avaliação, se realmente os juros subirem, isso acontecerá em abril, quando o BC terá um quadro mais completo do comportamento da inflação e da atividade econômica”, afirmou o economista-chefe da Corretora López León, Flávio Serrano.

Para mostrar que não permitirá que a inflação — puxada para cima pelos preços dos alimentos — fuja do controle e comprometa o cumprimento da meta de 4,5% fixada para este ano e para 2009, os diretores do BC recorreram a termos pouco usuais nas atas do Copom. Segundo eles, o BC poderá recorrer a “decisões alternativas de política monetária”, partir para uma “ação preventiva” e “adotar uma postura diferente, por meio do ajuste dos instrumentos de política monetária — o primeiro desses ajustes, por sinal, veio ontem à noite, com a criação de recolhimentos compulsórios sobre os depósitos das empresas de leasing (arrendamento mercantil). Tudo isso porque “as perspectivas para a inflação estão cercadas por maior incerteza e aumentou o risco de materialização de um cenário inflacionário menos benigno”.

“Realmente, os termos usados pelo BC para traduzir sua preocupação foram muito mais fortes do que o normal. E não será surpresa se, antes do aumento dos juros, vierem novos aumentos de compulsórios sobre o sistema financeiro, para conter um pouco a oferta de crédito”, destacou o economista-chefe da SLW Asset Management, Carlos Thadeu Filho. Na avaliação do BC, com a fartura de crédito, o aumento real de 6,3% na massa salarial e a queda do desemprego, os consumidores estão comprando tudo o que vêem pela frente.

Esse quadro não seria, porém, tão preocupante, se o consumo não estivesse recebendo estímulos adicionais dos benefícios sociais e da disposição do governo de torrar parte da arrecadação recorde com elevações de salários ao funcionalismo. Mas não é só. As importações, que vinham ajudando a abastecer o mercado interno e a estimular a concorrência, já não são suficientes para conter reajustes internos de preços. Além disso, os investimentos no aumento da produção estão demorando a maturar, a ponto de o BC já detectar falta de produtos em determinados segmentos.

O controle inflacionário tornou-se mais difícil diante da iminente recessão dos Estados Unidos, que podem reduzir as exportações brasileiras e conter o fluxo de dólares para o país, fazendo subir a cotação da moeda e jogando pressão sobre a inflação. O temor do BC é o de que, no cenário atual, as expectativas dos agentes econômicos sejam contaminadas, estimulando remarcações preventivas. Entre as reuniões de dezembro passado e a de janeiro, as projeções do mercado para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência para o sistema de metas, saltaram de 4,10% para 4,35% — agora, estão em 4,45%.