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Publicado: 28/09/2007 | 09:33
Conta de luz deve ficar mais cara
Marcelo Tokarski
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Apesar de o período de seca ainda não ter terminado, os reservatórios de água do país operam em níveis confortáveis. Apenas na Região Norte a capacidade útil está abaixo dos 50%. No ano passado, nesse mesmo período, a situação era inversa, e apenas o Nordeste tinha capacidade acima dos 50% (veja quadro). A atual situação praticamente zera o risco de racionamento de energia em 2008. No entanto, de acordo com fontes do setor, o forte crescimento da economia tem aumentado o consumo, o que exigirá o uso de fontes adicionais de energia.
Para complementar o abastecimento, será necessário acionar mais usinas térmicas, que têm um custo de produção quase três vezes maior. Na ponta, deve haver aumento de preço para o consumidor. De acordo com cálculos de entidades do setor, até 2017 a energia elétrica deve subir entre 35% e 40% acima da inflação.
Para o vice-presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), Eduardo Spalding, não há risco de racionamento até 2009. No entanto, acredita, com a maior utilização da energia térmica, os preços irão subir. “Teremos um apagão de preços”, alerta. Segundo ele, enquanto o MW de energia hidrelétrica custa em média R$ 115, o de energia térmica pode sair entre R$ 380 e R$ 400. De acordo com Spalding, o gasto com energia representa, por exemplo, entre 8% e 15% do custo final dos produtos da indústria de transformação. “Os aumentos no preço da energia têm impacto no valor dos produtos”, adverte.
O consultor Abel Holtz também dá como certa a elevação dos preços. Segundo ele, como ainda não há produção suficiente de gás natural para abastecer as usinas térmicas, a energia suplementar virá das unidades movidas a óleo e carvão, que têm custo de produção elevado. “Como a Petrobras só deverá suprir 100% da demanda de gás no final de 2009, no ano que vem uma coisa é certa: o preço (da energia) vai subir.”
De acordo com o presidente da Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace), Paulo Mayon, o atual nível dos reservatórios garante conforto para 2008, mas mesmo assim o país dependerá mais da complementação da energia térmica. “Não teremos racionamento, mas é muito provável que haja um choque tarifário devido ao impacto do custo da energia térmica. Estamos no fio da navalha”, afirma.
Pãozinho vai subir
O pão francês deve ficar mais caro para o consumidor em outubro. É o principal produto cujo aumento será repassado ao consumidor, segundo projeções da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que divulgou ontem a variação de 1,29% no Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) de setembro, ante 0,98% em agosto. É a maior desde julho de 2004.
A desaceleração nos preços dos alimentos de 0,11% neste mês frente 1,24% em agosto, no varejo, é um indicador de que não há descontrole da inflação, segundo Salomão Quadros, coordenador de análise econômica da fundação. Segundo ele, porém, a pressão do preço do pão francês deve reverter parcialmente a desaceleração, mas sem grandes sustos. Para outubro, Quadros prevê inflação para o IGP-M inferior aos 1,29% deste mês. “Se vai ficar abaixo de 0,98% de agosto, não se sabe, mas é possível”, avaliou Quadros.
No varejo, em setembro, o pão francês caiu 0,29% em relação a agosto. Em 12 meses, a alta foi de 4,28% diante do aumento no preço da farinha de 27,25% no atacado e de 53,59% do trigo no mesmo período.
Marcelo Tokarski
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Apesar de o período de seca ainda não ter terminado, os reservatórios de água do país operam em níveis confortáveis. Apenas na Região Norte a capacidade útil está abaixo dos 50%. No ano passado, nesse mesmo período, a situação era inversa, e apenas o Nordeste tinha capacidade acima dos 50% (veja quadro). A atual situação praticamente zera o risco de racionamento de energia em 2008. No entanto, de acordo com fontes do setor, o forte crescimento da economia tem aumentado o consumo, o que exigirá o uso de fontes adicionais de energia.
Para complementar o abastecimento, será necessário acionar mais usinas térmicas, que têm um custo de produção quase três vezes maior. Na ponta, deve haver aumento de preço para o consumidor. De acordo com cálculos de entidades do setor, até 2017 a energia elétrica deve subir entre 35% e 40% acima da inflação.
Para o vice-presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), Eduardo Spalding, não há risco de racionamento até 2009. No entanto, acredita, com a maior utilização da energia térmica, os preços irão subir. “Teremos um apagão de preços”, alerta. Segundo ele, enquanto o MW de energia hidrelétrica custa em média R$ 115, o de energia térmica pode sair entre R$ 380 e R$ 400. De acordo com Spalding, o gasto com energia representa, por exemplo, entre 8% e 15% do custo final dos produtos da indústria de transformação. “Os aumentos no preço da energia têm impacto no valor dos produtos”, adverte.
O consultor Abel Holtz também dá como certa a elevação dos preços. Segundo ele, como ainda não há produção suficiente de gás natural para abastecer as usinas térmicas, a energia suplementar virá das unidades movidas a óleo e carvão, que têm custo de produção elevado. “Como a Petrobras só deverá suprir 100% da demanda de gás no final de 2009, no ano que vem uma coisa é certa: o preço (da energia) vai subir.”
De acordo com o presidente da Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace), Paulo Mayon, o atual nível dos reservatórios garante conforto para 2008, mas mesmo assim o país dependerá mais da complementação da energia térmica. “Não teremos racionamento, mas é muito provável que haja um choque tarifário devido ao impacto do custo da energia térmica. Estamos no fio da navalha”, afirma.
Pãozinho vai subir
O pão francês deve ficar mais caro para o consumidor em outubro. É o principal produto cujo aumento será repassado ao consumidor, segundo projeções da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que divulgou ontem a variação de 1,29% no Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) de setembro, ante 0,98% em agosto. É a maior desde julho de 2004.
A desaceleração nos preços dos alimentos de 0,11% neste mês frente 1,24% em agosto, no varejo, é um indicador de que não há descontrole da inflação, segundo Salomão Quadros, coordenador de análise econômica da fundação. Segundo ele, porém, a pressão do preço do pão francês deve reverter parcialmente a desaceleração, mas sem grandes sustos. Para outubro, Quadros prevê inflação para o IGP-M inferior aos 1,29% deste mês. “Se vai ficar abaixo de 0,98% de agosto, não se sabe, mas é possível”, avaliou Quadros.
No varejo, em setembro, o pão francês caiu 0,29% em relação a agosto. Em 12 meses, a alta foi de 4,28% diante do aumento no preço da farinha de 27,25% no atacado e de 53,59% do trigo no mesmo período.