antigas Publicado: 9/10/2007 | 08:59

Renan cada vez mais encrencado

Leandro Colon e Fernanda Odilla
Correio Braziliense

Oposição vai pedir a abertura de mais um processo contra o presidente do Senado depois da denúncia de que o peemedebista estaria envolvido num esquema para espionar adversários na Casa


 


A situação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deve piorar ainda mais a partir de hoje. Além da cobrança contra o afastamento de Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Pedro Simon (PMDB-RS) da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a oposição promete entregar o pedido de abertura de mais um processo para investigar o senador.

Se a promessa for cumprida e o processo autorizado pela Mesa Diretora, será a quinta investigação contra o peemedebista no Conselho de Ética. Renan já foi absolvido da primeira e agora, por meio de seus aliados, tenta protelar as demais, sempre com manobras variadas (leia abaixo).

DEM e PSDB querem que o Conselho investigue a denúncia da revista Veja de que Renan teria usado um assessor para tentar espionar os senadores Demostenes Torres (DEM-GO) e Marconi Perillo (PSDB-GO), seus desafetos no Senado. Segundo a reportagem, o ex-senador Francisco Escórcio, funcionário do gabinete de Renan, teria procurado recentemente em Goiânia, com outros dois advogados, o empresário e ex-deputado Pedro Abrão para instalar câmeras no seu hangar, usado rotineiramente pelos senadores goianos.

Preocupada em não deixar esfriar a crise em torno de Renan, a oposição quer usar o caso para provocar mais um processo contra ele. Ontem, o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), afirmou que entregará hoje a representação em que pedirá a abertura de investigação.

Mais cauteloso, o DEM aguarda uma manifestação de Renan hoje em plenário, embora tenha sinalizado que deve seguir o mesmo caminho. O partido não considerou satisfatória a nota de três parágrafos divulgada ontem pelo presidente do Senado. Nela, o senador alagoano nega qualquer envolvimento com a denúncia da revista. “Isso não faz parte do meu caráter”, disse Renan, que não apareceu no Senado. “Tive a vida devassada e não recorreria a indignidades como as que me foram atribuídas”, afirmou na nota.

Para o líder do DEM, José Agripino (RN), Renan precisa dar explicações pessoais aos senadores. “O partido quer dar a ele o direito de prestar esclarecimentos. Se forem insuficientes, não hesitaremos em entrar com uma representação”, afirmou.

Agripino, aliás, adotou a cautela ontem depois que viu o nome de seu filho, o deputado federal Felipe Maia (DEM-RN), envolvido em suposta ameaça por parte de Renan. O senador alagoano estaria preparando um dossiê sobre uma transportadora do deputado que abastece aeronaves nos aeroportos de Natal e Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Demostenes Torres chegou ao Senado no fim da tarde disparando contra Renan. Pediu a demissão de Escórcio e defendeu a abertura imediata de um processo para apurar as denúncias. O senador ainda reafirmou a história de que ouviu do próprio Pedro Abrão sobre a iniciativa do assessor de Renan. “Ele (Pedro) me disse com todas as letras que armariam um esquema de arapongagem contra mim e o senador Perillo. Me senti desrespeitado”, disse.

Assim como Renan, Escórcio também divulgou nota ontem. O ex-senador e hoje assessor do presidente do Senado afirma que se encontrou com Pedro Abrão em Goiânia, mas para tratar de documentos contra o governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT). Escórcio é afilhado político do senador José Sarney (PMDB-AP) e tem trabalhado para reverter a vitória de Lago contra a filha de Sarney, a senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), na eleição do ano passado.

Na nota, Escórcio diz ainda ser amigo pessoal de Demostenes. O senador goiano desmente. “Ele (Escórcio) é um morto-vivo. Um aloprado. E, como araponga, é um fracasso. É uma pessoa inconveniente”, disse.

Em nota, os advogados Heli Dourado e Wilson Azevedo dos Santos, que teriam participado do encontro entre Escórcio e Pedro Abrão, também negaram a versão de espionagem. O primeiro confirmou a reunião, mas disse que não ouviu esse assunto. O segundo nega ter visto Escórcio em Goiânia.

CCJ


A polêmica em torno do afastamento de Jarbas Vasconcelos e Pedro Simon da CCJ será outra arma da oposição contra Renan nesta semana (leia mais na página 4). Ontem, Jarbas voltou a responsabilizar o presidente do Senado pelo episódio e chegou a falar em “levante” contra ele. “A idéia é fazer um levante contra o presidente do Senado para mostrarmos ao país a situação de grande preocupação que atinge a Casa. O Renan está levando o Senado à sarjeta, disse.

DEM e PSDB ensaiaram oferecer aos dois vagas na CCJ, mas o regimento do Senado permite que isso seja feito apenas ao PMDB. Caberia ao partido indicar os nomes. A oposição, então, recuou. O líder do PMDB, Valdir Raupp (RO), chegou a admitir voltar atrás da destituição dos dois, mas desde que eles sigam a orientação partidária.

Hoje, o processo que apura se Renan usou laranjas para comprar veículos de comunicação em Alagoas completa 54 dias na gaveta do Conselho de Ética. O presidente do colegiado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), prometeu, há uma semana, indicar o relator. A promessa, porém, ainda não foi cumprida. 


 


Manobras do senador alagoano

31 de maio


Sem reunião da Mesa Diretora, Renan despacha primeiro processo contra ele ao Conselho de Ética. Mais tarde, processo teria que retornar à Mesa por conta da não realização da reunião entre todos os seus integrantes

13 de junho


Escolhido relator com aval de Renan, Epitácio Cafeteira (PTB-MA) apresenta, sem ouvir nenhuma testemunha, relatório pedindo a absolvição do senador. Oposição pede vista e votação é adiada

20 de junho


Cafeteira deixa o caso e Wellington Salgado (PMDB-MG), aliado de Renan, é nomeado novo relator. No mesmo dia, apresenta relatório confirmando absolvição do senador. Em sessão tensa, votação é adiada, e Salgado renuncia à relatoria

26 de junho


Insatisfeito com a postura de Sibá Machado (PT-AC) na presidência do Conselho de Ética, Renan pressiona o PT para que ele renuncie ao cargo. Deu certo

28 de junho


Com a saída de Sibá, Renan consegue emplacar seu aliado Leomar Quintanilha (PMDB-TO) na presidência do Conselho de Ética

29 de junho


Quintanilha convida Renato Casagrande (PSB-ES) para ser relator. Renan não gosta. Quintanilha desfaz o convite e propõe comissão de três relatores, com Almeida Lima (PMDB-SE), aliado do presidente do Senado, entre eles

2 de julho


Parecer da consultoria legislativa (subordinada a Renan) aponta falhas no processo. Destaca que, como não houve reunião da Mesa, o caso precisa voltar para ter aval dos seus integrantes. E também diz que perícia preliminar da PF é inválida. Novo pedido à polícia somente com autorização da Mesa

12 de julho


O presidente do Senado adia por cinco dias reunião da Mesa para discutir seu processo. Oposição protesta. Reunião foi realizada no dia 17

24 de julho


Secretária-geral, Cláudia Lira, protela entrega de notas taquigráficas de depoimento dado por Renan ao Conselho de Ética no dia anterior

30 de agosto


Baseados num parecer da consultoria legislativa, aliados de Renan tentam impedir, sem sucesso, voto aberto no Conselho de Ética

1º de outubro


Aliado de Renan, Quintanilha tenta unificar os dois últimos processos contra o senador e indicar Almeida Lima (PMDB-SE) para a relatoria. Oposição protesta e presidente do Conselho recua. Processo sobre uso de laranjas em empresas de comunicação está ha 54 dias parado no Conselho de Ética. Quintanilha não indica relator

5 de outubro


Renan consegue, por meio do líder do PMDB, Valdir Raupp (RO), afastar Jarbas Vasconcelos (PMDB-SE) e Pedro Simon (PMDB-RS) da Comissão de Constituição e Justiça.


Leandro Colon e Fernanda Odilla
Correio Braziliense

Oposição vai pedir a abertura de mais um processo contra o presidente do Senado depois da denúncia de que o peemedebista estaria envolvido num esquema para espionar adversários na Casa


 


A situação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deve piorar ainda mais a partir de hoje. Além da cobrança contra o afastamento de Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Pedro Simon (PMDB-RS) da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a oposição promete entregar o pedido de abertura de mais um processo para investigar o senador.

Se a promessa for cumprida e o processo autorizado pela Mesa Diretora, será a quinta investigação contra o peemedebista no Conselho de Ética. Renan já foi absolvido da primeira e agora, por meio de seus aliados, tenta protelar as demais, sempre com manobras variadas (leia abaixo).

DEM e PSDB querem que o Conselho investigue a denúncia da revista Veja de que Renan teria usado um assessor para tentar espionar os senadores Demostenes Torres (DEM-GO) e Marconi Perillo (PSDB-GO), seus desafetos no Senado. Segundo a reportagem, o ex-senador Francisco Escórcio, funcionário do gabinete de Renan, teria procurado recentemente em Goiânia, com outros dois advogados, o empresário e ex-deputado Pedro Abrão para instalar câmeras no seu hangar, usado rotineiramente pelos senadores goianos.

Preocupada em não deixar esfriar a crise em torno de Renan, a oposição quer usar o caso para provocar mais um processo contra ele. Ontem, o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), afirmou que entregará hoje a representação em que pedirá a abertura de investigação.

Mais cauteloso, o DEM aguarda uma manifestação de Renan hoje em plenário, embora tenha sinalizado que deve seguir o mesmo caminho. O partido não considerou satisfatória a nota de três parágrafos divulgada ontem pelo presidente do Senado. Nela, o senador alagoano nega qualquer envolvimento com a denúncia da revista. “Isso não faz parte do meu caráter”, disse Renan, que não apareceu no Senado. “Tive a vida devassada e não recorreria a indignidades como as que me foram atribuídas”, afirmou na nota.

Para o líder do DEM, José Agripino (RN), Renan precisa dar explicações pessoais aos senadores. “O partido quer dar a ele o direito de prestar esclarecimentos. Se forem insuficientes, não hesitaremos em entrar com uma representação”, afirmou.

Agripino, aliás, adotou a cautela ontem depois que viu o nome de seu filho, o deputado federal Felipe Maia (DEM-RN), envolvido em suposta ameaça por parte de Renan. O senador alagoano estaria preparando um dossiê sobre uma transportadora do deputado que abastece aeronaves nos aeroportos de Natal e Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Demostenes Torres chegou ao Senado no fim da tarde disparando contra Renan. Pediu a demissão de Escórcio e defendeu a abertura imediata de um processo para apurar as denúncias. O senador ainda reafirmou a história de que ouviu do próprio Pedro Abrão sobre a iniciativa do assessor de Renan. “Ele (Pedro) me disse com todas as letras que armariam um esquema de arapongagem contra mim e o senador Perillo. Me senti desrespeitado”, disse.

Assim como Renan, Escórcio também divulgou nota ontem. O ex-senador e hoje assessor do presidente do Senado afirma que se encontrou com Pedro Abrão em Goiânia, mas para tratar de documentos contra o governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT). Escórcio é afilhado político do senador José Sarney (PMDB-AP) e tem trabalhado para reverter a vitória de Lago contra a filha de Sarney, a senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), na eleição do ano passado.

Na nota, Escórcio diz ainda ser amigo pessoal de Demostenes. O senador goiano desmente. “Ele (Escórcio) é um morto-vivo. Um aloprado. E, como araponga, é um fracasso. É uma pessoa inconveniente”, disse.

Em nota, os advogados Heli Dourado e Wilson Azevedo dos Santos, que teriam participado do encontro entre Escórcio e Pedro Abrão, também negaram a versão de espionagem. O primeiro confirmou a reunião, mas disse que não ouviu esse assunto. O segundo nega ter visto Escórcio em Goiânia.

CCJ


A polêmica em torno do afastamento de Jarbas Vasconcelos e Pedro Simon da CCJ será outra arma da oposição contra Renan nesta semana (leia mais na página 4). Ontem, Jarbas voltou a responsabilizar o presidente do Senado pelo episódio e chegou a falar em “levante” contra ele. “A idéia é fazer um levante contra o presidente do Senado para mostrarmos ao país a situação de grande preocupação que atinge a Casa. O Renan está levando o Senado à sarjeta, disse.

DEM e PSDB ensaiaram oferecer aos dois vagas na CCJ, mas o regimento do Senado permite que isso seja feito apenas ao PMDB. Caberia ao partido indicar os nomes. A oposição, então, recuou. O líder do PMDB, Valdir Raupp (RO), chegou a admitir voltar atrás da destituição dos dois, mas desde que eles sigam a orientação partidária.

Hoje, o processo que apura se Renan usou laranjas para comprar veículos de comunicação em Alagoas completa 54 dias na gaveta do Conselho de Ética. O presidente do colegiado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), prometeu, há uma semana, indicar o relator. A promessa, porém, ainda não foi cumprida. 


 


Manobras do senador alagoano

31 de maio


Sem reunião da Mesa Diretora, Renan despacha primeiro processo contra ele ao Conselho de Ética. Mais tarde, processo teria que retornar à Mesa por conta da não realização da reunião entre todos os seus integrantes

13 de junho


Escolhido relator com aval de Renan, Epitácio Cafeteira (PTB-MA) apresenta, sem ouvir nenhuma testemunha, relatório pedindo a absolvição do senador. Oposição pede vista e votação é adiada

20 de junho


Cafeteira deixa o caso e Wellington Salgado (PMDB-MG), aliado de Renan, é nomeado novo relator. No mesmo dia, apresenta relatório confirmando absolvição do senador. Em sessão tensa, votação é adiada, e Salgado renuncia à relatoria

26 de junho


Insatisfeito com a postura de Sibá Machado (PT-AC) na presidência do Conselho de Ética, Renan pressiona o PT para que ele renuncie ao cargo. Deu certo

28 de junho


Com a saída de Sibá, Renan consegue emplacar seu aliado Leomar Quintanilha (PMDB-TO) na presidência do Conselho de Ética

29 de junho


Quintanilha convida Renato Casagrande (PSB-ES) para ser relator. Renan não gosta. Quintanilha desfaz o convite e propõe comissão de três relatores, com Almeida Lima (PMDB-SE), aliado do presidente do Senado, entre eles

2 de julho


Parecer da consultoria legislativa (subordinada a Renan) aponta falhas no processo. Destaca que, como não houve reunião da Mesa, o caso precisa voltar para ter aval dos seus integrantes. E também diz que perícia preliminar da PF é inválida. Novo pedido à polícia somente com autorização da Mesa

12 de julho


O presidente do Senado adia por cinco dias reunião da Mesa para discutir seu processo. Oposição protesta. Reunião foi realizada no dia 17

24 de julho


Secretária-geral, Cláudia Lira, protela entrega de notas taquigráficas de depoimento dado por Renan ao Conselho de Ética no dia anterior

30 de agosto


Baseados num parecer da consultoria legislativa, aliados de Renan tentam impedir, sem sucesso, voto aberto no Conselho de Ética

1º de outubro


Aliado de Renan, Quintanilha tenta unificar os dois últimos processos contra o senador e indicar Almeida Lima (PMDB-SE) para a relatoria. Oposição protesta e presidente do Conselho recua. Processo sobre uso de laranjas em empresas de comunicação está ha 54 dias parado no Conselho de Ética. Quintanilha não indica relator

5 de outubro


Renan consegue, por meio do líder do PMDB, Valdir Raupp (RO), afastar Jarbas Vasconcelos (PMDB-SE) e Pedro Simon (PMDB-RS) da Comissão de Constituição e Justiça.