antigas Publicado: 15/10/2007 | 13:49

Eleições vão testar coalizão

Fernando Exman
Jornal do Brasil 
 
De olho na sucessão presidencial e preocupada com a manutenção da coesão da bancada aliada ao Palácio do Planalto até o fim do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a coalizão já se prepara para as eleições municipais do ano que vem. Líderes governistas querem evitar que as disputas locais prejudiquem as relações de deputados e senadores, o que poderia barrar a aprovação de projetos de interesse do Executivo no Congresso. Pretendem também chegar unidos na eleição presidencial de 2010 para impedir que PSDB e DEM voltem ao poder.

Há cerca de um mês, a pedido de Lula, presidentes e líderes de partidos aliados reuniram-se na casa do presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), em Brasília, para debater o assunto. Decidiram mapear os pré-candidatos às eleições do ano que vem a fim de identificar as candidaturas irreversíveis, as negociáveis e em que cidades os partidos não têm políticos em condições de disputar o comando das prefeituras.

O grupo planeja voltar a discutir o assunto no início do mês que vem, quando cruzará os dados das listas e começará a negociar quem concorrerá em cada um dos 5.564 municípios. Em recente reunião com os aliados, o presidente Lula informou que só pretende participar da campanha em cidades que os partidos da coalizão não se enfrentarão. No encontro realizado na casa de Temer, ficou acertado que o presidente Lula não deve se envolver no primeiro turno na maioria das cidades.

Para acabar a eleição do ano que vem em harmonia, queremos evitar agressões e manter o respeito - comentou o líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN). - A eleição municipal é onde começa tudo. Já estamos visando 2010.

A tarefa dos governistas será árdua. Em muitos casos, a sobreposição de candidaturas será inevitável. Além de rivalidades locais existentes entre as legendas aliadas em âmbito nacional, muitos deputados já são considerados pré-candidatos às prefeituras de seus berços eleitorais. Deputados do PT, PMDB, PSB, PDT, PCdoB, PP, PSC e PHS preparam-se para as eleições de pelo menos 15 capitais. Dois exemplos são Porto Alegre e São Paulo, onde dificilmente a união da coalizão será mantida (veja arte na página 3).

Para o deputado Henrique Fontana (PT-SP), vice-líder do governo na Câmara, as legendas aliadas terão de se esforçar para consolidar coligações no primeiro turno. Em muitos casos, ponderou, a pacificação dos partidos terá de ser feita no segundo turno, se um dos partidos governistas enfrentar uma sigla de oposição, como PSDB ou DEM.

Temos consciência de que a nossa aliança é em nível nacional. Acredito que vamos conviver com tranqüilidade - ressaltou Fontana.

Uma das principais preocupações dos demais partidos governistas é o apetite do PT. Em 2004, os aliados reclamaram da intransigência do partido do presidente Lula, que dificilmente desistia de lançar candidatos nas principais cidades do país. Para que não ocorra uma crise na ala aliada ao Executivo no Congresso, Fontana diz que os presidentes e líderes dos partidos devem ter "sabedoria".

O PT quer abrir diálogo com os aliados, mas tem que se respeitar o fato de que os municípios têm características específicas. Não podemos querer engessar os municípios - disse o vice-líder do governo. - A nova direção do PT, que será eleita em dezembro, tem que estar preparada para isso.
 

Fernando Exman
Jornal do Brasil 
 
De olho na sucessão presidencial e preocupada com a manutenção da coesão da bancada aliada ao Palácio do Planalto até o fim do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a coalizão já se prepara para as eleições municipais do ano que vem. Líderes governistas querem evitar que as disputas locais prejudiquem as relações de deputados e senadores, o que poderia barrar a aprovação de projetos de interesse do Executivo no Congresso. Pretendem também chegar unidos na eleição presidencial de 2010 para impedir que PSDB e DEM voltem ao poder.

Há cerca de um mês, a pedido de Lula, presidentes e líderes de partidos aliados reuniram-se na casa do presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), em Brasília, para debater o assunto. Decidiram mapear os pré-candidatos às eleições do ano que vem a fim de identificar as candidaturas irreversíveis, as negociáveis e em que cidades os partidos não têm políticos em condições de disputar o comando das prefeituras.

O grupo planeja voltar a discutir o assunto no início do mês que vem, quando cruzará os dados das listas e começará a negociar quem concorrerá em cada um dos 5.564 municípios. Em recente reunião com os aliados, o presidente Lula informou que só pretende participar da campanha em cidades que os partidos da coalizão não se enfrentarão. No encontro realizado na casa de Temer, ficou acertado que o presidente Lula não deve se envolver no primeiro turno na maioria das cidades.

Para acabar a eleição do ano que vem em harmonia, queremos evitar agressões e manter o respeito - comentou o líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN). - A eleição municipal é onde começa tudo. Já estamos visando 2010.

A tarefa dos governistas será árdua. Em muitos casos, a sobreposição de candidaturas será inevitável. Além de rivalidades locais existentes entre as legendas aliadas em âmbito nacional, muitos deputados já são considerados pré-candidatos às prefeituras de seus berços eleitorais. Deputados do PT, PMDB, PSB, PDT, PCdoB, PP, PSC e PHS preparam-se para as eleições de pelo menos 15 capitais. Dois exemplos são Porto Alegre e São Paulo, onde dificilmente a união da coalizão será mantida (veja arte na página 3).

Para o deputado Henrique Fontana (PT-SP), vice-líder do governo na Câmara, as legendas aliadas terão de se esforçar para consolidar coligações no primeiro turno. Em muitos casos, ponderou, a pacificação dos partidos terá de ser feita no segundo turno, se um dos partidos governistas enfrentar uma sigla de oposição, como PSDB ou DEM.

Temos consciência de que a nossa aliança é em nível nacional. Acredito que vamos conviver com tranqüilidade - ressaltou Fontana.

Uma das principais preocupações dos demais partidos governistas é o apetite do PT. Em 2004, os aliados reclamaram da intransigência do partido do presidente Lula, que dificilmente desistia de lançar candidatos nas principais cidades do país. Para que não ocorra uma crise na ala aliada ao Executivo no Congresso, Fontana diz que os presidentes e líderes dos partidos devem ter "sabedoria".

O PT quer abrir diálogo com os aliados, mas tem que se respeitar o fato de que os municípios têm características específicas. Não podemos querer engessar os municípios - disse o vice-líder do governo. - A nova direção do PT, que será eleita em dezembro, tem que estar preparada para isso.