antigas Publicado: 24/10/2007 | 09:26

Negociar sim, cacifar não

Correio Braziliense

O governo abriu a temporada de negociações com o PSDB para aprovar a Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira (CPMF), mas não o fará em cima da desoneração de impostos que sirvam mais aos interesses dos governadores tucanos, Aécio Neves (MG) e José Serra (SP). Aécio, por exemplo, teria mais a ganhar com mais repasses da Cide, por conta da quantidade de estradas que passam por Minas Gerais. Serra leva vantagem no que se refere ao PIS/PASEP sobre o saneamento, em função das empresas paulistas. Esses dois projetos, segundo avaliam no Palácio do Planalto, não têm tanto apelo para todos os governadores.

A ordem do governo hoje é atuar no sentido de fazer as concessões nos setores que beneficiem todos os governadores e a economia de modo geral, como, por exemplo, o aumento dos repasses para a saúde e a desoneração da folha de salários. É por aí que bate o coração do governo, não só por razões de mérito, mas também políticas. Assim, os aliados não ficam tão tristes de ver o governo ajudando Aécio e Serra a cacifarem seus governos e, por tabela, os planos futuros de assumir a Presidência da República. 

Do contra
O que mais se vê no Senado são as facções do PMDB puxando o tapete uma da outra. O grupo do senador Renan Calheiros (AL) tem colocado todos os entraves contra a escolha de Garibaldi Alves (RN) para suceder o alagoano na Presidência do Senado. Tudo porque a turma considera que Garibaldi traiu Renan na última hora, quando da votação em plenário do primeiro processo de quebra de decoro. Os amigos do presidente licenciado não querem ver o potiguar no lugar do chefe. 
 
PMDB unido
Finalmente, surge uma fórmula capaz de dar liga ao PMDB: um abaixo-assinado em prol da aprovação já do projeto que regulamenta a Emenda 29, aquela que prevê o aumento dos recursos para a saúde. Os 93 deputados e os 20 senadores da legenda assinaram um documento em favor do projeto de lei complementar 1/2003 que trata do tema. Explica-se a união: o Ministério da Saúde e a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) estão hoje nas mãos do partido. 
 
Mal-estar

Em visita à Câmara para defender a aprovação das bolsas do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), o ministro da Justiça, Tarso Genro, acabou por atear fogo na base de apoio do governo. Parte da bancada do PMDB, liderada pelo deputado Marcelo Itagiba (RJ), se rebelou contra o ministro em defesa do acordo feito pelo líder do governo, José Múcio (PTB-PE), que excluiu o auxílio financeiro do Pronasci para acelerar a votação da CPMF. Ficou o maior clima ruim, como se houvesse uma turma do líder e outra do ministro. 

Marinho no limite
O ministro da Previdência, Luiz Marinho, está “por aqui” com a demora dos bancos em reduzir a taxa que cobram do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) para efetuar os pagamentos de aposentadorias e pensões. Se os bancos não cederem logo, Marinho irá liberar o leilão para que toda a rede bancária do país possa entrar no negócio. Hoje, os 23 maiores bancos do país — incluindo os oficiais e os privados — concentram todos os pagamentos da Previdência Social. Para isso, ganham R$ 250 milhões, sem contar os R$ 120 milhões cobrados para o censo dos aposentados. 
 
No cafezinho
O “pato” da CPMF/ De passagem por Brasília, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (foto), aproveitou para lembrar de maneira bem espirituosa o que pode ocorrer se o governo não conseguir prorrogar essa contribuição: “Se não aprovar, quero ver quem vai pagar o PAC.”

Malas prontas/ Os governadores Aécio Neves (MG), Eduardo Braga (AM), Eduardo Campos (PE), Jaques Wagner (BA) e Sérgio Cabral (RJ) terão a companhia do colega José Roberto Arruda (DF) na comitiva que acompanhará o presidente Lula a Zurique, quando será feito o anúncio oficial do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014, em 30 de outubro. “A capital da República deve abrir ou encerrar os jogos. Vamos lutar por isso”, diz o governador.

Ironia pura/ O líder tucano no Senado, Arthur Virgílio (AM), propôs ontem que a CPMF seja prorrogada apenas para 2008 para que o tema seja rediscutido ao longo do ano que vem. Espirituoso, o deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC) observou: “Essa seria a proposta do PMDB. Todo ano haveria cargos novos para renegociar”, cutucou.

Orações/ Amanhã, às 11h, o mundo político vai se reunir na Catedral de Brasília para a missa de sétimo dia de falecimento do ex-governador José Aparecido.

Mar de Minas/ Vale tudo para os ministros tentarem arrumar mais dinheiro para suas pastas. O da Pesca, Altemir Gregolin, não dispensou nem as bancadas de estados que não têm tantos projetos da sua pasta. Num almoço ontem, os mineiros, por exemplo, não resistiram: “Descobrimos hoje que Minas tem mar e não é em Guarapari”, brincou um espirituoso representante das Gerais.

Correio Braziliense

O governo abriu a temporada de negociações com o PSDB para aprovar a Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira (CPMF), mas não o fará em cima da desoneração de impostos que sirvam mais aos interesses dos governadores tucanos, Aécio Neves (MG) e José Serra (SP). Aécio, por exemplo, teria mais a ganhar com mais repasses da Cide, por conta da quantidade de estradas que passam por Minas Gerais. Serra leva vantagem no que se refere ao PIS/PASEP sobre o saneamento, em função das empresas paulistas. Esses dois projetos, segundo avaliam no Palácio do Planalto, não têm tanto apelo para todos os governadores.

A ordem do governo hoje é atuar no sentido de fazer as concessões nos setores que beneficiem todos os governadores e a economia de modo geral, como, por exemplo, o aumento dos repasses para a saúde e a desoneração da folha de salários. É por aí que bate o coração do governo, não só por razões de mérito, mas também políticas. Assim, os aliados não ficam tão tristes de ver o governo ajudando Aécio e Serra a cacifarem seus governos e, por tabela, os planos futuros de assumir a Presidência da República. 

Do contra
O que mais se vê no Senado são as facções do PMDB puxando o tapete uma da outra. O grupo do senador Renan Calheiros (AL) tem colocado todos os entraves contra a escolha de Garibaldi Alves (RN) para suceder o alagoano na Presidência do Senado. Tudo porque a turma considera que Garibaldi traiu Renan na última hora, quando da votação em plenário do primeiro processo de quebra de decoro. Os amigos do presidente licenciado não querem ver o potiguar no lugar do chefe. 
 
PMDB unido
Finalmente, surge uma fórmula capaz de dar liga ao PMDB: um abaixo-assinado em prol da aprovação já do projeto que regulamenta a Emenda 29, aquela que prevê o aumento dos recursos para a saúde. Os 93 deputados e os 20 senadores da legenda assinaram um documento em favor do projeto de lei complementar 1/2003 que trata do tema. Explica-se a união: o Ministério da Saúde e a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) estão hoje nas mãos do partido. 
 
Mal-estar

Em visita à Câmara para defender a aprovação das bolsas do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), o ministro da Justiça, Tarso Genro, acabou por atear fogo na base de apoio do governo. Parte da bancada do PMDB, liderada pelo deputado Marcelo Itagiba (RJ), se rebelou contra o ministro em defesa do acordo feito pelo líder do governo, José Múcio (PTB-PE), que excluiu o auxílio financeiro do Pronasci para acelerar a votação da CPMF. Ficou o maior clima ruim, como se houvesse uma turma do líder e outra do ministro. 

Marinho no limite
O ministro da Previdência, Luiz Marinho, está “por aqui” com a demora dos bancos em reduzir a taxa que cobram do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) para efetuar os pagamentos de aposentadorias e pensões. Se os bancos não cederem logo, Marinho irá liberar o leilão para que toda a rede bancária do país possa entrar no negócio. Hoje, os 23 maiores bancos do país — incluindo os oficiais e os privados — concentram todos os pagamentos da Previdência Social. Para isso, ganham R$ 250 milhões, sem contar os R$ 120 milhões cobrados para o censo dos aposentados. 
 
No cafezinho
O “pato” da CPMF/ De passagem por Brasília, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (foto), aproveitou para lembrar de maneira bem espirituosa o que pode ocorrer se o governo não conseguir prorrogar essa contribuição: “Se não aprovar, quero ver quem vai pagar o PAC.”

Malas prontas/ Os governadores Aécio Neves (MG), Eduardo Braga (AM), Eduardo Campos (PE), Jaques Wagner (BA) e Sérgio Cabral (RJ) terão a companhia do colega José Roberto Arruda (DF) na comitiva que acompanhará o presidente Lula a Zurique, quando será feito o anúncio oficial do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014, em 30 de outubro. “A capital da República deve abrir ou encerrar os jogos. Vamos lutar por isso”, diz o governador.

Ironia pura/ O líder tucano no Senado, Arthur Virgílio (AM), propôs ontem que a CPMF seja prorrogada apenas para 2008 para que o tema seja rediscutido ao longo do ano que vem. Espirituoso, o deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC) observou: “Essa seria a proposta do PMDB. Todo ano haveria cargos novos para renegociar”, cutucou.

Orações/ Amanhã, às 11h, o mundo político vai se reunir na Catedral de Brasília para a missa de sétimo dia de falecimento do ex-governador José Aparecido.

Mar de Minas/ Vale tudo para os ministros tentarem arrumar mais dinheiro para suas pastas. O da Pesca, Altemir Gregolin, não dispensou nem as bancadas de estados que não têm tantos projetos da sua pasta. Num almoço ontem, os mineiros, por exemplo, não resistiram: “Descobrimos hoje que Minas tem mar e não é em Guarapari”, brincou um espirituoso representante das Gerais.