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Publicado: 24/10/2007 | 09:41
Esforço para trabalhar
Fernanda Odilla
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Arlindo Chinaglia volta a cobrar de deputados que compareçam às votações de quinta-feira. Mas regimento da Casa favorece faltosos
Na tentativa de acabar com o clima de “feriado” às quintas-feiras no Congresso, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), fez ontem um apelo aos líderes dos partidos. Durante reunião, no início da tarde, Chinaglia cobrou mais empenho das bancadas para os deputados trabalharem toda quinta no plenário. O petista quer votar amanhã e cogitou a possibilidade de cortar pontos dos faltosos. Descontar os salário dos parlamentares ausentes, contudo, esbarra em lacunas do regimento que protege os que registram o ponto cedo e viajam sem dar uma palavra sequer no plenário.
O presidente da Câmara já havia feito um apelo aos colegas de plenário na quarta-feira da semana passada. “É bom que todos saibam que às terças, quartas e quintas-feiras há sessões deliberativas. Nós nos empenhamos para que a Câmara esteja à altura da representação do povo brasileiro”, ressaltou. As previsões de Chinaglia se confirmaram e, no dia seguinte à cobrança, o plenário permaneceu vazio, sem quorum para dar início às votações.
Agora, o petista tenta dividir com os líderes o peso de ver a Câmara praticamente às moscas toda quinta, com pilhas de projetos à espera de votação. “O tom da conversa não foi de cobrança. Foi um pedido de colaboração. Ele quer que trabalhemos mais às quintas. Está certo”, reconhece o líder do Democratas, Onyx Lorenzoni (RS).
Consenso
Ontem, ninguém reagiu ao apelo de Chinaglia. Prevaleceu, segundo os deputados, o consenso de que é preciso votar mais na quinta-feira. Contudo, os líderes acreditam que são grandes as chances do pedido surtir apenas um efeito rápido e passageiro. O líder do PSDB, Antônio Carlos Pannunzio (SP), lembra que a tradição de trabalhar de terça a quinta foi quebrada na última legislatura, comandada por Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Quando Chinaglia assumiu, implementou um ritmo intenso de trabalho. Votava-se de segunda a quinta. “Entramos com fôlego total, mas houve reclamação e passamos a reduzir o ritmo de votações em plenário”, observa Pannunzio.
Desde o dia 28 de junho, a Casa não vota nada numa quinta-feira, conforme revela levantamento feito na Secretaria Geral da Câmara. Desde a posse em 1º de fevereiro, foram 38 quintas até hoje. Dessas, cinco são desconsideradas: a da própria posse, duas no recesso (férias) de julho e dois feriados. Das 33 que sobram, apenas em 13 houve alguma votação. E todas no primeiro semestre do ano. Não há qualquer deliberação em plenário desde o início de agosto, como o Correio mostrou em sua edição da última segunda-feira.
O apelo de Chingalia aos líderes esbarra nas lacunas do regimento da Câmara. Quem falta, em princípio, tem o ponto cortado e o salário descontado. Contudo, antes de viajar, na quinta, os parlamentares passam no plenário para registrar presença. No painel, eles estão no Congresso. Mas, na prática, podem estar dentro do avião ou desembarcando no destino quando algum parlamentar pede a verificação de quorum para dar início às votações.
Interino no Planalto
O vice-presidente José Alencar vai ser submetido a nova cirurgia para a retirada de um tumor no peritônio, no próximo dia 29, no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. O cirurgião será o norte-americano Murry Brennan — o mesmo que o operou em novembro do ano passado em Nova York, numa cirurgia semelhante. O operitónio ou peritônio é uma membrana serosa, a maior do corpo, forte, incolor, que cobre as paredes abdominais e a superfície interior do diafragma.
Segundo a assessoria da Vice-Presidência, será uma cirurgia preventiva e no prazo de uma semana. Alencar poderá retomar suas atividades relativas ao cargo.Com o afastamento de José Alencar por causa da cirurgia, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), vai assumir interinamente a Presidência da República pois o presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajará para Zurique, na semana que vem, onde vai acompanhar a cerimônia em que o Brasil será escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2014. Será a primeira vez que Chinaglia ocupará a presidência da República interinamente.
A primeira cirurgia de José Alencar ocorreu em julho do ano passado, em São Paulo, para retirada de um tumor no abdômen. Em novembro, ele voltou a ser operado para a extração de um tumor retroperitonial. A cirurgia durou seis horas e foi realizada no hospital Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, de Manhattan (EUA). Na ocasião da primeira cirurgia, realizada no curso da campanha eleitoral, ele chegou a conversar com Lula sobre a possibilidade de ser substituído na chapa. Lula recusou a proposta e manteve Alencar como seu candidato a vice.
Fernanda Odilla
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Arlindo Chinaglia volta a cobrar de deputados que compareçam às votações de quinta-feira. Mas regimento da Casa favorece faltosos
Na tentativa de acabar com o clima de “feriado” às quintas-feiras no Congresso, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), fez ontem um apelo aos líderes dos partidos. Durante reunião, no início da tarde, Chinaglia cobrou mais empenho das bancadas para os deputados trabalharem toda quinta no plenário. O petista quer votar amanhã e cogitou a possibilidade de cortar pontos dos faltosos. Descontar os salário dos parlamentares ausentes, contudo, esbarra em lacunas do regimento que protege os que registram o ponto cedo e viajam sem dar uma palavra sequer no plenário.
O presidente da Câmara já havia feito um apelo aos colegas de plenário na quarta-feira da semana passada. “É bom que todos saibam que às terças, quartas e quintas-feiras há sessões deliberativas. Nós nos empenhamos para que a Câmara esteja à altura da representação do povo brasileiro”, ressaltou. As previsões de Chinaglia se confirmaram e, no dia seguinte à cobrança, o plenário permaneceu vazio, sem quorum para dar início às votações.
Agora, o petista tenta dividir com os líderes o peso de ver a Câmara praticamente às moscas toda quinta, com pilhas de projetos à espera de votação. “O tom da conversa não foi de cobrança. Foi um pedido de colaboração. Ele quer que trabalhemos mais às quintas. Está certo”, reconhece o líder do Democratas, Onyx Lorenzoni (RS).
Consenso
Ontem, ninguém reagiu ao apelo de Chinaglia. Prevaleceu, segundo os deputados, o consenso de que é preciso votar mais na quinta-feira. Contudo, os líderes acreditam que são grandes as chances do pedido surtir apenas um efeito rápido e passageiro. O líder do PSDB, Antônio Carlos Pannunzio (SP), lembra que a tradição de trabalhar de terça a quinta foi quebrada na última legislatura, comandada por Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Quando Chinaglia assumiu, implementou um ritmo intenso de trabalho. Votava-se de segunda a quinta. “Entramos com fôlego total, mas houve reclamação e passamos a reduzir o ritmo de votações em plenário”, observa Pannunzio.
Desde o dia 28 de junho, a Casa não vota nada numa quinta-feira, conforme revela levantamento feito na Secretaria Geral da Câmara. Desde a posse em 1º de fevereiro, foram 38 quintas até hoje. Dessas, cinco são desconsideradas: a da própria posse, duas no recesso (férias) de julho e dois feriados. Das 33 que sobram, apenas em 13 houve alguma votação. E todas no primeiro semestre do ano. Não há qualquer deliberação em plenário desde o início de agosto, como o Correio mostrou em sua edição da última segunda-feira.
O apelo de Chingalia aos líderes esbarra nas lacunas do regimento da Câmara. Quem falta, em princípio, tem o ponto cortado e o salário descontado. Contudo, antes de viajar, na quinta, os parlamentares passam no plenário para registrar presença. No painel, eles estão no Congresso. Mas, na prática, podem estar dentro do avião ou desembarcando no destino quando algum parlamentar pede a verificação de quorum para dar início às votações.
Interino no Planalto
O vice-presidente José Alencar vai ser submetido a nova cirurgia para a retirada de um tumor no peritônio, no próximo dia 29, no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. O cirurgião será o norte-americano Murry Brennan — o mesmo que o operou em novembro do ano passado em Nova York, numa cirurgia semelhante. O operitónio ou peritônio é uma membrana serosa, a maior do corpo, forte, incolor, que cobre as paredes abdominais e a superfície interior do diafragma.
Segundo a assessoria da Vice-Presidência, será uma cirurgia preventiva e no prazo de uma semana. Alencar poderá retomar suas atividades relativas ao cargo.Com o afastamento de José Alencar por causa da cirurgia, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), vai assumir interinamente a Presidência da República pois o presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajará para Zurique, na semana que vem, onde vai acompanhar a cerimônia em que o Brasil será escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2014. Será a primeira vez que Chinaglia ocupará a presidência da República interinamente.
A primeira cirurgia de José Alencar ocorreu em julho do ano passado, em São Paulo, para retirada de um tumor no abdômen. Em novembro, ele voltou a ser operado para a extração de um tumor retroperitonial. A cirurgia durou seis horas e foi realizada no hospital Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, de Manhattan (EUA). Na ocasião da primeira cirurgia, realizada no curso da campanha eleitoral, ele chegou a conversar com Lula sobre a possibilidade de ser substituído na chapa. Lula recusou a proposta e manteve Alencar como seu candidato a vice.